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Implementation

In document Turbulent Fluids (sider 44-47)

4.2 Anisotropic Turbulence Modeling

4.2.3 Implementation

Maria-Gabriele Wosien é pesquisadora, bailarina e filha do bailarino e corégrafo alemão Bernhard Wosien (1908-1986), pesquisador e criador das Danças Circulares Sagradas22. Maria-Gabriele escreveu o livro “Dança Sagrada: deuses, mitos e ciclos”, onde busca significar as danças circulares sagradas a partir de histórias, mitos e religiões antigas. Desse modo, segundo esta autora, na mitologia grega, a história da criação revela que o universo surgiu da dança da deusa Eurínome, que dançando, gerou o Cosmo:

No início era Eurínome, a deusa de todas as coisas. Ela se elevou nua do espaço infinito.

Mas ela não encontrou nada sólido, sobre o que ela pudesse colocar seus pés. Daí ela dividiu o mar do céu e dançou solitária sobre suas ondas. Ela dançou na direção do sul e atrás dela elevou-se o vento. Ela virou-se, apanhou o vento norte e o esfregou entre suas mãos.

Daí surgiu Ofíon, a grande serpente.

Eurínome dançou cada vez mais selvagem até que Ofíon envolveu-se em seus membros divinos e copulou com ela. Assim ela engravidou do vento norte.

Eurínome tomou então a forma de uma pomba, pousou sobre as ondas e, no devido tempo, pôs o ovo do universo.

À sua ordem Ofíon deu sete voltas em torno deste ovo até que ele estivesse chocado e se abrisse.

Dele saíram todas as coisas: o sol, os planetas, as estrelas e a terra com suas montanhas e rios, sua árvores, plantas e seres vivos (RANKE- GRAVES apud WOSIEN, 2002, p. 9).

Segundo Wosien (2002, p. 14), o ser primário, "ente que era antes que tudo o mais fosse", criador da semente dos deuses, dos homens e de todas as criaturas, trazia como sinal simbólico do ato sagrado de criação duas conchas, que se encaixavam de várias maneiras, em seus lados concavo e convexo, ou seja, “CↃ”, que poderiam ser entendidas também como as duas partes da serpente do universo. Estes sinais são elementos básicos que compõem a maior parte das danças circulares, designando a unidade entre o céu e a terra, interligados pelo caminho da luz. “Os redemoinhos, como circunvoluções em torno do centro criador, encontraram sua expressão nas formas da espiral e do labirinto, como símbolos do caminho de encontro com o centro do universo”.

22 Mais adiante há esclarecimentos sobre a o bailarino e coreógrafo Bernhard Wosien e as Danças

Figura 5 - Espiral dupla quadruplamente ligada. Cosmograma das trajetórias luminosas em torno de um sol central. Figura de um vaso de Syros, Egeu, por volta de 2.200 a. C., Museu Nacional de Atenas.

Fonte: Wosien (2002, p. 14)

Ainda segundo Wosien (2002), nas formas das danças circulares e suas variantes, encontra-se a manipulação simbólica da evolução, do surgimento e do desvanecimento do sol e da lua, conforme a figuração abaixo:

Figura 6 – Sinais da trajetória da serpente da luz

A autora afirma que são estes os sinais da trajetória da serpente da luz, quando percorre seu caminho bipartido durante o ano, fazendo ligações entre o que está em cima com o que esta em baixo. Algumas variáveis dos signos que representam a união do céu e da terra, e que foram separados no mito da criação, voltam como metáfora cósmica no decorrer do ano. Essas variáveis também se tornam elementos básicos da dança circular, suas formas e movimentos de seus passos (WOSIEN, 2002). Logo abaixo algumas variações dos sinais da trajetória percorrida pela serpente da luz:

Figura 7 – Variáveis dos sinais da trajetória da serpente da luz

Fonte: Wosien (2002, p. 15)

No calendário anual os meses são como as voltas e curvas, fases ou ciclos que se encontram fechados em si mesmos, e por serem partes de um todo, formam algo maior quando juntos. O caminho da deusa/deus no ano enquanto ser lunar/solar, subentende movimentos ‘para cima e para baixo’, ‘para frente e para trás’, ‘para lá e para cá’. Desse modo, os cultos entendem que o ano representa um circulo, uma roda, que em sua ordem universal guarda leis, verdades e costume sagrado (em latim ritus) (WOSIEN, 2002).

Para Wosien (2002) a vitória da luz sobre as trevas corresponde ao nascer do sol. No ritual, a dança de roda representa os movimentos das rodas celestes quando estão dando suas voltas, para cima, para baixo, para o lado, e com isso reflete a circulação da vida sobre a terra. É a representação da lei da metamorfose eterna e de suas revelações no espaço e no tempo, no aqui e no agora.

Esse aspecto divino da dança a relaciona diretamente ao culto, pois quem cultua, se entrega, se abre, se mostra aberto ao encontro. As mais antigas atividades de culto são um Abrir-Se, um Movimentar-Se em direção à luz, um Sintonizar-Se na luz, um Dançar para a luz (WOSIEN, 2000).

O cristianismo em seu início reverenciava a dança, que acompanhava atividades sagradas e estava presente em rituais como o casamento e batizados. A dança, enquanto encontro, foi por muito tempo cultivada, e ainda nos dias de hoje na

Grécia, a dança não é vista somente como um encontro consigo mesmo, mas também com a comunidade, onde o passo de cada um encontra uma reverberação viva no grupo (WOSIEN, 2000)

Conforme Wosien (2002) os índios da América do Norte têm a compreensão, ainda hoje, da relação estreita dos seres humanos com a natureza, entrelaçada vividamente com o espírito divino. Em sua tradição expressam uma dança religiosa que foi preservada até o presente:

Tudo o que a energia do Universo realiza completa-se em um círculo. O céu é redondo e eu escutei que a terra é redonda como uma bola e assim também são as estrelas... O vento, em sua imensa força, faz redemoinhos. Pássaros constróem ninhos redondos, pois eles têm a mesma religião que nós. O sol ascende e declina em um círculo. O mesmo faz a lua e ambos são redondos.

As estações do ano, em suas mudanças, formam um grande círculo e retornam sempre. A vida dos seres humanos descreve um círculo, de Infância a infância, e assim é com tudo o que é movido por uma energia. Nossas tendas eram redondas como ninhos de pássaro e sempre dispostas em um círculo, o círculo de nosso povo, um ninho de muitos ninhos, nos quais nos criamos e cuidamos de nossa criação segundo a vontade do Grande Espírito (RECHEIS; BYDLINSKI, apud WOSIEN, 2002, p. 16).

Para a autora, o círculo enquanto imagem espelhada do universo, suprime as contradições e contêm toda potência. O círculo não demarca o início, nem o fim. Desse modo, o que foi repassado pelas primeiras imagens permitem mobilidade e mudanças infindáveis, embora continuem as mesmas. As verdades míticas ressurgem como novas em cada momento histórico, assim que é vivificada e reinterpretada, segundo cada espírito da sua época. O que permanece são as leis da vida, estruturas rítmicas e cíclicas que se traduzem em expansão e contração, surgimento e desvanecimento, desde a origem do homem e do mundo. Desse modo, as danças circulares acompanham um tempo cíclico que está sempre reativando a primeira causa, da qual a vida sobre a terra se rejuvenece a cada ritual de dança (WOSIEN, 2002).

Inscrito no quadrado e no círculo o dançarino é simbolicamente absorvido na unidade do céu e da terra; assim, a vida na dança contém uma ordem, que não somente prevê, mas também estimula os desvios (variações) das estruturas e dos modelos básicos dominantes. A dança de roda como forma de dança e símbolo de uma ordem universal harmônica é, assim, um exercício continuo de transformações. No concentrado de suas figuras espaciais e de suas sequências de passos, ela contém a sabedoria da antiguidade e a traz para a atualidade. Pela repetição do ato, a fim de compreender de forma fecunda as fontes de nossa vivência (WOSIEN, 2002, p. 65).

A autora aborda a dança na vida do ser humano, como fonte de mutações, de avivamentos e de transformações, a partir de uma vivência que se renova a cada vez que ocorre.

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