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Estudio sobre el grado de acuerdo de las diferentes escalas de riesgo en una población de trabajadores españoles y asociación

5.2.3. Aspectos éticos

Certamente impressionado pela beleza e majestade dos palácios do Cairo,

mansa Mūsā voltou ao seu país com um arquiteto, o célebre Ishāk al -Tuedjin,

que construiu a grande mesquita de Gao (da qual hoje só restam algumas ruínas e parte do mihrāb. Em Tombuctu, o arquiteto do imperador ergueu a grande mesquita ou djinguereber, e um palácio real ou madugu. Mas a mais bela obra de al -Tuedjin foi, sem dúvida, a célebre sala de audiências construída em Niani, na qual empregou todos os recursos de sua arte. O imperador queria uma construção sólida revestida de gesso, al -Tuedjin

construiu uma sala quadrada encimada por uma cúpula [...] e, tendo -a reves- tido com gesso e adornado com arabescos em cores vivas, fez dela um admi- rável monumento. Como a arquitetura era desconhecida no país, o sultão ficou encantado, e deu a al -Tuedjin 12 mil mithkāl de ouro em pó, em sinal de reconhecimento66.

Não há dúvida de que o arquiteto do imperador teve de empregar o mate- rial mais comum nessa parte do Sudão, a terra batida. Na latitude de Niani, monumentos construídos com esse material necessitam de constantes trabalhos de restauração; mais ao norte, o baixo índice pluviométrico permite melhor conservação dos edifícios – é o caso das mesquitas de Djenné, Tombuctu e Gao. Na falta de pedra, a terra batida (ou banco) é reforçada por uma armação de madeira: daí vem o estilo original das mesquitas sudanesas, guarnecidas com madeira. Após as sucessivas destruições de que Niani foi vítima, as construções perderam seu revestimento de gesso e a obra do poeta -arquiteto, como a maior parte dos monumentos da capital, transformou -se, sob a ação das chuvas, num amálgama de argila e pedra.

No Cairo, o mansa respondeu, prestativo, às perguntas que lhe formularam os sábios e cortesãos que gravitavam à sua volta. Deu -lhes muitas informações

65 AL -MAKRĪZĪ, in CUOQ, 1975, p. 91 -2. 66 IBN KHALDūN, in CUOQ, 1975, p. 348.

sobre o império, frequentemente exageradas. Afirmou que possuía “direitos exclusivos sobre o ouro e recolhia -o como tributo”. Ibn AmĪr Adjib, gover- nador do Cairo e de Karafa, que o sultão mameluco pusera a serviço do real peregrino, conta -nos que as cores do viajante eram o amarelo sobre fundo vermelho:

Quando está a cavalo, fazem pairar sobre sua cabeça os estandartes reais, enormes bandeiras”. E a respeito de seu império: “os habitantes são inúmeros, uma imensa multidão. Contudo [a população do império], se comparada aos povos negros que a rodeiam, que se estendem rumo ao sul, não passa de pequena mancha branca no dorso de uma vaca preta.

Mansa Mūsā sabia perfeitamente da existência de povos e reinos ao sul do

Mali. O soberano também revelou que possuía uma cidade de nome Tiggida (Takedda, atual Azelik) “onde se encontra uma mina de cobre vermelho”; o metal era levado em lingotes até Niani.

“Nada existe em meu Império”, contou -me o sultão, “que me forneça tantas taxas quanto a importação desse cobre bruto: o metal vem dessa mina apenas; de nenhuma outra mais. Nós o enviamos ao território dos negros pagãos, onde o vendemos à razão de 1 mithkāl por dois terços do seu peso em ouro”67.

Foi ainda no Cairo que mansa Mūsā I revelou que seu predecessor morrera numa expedição marítima,

“pois esse soberano não queria admitir ser impossível chegar à outra extremidade do mar circundante; quis atingi -la e obstinou -se em seu desígnio”. Depois do fracasso de duzentos navios “repletos de homens, e outros tantos, abarrotados de ouro, água e víveres suficientes para alguns anos ...”,

o próprio imperador assumiu o comando das operações, equipou 2 mil navios e partiu – para nunca mais voltar. Qual foi a sorte dessa expedição, e que crédito podemos dar ao relato de mansa Mūsā I? Alguns autores, como L. Wiener e M. D. W. J effreys, já levantaram a questão da descoberta da América pelos Maninka. Os negros teriam chegado às costas americanas dois séculos antes de Colombo! O que a anedota nos prova, no entanto, é que os conquistadores

67 AL -‘UMARĪ, 1927, p. 80 -81. Esse detalhe é muito interessante, porque documenta a intensa atividade comercial entre o Mali e os territórios da floresta, de onde o império importava o azeite -de -dendê, nozes -de -cola e ouro; ver o capítulo 25 deste volume.

manden, ao se estabelecerem no litoral, especialmente na Gâmbia, não eram

indiferentes aos problemas da navegação marítima68.

O grande peregrino atraiu à sua corte numerosos homens de letras; ele próprio era um fino letrado árabe, mas servia -se sempre de intérpretes para falar com os árabes. Teve cádis, secretários e genuínos diwān, mas só por ostentação.

Depois dessa célebre peregrinação, os Marínidas de Fés e as cidades comer- ciais do Magreb passaram a demonstrar vivo interesse pelo Mali, havendo troca de presentes e embaixadas entre seus soberanos. Mansa Mūsā abriu escolas corânicas; comprara grande número de livros nos lugares santos e no Cairo. Foi provavelmente em seu reinado que Walata ganhou importância e que se iniciou em Djenné e Tombuctu o processo de desenvolvimento que as transformaria, um século mais tarde, em centros urbanos de renome mundial.

Como construtor, mansa Mūsā I deixou obra duradoura: sua marca ficou nos monumentos de terra batida, guarnecidos com madeira, ainda hoje encontrados em todas as cidades sudanesas. As mesquitas de Djenné e Tombuctu são o pro- tótipo do que se convencionou chamar de estilo sudanês. Enquanto mecenas e protetor das belas -letras, mansa Mūsā contribuiu para o aparecimento de uma literatura negra de expressão árabe, que dará seus mais belos frutos nos séculos

XIV e XVI, nas cidades de Djenné e Tombuctu69.