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Training of Maintenance and Assembly Skills

Assembly Skills

6.2. Training of Maintenance and Assembly Skills

Essa atividade foi trabalhada no dia 09/12/2014, e a iniciamos com a turma 701. Vinte e cinco (25) alunos estiveram presentes. A maior presença das atividades de leitura! Segundo os próprios discentes, as três ausências são de colegas que não frequentavam as atividades da turma. E olhem que dezembro é um mês atípico quanto à frequência em função das programações natalinas e de final de ano. À medida que as datas festivas se aproximam, parece que os alunos ficam mais agitados e poucos querem permanecer em sala de aula. Todavia, a partir do momento que entramos na sala, eles vão chegando, querendo saber a razão de não irmos para o auditório da escola. A explicação do motivo não impediu a frustração, como se quisessem dizer: “Aqui não, professor; lá é melhor!”

4.9.2 Situação motivacional

Como “atividade motivacional”, selecionamos o vídeo da música “Perguntas sem respostas”23, de Alvin, Dinho Ouro Preto e Yves Passarell e interpretada por

Capital Inicial bem como a pergunta: “como a vida é vista nessa música?” para a iniciação de uma breve discussão sobre a temática da vida. Por não dispormos do auditório e dos recursos tecnológicos, disponibilizados a outro professor, prescindimos dessa atividade e trabalhamos apenas o poema, texto principal da atividade de leitura.

Perguntas sem respostas24

O que o futuro reserva pra mim?

Uma vida de tédio ou diversão sem fim? Ser o primeiro a nunca envelhecer

Não precisar de ninguém, não ter nada a perder Se você hesitar, a vida vai passar...

23 Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=9f75ktvvPTY. Acesso em: 04 dez. 2014.

24 Disponível em: www.vagalume.com.br/capital-inicial/perguntas-sem-respostas.html. Acesso em: 04

Solidários, rejeitados e esquecidos A vida é inventada e descoberta Eu não tenho as respostas E também não sei se essas são As perguntas certas

Onde o destino vai me levar?

A uma rua escura ou de frente pro mar? Eu vou mandar ou ser mandado? Ser livre e despreocupado

Se você hesitar, ninguém vai esperar

Solidários, rejeitados e esquecidos A vida é inventada e descoberta Eu não tenho as respostas E também não sei se essas são As perguntas certas

FONTE: (ALVIN; DINHO OURO PRETO; PASSARELL, 2004)

4.9.3 Introdução do autor e do poema

Procedemos à distribuição do poema “Questão de pontuação”, de João Cabral de Melo Neto enquanto dois exemplares de livros de sua autoria circulavam pelas mãos dos alunos.

Vamos, então, conhecer, conforme o texto seguinte, um pouco do autor do poema, que iremos trabalhar nessa atividade de leitura.

JOÃO CABRAL DE MELLO NETO nasceu em Recife, em 09 de janeiro de 1920 e faleceu em 09 de outubro de 1999, no Rio de Janeiro. Fez parte da geração moderna de 1945. Foi poeta, teatrólogo e diplomata, servindo em Barcelona, Londres, Espanha, França, Suíça, Alemanha, Paraguai, Equador e Senegal. Em 1942, publicou seu primeiro livro Pedra do Sono, em seguida: O Engenheiro (1945), Psicologia da Composição (1947), O Cão sem Plumas (1950), Poemas Reunidos (1954, inclui os anteriores e mais Os Três Mal-Amados), O Rio (1954), Duas Águas (1956, inclui os anteriores e mais Morte e Vida Severina, Paisagens com Figuras e Uma Faca só Lâmina), Quaderna (1960), Dois Parlamentos (1961), Terceira Feira (1961, inclui os

dois livros anteriores e mais Serial), Poemas Escolhidos (1963), Antologia Poética (1965), A Educação pela Pedra (1966), Morte e Vida Severina e Outros Poemas em Voz Alta (1966), Poesias Completas (1968), Museu de Tudo (1975), A Escola das Facas (1980), Auto do Frade (1984), Agrestes (1985), Crime na Calle Relator (1987). Publicou também o Ensaio: Considerações sobre o Poeta Dormindo (1941) e Joan Miró (1950). (MOISÉS, 1998, v. 5, p. 410.)

O poema “Questão de pontuação”, de João Cabral de Melo Neto, foi publicado no livro Museu de tudo e depois pela Editora Nova Fronteira em 1988 e inserido em Poemas para ler na escola, publicado em 2009 pela Editora Objetiva. Esse livro faz parte do acervo da biblioteca da nossa escola, do qual selecionamos o texto seguinte.

Questão de pontuação25

João Cabral de Melo Neto

Todo mundo aceita que ao homem cabe pontuar a própria vida: que viva em ponto de exclamação (dizem: tem alma dionisíaca);

viva em ponto de interrogação (foi filosofia, ora é poesia);

viva equilibrando-se entre vírgulas e sem pontuação (na política);

o homem só não aceita do homem que use a só pontuação fatal: que use, na frase que ele vive o inevitável ponto final.

4.9.4 Leitura do poema

Não foi necessário solicitarmos que os alunos iniciassem a “leitura individual silenciosa” do poema. O silêncio e os olhares fixos no texto demonstraram que estavam lendo. Após esse momento, sugerimos voluntários para fazerem a “leitura individual em

25Poema selecionado do livro: MELO NETO, João Cabral de. Poemas para ler na escola. Seleção e

voz alta”. Dois alunos se voluntariaram e fizeram essa leitura, sem dificuldades. Na sequência, convidamos todos à “leitura conjunta” do texto, que, de tão boa, teve bis.

Percebemos que, embora a atividade de leitura estivesse ocorrendo no espaço da sala de aula, não havia interferência externa vinda do corredor. Como se os alunos das demais salas, sabendo do teor da aula e da necessidade de silêncio para a sua realização, estivessem evitando transitar por ele, uma vez que se limitaram ficar em frente às suas salas. Até as alunas do grupo das que dão trabalho à escola estavam calmas e serenas, sentadas em suas carteiras, acompanhando o andamento da atividade.

4.9.5 Compreensão do poema

Aproveitamos o ambiente tranquilo de sala de aula e o interesse dos alunos para iniciarmos a mediação da “discussão-compreensão” do texto com a pergunta: o que o poema fala a vocês? Registramos: “Fala sobre a vida e acho que o poeta relaciona a vida aos sinais de pontuação”. “O poema traz a questão da pontuação como estilo de vida”. “O ponto final representa a morte”. “Entendo que não representa apenas a morte, mas serve também para dar continuidade”. Continuidade a quê? “Continuidade à vida, porque a vida não acaba com a morte”. “É professor, nossa vida aqui na terra tem um ponto final, acabou pro meu pai.” (Silêncio na classe)

Perguntamos se eles sabiam as funções dos sinais de pontuação em um texto. Alguns responderam que a exclamação serve para “Mostrar um monte de coisas, entre elas, surpresas, ordem, pedido, conselho, dor, alegria etc.”; a interrogação, “dúvidas, perguntas etc.”; a vírgula, “para pequenas pausas”; “para soltar a respiração” etc.; e o ponto final, “para finalizar, concluir um pensamento”. Um dos alunos disse: “Parece que estamos estudando Português! Gosto mais quando estamos lendo e discutindo o poema”, ao que uma colega, fixando-lhe o olhar, disparou: “É o que dá não ficar prestando atenção nas aulas! Leitura também é aula de Português... seu b...”. Notamos que o aluno ficou meio desconcertado com “o puxão de orelha” da colega, servindo-nos para reforçarmos o valor da leitura para a disciplina Língua Portuguesa e que, embora alguns não a vissem como aula, por não usarem o caderno, enfatizamos que as leituras e as discussões do texto são tão importantes quanto as aulas de gramática.

Continuamos fomentando a discussão: o que o poeta quis dizer com “Todo mundo aceita que ao homem / cabe pontuar a própria vida”? Registramos as seguintes compreensões: “Ninguém pode se meter na vida de ninguém”. “Cada um deve cuidar

da sua vida”. “Mesmo que alguém saiba que há limite pra tudo nesta vida, sempre vai ter quem não aceite e acaba se metendo na vida alheia”. “A vida é feita de escolhas”. Um dos alunos, que percebemos ser um dos críticos de políticos (por sempre falar deles na sala de aula), destacou na sua fala o verso “e sem pontuação na política”, dizendo: “Os políticos são protegidos pela lei. O Jáder (Barbalho, Senador da República pelo PMDB do Pará) foi preso e hoje é Senador; o Paulo Rocha (Ex-deputado Federal, eleito Senador, pelo PT do Pará) perdeu o mandato e hoje é Senador”. Entendemos o que o aluno estava querendo dizer, mas não queríamos interferir. Um outro colega disse: “Não concordo. A culpa é de quem não sabe votar”. Ao que o outro rebateu: “Mas é isso que o poema fala ‘... sem pontuação na política’, e eu quero dizer que o político faz sem medo e sempre se dá bem...”.

Perguntamos: onde costumamos usar a pontuação? “No texto”. “Na escrita”. E no poema, o poeta está pontuando o quê? “A vida das pessoas” – prevemos tais respostas. Avançamos com as perguntas: quais sentidos sugerem os sinais de pontuação no poema? Essa não é uma leitura fácil. Porém, com a nossa mediação, ouvimos: “O ponto de exclamação quer dizer que o homem pode viver a vida intensamente”. “A interrogação mostra sentido de incerteza, insegurança, aflição, momento de dificuldade, da dúvida”, e ao “ponto final” bastou uma voz dizer que pontuava “a morte” para os demais afirmarem que “O homem não aceita a morte”; e que “Todos querem viver”.

Fizemos as considerações finais antes do sinal soar, anunciando o intervalo. No retorno à sala de aula, entregamos o Questionário de Avaliação. Enquanto os demais respondiam o instrumento avaliativo, o grupo das alunas estigmatizadas pelo comportamento e atitudes aproximou-se da mesa onde estávamos e uma delas disse: “Professor, não podemos deixar o senhor ir embora sem pedirmos desculpas pelo que fizemos”. Outra, tomando-lhe a palavra, observou: “Todos comentam que suas aulas são legais. E nós também gostamos delas. Não sei se o senhor notou, mas nós mudamos um pouco”. A terceira delas concluiu: “É verdade. Guardamos todos os poemas. E, quando ficamos sem aula, pegamos alguns para ler e lembramos das leituras, que os colegas fizeram nas suas aulas”.

Acreditar! Acreditar que uma fagulha do gosto pelo poético foi acesa na vida dessas alunas, ao mobilizarmos todas as armas e recursos, que dispúnhamos, sem a pretensão de transformá-las totalmente, mas tocar e salvar o que for possível, como nos ensina Carvalho (1985), é o que, continuamente, devemos fazer. Acreditar que todos,

independentemente de serem considerados alfabetizados ou não-alfabetizados, bons ou maus alunos, leitores ou não leitores, sejam despertados e tocados pela leitura de um bom poema e, por essa leitura, reconheçam, que podem ser melhores como indivíduos é o nosso desafio, isto é, é a nossa maior missão como educadores.

Do contrário, não teríamos o privilégio de concluirmos uma fase do processo de leitura de poemas, ouvindo a/o confissão/testemunho exatamente de um grupo de alunas considerado pelos professores e inspetores de alunos, difícil de ser trabalhado e que poderia pôr tudo a perder. É a literatura desenvolvendo “em nós a quota de humanidade na medida em que nos torna mais compreensivos e abertos para a natureza, a sociedade, o semelhante”, conforme nos ensina Candido (1995, p. 180) e que acabávamos de comprovar na prática da leitura de poemas em sala de aula.

4.9.6 Leitura e compreensão do poema “Questão de pontuação” na turma 702