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As organizações universitárias também foram alcançadas pelas mudanças ocorridas nos cenários econômico, político e social nas últimas décadas. No Brasil,

os problemas relacionados à gestão nas IFES tem sido alvo de estudos, debates e discussões, que vão muito além do ambiente interno, devido à profunda interdependência dessas instituições com o ambiente externo. De acordo com Menezes et al. (2008), esse novo contexto exige das IFES mais ênfase no gerenciamento do conhecimento.

Para Solino (1996), o modelo organizacional decorrente da Reforma Universitária de 1968 parece ter entrado em colapso. Ainda assim, de acordo com o autor, a instituição universitária, independente da realidade social, tem sempre respondido pela excelência do saber científico, do nível filosófico e cultural, e por esse motivo, tem recebido da sociedade o reconhecimento a que faz jus. No entanto, também tem sido severamente criticada quando não consegue acompanhar os avanços científicos e tecnológicos e perde sua capacidade de traduzir em ações concretas as necessidades emergentes da sociedade, através de suas funções básicas: o ensino, a pesquisa e a extensão.

Devido às especificidades da IFES, novas formas de gestão têm sido estudadas como alternativas de adequação às necessidades emergentes do ambiente interno e do externo nos quais está inserida. No entendimento de Souza (2009), é relevante que seja realizado o desenvolvimento de pesquisas nas IFES a partir das novas teorias de gestão pautadas no conhecimento. Em seu estudo, o autor constatou que, embora seja fundamental a gestão baseada no conhecimento, o que se evidencia em vários estudos e pesquisas é que, na maioria das universidades, ainda não se utilizam práticas de gestão do conhecimento.

Maccari e Rodrigues (2003) realizaram pesquisa com pró-reitores de cinco Instituições de Ensino Superior (IES) e descobriram que, de forma geral, a GC está incipiente e que há uma preocupação maior em atender aos requisitos exigidos pelo MEC e pela CAPES. Os autores concluíram que os princípios da GC usados para os demais tipos de organização não são entendidos e praticados nas IES pesquisadas e que as IES focam seu papel e suas funções no provimento da preparação intelectual do seu corpo docente, na produção intelectual e na publicação.

Coelho e Angeloni (2006) pesquisaram como se dá o compartilhamento do conhecimento numa IFES, na perspectiva de líderes e liderados. Os resultados evidenciaram que ambos os grupos da IFES pesquisada, apesar de não terem um programa formal de compartilhamento do conhecimento, estão conscientes de sua

importância, porém não estão satisfeitos com os estímulos recebidos para compartilhar o conhecimento.

Batista et al. (2006), em estudos realizados de forma bastante abrangente, analisaram como as áreas de administração e de planejamento de 45 IFES tratam o tema GC. Os principais resultados apontaram que a implantação de práticas de gestão do conhecimento, nas áreas administrativas e de planejamento das IFES, encontrava-se no estágio inicial, no que diz respeito às práticas relacionadas aos aspectos de gestão de recursos humanos, à estruturação dos processos organizacionais e às práticas cujo foco é a base tecnológica. A pesquisa detectou também que não há, na maioria das áreas de administração e de planejamento das IFES, explicitação nem formalização da gestão do conhecimento. Ficou evidenciado que a GC não é uma prioridade para a maioria das áreas administrativa e de planejamento das IFES; a percepção da importância da GC é maior entre os dirigentes; há pouca disseminação da estratégia de GC nas instituições; para a maioria das tais áreas das IFES, GC é um conceito abstrato, discutido apenas por pequenos grupos informais; os compromissos das equipes de recursos humanos, de tecnologia da informação e redes de conhecimento são o principal mecanismo para definir a estratégia de GC; as iniciativas de GC são mais utilizadas nas áreas de informática, nos centros de documentação e informação/biblioteca e em recursos humanos, e a alta diretoria foi a principal responsável pela introdução da GC na organização. O estudo indica, ainda, que a clara identificação e a priorização das ações de GC são uma realidade em apenas um grupo reduzido das áreas de administração e de planejamento das IFES, e poucas instituições pesquisadas apresentaram objetivos específicos de GC.

No tocante à alocação de recursos, a maioria das áreas de administração e de planejamento das IFES não conta com orçamento efetivo para tratar a GC de maneira compatível com os objetivos traçados, e a quase totalidade de tais áreas não tem setor específico de gestão do conhecimento. Os principais obstáculos para a implantação da GC apontados pelas instituições pesquisadas foram: gestão do conhecimento não é prioridade do governo; baixa compreensão sobre gestão do conhecimento na organização; deficiências na infraestrutura computacional, de redes, de servidores etc.; dificuldade de captar o conhecimento não documentado; falta de incentivos para partilhar conhecimento e falhas de comunicação.

Apesar das dificuldades de implantação da GC em IFES, estudos têm apontado que essa é uma realidade viável na prática, e não, apenas, na teoria. De acordo com Francisco (2011), mesmo diante das barreiras, é possível promover processos de inovação e gestão do conhecimento no setor público, tendo como objetivo otimizar os recursos disponíveis. O estudo de Silva (2011) indica que, para gerir conhecimento numa IFES, é necessário que essa questão seja constituída prioridade para os gestores responsáveis pelas tomadas de decisões, que essa temática esteja na pauta estratégica da organização, que haja mobilização das pessoas, definição de tecnologias da informação, reformulação de processos, entre outras práticas. O autor aponta como dificuldade a cultura organizacional e sugere um fortalecimento da cultura com foco na excelência da prestação do serviço público.

De fato, a cultura organizacional é apontada por estudos como sendo um fator de grande importância para o sucesso das práticas de GC, ou como forte obstáculo, sobretudo no processo de criação do conhecimento organizacional. Os autores Nonaka e Takeuchi (1997) apresentam um modelo teórico de criação do conhecimento, que permite às organizações realizarem a criação do conhecimento, que, neste trabalho, é considerado como uma das etapas do ciclo da GC. De acordo com Menezes et al. (2008), o modelo de conversão do conhecimento, apresentado pelos autores, representa uma perspectiva conceitual e organizacional para a gestão do conhecimento.

3.2 FUNDAMENTOS TEÓRICOS DA CRIAÇÃO DO CONHECIMENTO E DA