5. Analysis
5.5. Attestation by John Estby, vicar, on a land dispute (1453)
O computador e a Internet estão inseridos na atividade docente de 96% dos professores de Sociologia. Vimos então que 85% dos professores levam seu computador pessoal para a escola, entretanto, são 52% os que utilizam para dar aulas. E também apenas 37% dos professores usam o computador da escola, principalmente na sala de aula, seguida do laboratório de informática e da sala multimídia.
Como apresentado logo acima, muitos dos exercícios que os professores solicitam aos alunos são feitos a partir do computador e da Internet. Então, 85% dos professores de Sociologia, mesmo indiretamente, inserem essas tecnologias em seus processos de avaliação. Todavia, ensinar a usar o computador e a Internet não é uma prática comum entre os professores, pois apenas 7% afirmaram realizar a prática pelo menos uma vez por bimestre, sendo que 59% nunca realizaram e 33% não costumam ensinar com alguma regularidade os estudantes a usar essas TIC's. Entretanto, 96% dos professores consideram muito importante ou importante o objetivo pedagógico de preparar os estudantes para o "uso competente" das tecnologias.
Mas, observamos que 38% dos docentes preparam aulas semanalmente com o computador e a Internet, realizando consultas à informações, redigindo material expositivo, compondo avaliações e etc. Assim, como 27% dos professores que usam essas TIC's diariamente para preparar aulas, 23% pelo menos uma vez por mês e 11% não costumam utilizar o computador e a Internet para preparar aulas. Como muitos professores relataram que gostam de complementar os conteúdos do livro didático com mais material de apoio, verificamos que 18% usam diariamente a Internet, 37% semanalmente e 26% mensalmente para buscar textos e conteúdos para serem trabalhados em sala de aula.
Os sites em que os professores buscam os textos de apoio às aulas são diversificados, sendo que 42% afirmaram pesquisar em páginas de instituições e organizações como o Portal do Professor/MEC, revistas, jornais e universidades. Apenas 11% indicaram realizar buscas a partir de plataformas de pesquisa especializadas em conteúdos científicos e acadêmicos como Scielo e Google Scholar23. A maioria, 58%, realizam as buscas pelo site de pesquisa a informações Google e 19% utilizam a Wikipédia, outros não souberam dizer.
Apesar do método de ensino envolver a utilização de material audiovisual como recurso didático comum à maioria dos professores, também observamos que a prática de baixar da Internet arquivos audiovisuais não é costumeira a 27% dos professores de Sociologia. Quem realiza a atividade com mais frequência são 27% que baixam produtos audiovisuais pelo menos uma vez por mês, 23% uma vez por semana, 15% pelo menos uma vez por bimestre e 8% quase todos os dias. Porém, predomina entre os que não realizam a prática ser da faixa etária de 36 a 45 anos em maior proporção que as demais.
Entre os professores de Sociologia que baixam material audiovisual para a prática pedagógica 63% realizam buscas a partir do site Youtube24 que hospeda vídeos caseiros e profissionais e pelo buscador geral Google. Poucos professores nomearam páginas onde são possíveis encontrar material audiovisual específico para a prática pedagógica. No entanto 19% que mencionaram o Portal do Professor/MEC, o site da TV Escola e o Porta Curtas Petrobrás25 que são páginas eletrônicas que hospedam produtos audiovisuais só ou também recomendados para a prática pedagógica.
Constatamos entre os professores que realizam atividades docentes a partir do computador e da Internet que apenas 12% desenvolvem atividades pedagógicas com os estudantes na Internet. Destes, todos são do sexo feminino onde uma professora participa de um trabalho coletivo da escola com o Moodle, outra que possui uma "sala" no site da escola e uma terceira construiu um blog e um site em torno dos projetos que desenvolve extra sala de aula com os estudantes da escola.
O processo de comunicação pela Internet acontece, sobretudo, entre o coletivo pedagógico da escola em que 61% dos professores usam a Internet para se comunicar com os outros professores. A maior frequência de comunicação pela Internet é semanal e realizada por 50% dos professores, seguida da comunicação diária que é feita por 25% dos professores. Já com os alunos, 58% não costumam estabelecer comunicação pela Internet. Entretanto, além das comunicações realizadas a partir dos trabalhos pedagógicos na Internet, como pelo moodle e sites ou blogs, encontramos um conjunto de professores que adicionam alunos em suas páginas de perfil nas redes sociais como Facebook e Orkut.
Porém, notamos que há certo receio por parte dos docentes com o fato de ter alunos entre os seus contatos das redes sociais. Eles adotam precauções em relação ao tipo de postagem de conteúdos que tornam públicos e adotam critérios para adicionar os estudantes. A seguir, uma professora registra sua insegurança diante dessa situação:
Eu não adicionava, mas agora eu adicionei um e virou um negócio viral. É cheio de aluno. [E como que você lida com a questão?] É meio difícil, por que as vezes, eu falo assim, não esse aluno eu não vou adicionar. Fica meio confuso. Eu tenho no Facebook um milhão de pedidos de alunos, desse eu não lembro, esse eu sei quem é ou esse eu não me dou bem assim com ele, sabe? Então é uma confusão porque são meus amigos que eu estou aceitando ou não? É uma confusão entre afetividade e aluno. E
24 http://www.youtube.com.br 25
eu realmente estou confusa, não sei quem aceitar ou não aceitar, mas tenho aceitado muitos alunos. Então, eu parei de colocar algumas coisas muito íntimas já que estou adicionando alunos. Mas eu adiciono muitos alunos porque tenho uma página no Facebook de fotografia que é o meu hobby e eu já tirei muita foto de alunos. Então, eu fico assim, pra eles acessarem minha página, não necessariamente eles precisam ser meus amigos no Facebook, mas é uma maneira de facilitar a entrada deles na página e visualizarem minhas fotos. E eles gostam de ver. Tenho uma crise muito profunda. (J. A. - Paranoá)
Conforme vimos nesse relato, a comunicação a partir da rede social acontece porque os alunos querem ver fotografias que a professora publica de eventos que eles participam. Mas há comunicações interativas de papos instantâneos e comentários de publicações.
Então, hoje foi até um fato que eu presenciei na minha sala com uma aluna que me parece que ela tinha um grau muito grande de amizade com a outra e essa menina esculachou ela na rede social. [...] Eu falei que não estava certo [...] que ninguém tem o direito de difamar, que a rede social é boa pra manter a amizade, um grau de informação. [...] Mas assim, no inicio eu comecei me dar muito com eles, mas só que eles começaram a tumultuar de mais. São muitos e eles quando você entra no Facebook 'oi tia, oi professora, oi gatinha, oi meu amor e não sei o quê'... [responde às chamadas dos alunos] 'Oi gente tudo bem? Como é que vai? Oi querida estou bem e você o que está fazendo? Foi pra aula hoje? Foi! Você não foi, o que foi? Não, tá,tá'... Não é sempre porque a gente não tem tempo. Mas, às vezes eles falam e eu sou sincera, não respondo. [se comenta as publicações deles] Eu já falei pra eles pararem de fazer essas caras e bocas que eles têm mania... Aquelas que põe biquíni, shortinho, põe blusinha, mostram marquinha... Imagens que instigam os homens, os alunos e que podem levar a uma ideia que não é da própria pessoa pela foto que ela postou, pela imagem que ela se colocou. Então... Comento, aproveito pra comentar essas coisas. (M. C. N. - Planaltina)
Alguns professores olham as publicações dos estudantes com curiosidade sociológica ou mesmo realizam certos controles dos comportamentos.
Na verdade, eu não escrevo nada no Facebook. Só dou uma bisbilhotada lá, também não tem nada de interessante, só a bobajada de sempre. Nada de coisa séria, só assuntos sem importância. É... por exemplo, na maioria das vezes tá uma igreja e outras vezes como um muro das lamentações. É assim, todo mundo falando em Deus ou chorando em prol de alguma coisa, só isso que tem. (A. A. O. - Guará)
A maioria são alunos [dos contatos] mais por conveniência, eu estou ali mais pra fazer uma leitura social deles. Eu faço um olhar critico pra poder conhecer como é que está a sociedade mesmo. Por meio de fotos, essa lente de avaliar as pessoas... o gosto musical... em termos de
comportamento é um excelente estudo. A questão cultural é espetacular! Eu estou ali na comunidade da boa vizinhança, observando... (M. J. S. - Planaltina)
Nesse sentido, o computador e a Internet alteraram as relações e interações entre professores e alunos e com o trabalho docente. Há na percepção de 85% dos professores que as TIC's os levaram a adotar novos métodos de ensino e que organizam de outra maneira as aprendizagens dos alunos.
Quando o computador se faz necessário para atividades administrativas, 77% dos professores realizam tais atividades principalmente em casa, a escola só aparece em segundo lugar como espaço mais frequente. Para os professores que realizam práticas docentes com o computador e a Internet, 73% concordam que tais TIC's tornam as atividades administrativas mais fáceis de serem executadas. Poucos professores, apenas 23% observaram aumento na quantidade de trabalho com a introdução do computador e da Internet. Então, 73% concordam que o computador e a Internet contribuíram para que se tornasse um educador mais eficiente em sua prática de ensino.
5.5 Discussão dos dados sobre as condições de trabalho e os saberes para o ensino de