5. Analysis
5.12. Attestation by Nicholas Teder concerning the will of George, Earl of Kent (1524) 55
Neste tópico de análise, nossa questão norteadora busca investigar quais são as condições econômicas, sociais e culturais gerais aos estudantes que possibilitam acesso, frequência e familiaridade com as TIC's fora do ambiente escolar e acarretam desiguais oportunidades de usufruto dos potenciais embutidos nos pacotes tecnológicos.
Pesquisamos 220 estudantes, dos quais 92% responderam ter entre 16 e 37 anos, numa média de 18 anos de idade. A maior parte desse conjunto populacional, isto é, 77%
dos indivíduos encontram-se na faixa etária que vai dos 16 aos 18 anos e apenas 15% têm entre 19 e 37 anos. Nossa pesquisa alcançou 61% de estudantes do sexo feminino e 37% do sexo masculino, dos quais 96% são indivíduos solteiros e 4% são casados no civil ou estão em uniões estáveis. De 86% dos indivíduos que responderam à questão se tem filhos, 4,5% disseram que sim, todas são do sexo feminino, das quais cinco, são solteiras.
Segundo Amaral, Fígoli e Noronha (2007) o capital cultural dos indivíduos está relacionado à sua trajetória familiar. Esses autores apontam o nível de instrução dos pais, a escolaridade dos entrevistados, a renda familiar e o local de residência como elementos que evidenciam as condições socioeconômicas que apresentam efeito sobre o capital cultural dos indivíduos. Em nossa pesquisa, os estudantes possuem o mesmo nível de instrução, diferenciando-se apenas a modalidade do ensino, pois 94% dos pesquisados cursavam o Ensino Médio regular e 6% o Ensino Médio na EJA.
Levantamos que 98% dos estudantes residem com seus familiares, sendo 26% em domicílios compostos por até três indivíduos, sendo 29% que moram em domicílios formados por quatro pessoas, outros 19% em domicílios compostos por cinco pessoas e 20% em domicílios formados por seis ou mais pessoas. Em 43% das residências o casal composto pelo pai e pela mãe é quem exerce a chefia familiar, seguido de 23% onde o papel é desempenhado apenas pela mãe ou 12% apenas pelo pai. Nas demais famílias os arranjos familiares se diversificam entre algum dos pais e outro parente ou os avós, tios, irmãos ou cônjuge.
Ao observarmos a escolaridade de quem exerce a chefia familiar e verificamos que 31% possui o Ensino Médio completo e 11% incompleto; 13% possui o Ensino Fundamental completo e 16% incompletos; 14% possui o Ensino Superior completo e 1% incompletos. Todos os demais chefes de família ou são sem escolaridade ou possuem apenas as séries iniciais do Ensino Fundamental.
Considerando a possibilidade de que a composição domiciliar atual do estudante pode se configurar de maneira diferente daquela onde se deram os processos de socialização praticados pela educação familiar inicial, procuramos saber do estudante quem foi ou foram as pessoas responsáveis por sua educação infantil. Constatamos que 54% dos estudantes tiveram o casal de pais como o responsável por sua educação. Assim como, 29% contaram apenas com a mãe ou 3% apenas com o pai. Entretanto, 7% tiveram a mãe e algum outro parente como responsável, 4% os avós, 2% contaram com os pais e os
avós e os demais tiveram outros indivíduos de seus elos parentais responsabilizando-se por sua educação.
Entre os residentes do domicílio de 35% dos estudantes alguém faz ou já concluiu um curso universitário. Entre os quais em 68% dos casos apenas uma pessoa está nesta categoria de escolarização, em 27% são duas pessoas e em 5% são três ou quatro pessoas. Quanto ao parentesco, 38% dos que fazem faculdade ou já concluíram são irmãos do estudante pesquisado. Em 13% dos casos são mães do entrevistado ou 9% são pais ou ainda 13% que são ambos, pai e mãe. Os demais que fazem ou fizeram curso superior são outros parentes como primos, tios, filho e cunhado.
Além da escolaridade dos familiares, consideramos importante saber se alguém na casa ou o próprio estudante tem fluência em algum idioma. Muitos programas de computador e muitos sites na Internet são apresentados em língua estrangeira, principalmente em Inglês. Verificamos que 10% dos pesquisados possuem alguém em sua casa que é fluente em outro idioma, dos quais 30% indicaram ser eles mesmos e 48% ser um irmão. Mas, 33% dos pesquisados já fizeram curso de idiomas desvinculado do rol das matérias escolares. Entre os quais 63% já fizeram curso de Inglês, 16% de Espanhol, 10% de Francês e os demais de línguas diversificadas como japonês e alemão.
Quanto às condições econômicas do alunato das escolas pesquisadas, procuramos saber quantas pessoas trabalham e/ou possuem renda no domicílio, se o estudante trabalha e qual é sua renda domiciliar mensal. Em 21% dos domicílios apenas uma pessoa trabalha e/ou possui renda, em 37% são duas, em 20% são três, em 10% são quatro. Vimos que 25% dos estudantes trabalham, sendo 39% como estagiários e 30% em atividades comerciais ou de escritório, os demais 31% dos estudantes que trabalham não informaram a atividade que realizam.
A renda domiciliar mensal de 94% dos estudantes foi definida por grupos de salários mínimos que à época da pesquisa era de R$620,00. Levantamos que 9% dos estudantes compartilham de uma renda domiciliar mensal de até um salário mínimo; 25% de um a dois salários mínimos; 25% de dois a três salários mínimos; 19% de três a cinco salários mínimos; 14% de cinco a dez salários mínimos e 8% compartilham de uma renda domiciliar mensal acima de dez salários mínimos.
Para finalizar a composição econômica dos domicílios verificamos a situação do imóvel onde os estudantes habitam. Em 68% dos casos, os estudantes residem em imóvel
próprio da família e quitado; em 23% os estudantes residem em imóveis alugados; 4% residem em imóvel cedido; e outros 4% em imóvel próprio da família, porém financiado.
Essa descrição do perfil econômico, cultural e social dos estudantes pesquisados nos informam uma condição juvenil pautada pela diversidade. Se pensarmos em termos geracionais, a maioria dos estudantes são jovens, entretanto, em vez de homogêneos e tipificados, são desiguais em várias sentidos. Entre os jovens estudantes de nossa pesquisa encontramos, indivíduos solteiros e casados que experienciam a maternidade ou paternidade, alguns trabalham, outros não estão inseridos de forma plena no mercado de trabalho. Nesse sentido, os estudantes "não carregam exclusivamente uma marca geracional, de fase de vida, mas elaboram seus percursos em um cenário marcado pela materialidade" (CORDEIRO, 2009).