5 UTENLANDSFORSVARETS UTFORDRINGER 5.1 Innledning
5.4 Sikkerhet – et tolkningsspørsmål?
5.4.2 Reell sikkerhet?
Nos nossos dias a assunção do papel de mordomo “não é só uma honra”, porque o desempenhar das funções implica grande responsabilidade e canseiras, como se ouve dos desabafos daqueles incumbidos dessa missão. O momento crucial é próximo da festa, o ter de organizar o peditório, o ir de casa em casa, no final do dia de trabalho, pedir de porta em porta, ouvir milhentas histórias para se obterem as ofertas necessárias para os festejos. Uns cumprem os seus lugares por promessa – como refere Sanchis “promete-se então ao santo uma festa ou de “servir” na sua festa”, 289outros são por vezes “castigados”
pelos amigos, por ofertas diminutas, ou críticas que ousaram fazer ao trabalho de outras equipas de mordomos de anos anteriores. Nessas missões tecem laços de solidariedade e todos almejam cumprir a sua missão a preceito e organizar uma festa inolvidável, que
285 SANTA MARIA, Agostinho – Santuário Mariano e história… p.153
286 SOALHEIRO, João. Ex-voto. In AZEVEDO, Carlos Moreira (Dir.). Dicionário de História Religiosa
de Portugal. Lisboa. Círculo de Leitores. 2000. p 236 C – I.
287 SOALHEIRO, João. Ex-voto… p 236 C – I. 288 SOALHEIRO, João. Ex-voto… p 236 C – I.
fique nos anais da história. Na concretização desse desiderato, apelam à ajuda da santa ou de todos os santos para que os favoreça com bom tempo, um tempo a preceito, para que a vinda de peregrinos seja de acordo com os pergaminhos da festa.
Para caminhar para a sua salvação muitos escolheram a participação nas confrarias ou irmandades290. Era uma escolha de cada um, mas era uma escolha consciente, porque era voluntária a participação. Estas organizações, devido às suas constituições e funcionamento “tornavam-se autênticas forças sociais”291. Nestas
confrarias ou irmandades a festa, manifestação pública, de forma concreta demonstrava o seu poder e capacidade organizativa. E nesta relação entre o profano e o sagrado, o clero assumia, na maioria das vezes, o forte papel de vigilante das atividades. A visão do clero, crítico quanto ao mundo das crendices e potenciais desvios à ortodoxia, podia ser reservada e até proibir alguns dos objetivos preconizados pelos leigos. Festa, para ser festa, e merecer a aceitação do povo, não se podia limitar à missa cantada, ao sermão solene e à procissão, mas estas manifestações nitidamente religiosas tinham de se complementar com outras manifestações profanas, que reforçavam a sociabilidade, como, por exemplo, danças, cantares ou outros elementos de convivialidade.
Pela descrição de Frei Agostinho de Santa Maria, a Festividade de Nossa Senhora do Campo era sempre bastante solenizada, com a “presença de três padres, sermão solene e missa cantada”292.
O sucesso desta festividade, a partir dos anos vinte do século XVIII, passou a ser assegurado pela Confraria dos Terceiros de Nossa Senhora do Carmo. A partir de 1723 desempenha um papel crucial na divulgação do culto e na conservação e reforma da capela. A sua ação desenvolveu-se entre 1723 e 1771, quando foi reformada, de acordo com inscrição que se encontra exarada no teto da capela.
As irmandades “gestoras de culto”293 exerciam, através da sua capacidade
organizativa, atração sobre os homens e mulheres simples proporcionando-lhes “uma
290 ABREU, Laurinda Faria dos Santos – Confraria e Irmandades: A santificação do Quotidiano. In A Festa. VIII Congresso Internacional da Sociedade de Estudos do Século XVIII, 2. Lisboa. Universitária Editora. Vol. II. p. 429.
291 ABREU, Laurinda Faria dos Santos – Confraria e Irmandades…p. 429. 292 SANTA MARIA, Agostinho – Santuário Mariano e história … p.152. 293 ABREU, Laurinda Faria dos Santos – Confraria e Irmandades… p. 435.
comunhão completa com o sagrado”294. Facilmente arrastavam multidões para esses
locais de culto, esperando conseguir respostas às suas preces e anseios. A Irmandade de Nossa Senhora do Carmo, sediada na capela da Senhora do Campo, não só pode congregar ainda mais devotos, pela dinâmica que imprime, como reforça o culto mariano295.
A vitalidade desta entidade torna-se clara na reformulação dos seus estatutos, em 1874 “aqueles que a regem presentemente, são deficientes e não satisfazem as necessidades, costumes e circunstâncias actuais do século”296. Em pleno liberalismo,
encaram-se as confrarias e a própria Igreja com outros olhos. Faz-se apologia do indivíduo, em detrimento do coletivo, pelo que, as confrarias ou irmandades têm de readaptar-se a essa nova realidade. Estamos perante a secularização da sociedade em que a liberdade e o individuo adquirem uma centralidade em detrimento do coletivo297.
Comprova-se a diminuição da capacidade atrativa do culto de Nossa Senhora do Campo, que se verifica quer pela diminuição das receitas, quer pelo menor número de irmãos,298 da freguesia de Santa Eulália de Besteiros.
Após a implantação da República, a reformulação dos seus estatutos é aprovada conjuntamente com outra irmandade da freguesia, a Irmandade de São Francisco299. Não conseguimos apurar o ano da sua extinção, temos ainda uma referência à comemoração do aniversário da irmandade de Nossa Senhora do Carmo, em 1919300. Se uma das principais funções era organizar o culto, o surgir de mordomos a tratar da parte religiosa, bem como outras instituições a organizarem a parte profana, dá indícios que a sua ação
294 ABREU, Laurinda Faria dos Santos – Confraria e Irmandades… p.436.
295 Sobre o dinamismo da Irmandade de Nossa Senhora do Carmo pode ler-se o trabalho de Alexandre Alves publicado in ALVES, Alexandre. A Capela de Nossa Senhora do Campo da Vila de Campo de Besteiros. Alves, Alexandre (diret.). Revista Beira Alta. Viseu: Assembleia Distrital de Viseu. Volume XXXVIII. Ano. 1979. 2.º Trimestre.
296 COSTA, Armando- Conheça a Sua Terra – Santuário de Nossa Senhora do Campo. Jornal Ecos de
Besteiros. Fev. 1980. p. 3
297 Cf. CLEMENTE, Manuel – Vitalidade do catolicismo nos séculos XIX e XX – in AZEVEDO, Carlos Moreira - História Religiosa de Portugal. Lisboa: Círculo de Leitores. 200º. Vol. 3, pp. 65-66.
298 COSTA, Armando. Conheça a Sua Terra – Santuário de Nossa Senhora do Campo. Jornal Ecos de
Besteiros. Fev 1980. p. 3
299 Irmandades. Jornal Folha de Tondela. Tondela. 26 nov. 1911, p. 2
300 “Realiza-se no dia 8 de março corrente o aniversário da irmandade de Nossa senhora do Carmo, havendo missa de ofício e sermão das almas (…). Aniversário da irmandade de Nossa Senhora do Carmo. Jornal
não se prolongou durante muito tempo, ou então estaria bastante diminuída, nada comparável à dinâmica demonstrada durante o século XVIII, e parte do século XIX.
Em 1949, o correspondente de Campo de Besteiros numa carta aberta aos seus conterrâneos espalhados pelo mundo, lamenta-se do fraco progresso da sua terra. Uma das referências que faz é que a Casa dos Correios ainda estava instalada na “antiga casa da Confraria de Nossa Senhora do Carmo”, e que a Junta de Freguesia que não tinha instalações próprias, funcionava numa sala por cima da sacristia da Capela301.