Antes de discutir as interações observadas na ação do MM, descrevemos os sujeitos entrevistados, traçando seu perfil. Entrevistamos 20 pessoas, dentre os quais 1 homem e 19 mulheres – números que indicam, relativamente, a variante da participação homem/mulher no grupo, à medida que há mais mulheres do que homens, numa proporção relativa, segundo nossa constatação, uma média de 8 para 1.
Alguns dos participantes são recentes no grupo e outros o acompanham desde o início. Esse número de amostragem é compatível com o número de participantes nas danças circulares, pois apesar de ser variável, a média de participantes por roda aberta está para 30 pessoas.
O perfil destes participantes foi obtido a partir das técnicas de abordagem descritas na metodologia. Juntamente com a descrição dos dados gráficos, procuramos explicitar a maneira como o fator “interação social” está, neles, presente.
O aporte sociográfico dos agentes sociais, assim, nos importa enquanto instrumento para que possamos compreender melhor nosso objeto de análise, em sua dimensão intersubjetiva.
Optamos pela visualização numérica no lugar da visualização percentual, haja vista o número de amostragem ser inferior a 100. Desse modo, entendemos ser mais clara a abordagem numérica, em números redondos, o que contribui para um maior entendimento da quantidade exata dos participantes em cada categoria.
GRÁFICO 1 - IDADE DOS SUJEITOS ENTREVISTADOS
Fonte: Dados levantados pela pesquisa, 2013/2014.
Nesse gráfico verifica-se a preponderância da idade entre 51 a 60 anos (6), muito embora haja um certo equilíbrio nas demais faixas etárias, 5 entre 41 a 50 anos, 4 entre 31 a 40 anos e 4 entre 20 a 30 anos. Apenas uma pessoa acima dos 60 anos respondeu ao formulário. A dança circular demonstra pela faixa etária que agrada muito a uma faixa etária mais avançada, geralmente pessoas que estão buscando novas experiências, novas amizades, ou ainda uma forma de estar em contato com outras pessoas. A maturidade e o conhecimento podem ser fator de influência nesse grupo, pois quem participa das danças circulares, geralmente está no nível de graduação e pós-graduação e isso reflete na decisão de seguir realizando uma atividade que se mostra benéfica sob diversos aspectos. Outro fator que pode estar influenciando a idade e a maturidade de quem procura as rodas é o lado profissional, pois muitos dos participantes acabam levando a vivência das DCs para sua profissão e seu cotidiano, conforme será visto mais adiante.
O grau de maturidade e faixa etária dos participantes também colabora com a seriedade e o compromisso das danças circulares, haja vista que a maioria já está há muito tempo participando das rodas.
GRÁFICO 2 - SEXO DOS SUJEITOS ENTREVISTADOS
Fonte: Dados levantados pela pesquisa, 2013/2014.
O MM tem algumas particularidades que podem ter influenciado a participação de mulheres nas danças. O MM foi fundado por duas mulheres (Maria Esperança e Déa Melo), uma psicóloga e uma jornalista. Ambas com potencial criativo aguçado, sendo que suas pesquisas no campo da dança sempre exaltaram a leveza, a criatividade a sensibilidade, aspectos que nem sempre são bem aceitos ou adotados por homens quando entram na dança circular. Isso não é um dogma, pois há homens que se expressam muito bem nas DCs, conforme tive a oportunidade de observar na pesquisa, mas esse número de participantes masculinos em menor escala na pesquisa reflete uma realidade. Poucos homens se mostram à vontade dançando. As mulheres afirmam que, na dança, se “sentem soltas”, como se houvesse uma pré-disposição na roda, pois desde o início sempre houve um número maior de mulheres dançando.
Há ainda o preconceito por parte de alguns homens que acham a dança de roda feminina demais, e talvez não se sintam a vontade expondo sua intimidade de uma forma tão aberta, reflexo da cultura ocidental machista, inclusive brasileira, na qual a mulher só recentemente esta quebrando alguns tabus e superando a visão paternalista de doméstica e mãe, responsável pela casa quando o homem deveria estar livre para trabalhar e viver outras histórias paralelas ao lar.
Os fatores que apontam para o predomínio das mulheres nas danças circulares em nossa pesquisa são a leveza dos movimentos, a flexibilidade dos movimentos, a dança das cadeiras, o rebolado, a espontaneidade dos gestos, o abraço, o olhar nos olhos, a afetividade, elementos que estão muito mais presentes entre as mulheres.
GRÁFICO 3 - CIDADE DE ORIGEM DAS RESPOSTAS DOS SUJEITOS ENTREVISTADOS
Fonte: Dados levantados pela pesquisa, 2013/2014.
O MM tem atuações dentro e fora do estado do Pará, e nesses 12 anos, a serem completados em maio desse ano, demonstra ter seguidores no Pará, em partes do Brasil e em alguns lugares do mundo, a exemplo da participante que está morando em Munique (Alemanha), e que se dispôs a responder ao formulário.
Após quase 12 anos de trabalho em Belém, é justo que a maioria dos seus participantes esteja sediada em Belém, das 20, 14 pessoas são belenenses, mas é importante frisar o por quê da participação de outras cidades e estados.
Essas pessoas estão longe, mas de alguma forma estão conectadas com o MM, seja a partir das oficinas que este desenvolve em algumas cidades, a exemplo de São Luiz, de Brasília, ponto de encontro de grupos culturais com essa mesma finalidade, seja em cidades da Amazônia, em oficinas ou encontros de formação dos focalizadores dos grupos de dança. Daí vem essa rede de relacionamentos espalhada por todo o Brasil, de pessoas que de alguma forma participaram das DCs do MM.
As respostas foram coletadas em determinado tempo, com previsão de coleta de determinado número de participantes da pesquisa, de modo que se almejássemos um número maior de amostragem, obteríamos representações de outras cidades. Entretanto, ficou claro que o local de maior atuação do MM é Belém, embora seja conhecido e já tenha oportunizado a participação de pessoas de outras cidades e estados.
GRÁFICO 4 - ESCOLARIDADE DOS PARTICIPANTES DAS DCs
Fonte: Dados levantados pela pesquisa, 2013/2014.
Neste gráfico observa-se uma predominância de pessoas que tem alguma pós-graduação, variando entre especialização, mestrado e doutorado, sendo que o doutorado foi identificado em apenas uma delas e pelo menos uma também com mestrado. As demais são especializações.
Esse dado demonstra um interesse relevante de quem se dedica a pesquisa e aos estudos, mesmo sendo em áreas distintas, mas que reflete um dos pilares das danças circulares, a interdisciplinaridade. Outro aspecto que pode ser relevante nesse quadro é a complexidade do assunto, pois as danças circulares não se resumem a apenas à dança, são muitos os fatores que se somam para que a dança circular desperte interesse tanto de profissionais de diversas áreas, quanto de pesquisadores.
Se somarmos quem terminou a faculdade (T.G. completo) com quem tem pós–graduação incompleta, temos 6 pessoas, que somadas com os pós-graduados, chegamos a 18 pessoas, ou seja, quase a totalidade de pessoas que participam das DCs tem graduação, com predominância da pós-graduação, tendo apenas duas pessoas que ainda não terminaram sua faculdade. Portanto há um predomínio de graduados e que desenvolvem atividades afins com as DCs.
É bom enfatizar que a totalidade das pessoas entrevistadas adotam muitas técnicas de abordagens das DCs em suas atividades profissionais, a fim de dinamizar sua capacidade de envolvimento com o outro, o que favorece, segundo relatos dos pesquisados, a relação mais afetiva e a alteridade necessárias ao bom desenvolvimento de suas atividades.
GRÁFICO 5 - RENDA MENSAL DOS SUJEITOS ENTREVISTADOS
Fonte: Dados levantados pela pesquisa, 2013/2014.
A classe que predomina entre as pessoas da amostragem remete a pessoas que não ganham mais de dois salários mínimos (6), seguida pela amostragem das que ganham entre 5 a 6 salários (5). Em seguida, tem as pessoas que ganham entre 3 a 4 salários (4), as que ganham entre 7 a 8 salários (1) e uma delas que não tem renda alguma.
Desse modo observa-se que a predominância de pessoas que não ganham nem dois salários, muitas delas com pós-graduação completa, não priorizam o capital financeiro como pré-requisito para se gostar de dançar as DCs. O perfil mostra que são pessoas com um relevante conhecimento intelectual, embora sua faixa de renda não seja alta.
Nesse bojo, pelo menos 3 pessoas ganham acima de 9 salários mínimos. Se somarmos com quem ganha entre 5 a 8 salários mínimos chegamos a 9 pessoas. Quase 50% dos participantes. Essa é uma informação relevante, pois as danças circulares requerem dedicação, às vezes viagem para outras cidades, a contribuição para o alimento durante as DCs, um momento de partilha também, e as oficinas que custam em média R$ 150,00 cada módulo, sendo que às vezes são dadas em 4 módulos sequenciais, a cada mês. É bom ainda lembrar que pelo menos uma pessoa sem renda alguma respondeu ao formulário, demonstrando que nem sempre quem tem renda, participa das DCs.
GRÁFICO 6 - TEMPO QUE OS SUJEITOS ENTREVISTADOS CONHECEM O MM
Fonte: Dados levantados pela pesquisa, 2013/2014.
Pessoas que conhecem o MM entre 8 a 10 anos estão mais concentradas na faixa etária mais predominante, ou seja, entre 51 a 60 anos, atendendo a uma lógica de que os mais antigos conhecem há mais tempo.
O tempo de conhecimento do coletivo nem sempre coincide com o tempo que participa das danças. Algumas delas, apesar de conhecer o MM há 10 anos, participam apenas 2, ou 3 ou 4 anos intensamente das rodas, e em alguns casos há pessoas que tem o mesmo tempo de conhecimento e participação nas rodas.
O que se pode observar é que as pessoas que tem mais tempo de conhecimento e participação, são muito mais interativas e sentem mais a vontade para participar e trazer contribuições, como agendas culturais, performances teatrais, uma cantoria, um poema, uma história pessoal, coisas que fazem a diferença entre os mais antigos e os mais novos nas DCs.
É bom destacar que o número de pessoas que conhece o coletivo há menos de um ano são 4 pessoas e quem conhece o coletivo entre 8 a 10 anos são 7 pessoas, ou seja, não são números dispares, observando-se a possibilidade grande de renovação e conhecimento recente do MM por parte de pessoas que participam das rodas.
GRÁFICO 7 - TEMPO DE PARTICIPAÇÃO DOS SUJEITOS ENTREVISTADOS NAS DCs DO MM
Fonte: Dados levantados pela pesquisa, 2013/2014.
Neste gráfico observa-se que o tempo de participação dos sujeitos nas danças circulares, ganha volume em duas faixas, 2 a 4 anos e 8 a 10 anos, somando os dois: 14 pessoas. Ao mesmo tempo em que se observa a participação de pessoas por um tempo razoável (8 a 10 anos), observa-se também uma reunião de pessoas que estão há pouco tempo, se considerarmos ainda a faixa dos que estão há menos de um participando das rodas, o que somaria pelo menos 11 pessoas participando há menos de 4 anos.
Se a maioria está participando em um período considerado quase recente, demonstra a capacidade de renovação e ampliação das ações do MM, inclusive em faixas etárias que podem estar se concentrando entre os mais novos, ou pelo menos na média de idade, entre 31 a 40 anos, que chegou a ser computado 4 pessoas, em assimetria à faixa etária entre 51 a 60 anos, com 6 pessoas participando.
Isso demonstra ao mesmo tempo em que o MM mantêm pessoas que o acompanham em um tempo maior (de 8 a 12 anos, 9 pessoas). Pode- se inferir que também há um grupo que se aproximou a menos de 4 anos, ou seja, 11 pessoas.
QUADRO 2 - PROFISSÃO OCUPAÇÃO DOS PARTICIPANTES DAS DCS