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4 E MPIRI

4.3 Analyse av intervjuene

4.3.8 Tanker om integrasjon

Pode-se afirmar que um dos aspectos frágeis do chamado “milagre chinês” está nas questões relativas à degradação do meio ambiente e dos altos custos econômicos, sociais e políticos que acarreta.

A China abriga21% da população mundial, mas só dispõe de cerca de 7% das terras cultiváveis, entretanto, tem 16 das 20 e cinco das dez cidades mais contaminadas do mundo204. Sendo assim, o meio ambiente nesse país tão densamente povoado encontra-se inevitavelmente ameaçado e isso não pode ser tratado com indiferença pelo resto do mundo.

Na verdade, os problemas ambientais da China são, em muitos aspectos, semelhantes aos dos países em desenvolvimento, mas se tornam incomuns devido ao seu tamanho205.

Conforme dispõem Kristof e Wudunn (1995, p. 16), “[...] a industrialização de um país com uma população tão enorme como a China originará pressões sem precedentes sobre o meio ambiente global”. Segundo os autores:

204SUKUP, Viktor. A China frente à globalização: desafios e oportunidades. Disponível em:

<http://www.scielo.br/pdf/rbpi/v45n2/a05v45n2.pdf>. Acesso em: 19 out. 2013.

125 Imagine uma China onde a maior parte da população use carros, ar condicionado e geladeiras. Hoje, a China já é o produtor de gases causadores do efeito estufa de maior crescimento e seu crescimento econômico agravará o aquecimento global provocando, provavelmente, o aumento do nível dos mares e inundando assim outras regiões densamente povoadas como o delta de Bangladesh. A industrialização da China aumentará os preços de energia em todo o mundo e criará problemas de contaminação como as chuvas ácidas, que afetarão, inclusive, países distantes. Convém ressaltar que um fator que deve ser apontado como determinante é a considerável população da China, que, para o consumo pessoal, depende consideravelmente da energia advinda do carvão. Somando-se a isso, existe a necessidade da utilização do carvão também como fonte energética industrial.

Bustelo e Fernandez (1996, p. 49-50) afirmam que uma das causas do impacto ecológico do crescimento da China é sua grande dependência do carvão como fonte de energia. Atualmente, a China é o primeiro produtor mundial, sendo que a utilização do carvão representa três quartos do consumo energético do país, além de apresentar, em sua composição, uma grande quantidade de enxofre, que contamina fortemente o ar.

O ar e a água na China, especialmente nas áreas urbanas, estão entre os mais poluídos no mundo. O dióxido de enxofre e a fuligem gerados pela combustão do carvão são os maiores poluentes atmosféricos e, como consequência, causadores das chuvas ácidas. Conforme enfatiza Bregolat (2011, p. 140), “[…] las emisiones de dióxido de carbono se doblaron entre 1994 y 2002 y en una década se espera que alcancen el volumen de las de Estados Unidos, si bien las emisiones por habitante seguirán siendo mucho más bajas en China”.

Outra importante fonte de poluição do ar é o uso de combustíveis (óleo e gasolina) no setor de transportes, especialmente os utilizados por automóveis e motores a jato. Este último se deve ao fato de haver um aumento significativo nas viagens aéreas. De acordo, ainda, com Bregolat:

El aire de dos tercios de las veinte ciudades principales no cumple con las normas de la Organización Mundial de la Salud. La situación se verá agravada por el aumento exponencial del número de automóviles, pero ya en estos momentos 300.000 personas al año mueren prematuramente por esta razón.

Para os analistas norte-americanos Kristof e Wudunn(1995, p. 16 ),“[...] existem previsões de que a China será, em 2020, ou ainda antes, o primeiro emissor mundial de

126 dióxido de carbono, com aproximadamente 20% do total. Há meio século só contava com algo em torno de 1% e pouco mais que 10% em 1990”.

A poluição da água também é outro fator de preocupação, uma vez que o mercúrio liberado para a atmosfera por usinas movidas a carvão é capturado por pingos de chuva e transferidos para o solo, águas superficiais e subterrâneas. A água da superfície afeta o peixe consumido, e a água subterrânea é poluída pelo escoamento das fábricas, operações de mineração e fundição e, em seguida, é utilizada pelos agricultores para irrigar lavouras206.

A utilização de fertilizantes também tem contribuído para a degradação ambiental, porque os fertilizantes chineses muitas vezes contêm altos níveis de metais, principalmente cádmio, muito prejudiciais à saúde.

Outro fator determinante para a poluição da água da China é a eliminação de resíduos orgânicos tóxicos pela população de um modo geral, bem como pela agricultura e pela indústria. Ainda, o desmatamento contribuiu para que houvesse a alteração do fluxo dos rios, afetando o abastecimento e prejudicando a qualidade da água.

Além da má qualidade da água, há o problema de escassez, já que os lençóis freáticos de várias cidades importantes, incluindo Pequim e Xangai, são baixos. O fornecimento de água de rios, incluindo o Amarelo e o Yangtze, encontra-se prejudicado por causa do desvio para a produção agrícola e para a geração de energia elétrica ao longo dos leitos.

Elizabeth Economy, Diretora de Estudos Asiáticos do Council on Foreign Relations (2004, p. 41), considera que os problemas ambientais na China, “[...] ignorados por décadas, ou mesmo séculos, têm o potencial de colocar a economia do país de joelhos”.

Um estudo do Banco Mundial mostra que a China abriga 20 das 30 cidades mais poluídas do mundo e que os custos da degradação ambiental no país já alcançaram algo entre 8% e 12% do produto interno bruto, no que diz respeito ao impacto da chuva ácida nas colheitas, com gastos médicos e hospitalares, com horas não trabalhadas por causa de licenças médicas, com recursos desviados para fazer frente a desastres ambientais como enchentes e custos associados à deterioração de recursos naturais207.

206 CHOW, Gregory C. China’s Energy and Environmental Problems and Policies. Disponível em:

<http://www.princeton.edu/gceps/workingpapers/152chow.pdf>. Acesso em: 05 out. 2013.

127 Según el Banco Mundial, la contaminación cuesta a China 170.000 millones de dólares al año, el 12% del PIB. El gasto en medio ambiente entre 2001 y 2005 fue de un 1,3% del PIB, cuando en los años noventa era solo del 0,8%. Pero esta cifra se queda por debajo del 2% del PIB sugerido por el Banco Mundial. A menudo las buenas intenciones de Beijing, que es consciente del problema, se ven neutralizadas por las provincias, que quieren crecimiento y pleno empleo a toda costa208.

Nesse contexto, há que se considerar que, se a economia chinesa vem apresentando índices positivos de crescimento, os gastos com as consequências da degradação ambiental serão diretamente proporcionais, sem mencionar os custos para a recuperação ambiental que certamente devem ocorrer.

Conforme assevera Fairbank (2006, p.xix): “The twentieth century has already seen more man-made suffering, death, and assault on the environment than all previous centuries combined. Perhaps the Chinese have finally joined the great outside world just in time to participate in its collapse”.

Dong Wang, engenheiro e técnico da obra para a construção da hidrelétrica de Três Gargantas, em entrevista concedida a Elias Jabbour, afirma que a China tem consciência dos problemas ambientais gerados pelo impulso econômico e reitera que o país tem grande preocupação com o assunto bem como vem buscado tomar medidas para minimizar o problema.

Segundo Wang (2006, p. 128-129), cerca de 1.000 empresas estatais responsáveis por grande parte da poluição atmosférica no entorno da obra da usina foram fechadas entre 1994 e 2003. Em 2011, foram finalizados 200 projetos de tratamento do lixo residual e,logo após, seriam realizados os projetos de tratamento da água também no entorno da obra, em um raio de 1.000 km.

Ainda sobre os danos ambientais causados pela China, Wang esclarece que levará pelo menos 50 anos para que sejam assimilados pela natureza.Segundo ele:

[...] nenhum país do mundo investe mais na proteção ambiental que a China...Estamos nos esforçando para diminuir a emissão de gás carbônico com a queima de carvão e petróleo, devolvemos terras de cultivo às florestas etc. Sabemos dos problemas ocasionados por Três Gargantas [...}Sabemos que os danos ao ecossistema só serão resolvidos em 50 anos. Enfim, os ocidentais não precisam nos mostrar nossos problemas, nós já os conhecemos [...]Necessitamos de mais quatro Três Gargantas para solucionar o problema energético da China, mas a questão ecológica não permite. Você sabe que Três Gargantas responde somente por 12% das necessidades do país e que somente 20% de nossa capacidade hidráulica estão ocupados. Muito ainda há de ser feito.

128 Como marco conclusivo, convém destacar que é indispensável que a China, exatamente por ocupar, nos dias de hoje, posição de destaque no contexto internacional, deve dispensar mais atenção às questões ambientais. Na conjuntura mundial em que se busca a aprovação e a atração dos demais países, é necessário que se adote um comportamento exemplar em praticamente todas as áreas do desenvolvimento, e não somente com ênfase econômica.