7.7 Tekstenes form
7.7.3 Tekstkonvensjoner i endring
O Drama no contexto do ensino constitui-se basicamente de três características: o processo, o pré-texto e os episódios (DESGRANGES, 2006). O ponto de partida para o trabalho pode ser um texto de dramaturgia, clássica ou contemporânea, um conto, uma notícia de jornal, uma pintura, um fato histórico ou um tema de interesse dos próprios alunos. Este elemento que gera o interesse também orienta o processo na construção da narrativa teatral, ele chama-se pré-
texto:
roteiro, história ou texto que fornecerá o ponto de partida para iniciar o processo dramático, e que irá funcionar como pano de fundo para orientar a seleção e identificação das atividades e situações exploradas cenicamente.” (CABRAL, 2006, p.15).
Nos casos que apresento no terceiro capítulo, por exemplo, utilizei como pré- texto para a primeira experiência relatada, uma lenda urbana. O uso deste este pré- texto, entretanto, não residiu na história em si, nos fatos que ela conta, mas no interesse dos alunos em narrar o assunto, pois a partir disso, ocorreu o envolvimento em atividades vocais e sonoras.
O Drama na sala de aula “articula uma série de episódios, os quais são construídos e definidos com base em convenções teatrais criadas para possibilitar seu seqüenciamento e aprofundamento.” (CABRAL, 2006, p.12). Os episódios são como fragmentos que compõe a narrativa, eles se desenvolvem pelo pré-texto. O
drama está associado a um processo contínuo, encadeado em episódios que
exploram as possibilidades de um foco de investigação.
O processo na prática do Drama relaciona-se com os objetivos que o coordenador e o grupo querem alcançar [...]. E podem [...] relacionar-se com a investigação de temas relevantes e de interesse do grupo [...]; apropriação de textos [...]; exploração de conteúdos disciplinares; a montagem de espetáculos teatrais; a abordagem de fatos históricos, entre outros. (DESGRANGES, 2006, p.125)
Segundo O’Neill (1995, p. 48), conceber o desenvolvimento do trabalho em unidades ou episódios é o primeiro passo para solucionar a estrutura no processo de
Drama. Uma estrutura caracterizada por uma sequência de episódios facilita sua
continuidade como produção teatral no contexto escolar, uma vez que o espaço curricular para a realização desta disciplina com raras exceções ultrapassa os 50 minutos semanais. Os episódios são unidades autônomas, como cenas que se sucedem para compor o processo, mas isoladas organizam-se com coerência interna. Eles não são a simples organização de eventos causais que compõem uma história, pois “o desenvolvimento dramático não implica necessariamente em uma narrativa linear”. 25
Os episódios nem sempre são previamente determinados: eles surgem, muitas vezes, como resposta às necessidades geradas por outro episódio. Eles não têm a obrigatoriedade de compor uma história em determinada ordem cronológica ou lógica linear, podem ser organizados por associações, por temas semelhantes. Nada impede que cada episódio comporte uma cena da história que serve de pré- texto e que fará a continuidade no encontro seguinte. Isso ocorreu na experiência junto a graduação, por exemplo, descrita no terceiro capítulo.
O desenvolvimento ou sequência dos episódios está mais relacionado ao tema/objeto investigado que a continuidade de uma história. Por exemplo, no
processo de drama Macbeth26, a cena das bruxas foi utilizada em vários episódios.
Cada um deles explorou diferentes aspectos teatrais, num encontro foram pesquisadas ações, noutro sonoplastias, jogos corporais com objetos e cenários, entre outros. Repare: no que concerne à narrativa linear, à história de Macbeth, os três episódios circundaram sobre o mesmo momento, ou cena da peça. No entanto, para o processo de Drama, foram três episódios distintos, cada um pesquisou um ‘elemento’ da linguagem teatral. O professor/coordenador pode ficar durante vários episódios sobre uma cena e desenvolver o desfecho de duas cenas em um único episódio. Isso dependerá do planejamento, dos objetivos e da própria experiência junto ao grupo de trabalho.
O Drama é assim, um processo criativo que se propõe a interagir com os alunos no plano imaginário, em um contexto ficcional.
Enquanto processo coletivo de construção de narrativa teatral, que pode ser proposto de diferentes maneiras, em função dos objetivos específicos de cada grupo, o Drama convida os participantes a assumirem
25 “that development did not necessarily imply a linear narrative” (O’Neill, 1994, p.48)
26 Durante o 1° Semestre de 2008, participei como monitora do processo Macbeth, desenvolvido no
responsabilidades, tarefas, e a conceberem cenas e personagens, que são sugeridos pelo pré-texto, e depois pelos episódios no processo de desenvolvimento da narrativa dramática. Sem este engajamento, sem que o grupo assuma a tarefa de construção das cenas e da história, não há Drama. (DESGRANGES, 2006, p.130)
O envolvimento dos alunos com o contexto de ficção, sua imersão num mundo imaginário é prerrogativa para o desenvolvimento do Drama. Segundo O’Neill (1995, p. 45), o trabalho artístico nos transporta a um universo imaginário próprio, contido em si mesmo e que, no teatro, é ainda mais óbvio, pois o “mundo imaginário se faz manifesto primeiramente aos nossos olhos através da presença humana do ator”.27 Presença e imaginação que, em meus processos de Drama, procurei
observar na expressão vocal de meus alunos, como elemento integrante da ação. Com o mesmo sentido, Stanislavski (1980, p. 98) já confirmava que, esse outro lugar dramático que nos fala O’Neill é o mundo da imaginação e que ele se difere da realidade: "não há em cena acontecimentos verdadeiros, reais. A realidade não é arte (...) a tarefa do ator e de sua técnica consiste em transformar a ficção da obra em um acontecimento artístico"28.
Por meio de um processo imaginário as expressões cotidianas ganham mobilidade, através de novas formas e significados que compõem a ação do ator/aluno.
Ao fazer teatro/drama, entramos em uma situação imaginária – no contexto da ficção. A aprendizagem decorrente emerge desta situação e do fato de termos de responder a ela, realizar ações e assumir atitudes nem sempre presentes em nosso cotidiano. (CABRAL, 2006, p.12)
A apresentação, aos participantes, do contexto de ficção no qual será desenvolvida a narrativa teatral pode ser realizada através dos procedimentos indicados em literatura sobre o Drama e outras possibilidades que o professor cria e desenvolve ao decorrer de seus processos.
Estes Episódios que estruturam as sessões de Drama podem ser compostos por atividades diversas: a narração ou leitura de partes da história; a proposição de jogos de improvisação teatral, ou de jogos lúdicos; a concepção e a construção de objetos cênicos; a exploração e criação de músicas e sonoridades; exercícios que explorem o uso da iluminação para cenas ou para a criação de ambientes; um estudo ou pesquisa histórica
27 The imaginary world is made manifest before our eyes through the human presence of the actors. (O’NEILL,
1994, p. 445)
28 No hay em la escena ‘sucesos’ verdadeiros, reales: la realidad no es el arte. [...] la tarea del actor y de su
tecnica consiste em transformar la ficción de la obra en el acontecimiento artístico de la escena. (STANISLAVSKI, 1980, p.98)
que, em se tratando de uma ação ocorrida no passado, contribua para ampliar a compreensão do tema e estimular o processo de criação dramática; entrevistas (...) entre tantas outras que podem ser criadas pelo coordenador. (DESGRANGES, 2006, p.127)
Compete ao professor/coordenador criar um recurso que, além de apresentar esse contexto, seja capaz de envolver os alunos na tessitura da cena teatral, ou dramaturgia, segundo conceito de Barba.
O contexto de ficção no processo de drama propõe convenções teatrais29 que
norteiam a construção da narrativa, que definem as ações dos personagens, as situações e lugares. As convenções teatrais, segundo Neelands (1990) indicam a maneira pela qual tempo, espaço e presença podem interagir de forma a articularem-se imaginativamente para criar diferentes significados na prática com o teatro.
Segundo mesmo autor, as convenções teatrais geram ações que, sem intenção de serem hierárquicas, organizam-se em quatro categorias: 1. As ações que criam os contextos são aquelas que delimitam e negociam os elementos do contexto ficcional, como a entrega de um pacote por parte do professor contendo informações. 2. As ações narrativas são direcionadas a tessitura da trama, a oferecer a coerência interna para os acontecimentos e episódios; 3. As ações poéticas referem-se a expressão do gesto, do símbolo artístico, da vocalidade; 4. As ações reflexivas propõem rever o processo.