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5.3 Clustering

5.3.4 Visualization

Nesta seção, buscaremos com base nos estudos de Cunha (2004) identificar as teias sociais e culturais que definem os espaços em que os processos de ensinar e

diz respeito ao interesse dos alunos, em relação ao envolvimento com a proposta

pedagógica do curso, assim como a habilidade do professor, de leitura e compreensão da condição cultural e social dos estudantes, estimulando suas capacidades discursivas e de recomposição de suas memórias educativas, favorecendo uma produção do conhecimento articulado na lógica de “um processo de ensinar e aprender imbricado socialmente constitui-se no ponto chave para a construção da cidadania” (Cunha, 2004: 38).

Identificamos que professores tentam dar resposta a esse desafio, desenvolvendo experiências alternativas quando detectam diferenças entre os alunos regulares da instituição e os alunos atendidos pelo Plano, com no caso do professor C.

Existe uma grande diferença entre os alunos do PLANFOR e os alunos dos

cursos técnicos do CEFET, pois a maioria dos alunos atendidos por mim no

PLANFOR, eram na faixa etária entre 25 a 45 e não possuíam dúvidas sobre o que

vinham fazer aqui que era a busca de uma formação profissional (PROFESSOR C).

Já os professores B e D dizem que tiveram a visão do aluno como “sujeito” do processo de ensino, delineando as formas de ensinar, ao buscarem práticas mais articuladas com a realidade de seus alunos, ajustando os conteúdos. Outro fator perceptível no depoimento refere-se aos cursos planejados, que revelam uma adaptação dos cursos de nível técnico existentes no CEFET/PA e não uma elaboração de novos cursos delineados de acordo com o objetivo e público alvo do Plano.

Fazíamos primeiramente um diagnóstico para saber qual era o grau de conhecimento da turma, e sempre era percebida uma grande diferença de níveis

de conhecimento na turma, a maioria dos alunos tinham apenas o ensino

fundamental de 5ª e 6ª série, um ou outro tinha o nível médio e ai era que surgia a

dificuldade em levar o curso. Com a observação, que quase todos os cursos

precisavam de uma base de ler desenho, pois muitos alunos passam certo tempo para compreender, buscávamos mostrar as regras básicas para elaboração dos desenhos e dos projetos (PROFESSOR B).

Normalmente, sempre no primeiro dia de aula realizamos uma enquête com os alunos para saber o que eles já sabem, seus conhecimentos prévios em relação ao computador, pois sabemos que existem pessoas que não sabem nem pegar no

A seguir os professores C e D indicam os mecanismos pedagógicos utilizados por eles, mesmo que de forma instintiva, já que estes não tiveram momentos de preparação e concepção do trabalho a ser realizado no desenvolvimento dos cursos.

Sempre começávamos os cursos do PEP com disciplinas básicas, realizando no

inicio do curso uma formação mais geral, o que de certa forma, dava uma base mínima aos alunos para desenvolverem a parte técnica específica que no caso era

soldagem. [...] Fazíamos a escolha das matérias, sendo que essa escolha teria que

ser pautada em competências básicas que pudessem permitir uma análise menos técnica por causa da formação deles, então era mesmo dentro das competências de nível básico mais básico possível (PROFESSOR C).

O professor C revela que os ajustes didáticos, realizados por ele no desenvolvimento do curso, levaram ao empobrecimento da formação, já que foram ministrados apenas os conhecimentos mais básicos possíveis e menos técnicos, resumindo o mínimo de conhecimento no curso. Nesse caso, o professor tem como objetivo a resolução de problemas imediatos, surgidos na sala de aula naquele momento, e não de modificar aspectos concretos da sua situação de trabalho, da sua prática, ou dos seus resultados como professor.

O problema identificado na fala do professor C pode ter sido provocado tanto pelo tempo destinado aos cursos quanto no que se refere ao baixo nível de escolarização dos alunos atendidos, pois este volume de horas, aliado ao fato de que foram desenvolvidos cursos estanques sem qualquer articulação com a oferta do ano anterior ou em relação ao ano seguinte, nos leva a concluir que o Plano careceu de condições objetivas para desenvolver e formar um perfil amplo de trabalhador, como proposto nos documentos oficiais.

Para que o professor possa diminuir o uso do improviso em suas práticas precisa compreender que algumas medidas devem ser tomadas, tais como nos indica Damis

A definição da organização intrínseca dos conteúdos está fundamentada nas experiências e no contexto sociocultural mais próximo do aluno e se constitui numa totalidade coerente, ampla e rica, interessante e ajustada aos princípios da aprendizagem humana. (Damis, 2006:127).

Além de entender que os objetivos do ensino, expressam intenções indicadoras do processo didático, e devem ser definidos pelo professor com a participação dos alunos, ato básico do direcionamento dos estudos, já que orienta a seleção e organização dos conteúdos, a seqüência das atividades de ensino, aprendizagem e avaliação.(Idem)

No caso do professor D constatamos uma visão pedagógica semelhante a indicada nos estudos de Damis (2006).

Precisamos tomar conhecimento do que o aluno já sabe, para fazer as

modificações tanto na metodologia quanto no planejamento e distribuição dos conteúdos (PROFESSOR D).

Como podemos verificar na fala acima, há por parte do professor uma preocupação em elaborar sua proposta de ensino a partir de um diagnóstico prévio da turma, onde pudesse se identificar os conhecimentos que esses alunos já trazem consigo, o que para nós revela que esse professor apresenta uma preocupação em contribuir para a construção de conhecimento do aluno.