1.6.5.- ASPECTOS PREVENTIVOS
TIPOS DE INSULINAS
1.6.7.5.3. PAUTA DE INICIO DE TRATAMIENTO CON INSULINA EN DM2
As fontes orais permitem -nos conhecer, a partir de uma perspectiva interna, a história da região; há duas décadas elas vêm sendo coletadas em toda a zona da savana. Existem vários centros, ou “escolas”, de tradições orais no territó- rio mandenka (mandingo). Citemos, entre elas, Keyla, nas proximidades de Kangaba, mantida pelos griots do clã Diabate; Niagassola; Djelibakoro; Keita;
Fadama etc. (ver fig. 6.6)28. As tradições ensinadas nestas “escolas” dirigidas
pelos “Mestres da Palavra”, ou belen -tigui, constituem variantes do corpus da história do Mali, que tem como personagem central a figura de Sundiata Keita. Com diferença de pormenores, os principais traços acerca das origens do Mali e das façanhas militares do fundador do império são os mesmos em todas as “escolas”.
Estas fontes confirmam que, inicialmente, existiam dois reinos – o de Do e o de Kiri, ou Manden. O último nome veio a designar, mais tarde, o conjunto dos territórios maninka. O reino de Do, ou Dodugu, era habitado pelo clã dos Konde e situava -se ao norte do território de Kiri (Manden), habitado pelos Konate e pelos Keita. O clã dos Kamara tinha como principais cidades Sibi e Tabon e aos poucos foi conquistando toda a margem direita do rio Níger. Os
27 DELAFOSSE, 1913; MONTEIL, C., 1929, p. 320 -35. Malel ou Mali designa o núcleo original do qual partiram os Maninka para criar o Império do Mali.
28 Situada a 10 km da cidade de Kangaba (na República do Mali), Keyla é a aldeia dos griots que conservam as tradições orais da família imperial dos Keita. É o clã Diabate de Keyla que organiza, a cada sete anos, a cerimônia de restauração do telhado da Cabana -Museu (ou kamablon) de Kangaba. Durante as festividades que marcam essa cerimônia, o chefe do clã Diabate conta a história de Sundiata Keita e a gênese do Império do Mali. Kita é outro centro de tradições orais. Massa Makan Diabaté, da grande família dos griots dessa região, recolheu e transcreveu os relatos do tio, o célebre Kele Monzon (ver DIABATÉ, 1970). Fadama, às margens do rio Niandan, na Guiné, é centro de tradições orais dirigido pelos griots Konde (ou Condé); outro centro, também na Guiné, é o de Djelibakoro. É possível ainda recolher tradições orais em Niani, pequena aldeia dos Keita, localizada no sítio da antiga capital (na Guiné). Na Senegâmbia, os griots ensinam história, porém, a par da gesta de Sundiata Keita, atribuem grande importância a seu general Tiramaghan Traore, que conquistou a região e é considerado o fundador do reino de Gabu ou Kaabu (entre o rio Gâmbia e o Rio Grande).
Traore, por sua vez, ocupavam parte de Kiri, mas, na sua maioria, viviam na pro- víncia que mais tarde teria o nome de Gangaran. O poderoso reino de Dodugu contava 12 cidades, cujos nomes a tradição não conservou, e a margem direita
do Níger (ou Bako, ou ainda, Mane), quatro29.
As tradições históricas da região confirmam, portanto, as informações escri- tas quanto à existência de pelo menos dois reinos, Do e Malel (ou, segundo a tradição oral, Do e Kiri). A unificação dos dois será efetuada pelo Malel, e o nome Do irá desaparecer.
Al -BakrĪ informa -nos que o rei do Malel se converteu ao Islã antes da queda de Kumbi -Sāleh, mas é Ibn Khaldūn quem nos fornece o nome desse monarca:
Barmandana ou Sarmandana30. É possível identificá -lo com um mansa Beremun
da lista de reis mandenka (mandingo) que Massa Makan Diabaté recolheu em
Kita31. Todos os pequenos reinos do alto Níger foram unificados pela ação dos reis
do clã Keita, entre os séculos XI e XII. Segundo Ibn Khaldūn, o rei Barmandana converteu -se ao Islã e foi em peregrinação a Meca; ora, essa expedição só poderia ter sido realizada se em seu tempo Do e Kiri já constituíssem um único reino, ou se, pelo menos, o Malel já fosse bastante poderoso.
Os Keita, fundadores do Mali, acreditam ser descendentes de Dion Bilali (ou Bilali Bunama ou Bilāl ben Rabāh), companheiro do Profeta Maomé e primeiro
almuadem ou muezim (mu’addhin) da comunidade muçulmana32. Seu filho
Lawalo ter -se -ia instalado no Manden, fundando a cidade de Kiri ou Ki33.
O filho de Lawalo, Latal Kalabi, era pai de Damal Kalabi, cujo filho, Lahila- tul Kalabi, foi o primeiro rei do Manden a fazer a peregrinação a Meca. O neto
de Lahilatul Kalabi, Mamadi Kani, “mestre -caçador”34, estendeu a dominação
dos Keita aos reinos do Do, Kiri, Bako e Burem. Na sua maioria, esses reis
29 É uma fórmula vocal que nos dá essa informação: Do ni Kiri, Dodugu tan nifla; Bako dugu nani, isto é, “Do e Kiri, país das doze cidades; Bako, reino das quatro cidades”. MONTEIL, C. (1929, p. 320 -1) acredita terem existido dois reinos, o Mali setentrional e Mali meridional. Este último desenvolveu -se sob Sundiata Keita, vindo a tornar -se o Império do Mali. O berço dos Keita é a região montanhosa do Manden, em torno das cidades de Dakadiala, Narena e Kiri. Ainda hoje, uma província da região de Siguiri (Guiné) tem o nome de Kende (Manden). Mali é uma alteração da palavra Manden, que se processou entre os Fulbe; Mellit é a variante berbere.
30 Ver IBN KHALDūN, in CUOQ, 1975. 31 DIABATÉ, M., 1970.
32 Ver LEVITZION, 1973, p. 53 -61; MONTEIL, C., 1929, p. 345 -6. A adoção de ancestrais muçulma- nos originários do Oriente era prática corrente nas cortes sudanesas. É de se notar que os Keita não reivindicam um ancestral branco, mas um negro abissínio, Bilāl ben Rabāh.
33 Ki significa trabalho; Kele Monzon exalta o trabalho quando canta a origem de Kiri: “No princípio era o trabalho”. Ver DIABATÉ, M., 1970, p. 9.
foram grandes caçadores; ao que parece, a primeira força militar do Man-
den era constituída de caçadores35. No território maninka, até data recente,
os caçadores formavam uma associação bastante fechada, que tinha a fama de possuir muitos segredos do bosque e da floresta; o título de simbon, ou mestre -caçador, era bastante cobiçado. Os caçadores, relata a tradição, foram os primeiros defensores das comunidades aldeãs. Para formar seu exército, Mamadi Kani reuniu os caçadores que pertenciam aos clãs Kamara, Keita, Konate e Traore.
O reinado de Mamadi Kani pode ser datado do começo do século XII. Este soberano teve quatro filhos, um dos quais, o simbon Bamari Tagnogokelin, foi pai de Mbali Nene, cujo bisneto Maghan Kon Fatta (ou Farako Maghan Kegni) foi pai de Sundiata Keita, o conquistador fundador do Império do Mali. Maghan Kon Fatta reinou no início do século XIII, quando o Sosoe se encontrava em plena expan- são sob a Dinastia dos Kante. Após sua morte, o filho mais velho, o mansa Dankaran Tuman, subiu ao trono, porém Sumaoro Kante, rei de Sosoe, anexou o Manden.
Assim, segundo a tradição36, dezesseis reis precederam Sundiata Keita no
trono. As listas de reis diferem de “escola” para “escola”; a de Kele Monzon, de Kita, menciona, como vimos, um certo mansa Beremun, que identificamos como sendo o Barmandana (ou Baramundana) de Ibn Khaldūn. As tradições orais do Siguiri citam Lahilatul Kalabi como primeiro rei manden a fazer peregrinação a Meca. Todas as tradições concordam, porém, em afirmar que os primeiros reis foram “mestres -caçadores” ou simbon, e todas enfatizam o fato de o Islã ter sido introduzido bem cedo no Manden.
Os caçadores desempenharam papel de primeiro plano nas origens do Mali; a mãe de Sundiata Keita foi dada em casamento a Maghan Kon Fatta por
caçadores do clã Traore37. Os membros dos clãs a que pertenciam dominavam
vasto território, o Gangaran, a noroeste do Burem, anexado ao Manden pouco antes do reinado de Farako Maghan Kegni.