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Wall-Induced Turbulence

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4.3 Obstacle-Induced Turbulence

4.3.3 Wall-Induced Turbulence

Tratando do tempo presente, observa-se um movimento internacional que favorece as danças de roda ou circulares em diversos países, inclusive no Brasil. As danças circulares entraram no Brasil a partir de algumas iniciativas, como a de Carlos Solano Carvalho, consultor de Feng-Shui (uma antiga arte chinesa que busca harmonizar os ambientes). Com formação em Arquitetura, Carlos Carvalho foi um dos primeiros brasileiros a participar de cursos de formação nas Danças Circulares Sagradas na Fundação Findhorn (Norte da Escócia) e aprendeu que nessas danças não existe uma coreografia fechada, definitiva, onde é possível haver uma entrega total, que favorece uma abertura com o próprio íntimo e exalta a condição humana de cada um, quando se evoca a memória dos ancestrais, reproduzindo movimentos que ocorreram por inúmeras gerações (BARCELOS, 2012).

Inegável também é a importância comunidade paulista de Nazaré, conforme registra Ostetto (2006), demarcando um momento histórico para o Brasil.

No Brasil, o princípio das danças circulares também está associado a uma comunidade, conhecida como Comunidade de Nazaré. Situada nos arredores da cidade Nazaré Paulista, no Estado de São Paulo, e fundada no início dos anos 1980, tem em suas raízes a inspiração na comunidade da Escócia.

Os idealizadores da Comunidade de Nazaré23, em visita à Fundação

Findhorn, motivados pela organização e trabalho lá realizados, convidaram a americana Sara Marriot, então residente em Findhorn, a vir ao Brasil e contribuir com a criação e estruturação de uma comunidade naqueles moldes. Em 1983, Sara Mariot, com quase 80 anos de idade, passou a residir no Brasil, em Nazaré, onde permaneceu até 1999 (OSTETTO, 2006, p. 93, grifo da autora).

Segundo Ramos (2002), muitas das práticas desenvolvidas em Findhorn passaram a ser incorporadas na comunidade de Nazaré, sendo que com a vinda de Sara para o Brasil, muitos amigos da Escócia a visitavam e traziam danças que eram repassadas aos demais. Nesse intercâmbio cultural além de novas formas de dança, vinham também músicas novas, gravadas ainda em fitas K7.

Barcellos (2012) afirma que quando retornou ao Brasil em 1986, Carlos Carvalho reunia amigos em Belo Horizonte e dançava o que aprendeu na Escócia, exaltando o aspecto prazeroso da dança circular e aos poucos começa a

23 Que segundo Ostetto (2006) em 1992 passa a ser uma associação sem fins lucrativos, conhecida

sistematizar os conhecimentos e programar cursos e oficinas, com aulas regulares e apresentações em eventos. Com isso foi possível desenvolver seu trabalho em diversos lugares, em Minas e em outros Estados, atuando em congressos, universidades, praças, clínicas, escolas, órgãos públicos, empresas. Com o tempo outras pessoas foram se apropriando das danças circulares no Brasil, tanto pela Fundação Findhorn, quanto por outras vias que favoreciam as informações.

Outro nome que se destacou no cenário nacional - inclusive responsável direta pela chegada das DCs a Belém - é Renata Ramos, que citada por Ostetto (2006) revela sua iniciação nas DCs:

Conheci as Danças Circulares em 1992, quando fui a Findhorn pela primeira vez. Fiquei literalmente encantada e, em 1993, voltei à Escócia especialmente para participar de um pequeno treinamento com Anna Barton. De volta ao Brasil, comecei a ensiná-las (RAMOS, 2002, apud OSTETTO, 2006, p.94).

Renata Ramos e Carlos Solano se uniram ao movimento nacional que facilitou a entrada das DCs no Brasil, bem como disseminaram mais informações sobre as DCs:

Em julho de 1996, Carlos Solano Carvalho e Renata Ramos, instrutora paulista, também formada em Findhorn, organizaram um grupo de 25 brasileiros para o Festival de 20 anos da Dança Sagrada, em Findhorn. Esse momento histórico representou uma ampliação na divulgação das Danças Circulares Sagradas no Brasil, envolvendo um número maior de pessoas no processo de informação, formação e prática das Danças Circulares (BARCELLOS, 2012, p. 31).

Desse modo, observa-se que as DCS começaram a entrar no Brasil em fins da década de 90 do século passado, recebendo influências de matrizes culturais brasileiras. Com a vinda de focalizadores formados na Escócia, o movimento começou a crescer e culminou com um grande encontro brasileiro, que definitivamente, afirmou o movimento das DCS no Brasil, segundo Ostetto (2006, p. 94, grifo da autora):

Um marco e um indício desse crescimento é a organização do Encontro

Brasileiro de Danças Circulares Sagradas, realizado pela primeira vez em

2002. De lá para cá, muita gente dos diferentes estados brasileiros marcam presença no grande acontecimento das danças circulares, em que já se transformou o encontro brasileiro. É realizado anualmente, nos dias do feriado de Corpus Christi, no Estado de São Paulo.

Esse ano, 2002, coincide com o ano de fundação do MM em Belém, por Maria Esperança e Déa Melo, que iniciaram um movimento de rodas abertas, e começaram a enveredar por caminhos antes desconhecidos, baseadas em vivências, pesquisas e cursos de formação em DCs.

1.5 A VIVÊNCIA NAS DANÇAS CIRCULARES DO MANA-MANÍ

Minha experiência enquanto pesquisador das interações nas DCs do MM deu- se a partir de maio de 2013, quando comecei a participar das DCs fazendo minhas anotações, entrevistas e observações não estruturadas.

Uma experiência nunca imaginada estava a minha espera. O desafio era buscar identificar a dimensão comunicativa nas interações das DCs em uma dança de roda, como as antigas danças infantis, o que me lembrou imediatamente a modinha “atirei o pau no gato”, uma brincadeira infantil, a primeira dança circular de que participei.

Desse modo, procurei observar detalhes das vivências do grupo quando ocorria a DC, buscando perceber e interpretar as interações. Essas investigações se aprofundaram em suas práticas comunicativas mais presentes nos momentos de compartilhamento, que lembram as discussões de Raquel Paiva (2003) sobre o espírito comunitário, a partilha de um bem simbólico, revelando aos poucos o ethos24

do MM. Essas peculiaridades e particularidades ajudaram a interpretar o que o estudo empírico oferecia durante o processo de investigação.

Foram muitas as observações, que, de uma forma proposital estão espalhadas pela pesquisa, pois minha participação ocorre na forma interpretativa e que vai se constituindo a partir das muitas ocasiões nas quais fomos refletindo sobre o tema. Entretanto, é importante relatar aspectos genéricos das danças circulares desenvolvidas pelo MM.

Pelo que percebi inicialmente, a DC é um momento de tensionamento/relaxamento, pois mobiliza emoções, sentimentos, memórias, identificações, num turbilhão de sensações, percepções e vivências intersubjetivas. Logo, é um momento de abertura favorável à interação para com o outro, um local

24Ethos, conceito apreendido em Muniz Sodré (2002, p.3) segundo o qual, “de um modo geral ethos

é a consciência atuante e objetiva de um grupo social – onde se manifesta a compreensão histórica do sentido da existência, onde têm lugar as interpretações simbólicas do mundo – e portanto, a instância de regulação das identidades individuais e coletivas”.

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