3. Metode
3.5. Metode for analyse av arbeidet
Para contextualizar o que Žižek chama de multiculturalismo primeiro é preciso ter em vista a discussão sobre a crença no fim da Modernidade, ou seja, trata-se de um posicionamento e resposta do autor à pós-modernidade. Uma análise do multiculturalismo é propriamente uma análise do capitalismo que nos convoca a lançar mão da discussão sobre ideologia – a qual faremos na seqüência - e de uma concepção de sujeito lacaniano que já apresentamos na parte sobre o método.
Na base da discussão está a proposta por uma ética do Real: “(...) a insistência na autonomia incondicional do sujeito, é a aceitação de que, como seres humanos, somos responsáveis, em última análise por nossos atos e nosso ser-no-mundo, inclusive pela construção do próprio sistema capitalista”. (Daly, 2006:28). Portanto, cabe considerarmos o enfrentamento da fantasia (a ideologia) para nos aproximarmos da verdade. Duas questões fundamentais estão em jogo: o mal-estar freudiano e o objeto causa do desejo (o objeto a) de Lacan39. Os modos como o capitalismo manipula estes elementos na contemporaneidade é exatamente o que vai fundar e balizar as lutas particulares.
39 O objeto pequeno a de Lacan refere-se a um certo excesso que é, no objeto, mais do que o objeto – o objeto-causa do desejo. Diríamos que ele menos é o objeto do que o elemento desejável que pode residir em qualquer objeto: o impulso ponto de consumação elusivo, que pode ser perfeitamente incidental no objeto em si (por exemplo, uma camisa que um dia foi usada por Elvis Presley). É isto que “autentica” o objeto e/ou a experiência de tê-lo. É esse objeto pequeno a: algo cuja
Estamos sim, reiteradamente, no campo da luta de classes; trata-se do que não pode ser negligenciado, e que aparece com toda sua força nas relações do Movimento LGBT (intra e extra grupo) disfarçadas em significantes como feios, agressivos, bizarros etc. A identidade na égide de uma política de equivalências de direitos e respeito às diferenças não supera a diferença maior, a econômica, como nos aponta Žižek: “Em outras palavras, há um perigo de que a política de equivalências seja tão distorcida que se transforme num modo de disfarçar a situação dos que estão verdadeiramente na abjeção: os que sofrem com a pobreza endêmica, com a miséria e com a violência repressora em nosso sistema mundial”. (Daly, 2006: 23).
Ao fazermos a crítica à pós-modernidade esperamos ter deixado claro como se formaram as lutas particulares; fizemos uma leitura que as posiciona na estratégia da lógica do capital para desmobilizar a luta maior. Afirmar isto não significa deslegitimar o lugar marginal (e sofrível) das mulheres, dos negros e dos gays. Ao contrário, cabe sim demonstrar os usos dessa manipulação, que além de impossibilitarem transformações radicais, consolidam o lugar duplamente ruim, porque ao mesmo tempo vitimizador e de vitimização, destes sujeitos.
A aparência de harmonia se traveste de tolerância, como um vulto de legítima aceitação. É aceito aquilo que não contradiz agressivamente o ideário masculino e consumidor, aquele que não revele a diferença sexual intransponível e a diferença econômica indigesta. A tolerância é possível apenas no semblante do padrão, filtrando a essência, como nos aponta o autor:
Em certo nível, esse discurso prega a tolerância universal, mas, se você examinar mais de perto, verá que há um conjunto de condições ocultas, que revela que o individuo só é tolerado na medida em que se assemelhe a todos os outros – o discurso determina o que deve ser tolerado. Portanto, na realidade, a cultura atual da tolerância subsiste por meio de uma intolerância radical a qualquer Alteridade verdadeira, a qualquer ameaça real às convenções existentes. (Žižek, 2006:149).
Žižek (2005) identifica uma manobra a transposição do universal para um conteúdo particular. Uma ligação carregada de ideologia, de modo a tamponar o que de fato há no real. Para funcionar, a ideologia dominante tem de incorporar uma série de características nas quais a maioria explorada seja capaz de reconhecer suas aspirações autênticas. “Em outras palavras, cada universalidade hegemônica tem de incorporar pelo menos dois conteúdos
autenticidade não pode ser representada nem materializada, e que é apenas um reflexo da pulsão de completar o circuito (quebrado) do gozo e conciliar-se com o próprio desejo. (Daly, 2006:10)
particulares – o conteúdo popular autêntico, a sua distorção pelas relações de dominação e exploração” (2005:33). Já à personagem conteúdo-particular caberia “encarnar” aspectos recalcados do universal. Ao analisarmos os temas da Parada verificamos a insistente convocação exatamente de pontos universais: família, trabalho, educação (escola), justiça, cidadania... O sub-contexto básico e intricado é que a população LGBT quer demonstrar, sob a tônica da diversidade de seus membros, seu afeto em público, seu modo “extravagantes, seu jeito mesclado de se identificar com masculino e feminino, sua sexualidade “descabida”, e o pior, por vezes a incrível semelhança destas características com os heterossexuais. Estes são os temas postos em jogo, que a tolerância não é capaz de abarcar: “Mas o que se aceita é um aspecto superficial, relativamente insignificante, que não incomoda ninguém. No fim, o que temos é um Outro censurado. O Outro é aceito, mas somente na medida em que for aprovado por nossos padrões” (Žižek, 2006:152). Seria o caso de mudar de estratégia e manifestar claramente o que de fato se almeja? Desvelar o conteúdo particular autêntico não colocaria em xeque o discurso da aceitação? Não exigiria um posicionamento franco (e do nível do ato) por parte de todos os envolvidos, simpatizantes ou não à causa?
A Personagem, muitas vezes ao assumir a conotação “simpática” que lhe é atribuída, não percebe que aceita o seu avesso segregador. Para Žižek esta Personagem é cooptada para manutenção da ideologia dominante na medida em que pode ser vitimizada ou condenada, dependendo dos interesses da lógica do poder. De acordo com o autor, a tolerância liberal só pode conceber o “diferente” na medida em que esse é privado de sua substância, e assim possa ser estetizado, folclorizado. Desta maneira a cultura LGBT chega com o “deboche”, “sensibilidade” e outros “qualitativos” aos quais devem ficar aprisionados.
O autor nos fala que os posicionamentos do Estado e da sociedade estão balizados pelo o que ele chama de instintos básicos conservadores. Analisa, por exemplo, o posicionamento do então presidente americano Bill Clinton que, quando perguntado sobre a permissão ou não dos homossexuais no exército, aconselhou: “não pergunte, não diga!”, ligando tolerância à invisibilidade:
A interdição direta da homossexualidade não é para ser aplicada, mas sua mera existência é uma ameaça virtual que obriga os gays a não se assumirem publicamente, afeta seu status social concreto. Em outras palavras, essa solução equivaleu a erigir explicitamente a hipocrisia em princípio social – se fingirmos que os gays do exército não existem, é como se de fato não existissem (para o Outro). Os gays devem ser tolerados, desde que aceitem a censura básica quanto à sua identidade... (Žižek, 2005:16).
Desta forma, o pensador apresenta outra arena política, onde o discurso de cada adversário mantém sempre seu duplo - porque confuso, cínico, hipócrita, “sem dolo”. A intolerância ao estigmatizado nunca é desmascarada porque o disfarce desta utiliza-se dos mesmos “valores democráticos” que justificam o discurso do dominador, o que Žižek chama de neofascismo. Os políticos atuais recusam as verdades exatamente quando abraçam todas elas. “As declarações ideológicas explícitas dos conservadores sempre se apoiaram em seu duplo sombrio, em uma mensagem obscena, não reconhecida em público, veiculada nas entrelinhas” (Žižek, 2005:15).
O autor traz como exemplo um episódio de xenofobia e ataques velados à assistência social, quando conservadores da Grã-Bretanha lançaram uma infame campanha chamada ‘De Volta ao Básico’, seu obsceno complemento foi claramente indicado por um político radical de Direita na frase ‘nunca se esquive de expor os segredos sujos do inconsciente conservador’. O interessante é que muitos eleitores tradicionais do partido trabalhista perceberam que compartilhavam dos mesmos valores – de que o homem não é só um animal social, mas também territorial; a agenda política deveria incluir a satisfação desses instintos básicos de tribalismo e territorialidade. “Era, pois, nisto que a ‘volta ao básico’ realmente consistia: na afirmação de instintos básicos egoístas, tribais, bárbaros que espreitam por trás do semblante da sociedade burguesa civilizada”. (Žižek, 2005:15).
Em São Paulo, tanto a campanha de Ricardo Tripolli – em prol do dia do orgulho heterossexual - quanto a justificativa do comércio “da sociedade não preparada” e as críticas às demonstrações de afetos “exageradas” entre os LGBTs parecem ser do mesmo obsceno: ninguém assume exatamente como pensa e atua. Mesmo o conceito de “luta contra a homofobia”, que tem a intenção de proteger os LGBTs contra a violência, não considera como ponto alto do seu discurso um tempo anterior à agressão que é a própria expressão da homossexualidade. No jocoso discurso de respeito da política, muitas vezes, aparece a defesa da demolição da homofobia, mas não exatamente o de apoio e defesa da expressão de afeto homoerótico,o que é diferente, de modo que a lógica fica sendo: “não te batemos, se você se comportar”. Vejamos como é parecida com o ditado cristão/evangélico: “Deus ama o pecador, mas não o pecado”. No campo da luta podemos pensar que dizer “Deus me fez assim”, cartaz da parada 2009 que tinha o propósito de fazer frente à Bancada Evangélica no Senado, não muda em nada a possibilidade de resposta: “Deus pode transformar”, ou seja, ele é ineficaz por confundir-se em uma espécie de teologia política.
A questão das políticas de Identidade para Žižek é que, para além de tamponar a luta de classes (Parker, 2005) - ainda que não possamos deixar de pontuar que este seja o
problema fundamental que ele aponta nas P.I.s. -, o autor identifica uma manobra que mantém a sociedade longe de uma política real:
A política da identidade pós-moderna, de estilos de vida particulares (étnicos, sexuais e assim por diante), se encaixa perfeitamente na noção despolitizada de sociedade’, onde ‘cada grupo particular é considerado e tem o seu status específico (de vitimizado) reconhecido através da ação afirmativa ou outras medidas. (Parker, 2005:150).
Neste sentido as P. I.s tornam –se a falência das políticas universais. O tratamento dispensado ao grupo particular é muitas vezes o de desviar sutilmente a atenção da vitimização maior: a pobreza gerada por uma distribuição de renda injusta que se perpetua, um sistema de saúde ineficaz, a dificuldade de se educar a população, tanto no que concerne à formação escolar e técnica quanto em relação a noções de cidadania e convivência. Não foi exatamente na eleição do particular em detrimento do universal que se concebeu o ambulatório específico para travestis e transexuais?40 Não foi usurpando este pensamento que se passou a discutir – e se criar - escolas, condomínios e asilos específicos para a população LGBT? Não é conveniente que o Estado prefira contratar meia dúzia de especialistas a treinar todo seu funcionalismo - sobretudo da educação e da saúde - a tratar com respeito um transgênero? Não seria este um cidadão, que tem direito ao respeito como qualquer outro, conforme reza a lei? O trágico da política de afirmação é que ela se nega a insistir na correção daquilo que não funciona no sistema universal, fazendo semblante de mudança concreta:
Qualquer tentativa real (ou Real) de estabelecer tal ordem exigiria, inevitavelmente, mudanças traumáticas de amplo alcance: a democracia global baseada em direitos universais, a participação popular, a erradicação da pobreza e da exclusão social (etc.), como parte de uma autêntica “modernização reflexiva”. Entretanto o que temos de fato é a invocação rotineira da nova ordem mundial em ter termos de um ideal indefinido, que funciona precisamente no sentido de impedir qualquer movimento verdadeiro em direção a ele. (Daly, 2006:21).
Na sociedade “pós-moderna” o que encontramos é uma arena política formada por elementos como pouco comprometimento por parte do cidadão comum, que entende que sua ação está na urna, onde se posiciona baseado em informações de uma imprensa que se diz neutra. O ato, assim, é de responsabilidade do profissional da política, o candidato, que por sua vez fica na berlinda entre a opinião popular e a sua imagem na mídia. Eleito, o debate
40 Em 2009, em notável resposta às denúncias de falta de atendimento a travestis e transexuais pelo SUS, o
Governador José Serra criou um ambulatório de Saúde específico para esta população. O serviço funciona em prédio anexo ao Centro de Referência em DST/AIDS, na cidade de São Paulo.
entre opostos e as demais contingências “provam” que as mudanças são muito difíceis ou impossíveis: “o perigo potencial é ficarmos com uma política que se detenha no nível da impossibilidade, sem jamais tentar possibilitar o impossível” (Daly:2006:22). Este é o ciclo vicioso e burocrático onde por vezes, e lentamente, é possível a ação propriamente dita, algo concreto para depois, com as falhas expostas, o desmentido escancarado, se poder discutir.
Para fugir do logro democrático Žižek propõe uma política do ato, de decisões, com comprometimento e riscos assumidos. Algo próximo de identificar o sintoma, denunciar a universalidade neutra, apontar e desmentir a universalidade concreta que existe e a ordem positiva (aquela que apresenta como a solução normativa ou nova ordem). A causa principal da luta deve ser o conhecimento reflexivo. O autor diz de uma proposta pela negativa. Uma democracia direta e radical: “Às vezes, quando se está em certo impasse simbólico ideológico, é preciso explodir numa violenta passagem ao ato, e, depois, numa segunda ocasião, isso dá acesso à certa perspectiva emancipatória de praticar o ato propriamente dito (Žižek, 2006: 149)”.
Constata Žižek: “O neofascismo de hoje é cada vez mais ‘pós-moderno’, civilizado, jocoso, envolvendo um distanciamento irônico, mas nem por isto menos fascista” (2005:33). O sentido que autor expõe aqui é o da manutenção da exclusão, não revelando uma vontade explícita de manter fora, de controlar. Exatamente quando se defende o discurso da inclusão - em uma campanha enfadonha e interminável pelo reconhecimento de direitos e costumes, com a passagem por todas as instâncias, escutando todas as vozes em equivalências de poderes - é que se mantém é o status quo. O horizonte supremo da ética conservadora é o de respeitar as ilusões do Outro, em algo de falso e condescendente. Produz-se o politicamente correto em oposição ao politicamente concreto: “A lógica tende a ser: ou vamos demonstrar respeito formal, no sentido não substantivo e vazio, ou então, como acontece quando as crianças têm determinadas idéias, diremos que sabemos que ela é absurda, mas para não magoá-las, vamos respeitá-las”. (Žižek, 2006:156).
O autor aponta que a ética do ato poderia salvaguardar uma liberdade do sujeito, de se alienar e se separar do Outro quando considerasse necessário. Não renega a organização popular; pelo contrário, em uma época em que partidarismos, crenças e mudanças radicais são consideradas infantilidade, Žižek retoma a figura do religioso fanático que se sacrifica como modelo transformador da História. A diferença está na condição de vínculo, na alteridade máxima do sujeito:
O que Žižek afirma é uma cultura radical da identificação ética com a esquerda, na qual as formas alternativas de militância devem ser, antes de mais nada, militantes com elas mesmas. Em outras palavras, devem ser militantes no sentido ético fundamental de não dependerem de nenhuma autoridade externa/superior e do desenvolvimento de uma imaginação política que, como o pensamento do próprio Žižek, exorte-nos a arriscar o impossível. (Daly, 2006:29).
Não se trata, portanto, de clamar por tolerância e respeito, como postulam as Políticas de Identidade em defesa dos gays ou das populações marginalizadas. Na análise do autor, esta lógica seguiria a mesma da preservação dos animais em extinção (Žižek, 2006). O problema é que no debate político – na busca de soluções de conflitos – calcado na Identidade, uma verdade que possa balizar as posições e possibilitar uma negociação é inatingível; configura- se, em última instância, uma arena política em que “cada um é por si”, pois sendo tão subjetiva cada reivindicação, o que sobra é ação e contra-ação. Como nos aponta Žižek:
Acho que o erro fundamental é que a autenticidade suprema fica baseada na idéia de que só a pessoa imediatamente afetada pelas circunstâncias é capaz de contar a história verdadeira de seu sofrimento – digamos, só a negra homossexual é realmente capaz de dizer o que significa ser uma negra homossexual, e assim por diante. Mas, como diz Deleuze em algum lugar, a referencia à singularidade da experiência, como base argumentativa, acaba sempre em uma postura reacionária. (Žižek, 2006:175)
Não é esta suprema singularidade que legitima o debate entre conservadores e liberais que entravam as questões LGBTs no Brasil e no mundo? Por que um reacionário ou homofóbico deveria abrir mão de seus valores e crenças, cuja importância e verdade só são compreendidas por ele? É na defesa de um ideal de mundo que os LGBTs e seus opositores utilizam a representação política. E é na democracia jocosa que os avanços dos direitos LGBTs parecem impossíveis de se consolidar. O que se perpetua não é o direito a qualquer verdade ou transformação, mas o direito à narrativa da exclusão, em uma relação em que a histérica grita e o analista se faz de surdo, sem oposição e também sem atitude:
O multiculturalismo é um racismo que esvazia sua própria posição de todo conteúdo positivo (o multiculturalista não é um racista direto, não opõe ao Outro os valores particulares de sua própria cultura), mas mantém uma posição como o ponto vazio da universalidade, privilegiado, a partir do qual se pode apreciar (e depreciar) apropriadamente as outras culturas particulares – o respeito do multiculturalista pela especificidade do Outro é a forma mesma como afirma sua própria superioridade. (Žižek, 2005:33).
Este é o paradoxo posto nas lutas LGBTs; ainda que o Estado “ceda”, “progrida”, “compreenda melhor ‘os gays’”, ele está também discriminando, como uma categoria inferior “positivada”, como se estivesse a dizer que agora tolera e respeita, e assim mostra como é avançado e bom. Para Žižek não se trata de desconsiderar a exclusão de grupo particular
qualquer, mas de buscar a verdade universal encarnada neste grupo. A rejeição sofrida pelo diferente não se refere à necessidade de positivá-lo, mas ao problema de intolerância que precisa ser resolvido na sociedade. Tal repulsa é representativa e “resolvê-la” em utopia virtuosa de harmonia das equivalências negligencia a intolerância que ressurge em formas e nuances sutis, com estrutura similar a de um chiste, um retorno do recalcado.
A direção deste trabalho segue no sentido de considerar as diferenças de classe, no entanto consideramos as Políticas de Identidade como estratégia legítima de avançar no âmbito político. As críticas de Slavoj Žižek vêm alertar sobre os riscos de tornar uma política absoluta, de última instância, como parece ocorrer nas direções dos governos atuais. Na seqüência, destacaremos como a lógica multicultural além de não se sustentar como medida de proteção e equivalência de direitos de grupo minoritário qualquer, ideologicamente serve para manipular forças políticas, desviar o foco de fragilidades centrais do capitalismo e tamponar conflitos.