10 Venner, forelskelse og fritid
10.5 Trafikk – lover og lovbrudd
Este tema reúne as informações referentes à formação que os professores receberam para exercer seu trabalho de elaboração do material do curso e para desenvolver esse material com os alunos, na tutoria das disciplinas de Funções e Limites e de Funções e Continuidade.
Dentro deste tema, agrupam-se dois subtemas, a partir dos quais se concentram as interpretações conforme os elementos que foram identificados nos relatos dos professores sobre a preparação para a realização das atividades de autoria e de tutoria.
Ao serem abordados na entrevista a respeito da formação que receberam para executarem o seu trabalho, foram identificados nos relatos destes professores dois momentos: um inicial, no qual receberam uma formação sobre o uso de ferramentas tecnológicas; e um segundo momento, que ocorreu ao longo do trabalho, no qual buscaram o apoio pedagógico e tecnológico de um professor externo à equipe, o Professor de Apoio.
5.3.1 Formação para o trabalho
Este subtema reúne as ideias comuns ligadas às questões da formação que os professores receberam para desenvolverem seu trabalho com o ensino a distância. Os professores relatam que receberam formação específica sobre tecnologias que seriam utilizadas para a elaboração do curso.
Tal formação, organizada dentro do próprio Departamento de Matemática, foi voltada para a utilização das ferramentas tecnológicas, incluindo o ambiente virtual de
aprendizagem Moodle, e softwares matemáticos, tais como o Wiris43 e o Geogebra44.
As falas dos professores nas entrevistas não indicam que tenha ocorrido nesta formação alguma discussão com relação aos aspectos pedagógicos referentes à utilização destas ferramentas, embora elas próprias tenham características que auxiliam o trabalho tanto com o ensino da matemática quanto com a edição do ambiente virtual no qual o curso se realizaria.
43 Wiris é uma ferramenta para edição de fórmulas, cálculos matemáticos e representações gráficas em ambientes on-line. Informações disponíveis em: http://www.wiris.com/en.
44 Geogebra é um aplicativo de matemática dinâmica que integra conceitos de geometria e álgebra. Informações disponíveis em: http://www.geogebra.org/cms/.
Os Professores 1, 2 e 4 afirmam terem feito, inicialmente, uma formação a respeito do Moodle, mas sem se aprofundarem nos aspectos pedagógicos do uso desta ferramenta, tendo em vista as especificidades do ensino a distância, conforme registra o Professor 2, ao afirmar: “tivemos, sim, curso, tipo o Moodle, usar o Wiris, quer dizer, para usar tecnologia, mais tecnologia”, e complementa dizendo: “fizemos algumas oficinas, também, mas não especificamente sobre o Cálculo, era sobre o uso de tecnologia”.
Os professores se referem a esta formação inicial como sendo de cunho mais tecnológico, dando indícios de que, naquele momento inicial, ainda não era exigida deles uma reflexão pedagógica a respeito do “novo” ambiente de ensino: “a equipe foi montada a partir dos seus conhecimentos de Cálculo mais do que do conhecimento de educação a distância. Então, a gente se organizou de modo diferente”.
O Professor 3 não teve a mesma formação inicial preparatória para o trabalho, como os demais integrantes da equipe, pois este professor ingressou na equipe posteriormente. No entanto, realizou a sua capacitação para o uso do Moodle em um curso de formação que discutiu, também, os aspectos pedagógicos do ambiente. Este curso de formação não foi como o anterior, sendo realizado em outra unidade da instituição. Conforme relata o Professor 3, foi um curso presencial em que “a gente discute as possibilidades da plataforma Moodle, mas também discute aspectos pedagógicos”.
Nas entrevistas, os professores manifestam suas preocupações com a execução do trabalho, com a forma de apresentar o conteúdo e como fazer para avaliar se o aluno estava compreendendo o que estava sendo proposto. Referindo-se à preparação do material, o Professor 2 afirma que “antes, a minha preocupação era de pensar em como iria acontecer a aprendizagem de uma disciplina difícil, em que, estando do lado do aluno a todo momento, mesmo assim, ele fica com dificuldades; a distância será que ele tem?” (Professor 2).
Uma formação que aborde os aspectos pedagógicos da educação a distância pode apresentar elementos que permitam ao professor vislumbrar possibilidades para lidar com o processo de ensino e as especificidades da modalidade a distância, levando a diminuir as incertezas. Esta reflexão se baseia na relação que o professor pode estabelecer com a inovação ao obter um conhecimento mais aprofundado a seu respeito,
ou seja, o conhecimento acerca das especificidades do processo de ensino e de aprendizagem na educação a distância.
Este tipo de conhecimento é denominado por Rogers como conhecimento-de- princípios, que consiste no intercâmbio de informações sobre os parâmetros de funcionamento da inovação. Segundo Rogers, “a competência de indivíduos em julgar a
eficácia de uma inovação é facilitada por sua compreensão sobre os princípios”45 (2003,
p. 173).
Neste caso específico, a formação recebida sobre as ferramentas tecnológicas em si mesmas não facilitou as atividades da equipe, como demonstra a fala do Professor 3 sobre o início de suas atividades de preparação do curso. Este professor diz que tinham “sempre muitas dúvidas a respeito da ferramenta que seria utilizada”. Embora seja compreensível o surgimento de dificuldades, ficam evidenciadas lacunas ocorridas na formação inicial, como demonstra a seguinte fala: “Seria possível colocar um gráfico, que fosse dinâmico, que o aluno pudesse mexer? Como iríamos construir os gráficos? Qual software iríamos usar?” (Professor 3).
Tais lacunas, supridas ao longo do curso, naquele momento, dificultaram a compreensão do uso das ferramentas e de suas funcionalidades no processo de ensino- aprendizagem. As falas do Professor 3 mostram que necessitavam ter um outro conhecimento, além de saber “o que” a ferramenta faz.
A formação para o trabalho apresenta uma relação importante com o processo de inovação-decisão de Rogers (2003), pois está relacionada com o grau de conscientização dos elementos que compõem esta nova prática, sejam os aspectos tecnológicos, sejam os aspectos pedagógicos relativos às especificidades do “novo” contexto de ensino.
As dificuldades e as facilidades que surgem ao longo do curso contribuem para a formação da opinião a respeito da inovação, influenciando, também, no tempo que o professor pode levar para tomar a decisão de adotar a nova ideia, ainda que parcialmente.
Os indícios levantados neste subtema apontam que a formação inicial foi um fator que pouco facilitou o trabalho dos professores, tendo contribuído para dar uma
45 No original: the competence of individual to judge the effectiveness of an innovation is facilitated by their understanding of principles know-how.
visão sobre o ambiente de aprendizagem e suas possibilidades técnicas, mas não sobre as condições referentes aos aspectos pedagógicos do ensino a distância.
5.3.2 Formação ao longo do trabalho
Este subtema agrupa as informações que se referem às necessidades que surgiram ao longo da realização do trabalho e às estratégias que os professores adotaram na busca de soluções. Os indícios encontrados nos relatos dos professores apontam que tais necessidades foram sendo trabalhadas com o suporte de um professor externo à equipe, o Professor de Apoio.
O Professor 1 relata ter pouco conhecimento a respeito do computador e que na hora de utilizar os softwares Wiris e Geogebra, a equipe “contou com todo o apoio” do Professor de Apoio, o qual, além de tirar as dúvidas, auxiliava na estruturação do próprio material quanto à manipulação das ferramentas tecnológicas. Sem isso, “não teríamos montado, jamais, as nossas atividades”.
O Professor 3 diz que a presença do Professor de Apoio era tão constante que, embora não participasse da concepção do material, o seu nome aparece também na autoria do material da disciplina Função e Limites, dada a participação ativa na sua implementação.
O Professor de Apoio é apontado como o elemento facilitador do trabalho pelo seu suporte e desencadeamento das questões referentes ao ensino a distância. O Professor 3 relata que o suporte que a equipe recebeu, além de ser um suporte técnico, também oferecia um direcionamento, levando os professores a pensar sobre o tipo de atividade e o que pretendiam com ela.
Segundo relato do Professor 3, o Professor de Apoio apresentava situações que os colocava a pensar em seus objetivos, orientando para que a atividade fosse colocada de acordo com o que a equipe pretendia observar e relacionava a ferramenta com os aspectos pedagógicos.
É na fase de Implementação que os conhecimentos relativos à inovação se aprofundam, ou deveriam ser aprofundados para motivar a adoção da nova ideia, a de ensinar a distância. Quanto mais abrangente for a formação inicial e a que acontece no decorrer do curso, menor será o grau de incerteza, e maior a probabilidade de aceitação.
Sendo assim, a formação deve vir acompanhada de elementos que permitam aos professores refletirem sobre as vantagens e desvantagens da incorporação de recursos tecnológicos em suas práticas educativas. Para conseguir alcançar seus objetivos com atividades, como manipulação gráfica de funções ou ideias intuitivas de conceitos matemáticos com a utilização de softwares, o professor necessita estar familiarizado com as ferramentas tecnológicas no sentido de conhecê-las e, se possível, manipulá-las, a fim de explorar o seu potencial pedagógico.
Para isso, o professor precisa ter uma formação que lhe proporcione tais entendimentos, ao mesmo tempo conceituais, técnicos e práticos, para que possa ter uma visão acerca da utilização das ferramentas tecnológicas. Assim, o professor vai conseguir elaborar uma atividade ou demonstrar um conceito matemático, tendo visão sobre o processo e consciência de que esta é uma atividade para um ambiente “novo” que, por si só, já requer novos conhecimentos e formas específicas de apresentar o conteúdo, de relacionar as ideias e de promover um diálogo com o aluno.
Possuir domínio sobre o seu fazer pedagógico, independentemente de ser no ambiente presencial ou a distância, confere ao professor maior autonomia sobre o seu processo de ensino e de aprendizagem. A formação, portanto, para além dos aspectos técnicos, deve desenvolver no professor a consciência de que a experiência acumulada no ensino presencial e a formação acadêmica são fundamentais, mas que serão, também, necessárias novas habilidades para atender às especificidades do ensino a distância.
Com base na etapa de Persuasão de Rogers, ao ingressar no processo de formação e iniciar as atividades do trabalho, o professor se torna psicologicamente mais envolvido com o ensino a distância, ou seja, já tem consciência de que se encontra em um processo de transição no qual começa a conhecer, estabelecer relações mais diretas com as atividades do trabalho que se propôs executar. Encontra-se, por isso mesmo, em um contexto que favorece a busca ativa por informações sobre a nova ideia, decidindo que informações são relevantes e como interpretá-las (ROGERS, 2003). Assim, vai desenvolvendo uma percepção mais geral sobre a inovação, para que possa avançar em sua decisão (etapa de Decisão) e se engajar na implementação (etapa de Implementação) com um grau de certeza suficiente para realizar as atividades demandadas pelo novo contexto.
Ao desenvolver uma atitude favorável ou não quanto à inovação, Rogers (2003, p. 175) afirma que
um indivíduo pode mentalmente aplicar a nova ideia à sua situação presente ou antecipar o futuro antes de decidir se vai mesmo experimentá-la. Esse julgamento vicário envolve a habilidade de pensar hipoteticamente e contra factualmente, e para projetar em relação ao futuro: E se eu adotar esta inovação?46.
Conforme o modelo de Rogers (2003), a formação recebida, paralelamente ao processo de transição do ensino presencial para o ensino a distância, influencia o comportamento do professor durante a passagem da etapa da Persuasão à Implementação.
A busca por informações sobre a inovação, as mensagens que chegam ao professor diante dos novos conhecimentos e da relação com os membros da equipe, além do apoio externo, se tornam componentes que podem facilitar ou dificultar a relação do professor com a inovação, determinando estratégias de ação, como iniciativas pessoais de buscar informações, complementar conhecimentos, estar aberto para outras possibilidades a partir da vivência com o contexto do trabalho.