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6.5 Evaluation

7.4.3 Integral surfaces

O saber implica na condição do professor ser o construtor, junto com seus alunos, de estratégias e métodos que favoreçam uma aprendizagem significativa, ou seja, estruturar arcabouços culturais, afetivos e cognitivos dos estudantes às novas aprendizagens. Este processo envolve a seleção de técnicas e procedimentos de ensino, bem como a seleção de recursos apropriados. “Envolve a condição de protagonismo necessário ao exercício intelectual do professor e seus alunos” (Cunha, 2004: 38).

Com este entendimento, a respeito da forma da condução dos saberes, buscamos saber com os sujeitos entrevistados, que metodologias foram adotadas no decorrer dos Cursos ministrados no PLANFOR?

Não havia um espaço preparado para a efetivação dos cursos, os espaços eram sempre improvisados, mas como nossos cursos eram de cunho prático, muitas

vezes aproveitávamos o espaço para demonstrar o que era para ser feito ou não era adequado fazer em termos de instalações prediais. Aqui em Belém, utilizamos um

prédio em construção para realizamos a parte prática do currículo do curso.

No caso dos cursos de eletricista, trabalhávamos fazendo leitura e

interpretação de projetos, claro, observando o grau de cada um. Depois íamos

para a parte de execução onde montávamos painéis elétricos e fazíamos instalações elétricas (PROFESSOR B).

Como podemos observar na fala do professor B, ele utilizou procedimentos de ensino relacionados à didática operacional, que para Candau (2004) e Rays (1996) abrangem maneiras particulares de estabelecer as condições favoráveis à aprendizagem, enfatizando as atividades que são realizadas pelos alunos, enquanto aprendem. No caso em pauta, o professor adaptou suas aulas aos espaços improvisados para a sua realização; aplicando as atividades de ensino como experiências de aprendizagem que o aluno realiza, em situações propostas pelo professor, em ambientes próprios. Estas maneiras particulares de organizar o ensino são relativamente às técnicas adotadas pelo professor.

No entanto, Cunha (2004: 15) destaca que:

[...] A direção do processo de ensino requer, o conhecimento de princípios e diretrizes, métodos, procedimentos e outras formas de organização. O professor, ao dirigir e estimular o processo de ensino em função da aprendizagem dos alunos utiliza intencionalmente um conjunto de ações, passos, condições externas e procedimentos, chamados de métodos de ensino.

Nesse sentido, urge a necessidade de iniciativas, referentes à formação pedagógica do professor, pois, podemos observar com as análises presentes neste trabalho que, os professores pesquisados utilizaram, muitas vezes, o improviso e sua experiência sem ter clareza dos fundamentos filosóficos, sociológicos, políticos, ideológicos e pedagógicos do processo de ensino.

No que se refere ao espaço da realização das aulas, tanto a fala do professor

B quanto do professor F revelam que os cursos não foram realizados somente no ambiente

físico do CEFET/PA, mas também em alguns municípios, sendo que esses professores ao sairem para ministrar estas aulas, tinham que se adequar e improvisar seus métodos aos ambientes disponíveis. A propósito, eis o depoimento do professor F.

[...] Os locais de realização do curso foram diversificados no interior do estado, alguns eram realizados em espaço amplos, como clube, áreas de exposições

agropecuárias ou era um prédio público ou era em associações, algumas vezes

em escolas do município (PROFESSOR F).

No depoimento a seguir, é perceptível o esforço do professor no sentido de realizar práticas mais coletivas e com perspectivas mais críticas quanto aos objetivos do trabalho com os alunos, pois, o professor vê o aluno como “sujeito” ativo do processo, considerando tanto sua vivência prática quanto os seus limites.

Há alguns anos, como falei anteriormente, os conhecimentos sobre informática não eram difundidos, mas hoje você chega na sala principalmente dos alunos do curso

de informática regulares aqui do CEFET e não precisa passar os conhecimento de informática básica, pois os alunos já trazem estes conhecimentos quando chegam na instituição.

Assim procuro fazer uma nova proposta pedagógica, já que os alunos trazem uma certa experiência e conhecimento sobre a informática, busco fazer uma

adaptação nos conteúdos e na metodologia das aulas, para que eles dêem seqüência ao conhecimento já pré-estabelecido e se sintam estimulados com as aulas.

Em relação ao PLANFOR teve uma turma, que não precisei mudar o

planejamento, metodologia e a experiência adquirida aqui no CEFET/PA, já que era uma turma “normal” com a possibilidade de ministrar aulas práticas em

laboratórios, utilizando softwares e apostilas, objetivando que alunos fossem fazendo as atividades teóricas relacionando já com a prática.

Já a outra turma era uma turma de pessoas com necessidades especiais de todos os tipos, não eram só surdos e mudos, não possuíam apenas deficiências

físicas, era uma turma que tinha pessoas com a coordenação motora bastante debilitada, paralisia cerebral, pessoas quase cegas enfim, não havia uma

separação dos alunos de acordo com suas deficiências, a turma era única, onde

estavam aglutinados todos os tipos de deficiências. O que foi para mim uma grande surpresa, pois eu não sabia que a turma seria composta por estas pessoas.

Além de uma experiência e um desafio muito grande, enquanto professor, já que não houve nenhuma preparação, e eu de fato, não estava preparado para trabalhar com alunos que requeriam um tipo de atenção especial e particular do professor. Além de um melhor acompanhamento, acredito particularmente que a turma nem poderia ter sido montada do jeito que foi montada, porque

exigiria um supertreinamento do professor.

Devido à necessidade de fazer o trabalho, comecei a improvisar minha prática,

foi quando percebi que não poderia jamais falar de lado para a turma, mas sempre de frente para que pudessem fazer a leitura labial, mas ao mesmo tempo percebi que muitos ali possuíam outros tipos de problemas e que eu teria que atender a todas as dificuldades daqueles alunos, ainda mais eu que nunca tido nenhum treinamento ou estudo sobre o assunto, eu sei que poderia ter reclamado e voltado atrás em relação à aceitação do curso mas não, resolvi assumir este desafio, o que me deixou bastante gratificado em poder passar um pouco de meus conhecimentos a estas pessoas que estavam ansiosas por novos conhecimentos e de certa forma superando até suas deficiências. O que eu guardo é que foi uma experiência

bastante complicad (PROFESSOR D).

aquisição dos saberes à realidade social, assim como, as necessidades diversas e interesses dos alunos. Mesmo que tenha utilizado o senso-comum e o improviso, por não ter conhecimento aprofundado da didática principalmente no que se refere a didática da Educação Especial, ou até mesmo para se dirigir ao coordenador do curso, a fim de expor a situação inadequada de organização da turma mediante sua necessidade especifica de atendimento pedagógico

Todavia, constatamos que este professor tentou, em suas ações, buscar uma mediação metodológica que articulasse o saber escolar às necessidades concretas de vida desses alunos.

Nessa perspectiva, trazemos Rays (2004) que conceitua o método na prática pedagógica do professor como fator condicionante do momento didático e a realidade em que o processo de aprendizado está se realizando, fator determinante para a busca do caminho, por meio do qual se materializam situações didáticas contextualizadas.

O método de ensino, desse modo, é condicionado e condicionador dos ambientes de aprendizagem. Nesse sentido, o método de ensino deve ser entendido como caminho para a promoção de ações pedagógicas conscientes, organizadas criticamente, com a finalidade de tomar o trabalho docente e discente mais fácil e mais produtivo para o alcance das metas desejadas e necessárias para o desenvolvimento integral dos educandos (Rays, 2004: 97).

Vista desse modo, a metodologia não pode ser encarada como um instrumento neutro, ao contrário, ela pressupõe uma tomada de decisão, um posicionamento diante da realidade que se pretende conhecer e atuar.

Em síntese, essas formas de ação pedagógica sinalizam uma metodologia de ensino contextualizada. Segundo Candau (2004), a reflexão-formulação de uma metodologia de ensino contextualizada, interativa e dialógica, estará sempre pautada no processo em construção que incorpora por superação o momento do ato pedagógico, anteriormente elaborado, e que se refazem a partir das mudanças nos contextos socioculturais e pedagógicos.