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1. Innledning

1.1. Tematikk: 50 timer samfunnskunnskap for voksne innvandrere

Ao dedicarmos uma pesquisa em jornais de São Paulo – FSP e Estadão – bem como ao ler as matérias de revistas de grande circulação nacional – Veja, Isto é, Época – é possível perceber que a sociedade entra nos anos 2000 com maior número de reportagens, temas e debates sobre as questões GLBTs. Militantes e personalidades como Luiz Mott e André Fischer aparecem em recorrentes colunas e reportagens. Cadernos de cultura trazem especiais sobre literatura, pesquisas e figuras históricas reconhecidamente gays. A estratégia de se mostrar para ser lembrado parece surtir efeito. Pela primeira vez também é possível ler um especial sobre mercado GLS em um caderno de negócios (Pastor, FSP, 22/10/2000).

Tendo a desembargadora Maria Berenice Dias como uma das representantes mais emblemáticas, a Justiça do Rio Grande de Sul começa a emitir decisões bastante progressistas em relação aos direitos homossexuais, como o reconhecimento de relações homossexuais enquanto família e direitos a benefícios previdenciários. Vereadores, sobretudo os dos partidos políticos ligados à Esquerda e membros de diversas entidades dos direitos humanos em todos os níveis começam a fazer manifestações mais claras e atos em prol do Movimento Gay.

Com o tema “Celebrando o orgulho de viver a diversidade” acontece a quarta Parada, com 120.000 participantes: “Dá-se o salto definitivo em termos de número de participantes, visibilidade e estrutura, marcando a Parada como o evento máximo do ativismo atual. Foi o ano do primeiro financiamento estatal obtido pela APOGLBT SP, advindo do Ministério da Saúde.” (site: APOGLBT). Há um aparente paradoxo nos avanços nacionais, sobretudo no âmbito do Direito e da Mídia, pois este ano é definitivamente o ano que se consagra o modelo

festa da Parada. Os discursos políticos, tradicionalmente feitos por alguns membros da Esquerda e líderes da militância ocupam brevemente o início e o final do evento. O que fica destacável pela mídia é a grande festa “de 14 trios elétricos, pelo menos 30 DJs, carros alegóricos, fantasias, balões rosa e muita música”. (Maria, FSP 25/06/2000). Dizemos aparente, pois é no exato momento que a Parada mais se faz espetáculo, que ganha seu lugar na mídia, assim ela é marcada neste campo mais como festa folclórica do que reivindicação.

Uma bandeira do arco-íris ainda maior foi posta na avenida. A bandeira do arco-íris é o símbolo máximo e mais reconhecido do orgulho gay. Foi desenhada pelo artista plástico Gilbert Baker, em 1977, e utilizada no protesto contra o assassinato do militante Harvey Milk22 nos Estados Unidos. Ela tem reconhecimento oficial assim como as bandeiras das nações e dos times de futebol. A bandeira também tem um significado mercadológico para identificar estabelecimentos gay-friendly.

Nesta edição o cantor Edson Cordeiro cantou o Hino Nacional no final do dia e um beijo coletivo foi incentivado em protesto contra a lentidão do Projeto de União Civil no Congresso. Alguns militantes lembraram, em seus discursos, o assassinato do adestrador de cães Edson Néris, em plena Praça da República, por um grupo de skinheads23.

Nos relatos de muitos participantes aparece a dúvida se os gays vão conseguir respeito e direitos com balões e músicas (Silva, 2006). Contradições e posicionamentos diferentes se mantêm sobre o sentido político da Parada. Na análise de Silva (2006):

A face carnavalesca tem sido estrategicamente destacada, e a IV Parada pode ter sido a edição na qual esta estratégia de deslegitimação do político se firmou enquanto estratégia, organizando as percepções tanto de heterossexuais quanto de homossexuais. Certamente, nem todos fizeram um balanço positivo das paradas e outros nunca o farão. (Silva, 2006:294-295).

Criticar é deslegitimar? as críticas não podem ser rechaçadas de pronto? Sem considerar e debater os encaminhamentos que se dá à força de um poder coletivo tão

22Harvey Bernard Milk foi um político e ativista gay norte-americano. Foi o primeiro homem abertamente gay a

ser eleito a um cargo público na Califórnia, como supervisor da cidade de São Francisco. Milk exerceu o mandato por 11 meses e foi responsável pela aprovação de uma rigorosa lei sobre direitos gays para a cidade. Em 27 de novembro de 1978, Milk e o prefeito George Moscone foram assassinados por Dan White, outro supervisor da cidade, que tinha recentemente renunciado, mas desejava seu posto de volta. Apesar da sua curta carreira na política, Milk se tornou um ícone em São Francisco e um mártir dos direitos gays.

23Edson Néris da Silva adestrador de cães cuja barbaridade de seu assassinato causou comoção dos defensores

dos direitos humanos no Brasil e no mundo. Na madrugada de 6 de fevereiro de 2000 passeava de mãos dadas com seu companheiro Dario Pereira Netto na Praça da República, cuja área adjacente é freqüentada pela boemia gay paulistana, quando foram surpreendidos por um grupo pertencente aos Carecas do ABC. Dario conseguiu escapar, mas Edson foi espancado barbaramente a chutes e golpes de soco-inglês. Acabou falecendo em decorrência da várias hemorragias internas.

representativo? Além disto, reafirmamos que é preciso apostar em um posicionamento do sujeito na identificação e responsabilização do seu desejo, sem negar a política e sem forjá-la também. O que a Parada pode gerar, de fato, de benefícios para a comunidade GLBT? A Parada é meio (como estratégia, alcance político, momento de reflexão e crítica social) ou fim (festa como exercício de cidadania, no sentido de tomar o espaço público e mostrar visibilidade, poderosa, mas inativa)?

No país, as principais capitais começam a fazer suas Paradas, sendo ainda consideradas as maiores a do Rio de Janeiro, Porto Alegre e Salvador. A Parada se torna a maior expressão do MHB em todo território nacional e um ponto de interlocução para os outros projetos do Movimento. Começa-se timidamente uma discussão sobre gênero junto aos órgãos da educação e secretarias que tratam questões de assistência social e justiça.