1.6.5.- ASPECTOS PREVENTIVOS
1.6.6. REPERCUSIONES SOCIALES Y ECONÓMICAS
1.6.7.3. TRATAMIENTO DE FACTORES DE RIESGO DE LA DM2
Kumbi -Sāleh, capital de Gana, caiu em poder dos Almorávidas em cerca de 1076. Muito pouco se conhece da história do Sudão no século XII; entre as valiosas informações fornecidas por al -BakrĪ por volta de 1068 e os relatos do geógrafo al -IdrĪsĪ, escritos em 1154, há uma grande lacuna documental. Contudo, após a independência dos Estados da África ocidental, passaram a
ser feitas coletas de tradições orais, através das quais começamos a conhecer a
história interna de Gana posterior à queda de Kumbi -Sāleh6; os ta’rīkh sudane-
ses do século XII, baseados em tradições orais, incluem sequências importantes sobre o conjunto do Sudão ocidental. A essas fontes, acrescente -se o papel cada vez mais significativo da arqueologia: escavações realizadas nos últimos vinte anos nos sítios das cidades de Kumbi -Sāleh, Awdaghust e Niani forneceram
abundante material e confirmaram muitos dados da tradição oral7.
O Takrūr
Desde meados do século XI8, o Takrūr, como o Manden e outras províncias
importantes, não mais se encontrava sob o domínio de Gana. Wardjabi, rei do Takrūr, convertido ao Islã, tomara parte ativa na guerra santa iniciada pelos Almo- rávidas; seu filho Labi (ou Laba) deu prosseguimento a essa política de aliança
com os Almorávidas, tendo ao lado deles combatido os Godala9 em 1056.
Mantendo o domínio sobre o rio Senegal e o controle sobre as minas de ouro de Galam, o Takrūr por algum tempo tomou o lugar de Kumbi -Sāleh como centro comercial. Segundo al -IdrĪsĪ, no século XII o Takrūr era poderoso reino, e sua autoridade sobre o rio Senegal, incontestável; além de haver anexado a cidade de Barissa, tinha sob o controle de seus reis as minas de sal de Awlil.
Nessa época, o Takrūr era o reino mais conhecido dos árabes depois de Gana. Ao que parece, seus comerciantes chegaram a superar os de Gana, que se viam prejudicados pela guerra civil que devastava as províncias soninke de Wagadu, Baxunu, Kaniaga e Nema (ou Mema). O Senegal, navegável até Gundiuru (região de Kayes), constituía cômoda via de penetração para os comerciantes do Takrūr (ou Tukuloor), que dele se serviam para trocar o sal de
Awlil por ouro, adiante de Barissa10.
Parece cada vez mais evidente que o apogeu do reino do Takrūr se deu entre o término do século XI e a metade do XII. Antes da emergência do Sosoe e do Mali, foi o Takrūr que exerceu papel econômico de primeiro plano; assim, não é de se estranhar que os árabes designassem por Takrūr todo o Sudão ocidental.
As cidades de Sangana, Takrūr e Sylla eram frequentadas por comerciantes árabo -berberes; a queda de Kumbi -Sāleh não interrompera o tráfico do ouro; ao
6 SYLLA, 1975.
7 ROBERT, ROBERT & DEVISSE, 1970.
8 Ver AL ‑IDRĪSĪ, 1866; ver também IBN SA‘ĪD, in CUOQ, 1975.
9 Os Godala, ou Gdala, faziam parte das cabilas berberes Sanhadja, que viviam no Saara. 10 AL ‑IDRĪSĪ, 1866; ver também IBN SA‘ĪD, in CUOQ, 1975, p. 201 -5.
contrário, o Takrūr por certo tempo ocupou o espaço deixado por Kumbi -Sāleh11.
A cidade de Takrūr, como a descreve al -BakrĪ, era uma grande metrópole que, da mesma forma que Kumbi -Sāleh, tinha um bairro de árabo -berberes.
No entanto o reino do Takrūr restringiu sua área de influência à bacia do rio Senegal, não tomando parte na luta pela hegemonia, que opunha os Soninke e Maninka aos Sosoe.
O Songhai
O Império de Gana não estendeu seu domínio ao Songhai. Este reino, já antigo, desde cedo manteve relações com o Magreb; seus reis, convertidos ao Islã por volta
11 Al -BAKRĪ, AL -IDRĪSĪ e IBN SA‘ĪD citam as cidades do Takrūr, mas até hoje não se empreendeu qualquer trabalho de envergadura para localizar os sítios de tais centros, enterrados pelo deserto ou destruídos por guerras. A tradução do livro de al -BakrĪ é muito antiga; relendo -a, é possível, hoje, decifrar nomes de lugares e pessoas. As cidades de Sangana, Takrūr e Barissa, porém, ainda não foram localizadas ao longo do rio Senegal.
Figura 6.1 Kumbi -Sāleh. As escavações mostram partes da mesquita construída entre os séculos X e XIV. (Clichê I. M. R. S.)
Figura 6.3 Toguéré Galia. Corte com três urnas funerárias in situ. Datação: posterior ao Período II (1600 ?). (Clichê G. Jansen.)
Figura 6.2 Toguéré Galia. Plano geral do outeiro interceptado pelo rio Bani, visto de oeste. (Clichê G. Jansen, Instituto de Antropobiologia, Universidade do Estado, Utrecht.)
Figura 6.5 Toguéré Doupwil. Corte C com urna funerária contendo um esqueleto in situ. Indivíduo adulto, certamente masculino, em posição fIe- tida. Datação: Período I, século XIII- -XIV? (Clichê G. Jansen.) (Fonte:
Palaeohistoria n. XX, 1978, Recherches
archéologiques dans le delta intérieur du Niger.)
Figura 6.4 Toguéré Doupwil. Corte C com urna funerária in situ. A tampa é selada com moldura de argila. Datação: Período I, século XIII -XIV? (Clichê G. Jansen.)
de 1010, haviam atraído para Kūkya e Gao letrados e mercadores árabo -berberes12.
Foi no final do século XI que os Songhai subiram o Níger, partindo de Kūkya, no Dendi, para ocupar a curva do rio, transferindo para Gao a capital, até então em Kūkya. Em cerca de 1100, ao final do século V da Hégira, os tuaregues Magcharen fundaram a cidade de Tombuctu.
“Vinham a essas regiões apascentar seu rebanhos... No início, era ali que se encon- travam os que viajavam por terra e os que vinham pela água”13.
Os Songhai não tardaram a ocupar toda a curva do Níger. Sua instalação em Tom- buctu fez dessa nova cidade importante ponto de cruzamento das rotas comerciais. A progressão dos reis de Gao rumo ao delta interior do Níger parece indicar que eles também pretendiam desempenhar papel político na região; no entanto sua hora ainda não tinha chegado.