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Teoritriangulering

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3 RAMMEVERK 3.1 Innledning

3.6 Teoritriangulering

Mapa 2 – Guardão e o Concelho de Besteiros em 1515. Fonte: DGT – CAOP2018

A. Gonçalves Cunha descreve que “esta linda serra estende-se próximo da fronteira entre os distritos de Aveiro e Viseu, dirigindo-se na direção NNE-SSW”, através dos concelhos de Oliveira de Frades, Vouzela, Viseu, Tondela e Mortágua, do distrito de Viseu e do concelho de Águeda, do distrito de Aveiro”60.

59 SANTA MARIA, Agostinho – Santuário Mariano e história…p. 149.

60 CUNHA. A. Gonçalves- Vegetação de Serra. Um esboço de um estudo ecológico da Serra do Caramulo. Lisboa: Casa Portuguesa. 1953. p. 12.

Quatro pequenas comunidades, uma formada na serra do Caramulo de nome Santa Maria do Guardão, as outras três no Vale de Besteiros com os seus respetivos oragos, Santiago de Besteiros, Santa Ovaia de Besteiros, que mais tarde evoluiu para Santa Eulália de Besteiros, posteriormente Campo de Besteiros 61e São Salvador de Castelões. Serão estas quatro paróquias a base do nosso estudo, durante um determinado período da sua história, pertencentes a concelhos distintos, mas que as vivências religiosas aproximaram, tendo para isso contribuído o facto de integrarem o mesmo arciprestado, de Besteiros, derrubando obstáculos geográficos e administrativos.

Ferraz de Carvalho aponta que num dos mais antigos documentos referentes a esta região, datado do ano 1131, denomina este território de balasteiro, baesteiros, balistários, balesteiros que integrava, dentro dos seus limites “o sopé do Caramulo – vale de Besteiros e parte da zona planáltica entre o Cris e o Dão”62 que mais tarde originou o concelho de

Besteiros, “mas também, a parte mais alta da serra, onde fica o Guardão e terras que constituem o seu Couto”63. A ser verdade, integravam originalmente, o mesmo território

a nível administrativo, sendo terra do rei. Este facto também é referido por Frei Agostinho de Santa Maria que “assim fica manifesto, que estava incorporado no Concelho do Guardão o de Bésteiros; com que fica indubitável a opinião que há, de que em Santa Maria do Guardão, aonde teve principio, o nome Concelho de Bésteiros”64. O mesmo também

se encontra exarado na Corografia do padre António Carvalho Costa65.

Em 1207, esta situação administrativamente alterou-se, correspondendo D. Sancho I “a [um] requerimento de Egas Niger e outros povoadores, concedeu por cinquenta morabitinos carta de fôro (…) à povoação do Guardão”66 com limites muito

idênticos aos atuais. Incluía, na altura, “Portela das Várzeas pelo Padrão da Messe ao Caramulo de Alcoba, dai ao Carvalinho, onde está o canto entre o Figueiral e Janardo até

61 Atribuído o título de vila e alteração do nome da freguesia para Campo de Besteiros pelo Decreto n.º 16.467, de 4 de fevereiro de 1929 publicado no Diário do Governo, n.º 30, 1.ª série, 6 de fevereiro de 1929. 62 “In primis sicut terminatur cum baesteiros per fontem friam deinde quomodo sparttit cum alkofra per

ipsan lombam” In carta de doação de Varzielas citado por CARVALHO, Amadeu Ferraz – A Terra de Besteiros e o Actual Concelho de Tondela. …p. 55.

63 CARVALHO, Amadeu Ferraz – A Terra de Besteiros e o Actual Concelho de Tondela. …p. 55 64 SANTA MARIA, Agostinho – Santuário Mariano e história…p. 380.

65 COSTA, António de Carvalho da – Corografia Portuguesa… Tomo II, p. 190.

à Pedra do Bolo, donde, por Misarela iria ter novamente ao dito Padrão da Messe.”67 Nessa carta de foro são-lhe atribuídos direitos e deveres, em que se destacam “ que o mordomo do reu ou que “essa terra tever de nós” só intervém em três pleitos, furto, rouço ou homicídio; o cargo de mordomo da terra; não terão que dar pousada ao rico-homem, Senhor da Vila”68.

Não nos debruçaremos em pormenor sobre os diferentes senhores do Guardão, ao longo do tempo, porém, em 1514, a 10 de fevereiro, o rei D. Manuel I concede novo foral com direitos e deveres idênticos a outros forais concedidos na altura. Saliente-se que algumas herdades estavam obrigadas a pagar trinta e duas perdizes pelo mês de dezembro, o que poderá estar associado à existência de caça em abundância69.

No numeramento de 1527, ficamos a saber, que no concelho do Guardão viviam 66 moradores e que se distribuíam pelos seguintes lugares: Janardo que era a cabeça do concelho e a povoação com um maior número de moradores, 17 e os outros lugares eram, Rabelo, Guardaão de Cima, Caselho, Paredes, Póvoa da Longra, Póvoa de Ceidão, Carvalinho, Cadraço, Laceiras, Pedrogão e Jueus70.

Ficámos a saber também que “este comcelho tem de termo huma legoa em comprido e mea em larguo e parte e comfronta com o comcelho de besteiros e com o comcelho de sam João do monte e com comcelho de Lafões e com o comcelho de mortagua”71.

No sopé da serra, a situação é assaz diferente. Da análise das inquirições de 1258 em que é frequente surgir a expressão “termino de Ballistariis” para o conjunto de freguesias, não se destaca um lugar importante, “castelo, mosteiro […] a cuja sombra todas elas se acolhessem ou agrupassem, formando um todo mais ou menos homogéneo quanto à administração e à sua dependência em relação ao poder central”72.

Assim sendo, para Carvalho “cada paróquia “constitui uma unidade de organização local, dotada de autonomia rudimentar com o seu juiz privativo, e conquanto

67 CARVALHO, Amadeu Ferraz – A Terra de Besteiros e o Actual Concelho de Tondela. …pp. 55-56. 68 CARVALHO, Amadeu Ferraz – A Terra de Besteiros e o Actual Concelho de Tondela. …p. 56. 69 CARVALHO, Amadeu Ferraz – A Terra de Besteiros e o Actual Concelho de Tondela. …p. 59. 70 CARVALHO, Amadeu Ferraz – A Terra de Besteiros e o Actual Concelho de Tondela. …p. 59. 71 CARVALHO, Amadeu Ferraz – A Terra de Besteiros e o Actual Concelho de Tondela. …p. 59. 72 CARVALHO, Amadeu Ferraz – A Terra de Besteiros e o Actual Concelho de Tondela. …p. 60.

repetidas vezes se alude ao fôro de Besteiros, como conjunto de direitos e deveres peculiares a um agregado por elas formado”73. Existe, porém, um elo de ligação entre

elas quando têm de resolver problemas comuns “quood vadum as concilium ad Molelos”74. Concluiu-se que não há propriamente uma unidade administrativa, mas o

ponto em comum é o foro de Besteiros.

Acontecimento significativo ocorre a 14 de julho de 1515, para o concelho de Besteiros, em que lhe foi atribuído carta de foral, por D. Manuel. Como é habitual apresenta semelhanças com outras cartas de forais atribuídas na mesma altura, mas uma parte, diretamente dirigida aos habitantes do concelho de Besteiros, é bastante significativa e digna para com os mesmos75. Um dos problemas que enfrentavam os concelhos, em parte, “pela inoperância do poder central, mas principalmente pelo estado caótico do país entre os fins do século XIV e ao longo do século XV, procurou-se uma uniformização que deveria ser feita com o parecer do povo a que se destinava”76. Assim,

“por fazermos favor e mercee aos moradores e foreiros da dicta terra nós mandamos particularmente ao dicto comcelho pessoas do nosso poder pera notificarem ao povoo da maneira de quall pagamento seriam ora mais contentes de pagar…”77. Da leitura atenta que faz do foral de Besteiros, Maria Teresa Nobre Veloso apercebe-se “do trânsito de variadas mercadorias”78. O concelho seria bem servido por vias de comunicação,

comprovado pela chegada de mercadorias de outras proveniências, nomeadamente do comércio ultramarino: “especiarias, boticárias e timturas”79.

Mais tarde, pelo numeramento de 1527 constata-se que o número de moradores no concelho é de 989 nos lugares que são povoados, dos quais 291 moradores são de lugares que pertencem às três freguesias do nosso estudo.

73 CARVALHO, Amadeu Ferraz – A Terra de Besteiros e o Actual Concelho de Tondela. …p. 60. 74 CARVALHO, Amadeu Ferraz – A Terra de Besteiros e o Actual Concelho de Tondela. …p. 60. 75 Conforme a opinião manifestada por CARVALHO, Amadeu Ferraz – A Terra de Besteiros e o Actual

Concelho de Tondela. …p. 60.

76 VELOSO, Maria Teresa Nobre – Nota Introdutória – Foral de Besteiros de 1515. Coimbra: Arquivo da Universidade de Coimbra. 1992.

77 VELOSO, Maria Teresa Nobre – Nota Introdutória – Foral de Besteiros de 1515... 78 VELOSO, Maria Teresa Nobre – Nota Introdutória – Foral de Besteiros de 1515… 79 VELOSO, Maria Teresa Nobre – Nota Introdutória – Foral de Besteiros de 1515...

As quatro paróquias administrativamente, durante um longo período da sua história, coabitaram em concelhos distintos, mas com vivências religiosas que as aproximaram. É certo que a História dá-nos vários exemplos de rivalidades ancestrais entre paróquias limítrofes, ou concelhos, onde, na maioria das vezes, essa rivalidade resultou em confrontos violentos com marcas que o tempo não apaga, sendo transmitidas de geração em geração. As “lutas entre concelhos vizinhos podiam ser violentas e mortíferas”,80 consagrada esta atitude nas penas aplicadas, muito menos penalizadoras,

quando alguém matava um morador de um concelho vizinho. Apesar deste relacionamento problemático, e no sentido da resolução dos problemas existentes entre concelhos confinantes, existia sempre a possibilidade das assembleias concelhias reunirem-se num local de fronteira, considerado território neutro. Esse local do encontro, onde se dirimiam argumentos é apelidado de “medianido”81. Curiosamente, no foral do

Guardão, atribuído por Sancho II, está estabelecido esse local, e, ainda hoje existe a pedra onde os representantes concelhios se encontravam. A tradição oral ainda conta esse costume e são várias as pessoas que referem que essa pedra atualmente delimita três freguesias, Santiago de Besteiros, Guardão e Campo de Besteiros, antiga paróquia de Santa Eulália de Besteiros. Seria aí, junto àquela pedra “hu see o canto antre o figueiral e janardo e desy aa pedra do bolo”82 que os moradores dos concelhos discutiam assuntos de interesse para as suas comunidades, nomeadamente as delimitações, ou, possivelmente, algum conflito que pela via do diálogo era solucionado.

Como verificamos a carta de foro estabelecia para os habitantes do Guardão os direitos e deveres, onde vinha exarado que o mordomo do rei intervinha em três tipos de litígios, “furto, rouço e homicídio”83. Como direitos não eram obrigados a exercer o cargo

de mordomo ou de serviçal, e “não tinham que dar pousada ao rico-homem, senhor da vila; não irão apelido nem chamada senão indo el-rei em pessoa”84.

80 MATTOSO, José. Os concelhos in MATOSO, José (dir)- História de Portugal. Lisboa: Círculo de Leitores. 1993. II Vol. p.229.

81 MATTOSO, José. Os concelhos. …. p. 229.

82 CARVALHO, Amadeu Ferraz – A Terra de Besteiros e o Actual Concelho de Tondela .... p. 105. 83 CARVALHO, Amadeu Ferraz – A Terra de Besteiros e o Actual Concelho de Tondela…. p. 56 84 CARVALHO, Amadeu Ferraz – A Terra de Besteiros e o Actual Concelho de Tondela…. p. 56

Ao passarem a pertencer a duas unidades administrativas diferentes, poderia ter resultado daí alguma rivalidade que ficaria na memória, mas assistimos ao que parece ser uma sã convivência entre os habitantes destas paróquias confinantes, o que poderá ser explicado pela existência de um percurso comum a nível religioso que com o tempo tecem e reforçam laços de solidariedade. Vários registos, tanto em Frei Agostinho de Santa Maria85, como no Padre António Carvalho Costa86 e através da tradição oral atestam uma onda crescente de solidariedade numa narrativa da luta contra os mouros.

A freguesia de Santa Eulália de Besteiros, atualmente, denomina-se Campo de Besteiros. Esta alteração ocorreu em 1929, e na altura foi-lhe atribuído o título honorífico de Vila87. O seu orago é Santa Eulália, que a hagiografia cristã refere como uma santa mártir que viveu na zona de Mérida. A denominação original da freguesia é de Santa Ovaia de Ballistaris, e como procurámos demonstrar, talvez a sua fundação se desse durante o domínio visigótico. Atualmente, tem uma área de 7,90 km2 apresentando os

seguintes lugares habitados: Campo, Seixo, Arrifana, Portela, Batoco, Rodonho, Fermentelos, Póvoa, Corte e Ribeira. A primeira referência que se conhece remonta ao ano de 961 em que Dona Inderquinna Pallas doou ao Mosteiro de Lorvão, entre muitos outros lugares, o lugar de Santa Eulália88. Um dos lugares da freguesia é a povoação de Fermentelos que aparece referenciada nas Inquirições 1258. Como indica o seu nome, Fermentelos, que vem da palavra foramontanos, significa que os moradores estavam obrigados a pagar foro do monte, ou seja, tinham a incumbência de “correr os montes com armas e cães, na companhia do senhorio” 89.

Outra freguesia é Castelões que apresenta como área 16,98km2 , sendo constituída pelos seguintes lugares: Casal, Coelhoso, Costa, Cortiçada, Eiras, Falorca, Figueiral, Fontainhas, Ladeira, Linheiro, Múceres, Outeiro, Quintal, Ribeiro, Souto, Vales e Vila de Rei. O orago é São Salvador. Nas Inquirições de 1258, a freguesia parece referenciada como “Ecclesia Sancti Salvatoris de Castelhanis e Castellaos”90. Esta freguesia não

85 SANTA MARIA, Agostinho – Santuário Mariano e história… Tomo V, pp. 377-385. 86 COSTA, António de Carvalho da – Corografia Portuguesa …Tomo II, p. 190. 87 Diário do Governo, n.º 30, 1.ª série, 6 de fevereiro de 1929.

88 FERROS, Luís; FERROS, Manuel; LEITÃO, Rui do Amaral – Concelho de Tondela – Heráldica,

História e Património. Lisboa: Edições Colibri. 2017. p. 59.

89 SERRÃO, Joel-Dicionário da História de Portugal. Porto: Livraria Figueirinhas. II volume, p. 57. 90 CARVALHO, Amadeu Ferraz – A terra de Besteiros e o Actual Concelho de Tondela … p. 108.

apresenta nenhum lugar com o nome de Castelões, que segundo Carvalho, poderia ser resultado da existência do castelo de Besteiros91, referenciado várias vezes em documentos, mas até hoje impossível de localizar.

A terceira freguesia do vale de Besteiros, localizada na parte norte do vale, é Santiago que vem mencionada nas inquirições de 1288 como Parrochia de Sancti Jacobi de Ballistaris ou Baestyros92, e, nessa altura a sua população repartia-se em inúmeros casais. Esta freguesia tem de área 20 km2 e, orago Santiago. Como lugares habitados tem as seguintes povoações: Barrô, Barrocal, Casais da Igreja, Casal da Maçãs, Litrela, Lourosa, Muna, Pedronhe, Portela, Portelada e Santiago.

A quarta freguesia localiza-se já em plena serra do Caramulo, ao qual foi atribuído o nome de Guardão. A serra antes do nome de Caramulo, era conhecida por serra de Alcoba como aparece referenciada em vários documentos, ou monte de Catarazo, como se constata num documento de 110193. Esta freguesia tem como orago Santa Maria, ou

Nossa Senhora da Assunção, e tem a área de 18,77km2. Também são inúmeros os lugares

habitados que se espraiam pela serra, a saber: Cadraço, Carvalinho, Caselho, Chão do Rio, Guardão, Janardo, Jueus, Paredes, Pedrógão, Rãs e Rebelo. D. Sancho I concedeu carta de foro ao Guardão, no ano 1207, onde estavam estabelecidos os limites, muito próximos da atual freguesia94.

Dificilmente conseguiremos determinar a origem das igrejas do vale e da serra alvo do nosso estudo. Ferraz de Carvalho interroga-se se alguma das igrejas desta região seriam do tempo dos visigodos. Concluiu que pode existir essa possibilidade. Será só uma suposição, já que a documentação não o permite confirmar95. A expansão do Cristianismo pelas zonas rurais poderá ser inferida, pelo menos a criação das igrejas à volta das quais se formaram pequenos núcleos populacionais, através da análise da hagiotoponímia96. Considerando os oragos das igrejas da diocese de Viseu, os mesmos referem a antiguidade destas comunidades ligadas a cultos evangélicos e marianos (Salvador e Santa Maria,

91 CARVALHO, Amadeu Ferraz – A Terra de Besteiros e o Actual Concelho de Tondela … p. 108. 92 CARVALHO, Amadeu Ferraz – A Terra de Besteiros e o Actual Concelho de Tondela … p. 104. 93 CARVALHO, Amadeu Ferraz- A Terra de Besteiros e o Actual Concelho de Tondela … p. 111. 94 CARVALHO, Amadeu Ferraz – A Terra de Besteiros e o Actual Concelho de Tondela … p.55. 95 CARVALHO, Amadeu Ferraz - A Terra de Besteiros e o Actual Concelho de Tondela … p.28. 96 CARVALHO, Amadeu Ferraz -A Terra de Besteiros e o Actual Concelho de Tondela … p.29.

mais tarde Nossa Senhora dos Milagres) e apostólicos (Santiago e Santa Ovaia)97. A zona de Besteiros, conjuntamente com Santa Comba, Viseu e Aguiar “seriam as principais linhas defensivas cristãs a sul do Douro”98.

Mapa 3 Administrativo do Atual concelho de Tondela. Fonte: DGT – CAOP2018

Se atendermos ao título da obra de Ferraz de Carvalho “ A Terra de Besteiros e o Actual Concelho de Tondela” verificamos a ocorrência de várias reformas administrativas99 que conduziram à situação atual. O concelho de Tondela resultou para além das freguesias que constituíam o concelho de Besteiros “dos antigos coutos, depois

97 TENTE, Catarina- A Geografia Diocesana entre o Séc. VI e 1147, In PAIVA, José Pedro (Coord).

História da Diocese de Viseu- Séc. VI – 1505. Viseu: Diocese de Viseu e Universidade de Coimbra. 2016,

Vol. 1, p.34.

98 NUNES, João – A Geografia Diocesana (1147-1505), In PAIVA, José Pedro (Coord). História da

Diocese de Viseu- Séc. VI – 1505. Viseu: Diocese de Viseu e Universidade de Coimbra. 2016, Vol. 1, p.

47.

99 A grande reforma de Passos Manuel de 6 de Novembro de 1836 (Decreto de 6 de Novembro de 1836, publicado no Diário do Governo n.º 283, de 29-11-1836, pag. 1321) que passou os concelhos de 828 para 351, suprimiu na zona os concelhos do Guardão, Mouraz, Sabugosa, Canas de Sabugosa, Boa Aldeia e Mouraz e retirou as freguesias de Lajeosa e de Ferreiroz ao concelho de Viseu, para as juntar a Tondela. CORREIA, Arlindo. Do Concelho de Besteiros no Antigo Regime ao Concelho de Tondela. [Consultado em 14-08-2019] disponível em https://arlindo-correia.com/200408.html.

concelhos da serra do Caramulo – S. João do Monte e Guardão e, na terra chã, os de Mouraz, Sabugosa, Santa Maria de Canas, S. Miguel de Outeiro e algumas freguesias que pertenciam ao termo de Viseu e a outros pequenos concelhos, Barreiro (Vil de Moinhos) e Treixedo”100.

No que respeita à administração eclesiástica, as quatro freguesias integravam a mesma diocese, Viseu, e o mesmo arciprestado, Besteiros.

A primeira referência à diocese de Viseu surge em 569, indicando que, provavelmente, tenha surgido na década de sessenta do século VI101, mas nada nos indica que a sua ação se estendesse às terras de Besteiros, nem confirma a existência de Igrejas nesse território. Normalmente, ao tempo, a ação do Bispo, neste caso, o bispo de Viseu, incidiria sobre a Igreja que se localizava na cidade, estendendo-se a espaços nos arredores, onde se fundaram mosteiros ou espaços dedicados aos mártires do Cristianismo102.

Durante o domínio muçulmano, segundo Cristina Tente, as informações não permitem inferir qual seria a geografia da diocese e o raio da ação da mesma103. Tem-se

conhecimento do nome de alguns bispos de Viseu, que exerceram funções durante o domínio muçulmano104. Sabe-se, porém, que aquando do exílio do Bispo de Viseu em Oviedo, por alturas de 1050, e após a conquista da cidade por Fernando Magno, a sua ausência determinou que a mesma “fosse anexada pela de Coimbra”105. Só em 1147, já

sob governo de D. Afonso Henriques a mesma seria restaurada106.

No início da centúria de trezentos, a diocese de Viseu teria definitivamente a sua área estabelecida, separando o seu território das outras dioceses através da rede hidrográfica e, dos acidentes naturais107. Na parte ocidental da Diocese é constituída por duas regiões, tendo uma delas interesse para o nosso estudo, o caso de Besteiros, a que se

100 CARVALHO, Amadeu Ferraz de- A Terra de Besteiros …. p. 3. Como sabemos um couto é quando a terra é “tornada imune por concessão expressa do rei, na qual se indicavam os limites geográficos e o âmbito da imunidade” – veja-se HESPANHA, António Manuel- História das Instituições – Épocas Medievais e

Modernas. Coimbra: Livraria Almedina. 1982. p. 133.

101 TENTE, Catarina - A Geografia Diocesana … p. 26 102 TENTE, Catarina- A Geografia Diocesana … p. 26. 103 TENTE, Catarina- A Geografia Diocesana … p. 31. 104 TENTE, Catarina- A Geografia Diocesana … p. 30. 105 TENTE, Catarina- A Geografia Diocesana.... p. 33. 106 TENTE, Catarina- A Geografia Diocesana … p. 34

107 NUNES, João. A Geografia Diocesana (1147-1505) in PAIVA, José Pedro-História da Diocese de

juntava, na parte norte, Lafões. Os limites territoriais eram determinados “pelo maciço da Gralheira a Norte e Ocidente, na parte meridional, pelo curso do rio Mondego”108.

Concentremo-nos, contudo, no período cronológico em estudo, no que diz respeito à relação da Igreja, com o Estado após a implantação da República, e a incidência na nossa área de estudo. A questão religiosa, despoletada pela Lei de Separação 109 poderia ser o início de um processo, mas é mais uma etapa na relação tensa entre a Igreja e o Estado, desde a época pombalina. Assim, como defende Fernando Catroga “ter-se-á de concluir que sob a República, a questão religiosa foi tanto um ponto de chegada, como um acelerado ponto de partida”110. Até aqui, a maioria das medidas tinha afetado o clero

regular, agora, o conjunto da legislação clerical afetou igualmente o clero secular. Medidas que abrangeram diferentes campos, entre elas, o ensino, a “supervisão apertada das manifestações de culto”, a criação de comissões cultuais “que ficavam com o encargo de organizar o culto católico e fiscalizá-lo”111.

Os jornais locais retratam, por vezes, em tom crítico para Igreja e para os padres

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