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Implementation of the Multimodal Training Platform

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7.2. Implementation of the Multimodal Training Platform

O texto poético selecionado para a décima e conclusiva atividade de leitura da semana foi o poema “O boto”, do cordelista paraense Antonio Juraci Siqueira.

4.10.1 Introdução à leitura do poema “O boto” nas turmas 701 e 702

Essa atividade deixou de ser desenvolvida por não encontrarmos espaço no calendário escolar, após atendermos o pedido da direção da escola para passarmos uma das atividades avaliativas de leitura aos alunos das duas turmas, que estavam sem professor de Língua Portuguesa, devido ao afastamento da professora titular por motivo de doença.

A aplicação da referida atividade avaliativa aconteceu em 29/10/2014, dia destinado à atividade de leitura de poemas, sendo essa a razão do não desenvolvimento desta décima aula.

4.10.2 Situação motivacional

A situação motivacional pensada para essa atividade consiste na apresentação de um vídeo, de autoria de Rodrigues; Raphael; Cesar (2010)26, que trata sobre a lenda

do boto, tendo como base os depoimentos de moradoras de comunidades ribeirinhas da Amazônia paraense, que afirmam terem tido contato com esse ser encantado. Após a apresentação do vídeo, sugerimos que seja perguntado aos alunos se eles já ouviram falar dessa lenda, se assistiram a algum dos filmes ou se leram algum texto sobre o boto, com o intuito de saber o conhecimento deles sobre o imaginário amazônico, além de aguçar a curiosidade sobre o texto poético, que será trabalhado na sequência da aula.

4.10.3. Introdução do autor e do poema

Nessa fase, o professor procederá à distribuição do texto poético “O boto”, de autoria do cordelista paraense Antonio Juraci Siqueira, ocasião em que deverá fazer a introdução do autor e do seu poema, também de modo sucinto.

ANTONIO JURACI SIQUEIRA nasceu em 28 de outubro de 1948 no município de Afuá, no Pará, onde, ainda menino, descobriu a literatura, através dos folhetos de cordel, herança do avô nordestino e das viagens a Belém. Licenciado Pleno

em Filosofia pela Universidade Federal do Pará, pertence à várias entidades literoculturais e atua como professor de Filosofia, oficineiro de literatura, performista e contador de histórias. Possui mais de 80 títulos individuais, entre folhetos de cordel, livros de poesias, contos, crônicas, literatura infantil, histórias humorísticas e versos picantes. Sua primeira obra publicada foi Verde Canto (1981), seguida de Travesseiro de Pedra (1986), Piracema de Sonhos (1986), Os versos Sacânicos (1989) e Estrela de Quatro Pontas (1989), entre outros mais atuais. Mora, desde 1976, em Belém, capital do Pará, onde colabora com jornais, revistas e boletins culturais de Belém e de outras localidades, além de contar com mais de 200 premiações em vários gêneros, em âmbito nacional e local. (MEIRA; ILDONE; CASTRO, 1990, v. IV, p. 297); (SIQUEIRA, 2010, p. 3-4).

“O boto”, do poeta paraense Antonio Juraci Siqueira, foi publicado no livro de sua própria autoria, intitulado Poemas Míticos: poemas baseados na mitologia amazônica de 2010, Edições Papachibé. Esse livro faz parte do acervo da biblioteca da nossa escola, do qual selecionamos o texto seguinte.

O boto27

Antonio Juraci Siqueira

Sonso, maroto Maledicente, Lá vem o boto Virado em gente. Em noite clara, À luz do luar, O sem-vergonha Vem namorar. De um jacaré Tinga ou coroa, Fez o malandro,

27 Poema selecionado do livro: SIQUEIRA, Antonio Juraci. Poemas Míticos: poemas baseados na

Sua canoa.

Num terno branco Sempre vestido, Vem todo prosa, Todo metido... Pra conquistar Rabo-de-saia, Usa um chapéu Feito de arraia. O seu sapato É um acari Que ele roubou De um cacuri.

Criatividade É o que lhe sobra: Seu cinturão Fez de uma cobra.

Pra completar O seu gracejo, Fez um relógio De caranguejo. Em toda festa Marca presença Sem nem ao menos Pedir licença.

Mundia as moças Com seu olhar Depois as tira Para dançar.

Depois se manda Sem dizer nada Deixando a moça Desconsolada.

Meses mais tarde, Num tapiri

Nasce outro filho Do tucuxi. Como é ladino Esse garoto! ... Esse menino Filho do boto... 4.10.4 Leitura do poema

As leituras do texto deverão ser realizadas de três modos: a leitura silenciosa, a leitura em voz alta do aluno voluntário e a conjunta, quando todos deverão ser estimulados a lerem o poema. O professor poderá fazer a sua leitura do texto, se achar necessário.

4.10.5 Compreensão do poema.

A compreensão do texto deverá ocorrer por meio das perguntas fomentadoras de discussão-compreensão: o que chamou a atenção no poema? A forma como o boto é caracterizado no poema, justificaria as consequências do ato dele? As reticências na estrofe final poderiam sugerir uma ironia do eu lírico quanto a paternidade do menino? É filho do boto mesmo? O professor poderá fazer outras, se julgar necessário.

4.10.6 Nossa leitura do poema

Personagem das nossas histórias paraenses, “O boto” parece-nos íntimo. Suas peripécias, seu encanto, e galanteio, parecem fazê-lo o ser que emerge das águas – barrentas do Amazonas para encantar e se encantar. Por que não – ele encanta e se encanta, se encanta pela cunhatã, bonita, a mais bonita da festa?

O mito do boto que vira gente é comum nas comunidades ribeirinhas do Pará e de toda a região Amazônia. Ele é, ao mesmo tempo, amigo do pescador e inimigo dos homens.

Na primeira estrofe, apontam-se algumas características da personagem – sonso, maroto e maledicente. É sonso, pois usa das suas artimanhas, das suas trapaças, do seu galanteio para “judiar” da cunhantã. Maroto, pois assim como os garotos nas festas, diverte-se, dança, namora e se deixa enamorar. É maledicente, pois, saciada a sua fome e sede, após encantar e usar a moça, deixa-a abandonada nos barrancos.

Expressões tipicamente regionais aparecem nesse texto, o que pode levar o aluno a identificar-se com o vocabulário – canoa, prosa, metido, arraia, acari, mundia, tapiri, tucuxi. Eis uma infinidade de palavras de que dispomos no nosso dia a dia. E o poema “O boto” traz algumas delas.

O desenvolvimento simples do poema leva o aluno a entender a sequência dos acontecimentos – o boto que sai da água, à noite, em forma de homem para dançar, na festa, namorar a cunhantã, enamorá-la, engravidá-la e depois sumir na beira do rio.

Eis as muitas facetas das histórias sobre o boto, que se contam por aí. Nas comunidades ribeirinhas paraenses não há um que não saiba tirar um dedo de prosa para contar sobre as peripécias do boto – e há sempre um curumim, estranho, que dizem ser o filho do boto.

O poema é um bom instrumento para aguçar, nos alunos, as suas ideias para a produção das lendas amazônicas não apenas sobre o boto, mas sobre a cobra-grande, a iara, a mãe-do-mato e tantas outras, que constituem o nosso repertório mítico.

É importante que, também, se contextualize o texto do poema “O boto” à performance teatral do poeta Antonio Juraci, que se apresenta vestido com roupas brancas, destacando-se o chapéu branco à cabeça porque se autodenomina “o filho do boto”, possibilitando ao aluno conhecer o autor, os temas que trabalha em seus textos, e, assim, estabelecer um relacionamento entre autor-leitor-comunidade.