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Com o intuito de prover a defesa militar do Reino, criam-se em 1808, a Academia de Marinha e, em 1810, a Academia Militar; para atender as

necessidades médicas e cirúrgicas do exército, é fundado, na Bahia, em 1808, um curso de Cirurgia e, posteriormente, criam-se aulas e cursos de Comércio, Agricultura, Química e Desenho Técnico. No Rio de Janeiro, são instaladas, inicialmente, aulas de Anatomia, Cirurgia, Medicina e, mais tarde, temos aulas de Química, a implantação do Curso de Agricultura, A Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios, que dá origem à Academia de Artes.

A chegada da Corte Portuguesa (1808) representa um marco fundamental também para as Matemáticas no Brasil. A Academia Real dos Guardas-Marinha (atual Escola Naval) vinda concomitantemente com a Coroa e a criação da Academia Real Militar, tornam-se instituições responsáveis em referenciar o ensino das Matemáticas no país. A Academia Real Militar vem substituir a Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho, destinando-se ao ensino das ciências exatas e da engenharia em geral ( VALENTE,1999, p. 92).

A Matemática introduzida nessas instituições assume uma postura de saber técnico e especializado, reservado à formação técnica do futuro engenheiro militar e guarda-marinha. Contudo, a Matemática ganha status a partir das técnicas militares, como as de artilharias, fortificações, cartografia e desenvolvimento da marinha de guerra. A necessidade da criação do conhecimento matemático leva à criação de cadeiras da disciplina.

Os regulamentos, normas e currículos da Academia Real Militar têm como referência a École Polytecnhique de Paris (1794), cujo lema “pela ciência, pela instrução e pela pátria” está arraigado às suas origens. Na Academia são formados os oficiais topógrafos, geógrafos e os das armas de engenharia, infantaria e cavalaria para o exército do rei, num período de 7 anos divididos em

dois períodos: um de 4 anos, básico e que recebe o nome de Matemático, e outro, de 3 anos, conhecido como Curso Militar.

Os professores que ministram as aulas no curso matemático no Brasil pós- colônia, constituem a primeira geração de engenheiros-matemáticos formados em instituições portuguesas, nas quais a pesquisa matemática atrelada ao ensino não é fator preponderante (SILVA, 1999, p. 67).

Nesse sentido, a historiadora Circe Mary Silva da Silva (2002), destaca a contaminação da concepção positivista no Brasil durante o final do período colonial e o início do Império, originada da metrópole portuguesa e influenciando as posições ideológicas da Academia Militar do Rio de Janeiro e de seus professores. Há um ânimo do espírito que vê na ciência uma nova atitude intelectual e que deve contaminar a atividade educativa.

Após a Independência do Brasil, em 1822, a Academia Real Militar tem seu nome modificado para Academia Imperial Militar e, em 1832, após a extinção da mesma, fica instituída a Academia Militar e de Marinha do Brasil. Neste mesmo ano, há novamente a modificação da denominação da Escola do Exército, recebendo o nome de Academia Militar da Corte e, posteriormente, Escola Militar (1840). Não é somente a denominação que sofre alteração; seu regulamento também é modificado, devendo habilitar os oficiais das três armas do exército, os engenheiros militares e do estado-maior. Contudo, devido às transformações sociais, políticas e econômicas que atingem o país, torna-se necessária a criação de uma outra instituição de ensino destinada à formação de engenheiros civis, separando-a do ensino militar. É criada a Escola Central (1858), que de acordo com Silva (1999, p. 72):

Ainda não houve a separação definitiva dos ensino civil e militar. A Escola Central continuou sendo o centro dos estudos científicos necessários à formação de engenheiros militares, civis, bem como à formação dos oficiais para as armas do exército e de estado-maior. Porém, com a evolução que se processava no mundo, com relação à ciência e à técnica, havia necessidade de que tais conhecimentos fossem ministrados, quer aos militares, quer aos civis, e, nas décadas seguintes, isto é, de 1860 a 1870, houve forte pressão , junto ao Imperador, para que houvesse a separação definitiva entre o ensino militar e o ensino civil (...).

A Escola Central é transformada na Escola Politécnica, isto é, uma escola exclusiva ao ensino das engenharias e subordinada a um Ministro não militar. O professor mais antigo, Dr. Inácio da Cunha Galvão, assume interinamente a direção da Escola que, num período ulterior, tem o Professor José Maria da Silva Paranhos, o Visconde do Rio Branco, como diretor da Politécnica.

A respeito das novas atribuições da Escola Politécnica, Castardo (2001, p. 18-19) nos informa:

Desligada das finalidades militares, agora seria destinada apenas a alunos civis. Segundo seu projeto original, formaria além de engenheiros e bacharéis, doutores em ciências físicas e naturais. A formação de engenheiros militares, bem como a de oficiais em geral, passou a ser realizada na Escola Militar da Praia Vermelha (1874-1904). A Escola Polytécnica [grifo do autor] inicialmente oferecia, após a conclusão do curso geral, cursos específicos para a formação de engenheiro de civil, de minas, engenheiro geógrafo ou industrial, além dos cursos de artes e manufaturas; e duas especialidades: em ciências físicas e naturais, e em ciências físicas e matemáticas.

O Curso de Ciências Físicas e Naturais, sucessor do Curso Matemático da Academia Real Militar, tem duração de 3 anos e é mantido até 1896 na instituição quando, além da nova denominação da Escola – Escola Politécnica do Rio de Janeiro – são extintos os cursos científicos. De 1896 até 1933, o ensino da Matemática superior no Brasil passa a ser feito exclusivamente como cadeiras dos cursos de engenharia, cessando a formação de engenheiro-matemático (SILVA, 1999, p. 73-74).

Todavia, as escolas politécnicas e as academias militares representaram espaços institucionais centralizadores da produção e difusão do conhecimento matemático nesse período (DIAS, 2002b, p. 24).

Assim, em tempos da inexistência de Faculdades de Filosofia, para formação dos professores de Matemática, são as Escolas Politécnicas, sobretudo, que suprem a falta de professores para o ensino secundário e superior, uma vez que, no dizer de Dias (2002b, p. 32), “quem gostava de matemática normalmente era engenheiro e quem era engenheiro normalmente sabia Matemática”.

2.3. A CÁTEDRA: A PRINCIPAL REFERÊNCIA PARA O ENSINO

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