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Konklusjon

In document Et forsvar til besvær? (sider 120-124)

5 UTENLANDSFORSVARETS UTFORDRINGER 5.1 Innledning

6 ET FORSVAR TIL BESVÆR?

6.2 Konklusjon

Um momento que reforça o sentido de viver em comum é a comensalidade, porque, para além da partilha de alimentos, é também por excelência um momento de comunicação, do qual se retira prazer, reforçando os laços entre os presentes367. Sendo

366 CESAR, José Júlio. A Cruz, símbolo de dor e de fé…

367 Cf. CASCÃO, Rui - À Volta da mesa: sociabilidade e gastronomia. VAQUINHAS, Irene. História da

assim, as festividades eram momentos em que as “costumadas jantarolas costumam-se saborear no chão atapetado verde e mimosas relvas e à fresca sombra dos pinheiros”368.

Os grupos unem-se, combinam a ementa e, nesse dia, por ser dia de festa, dia de ter tempo, mata-se o tempo, após a devoção, debaixo de uma sombra, e confraterniza-se de forma livre e espontânea, enquanto se mastiga “tão variados petiscos”369.

A gastronomia associada à festa das Cruzes é farta, mesmo bastante rica, segundo as descrições que nos chegaram, ou por constatação própria, das inúmeras vezes em que partilhamos também, os farnéis. Dia de festa, dia de fartura, porque a penúria era para outros momentos, outras alturas que não esta que se assumia ser de partilha de farnéis, de adoçar a boca às crianças, porque doceiras não faltavam a apregoar. Nesses doces destacavam-se as tortas doces e também “passaritos feitos de pão, com a sua crista escarlate”370.

A preparação começava na noite anterior, após a labuta diária. Após uma noite mal dormida, ainda de madrugada, o sol ainda não tinha despontado para os lados da Estrela, os fornos crepitavam e “dos telhados das cozinhas saem espirais de fumo, e na rua o cheiro apetitoso dos assados mostra que as donas de casa estão preparando as merendas”371.

“As suculentas merendas” acompanhadas por um pipito de vinho, que alguém mais forte se encarregava de carregar às costas, mais tarde, responsável por muitos excessos alcoólicos, tombos de alguns ou por vezes princípios de rixas. Vinho era bebida que não faltava, até havia em fartura “debaixo de copadas de árvores, especialmente carvalhos e castanheiros, ao arraial da Ascensão, ao lado da nova e ampla escola, as pipas do capitoso vinho desafiam e atraem os amigos de Baco”372.

De tudo se come um pouco, de tudo se partilha, sabendo que o rancho é melhorado, e, quando está no tacho dá para todos antes de ser deglutido. Estes farnéis recheados, dos quais se encarregavam as mulheres de os transportar à cabeça, fosse em canastras ou seiras, haveriam de chegar ao destino contentando o estômago de muitos,

368 Festividade no Campo de Besteiros. Jornal Folha de Tondela. Tondela. 13 maio 1906. p. 2. 369 CESAR, José Júlio- A Cruz, símbolo de dor e de fé…

370 CESAR, José Júlio- A Cruz, símbolo de dor e de fé… 371 CESAR, José Júlio- A Cruz, símbolo de dor e de fé… 372 CESAR, José Júlio- A Cruz, símbolo de dor e de fé…

mesmo dos mais desfavorecidos, porque “ninguém vai dali com fome”373. Após a

passagem da última procissão, quando se reuniam as quatro freguesias e iam dar a volta à capela de São Sebastião, escolhia-se um carvalho frondoso, e à sua sombra abriam-se as merendas, mas antes estendiam as alvas toalhas de linho. Sentados no chão, ao redor da merenda, vendo de dentro delas saírem leitões, de certeza ainda com a pele estaladiça, galinhas, perus, cabritos, enormes nacos de presunto que o sal tinha conservado desde o inverno, chouriços e salpicões. De tudo um pouco, de navalha em riste cortava-se uma rodela, fosse de chouriça, ou de salpicão com um pedaço de broa de Molelos e, nessa altura, qualquer vinho era vinho de estalo, aquele estalo de língua em jeito de aprovação. Mas não se pense que só de carne vive o homem, também marchavam uns filetes de pescada, ou então, um manjar dos deuses, os bolinhos de bacalhau com “um copo de branco que é de beber e chorar por mais”374.

Partilham-se iguarias, de grupo para grupo, um momento importante de socialização, em que uns se especializavam a petiscar, um pouco aqui, outro pouco além sem nunca esquecer o copo, desde que fosse vinho tinto ou fosse branco, como diziam alguns, o importante é que fosse cheio, e se fosse do vinho “esfusiante da região, quando em janeiro lhe abrem o espicho e ele espirra para os olhos. Fazendo certo o ditado: pão com olhos, queijo sem olhos e vinho que salte aos olhos”375. “Tome lá uma perna de

leitão” diziam os mais abastados, sempre com o conselho, ou melhor a ordem de “não se vai embora sem antes provar de”, fosse o que fosse, porque comida nunca se recusa, muito mais vinda da mão de um amigo. Da boca de todos sai uma graça, ou um dichote, que “não fosse dizer como a última vez queixando-se que o deixaram morrer à fome”376. Os

tocadores de concertina também rondavam as merendas e ao troco de mais um naco de vitela faziam soltar mais uns acordes. Era vê-los “os músicos, ventres tirados da miséria, cheio de excelente e bem condimentada vitela e outras iguarias que os mordomos lhes prodigalizaram, atacam furiosamente uma valsa”377. O que se encontrava na toalha era

para todos, mas mesmo para todos “até os pobres, ou presumidos pobres que se vão

373 CESAR, José Júlio- A Cruz, símbolo de dor e de fé… 374 CESAR, José Júlio- A Cruz, símbolo de dor e de fé… 375 CESAR, José Júlio- A Cruz, símbolo de dor e de fé… 376 CESAR, José Júlio- A Cruz, símbolo de dor e de fé… 377 CESAR, José Júlio- A Cruz, símbolo de dor e de fé…

aproximando, comem até mais não”378. Dia em ser pródigo de dar, porque levar para casa,

de certeza se estragaria e se comida estava devidamente apetitosa há que teimar “com uns e com outros para que comam; para que comam e bebam até se esgotarem as provisões”379.

Estômagos fartos, era tempo de dar ao pé, de gastar aquilo que se comeu e bebeu, “então dança-se animadamente. Aqui danças de roda; acolá uma polca, mais além, um arremedo de valsa”380. Momentos alegre e sadios, em que as moças trigueiras, cheias de

expressividade batem o pé perante o seu par. Ao lermos a descrição de José Júlio Cesar parece que estamos a ouvir a música, a algazarra do arraial, alegria a rodos, por isso é que todos, antes de partirem de regresso às suas casas, às suas rotinas diárias, deixam a promessa de para o ano voltar, não somente pelo voto, também por aqueles momentos alegres de fim de festa.

378 CESAR, José Júlio- A Cruz, símbolo de dor e de fé… 379 CESAR, José Júlio- A Cruz, símbolo de dor e de fé… 380 CESAR, José Júlio- A Cruz, símbolo de dor e de fé…

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