8. OPPSUMMERING OG DISKUSJON
8.4 V EIEN VIDERE
Para Shaw e Simões (1999), “a operação das atividades humanas requer uma aproximação de dados e informações sensoriais por meio de termos vagos e imprecisos. O cérebro humano codifica tais imprecisões naturais por meio de conjuntos e números fuzzy”. Diante da não trivialidade para sistematizar o que é uma “boa colaboração” e da escassa literatura que trata esse assunto, foi utilizado como âncora o estudo de Barros (1999) no que diz respeito ao método de atribuição, modelagem e cálculo das variáveis para análise global. Diante disso, foram
utilizadas as mesmas operações que Barros (1999), fuzzificar e defuzzificar, para obter as conclusões deste trabalho sobre a colaboração na fase de realização do compromisso.
Da mesma forma como apresentado na seção 2.3, cada variável é modelada como um conjunto composto por vários atributos ou etiquetas lingüísticas que correspondem a um valor possível do domínio desse atributo. Cada atributo é definido com base em seis valores que formam um trapézio. Dessa forma, um conjunto de uma variável é definido com vários atributos onde cada atributo corresponde à uma sêxtupla de valores na faixa do domínio desse atributo.
Na Figura 4.7 é mostrado um exemplo para a variável Número de Contribuições do tipo Ação, que dá lugar ao conjunto número_contribuições_ações com três atributos: pouca, adequada, muita. Cada um desses atributos são definidos com as seguintes sêxtuplas:
• Pouca: <0,0,0,-1,2,3> • Adequada: <1,3,5,-1,7,8> • Muita: <1,8,10,0,10,30>
Figura 4.7. Atributos para o conjunto número_contribuições_ações Fonte: Elaborado pelo autor
Onde: U é o universo de discurso e (A) é a função de pertinência que pode assumir valores em um intervalo [0,1].
Cada sextupla é formada por <s1,x1, x2, s2, x3, x4>, onde s1 e s2 significam a inclinação das arestas do trapézio e podem assumir os valores 1 (se a inclinação é positiva), 0 (se é nula) ou -1 (se for negativa). X1 e x2 definem a aresta esquerda e X3 e X4 definem a aresta direita.
Para o caso do exemplo acima, considera-se “Pouca” se a quantidade de ações realizadas durante a execução de uma atividade for menor ou igual a 2; considera-se “Adequada” caso esse número varie entre 3 e 8 ações; e “Muita” quando o número de ações excede o valor 8.
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Para atribuição dos valores das sêxtuplas foi considerado o cenário ilustrativo, tratado na seção 3.2, que traz uma Instituição Acadêmica como a organização na qual a Rede de Compromissos está em execução e onde a Elaboração de um Projeto de Pesquisa é o Compromisso. Considerou-se ainda que esse compromisso é composto, por exemplo, por atividades que envolvem a elaboração de seções do documento, como seções contendo o estado da arte, os objetivos, a metodologia, os resultados e a conclusão. Conforme mencionado no início da seção 4.3, o valor das variáveis é relativo, depende do tipo de tarefa, do número de membros do grupo ou da forma de trabalhar do grupo. Dessa forma, tanto os atributos dos conjuntos como seus valores são parametrizados pelo usuário que realiza a análise.
Para a análise global, assim como em Barros (1999), foi introduzida uma nova variável para cada conjunto das variáveis calculadas. Essa variável indica o ponto médio relativo (PMR) para os conjuntos que, conforme já mencionado, não é exatamente o ponto médio do domínio do conjunto. Esse PMR indica a posição que se considera o valor médio a partir do qual estão referenciados os atributos que formam os conjuntos. Para o conjunto número_contribuições_ações foi definido como ponto médio relativo o valor 7. Este valor PMR permite variar os valores das sêxtuplas dos atributos dos conjuntos. Por exemplo, para tarefas muito específicas nas quais não é necessário ter muitas ações, pode-se considerar que mais de 7 ações (exemplos: abrir documento, editar documento, anexar documento etc.) seja interpretado como “muita”, enquanto que para tarefas que exige esforço e dedicação maior, esse valor 7 seja considerado “pouco”. Levando em consideração essa flutuação dos valores manipulados, dependendo do contexto em que acontecem, o conceito do PMR permite deslocar o conjunto para uma faixa de valores mais apropriada para cada tarefa.
Para a análise global da colaboração durante a realização de um compromisso, utilizam-se os conjuntos definidos na Tabela 2.1 acrescidos dos conjuntos Ações, Número de contribuições ações e Tamanho das contribuições
ações, conforme apresentado na Tabela 4.1.
Tabela 4.1. Conjuntos para as variáveis calculadas da análise global
CONJUNTO ATRIBUTO <S1, X1, X2, S2, X3, X4> PMR Número de contribuições conversacionais Pouca <0,0,5,-1,5,15> 50 Adequada <0,12,15,-1,50,55> Muita <1,50,70,0,70,1000> Tamanho das contribuições
conversacionais Curto <1,0,5,-1,50,100> 500 Normal <1,80,100,-1,100,1100> Longo <1,500,1100,-1,2000,2100> Muito longo <1,2000,2500,0,2500,10000>
Ações
Pouca <0,0,1,-1,1,2>
5 Adequada <1,2,4,-1,5,6>
Muita <1,5,7,0,7,20>
Número de contribuições ações
Pouca <0,0,0,-1,2,3>
7 Adequada <1,3,5,-1,7,8>
Muita <1,7,10,0,10,30>
Tamanho das contribuições ações
Curto <1,0,50,-1,60,80>
200 Normal <1,70,100,-1,170,200>
Longo <1,200,350,0,350,1000> Profundidade de árvore Baixa
<0,0,2,-1,2,3> 5 Normal <1,2,3,-1,7,8> Alta <1,7,8,0,9,100> Interatividade Pouca <1,0,0.3,0,0.3,0.3> 0.5 Bastante <1,0.2,0.4,1,0.7,0.8> Muita <1,0.8,1,0,1,1> Criatividade Baixa <0,0,0.2,-1,0.2,0.3> 0.6 Normal <1,0.3,0.5,-1,0.7,0.8> Alta <1,0.7,0.8,0,0.8,1> Conformidade Baixa <0,0,0.3,-1,0.3,0.4> 0.65 Média <1,0.4,0.6,-1,0.7,0.8> Alta <1,0.7,0.85,0,0.85,1> Iniciativa Pouca <0,0,0,-1,0,0.4> 0.55 Média <1,0.3,0.5,-1,0.7,0.8> Alta <1,0.8,1,0,1,1> Mensagens de coordenação Pouco
<0,0,0,-1,0,25> 20 Normal <0,15,25,-1,90,100> Muito <1,90,100,0,100,1000> Elaboração no tipo de contribuição conversacional Baixa <0,0,0,-1,0,0.3> 0.4 Normal <1,0.2,0.3,-1,0.4,0.5> Muita <1,0.4,0.5,-1,0.9,1>
Fonte: Adaptados do conjunto para análise de Barros (1999)
Para as variáveis inferidas, são considerados os mesmos conjuntos da Tabela 2.2 acrescidos do conjunto Manutenção do Espaço de Trabalho, como mostra a Tabela 4.2.
Tabela 4.2. Atributos dos conjuntos das variáveis inferidas para a análise global
CONJUNTO ATRIBUTO <S1, X1, X2, S2, X3, X4> Trabalho Pouco <0,0,0,-1,0,0.3> Adequado <1,0.2,0.5,-1,0.6,0.7> Alto <1,0.6,0.7,0,0.7,1> Argumentação Ausente <0,0,0,-1,0,0.3> Mínima <1,0.2,0.3,-1,0.4,0.5> Normal <1,0.4,0.5,-1,0.7,0.8> Rica <1,0.7,0.8,0,0.9,1> Coordenação Baixa <1,0,0.3,0,0.3,0.3> Normal <1,0.2,0.3,-1,0.6,0.7> Boa <1,0.6,1,0,1,1> Cooperação Nula <1,0,0.2,0,0.2,0.2> Baixa <1,0.1,0.2,-1,0.2,0.3> Normal <1,0.3,0.4,-1,0.7,0.8> Boa <1,0.7,0.8,0,0.8,1> Colaboração Ruim <0,0,0,-1,0,0.3> Adequada <1,0.2,0.3,-1,0.5,0.6> Boa <1,0.5,0.6,-1,0.8,0.9> Muito boa <1,0.8,0.9,-1,0.9,1> Manutenção do Espaço de Trabalho Mínima <1,0,0.2,-1,0.3,0.4> Normal <1,0.3,0.4,-1,0.6,0.7> Boa <1,0.6,0.8,0,0.9,1>
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Para atribuição dos valores às sêxtuplas, foi observado o comportamento das variáveis definidas e utilizadas por Barros (1999) – principal referencial teórico deste trabalho – quando da realização e análise de uma experiência de aprendizagem. Os valores interpretados como mais adequados, foram inferidos para os conjuntos destacados em negrito nas Tabelas 4.1 e 4.2: Ações, Número de Contribuições
Ações, Tamanho das Contribuições Ações e Manutenção do Espaço de Trabalho.
Para os demais conjuntos, foram mantidos os valores adotados por Barros (1999). A intenção é oferecer atributos e valores iniciais para, com o uso da Rede de Compromissos, eles serem refinados e ajustados a critério de outros cenários.
As representações trapezoidais para os atributos das demais variáveis são apresentadas no Anexo B.
Para a análise global, é utilizada uma base de conhecimento composta pela definição dos conjuntos e por uma série de regras. Tais regras consideram todas as combinações possíveis entre os atributos, embora possa ocorrer casos em que uma única regra englobe vários casos de uma vez. Para inferir Trabalho, são utilizados os conjuntos Número de contribuições do tipo ação, Número de contribuições do tipo conversacional, Tamanho das contribuições do tipo ação, Tamanho das contribuições do tipo conversacional, Elaboração no tipo conversacional e Manutenção do Espaço de Trabalho. As regras tem como antecedentes as combinações de seus atributos, por exemplo:
Manutenção_boa, numero_acoes_muitas, numero_conversas_muitas, elaboracao_conversas_muita, tamanho_acoes_longo, tamanho_conversas_muitolongo -> trabalho_alto
Manutenção_boa, numero_acoes_muitas, numero_conversas_muitas, elaboracao_conversas_muita, tamanho_acoes_longo, tamanho_conversas_longo -> trabalho_alto
Manutenção_boa, numero_acoes_muitas, numero_conversas_muitas, elaboracao_conversas_muita, tamanho_acoes_longo, tamanho_conversas_normal -> trabalho_alto
Manutenção_boa, numero_acoes_muitas, numero_conversas_muitas, elaboracao_conversas_muita, tamanho_acoes_longo, tamanho_conversas_curto-> trabalho_adequado
E assim para todos os valores dos atributos, podendo-se restringir as regras para aqueles atributos que não influenciam em seu resultado, por exemplo, ao considerar que sempre que o número de contribuições do tipo conversacional seja “poucas”, o trabalho será “pouco”. A regra que segue representa esta situação:
O método utilizado para obter os resultados inferidos é o mesmo utilizado por Barros (1999) e descrito na seção 2.2.
Para visualização dos valores das variáveis calculadas e os das variáveis inferidas após resultado da análise global, sugere-se uma tabela conforme mostra a Figura 4.8.
ATRIBUTO INFERIDO POR GRAU DE COLABORAÇÃO ATÉ O MOMENTO
Trabalho
Manutenção do espaço de trabalho, elaboração no tipo de contribuição conversacional, número de contribuições do tipo conversacional, número de contribuições do tipo ação, tamanho das contribuições do tipo conversacional, tamanho das contribuições do tipo ação,
Pobre Adequado Alto Argumentação Trabalho, iniciativa, interatividade, profundidade da Árvore de
Processo Ausente Mínima Normal Rica
Coordenação Argumentação, coordenação, iniciativa mensagens de Baixa Normal Boa Cooperação Argumentação, criatividade conformidade, Nula Medíocre Normal Boa Colaboração Argumentação, cooperação coordenação, Ruim Adequada Boa Muito boa Manutenção do Espaço
de Trabalho
Ações
Mínima Normal Boa
Ações Pouca Adequada Muita
Número de contribuições
conversacionais Pouca Adequada Muita Número de
contribuições ações Pouca Adequada Muita Tamanho das
contribuições
conversacionais Curto Normal Longo Muito longo Tamanho das
contribuições ações Curto Normal Longo Profundidade da árvore Baixa Normal Alta
Interatividade Pouca Suficiente Muita Criatividade Baixa Normal Alta
Conformidade Baixa Média Alta Iniciativa Pouca Média Alta
Elaboração nas contribuições
conversacionais Baixa Normal Muita Mensagens de
coordenação Pouca Normal Muita
Figura 4.8. Exemplo de saída de resultado da análise global de um compromisso Fonte: Elaborado pelo autor
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4.4 CONSIDERAÇÕES FINAIS SOBRE O CAPÍTULO
Este capítulo apresentou o aprofundamento na fase de análise durante a realização de um compromisso. Este teve como cenário ilustrativo uma Instituição Acadêmica como a organização na qual a Rede de Compromissos está em execução e onde o Compromisso – Elaboração de um Projeto de Pesquisa – é executado.
No capítulo 3 foi apresentado o modelo inicial de ciclo de vida de um compromisso no engageGrid e o aprofundamento nas fases que oferecem subsídios à análise – fases de configuração e realização. Organizando as informações provenientes das diferentes fontes de dados a saber: (i) arquivo de log do compromisso; (ii) árvore de processos; (iii) subespaço Lista de Mensagens e (iv) biblioteca de cases, o objetivo da fase de análise durante a realização do compromisso é gerar conclusões relativas às atitudes do grupo durante a execução de cada tarefa. Para isso são propostos dois tipos de análise: quantitativa e qualitativa. A análise quantitativa possibilita a visualização, de forma textual ou gráfica, do arquivo de log das atividades dos usuários em um compromisso, permitindo analisar, por exemplo, como cada usuário está repartindo seu tempo na execução de cada tarefa. A análise qualitativa permite a análise de um compromisso considerando informações provenientes de mais de uma fonte de dados, utilizando dados do arquivo de log do compromisso, da árvore de processo, do subespaço Lista de Mensagens e da biblioteca de cases.
Na análise qualitativa, as variáveis foram modeladas seguindo como base o referencial teórico de Barros (1999), onde cada variável foi representada como um conjunto composto por vários atributos ou etiquetas lingüísticas que correspondem a um valor possível do domínio desse atributo. Os conjuntos Número de contribuições
do tipo ação, Tamanho das contribuições do tipo ação, Ações e Manutenção do Espaço de Trabalho tiveram seus valores atribuídos considerando o cenário de
elaboração de projeto de pesquisa e utilizando o bom senso do pesquisador após investigação bibliográfica sobre análise da execução de uma experiência de aprendizagem no sistema DEGREE de Barros (1999). Os valores dos demais atributos dos outros conjuntos foram considerados os mesmos da abordagem adotada como âncora, supondo que os valores nela apresentados são frutos de sucessivos testes para avaliação das experiências de aprendizagem. O objetivo foi
propor atributos e valores iniciais para, com o uso da Rede de Compromissos, eles serem refinados e ajustados a critério de outros cenários, visto que o valor das variáveis é relativo, depende do tipo de tarefa, do número de membros do grupo ou da forma de trabalhar do grupo.
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