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Vortex Sheet Methods

In document Turbulent Fluids (sider 78-81)

4.4 Buoyant Turbulence

4.4.2 Vortex Sheet Methods

As relações entre o indivíduo e o mundo que o rodeia são regidas pelo mecanismo perceptivo, e todo o conhecimento é necessariamente adquirido através da percepção. Dois indivíduos, da mesma faixa etária, sujeitos ao mesmo estímulo, nas mesmas condições, captam-no, selecionam-no, organizam-no e o interpretam com base num processo perceptivo individual, segundo as suas necessidades, valores, repertório e expectativas.

É fundamental, por isso, estudar e tentar perceber este processo, com vista ao conhecimento dos principais fatores que determinam à captação de um estímulo e a sua interpretação.

O processo perceptivo se inicia com a captação, através dos órgãos dos sentidos, de um estímulo que, em seguida, é enviado ao cérebro. A percepção pode então ser definida como a recepção, por parte do cérebro, da chegada de um estímulo, ou como o processo através do qual um indivíduo seleciona, organiza e interpreta estímulos. Este processo pode ser decomposto em duas fases distintas: a sensação, mecanismo fisiológico através do quais os órgãos sensoriais registram e transmitem os estímulos externos; e a interpretação que permite organizar e dar um significado aos estímulos recebidos.

A sensação é por natureza diferencial, ou seja, as pessoas só reparam naquilo que se distingue do geral, naquilo que é diferente, nos desvios, nas irregularidades. À medida que o nível de estímulos sensoriais diminui, a capacidade de detecção das diferenças ou da intensidade dos estímulos aumenta. É em condições mínimas de estimulação que se atinge a máxima sensibilidade. É por esta razão que a atenção aumenta quando um anúncio aparece sozinho num intervalo de um programa, ou quando, no meio de vários anúncios a cores, surge um em preto e

branco. Esta capacidade que o organismo tem de alterar os níveis de sensibilidade consoante a variação das condições externas não só permite ter maior sensibilidade quando é necessário, como também serve de proteção quando o nível de estimulação é muito elevado.

Para Charaudeau (2006), a busca pelo sentido é algo extraordinário no decorrer desse processo. O sentido nunca se mostra antecipadamente. Ele vai sendo construído pela ação linguageira do homem e só é perceptível através de formas. Toda forma remete a um sentido, todo sentido remete à forma. O sentido se faz ao término de um duplo processo de semiotização: o de transformação e de transação:

O processo de transformação consiste em transformar o "mundo a significar" em "mundo significado", estruturando-o segundo certo número de categorias que são, elas próprias, expressas por formas. Abrange categorias que identificam os seres do mundo nomeando-os, que aplicam a esses seres propriedades qualificando-os, que descrevem as ações nas quais esses seres estão engajados narrando, que fornecem os motivos dessas ações argumentando, que avaliam esses seres, essas propriedades, essas ações e esses motivos modalizando. O ato de informar inscreve-se nesse processo porque deve descrever (identificar-qualificar fatos), contar (reportar acontecimentos), explicar (fornecer as causas desses fatos e acontecimentos) (CHARAUDEAU, 2006, p.41).

Ainda segundo Charaudeau (2006), o processo de transação consiste, para o sujeito produtor de linguagem, em dar uma significação psicossocial a seu ato. Ou seja, é atribuir-lhe um objetivo que deve obedecer a certos parâmetros: hipóteses sobre a identidade do outro, informações sobre o destinatário-receptor, sobre o seu saber, sua posição social, seu estado psicológico, suas aptidões, seus interesses, o efeito que pretende produzir, o tipo de relação que pretende instaurar e o tipo de regulação que prevê em função dos parâmetros precedentes. O ato de informar participa desse processo de transação. É presumível que circule entre as duas partes um objeto de saber, sendo um encarregado de transmitir e o outro de receber, compreender, interpretar, passível de ser submetido a uma modificação de seu estado inicial de conhecimento. Todavia, é o processo de transação que comanda o processo de transformação.

O homem chega ao conhecimento a partir da construção humana e do exercício da linguagem, visando tornar o mundo inteligível, categorizando-o a partir de parâmetros dentro de uma complexidade ímpar. O saber vai sendo construído segundo o olhar do homem. Voltado para o mundo, o olhar cataloga esse mundo em

categorias de conhecimento; mas, voltado para si mesmo, o olhar tende a construir categorias de crença. O saber se estrutura simultaneamente, conforme a atividade discursiva usada pelo o homem para interpretar o mundo. O homem pode descrevê- lo, contá-lo ou explicá-lo. Pode estar bastante envolvido no que diz ou pode tomar distância para com o que dizer. Essas formas de discursar através da linguagem se constituem nos sistemas de interpretação do mundo, sem os quais não há significação.

Quanto às crenças e aos saberes baseados em crenças, Charaudeau (2006, p. 45) explica que:

São os saberes que resultam da atividade humana quando esta se aplica a comentar o mundo, isto é, a fazer com que o mundo não mais exista por si mesmo, mas sim através do olhar subjetivo que o sujeito lança sobre ele. Uma tentativa não mais de inteligibilidade do mundo, mas de avaliação quanto à sua legitimidade, e de apreciação quanto ao seu efeito sobre o homem e suas regras de vida.

Assim, é possível perceber que a produção do saber difere de cultura para cultura e, com isso, é possível situar valores diferenciados de compreensão da realidade, construída sob diversas formas. Para tanto, é fundamental que se valorize o pensar coletivo como forma de apropriação da mensagem por uma maioria, permitindo que sejam direcionados diferentes olhares para uma mesma situação.

De acordo com Brandão (2004), a presença da polifonia, por exemplo, vem trazer uma nova condição para a compreensão do texto, em função das relações que ela estabelece entre o falante e o ouvinte, pois cada palavra que o “eu” constrói, pode assumir novos sentidos ao outro, e assim, os sentidos passam a ter valores diferenciados, considerando-se os pontos de vista ou as posições em que os enunciados estão representados.

A construção do sentido implica na reflexão sobre o papel assumidos pelos diferentes enunciadores, variando valores enunciadores concordantes ou dissonantes, tornando assim o diálogo polifônico. Com isso, é possível situar a discussão a partir das perspectivas de dualidade de sentidos que o texto pode apresentar, em função de contextos socioculturais diferentes em que ele se manifesta, das relações de poder, e da intencionalidade que se pretende alcançar.

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