4 E MPIRI
4.3 Analyse av intervjuene
4.3.7 Erfaring og mediebilde
A questão energética é, sem dúvida, um dos fatores de risco para a economia chinesa. Isso porque, para um país que tem sua produção concentrada no setor secundário, ou seja, industrial, e com uma escassez de recursos energéticos renováveis em seu território, a possível crise energética põe em risco qualquer pretensão de crescimento ou até mesmo a manutenção da política econômica.
Jabbour (2006, p. 138) afirma que, “[...] internacionalmente, com duas crises do petróleo e a cartelização de sua comercialização, o mundo viu-se obrigado a conceber novas formas de energia, a fim de diminuir a excessiva dependência com relação ao petróleo, ao gás natural e ao carvão mineral”.
Existem quatro aspectos a serem analisados quando abordados problemas energéticos e ambientais: a poluição do ar, a poluição da água, a emissão de CO2 e a escassez de recursos
renováveis. E a China enfrenta os quatro problemas.
196 FREITAS, Maria Cristina Penido. A transformação da China em economia orientada à inovação.
120 Segundo Jiang (2007), “[...] o alto consumo de energia decorre da elevada concentração (aproximadamente 55%) da produção no setor secundário, industrial, em detrimento dos setores agrícola e de serviços”.
Diante do estágio de desenvolvimento econômico que atingiu, a China é o segundo país com maior consumo de energia, incluindo o petróleo, ficando atrás apenas dos EUA. Para Lyrio (2010), historicamente, os países que estão em acelerado processo de desenvolvimento, o que é o caso da China, estão mais propensos a atingir um consumo energético anual maior do que o próprio ritmo de crescimento econômico. Isso porque “[...] as etapas iniciais e intermediárias de industrialização e de urbanização costumam privilegiar a produção em setores como construção civil, infraestrutura e siderurgia, atividades altamente intensivas no uso de energia e matérias-primas”.
No entendimento de Cesarin:
En el rango de las vulnerabilidades, el creciente consumo de energía agudizará su dependencia externa de hidrocarburos (apenas compensada por aportes de otras fuentes convencionales y no convencionales o mejoras tecnológicas) y materias primas. Es altamente probable que China no logre “seguridad energética” y tampoco “seguridad alimentaria” reforzando esquemas cooperativos con el Sudeste de Asia países que serán esenciales proveedores (petróleo, gras) en las décadas por venir pero condicionados por la persistencia de conflictos producto de dinámicas propias (políticas, económicas, religiosas, étnicas) así como por la injerencia de actores externos. El mayor poder militar acompañará este escenario, China mantiene sus hipótesis de guerra basadas en el control de recursos naturales vitales y/o rutas de abastecimiento197.
Nesse contexto, a economia chinesa continuará dependente de outros países, especialmente os produtores de petróleo e fornecedores de gás, caso não concentre esforços no sentido da manutenção de sua segurança energética, o que poderá, indiscutivelmente, prejudicar seu crescimento acelerado nas próximas décadas.
Conforme enfatiza Lyrio (2010), na medida em que ocorre a aceleração da economia, e como consequência o crescimento das classes urbanas, torna-se muito provável uma transformação na estrutura de produção, em que o setor de serviços, menos dispendioso em recursos energéticos e em matéria-prima, seja mais demandado que o setor industrial.
197 CESARIN, Sérgio. El factor China en los nuevos equilibrios regionales. Disponível em:
121 Observa-se que o aumento do consumo de energia na China é proporcional ao seu crescimento econômico. Atualmente, o consumo chinês só não é maior que o dos EUA, mas, de acordo com as projeções, essa situação será invertida até 2015:
According to “China country analysis brief” published by the US Department of Energy (2001) China accounted for 9.8% of world energy consumption. By 2025, projections indicate that China will be responsible for approximately 14.2% of world energy consumption. Of the 40 quadrillion Btu of total primary energy consumed in China in 2001, 63% was coal, 26% was oil, 7% hydroelectricity, and 3% natural gas. While residential consumption has increased its share of China's energy demand over the last decade, the largest absolute gains in consumption were from the industrial sector. In 2001, China’s energy intensity as measured by thousand Btu per 1990 dollars of output was as high as 36 thousand, as compared with 21 thousand for Indonesia, 13 thousand for South Korea, 4 thousand for Japan and 11 thousand for the United States, because of differences in output mix among these countries and in energy intensities in producing the same products198.
Jabbour (2006, p. 142) aduz que “[...] a história do desenvolvimento da indústria petrolífera na China é marcada por dois momentos: o primeiro compreende os anos de 1951 a 1993, e o segundo, de 1993 até nossos dias”.
Os avanços na tecnologia exploratória entre os anos 1951 e 1993 foram suficientes para que a China atingisse o posto de quinto lugar entre os produtores de petróleo, alcançando sua autossuficiência. Porém, a partir de 1993, iniciou-se um período de crescente dependência das importações do produto, o que propiciou ao governo chinês a importação de alta tecnologia para o setor no intuito de redução dessa dependência.
Nesse contexto, a China descobriu grandes reservas no extremo norte do país, perto da fronteira com a Rússia (campo de petróleo de Da Oing), que a manteve autossuficiente por 40anos. Mas, ao que tudo indica, essas reservas estão se tornando mais escassas. Em razão disso, a China tem realizado investimentos buscando uma política de exploração intensiva de suas reservas, com o objetivo de estabilizar a produção petrolífera nas bacias do nordeste chinês e desenvolver as descobertas no oeste do país. Nesse contexto, o potencial de crescimento da oferta interna de petróleo é limitado, o que pode ser considerado uma vulnerabilidade do país199.
198 CHOW, Gregory C. China’s Energy and Environmental Problems and Policies. Disponível em:
<http://www.princeton.edu/gceps/workingpapers/152chow.pdf>. Acesso em: 05 out. 2013.
199LAMAS, Bárbara Gomes. China, energia e meio-ambiente: efeitos colaterais do crescimento econômico.
Disponível em: <http://www.pucminas.br/imagedb/conjuntura/CNO_ARQ_NOTIC20051117105410.pdf>. Acesso em: 09 out. 2013.
122 Portanto, não restam dúvidas de que as reservas de petróleo e outros recursos energéticos são completamente insuficientes para as necessidades de consumo. Somente o carvão, encontrado em abundância em território chinês, é responsável por aproximadamente 70% do consumo energético. Mas isso não pode ser entendido como benéfico para a China, haja vista que esse tipo de energia traz consigo uma série de inconvenientes, como baixa eficiência energética, efeitos nocivos ao meio ambiente, condições de trabalho precárias e dificuldades de transporte.
Para Lyrio (2010), “[...] dificilmente a China conseguirá expandir a produção doméstica de energia no ritmo do crescimento do consumo interno, o que tenderá a agravar a dependência chinesa das importações no setor”. Conforme assevera o autor, segundo a United States Energy Information Administration, a China deverá importar, em 2025, 77% do total de petróleo por ela consumido, contra os menos de 50% atuais. Nesse contexto, sendo o petróleo uma fonte energética não renovável, é muito provável que a China seja responsável pela futura escassez desse recurso esgotável.
A China vem buscando implementar programas para aumentar a capacidade de geração de energia nuclear até 2020 de maneira a reduzir a dependência do carvão e contribuir para uma estrutura energética mais limpa. Dessa forma, o governo chinês planeja construir cerca de 30 reatores nos próximos anos200.
Jabbour (2006, p. 139) argumenta que o desenvolvimento das tecnologias nucleares é imprescindível, pois ajudará a construir uma nova segurança da China para o século vigente, além de ajudar a aliviar os problemas relacionados ao meio ambiente. Em contrapartida, infere que a maior dificuldade para o desenvolvimento da referida energia está na falta de condições para desenvolvê-la em larga escala.
Segundo o autor:
É muito mais caro desenvolver energia provinda da fissão nuclear do que por hidroeletricidade ou pela queima de carvão. Na visão dos chineses, o desafio é encontrar uma forma de baratear em 20% o custo da construção de uma usina nuclear, o que a tornaria viável ante outras formas de geração de energia.
Dessa forma, verifica-se que a China tem se empenhado na diversificação de suas fontes energéticas, no entanto, vem buscando priorizar a energia gerada por usinas
200 LAMAS, Bárbara Gomes. China, energia e meio-ambiente: efeitos colaterais do crescimento econômico.
Disponível em: <http://www.pucminas.br/imagedb/conjuntura/CNO_ARQ_NOTIC20051117105410.pdf>. Acesso em: 09 out. 2013.
123 hidrelétricas e outras fontes de energia térmica. A maior represa hidrelétrica do mundo está situada em território chinês e opera desde 2009, aproveitando uma das maiores reservas de recursos hídricos exploráveis do planeta.
Chow argumenta que a China está implantando políticas públicas voltadas para o aumento do consumo de energia limpa e renovável em detrimento do uso de energia nãorenovável, especialmente a proveniente de usinas termoelétricas:
China regards the creation of clean and renewable energy as an important national policy, and is developing hydropower, solar power, wind power, natural gas, biomass fuel and methane under its 11th Five-Year Plan. Current efforts to offset coal consumption include the development of natural gas and coal-bed methane infrastructure, increasing the number of combined heat and power plants, adding approximately 3,000 megawatts (MW) of hydropower annually, and developing renewable energy resources such as wind and photovoltaics for electricity generation201.
Nesse sentido, pode-se perceber avanço no que diz respeito a implementação de tais políticas públicas, uma vez que o relatório “Estrutura de Acompanhamento Global da Energia Sustentável para Todos”, publicado no Fórum de Energia, em Viena, em maio de 2013, afirma que a China registrou a maior poupança em energia e a maior expansão global em energia renovável. Segundo o relatório:
Um exemplo de progresso entre os países de alto impacto é a China: o país mais populoso do mundo é o maior consumidor de energia, mas está também liderando o mundo em expansão da energia renovável e na taxa de melhoria da eficiência energética.202
Seguindo outra linha estratégica, a China tem buscado evitar o comprometimento de seu crescimento econômico diante da possível escassez do petróleo mediante políticas diplomáticas de aproximação e alianças com países produtores, como, por exemplo, o apoio chinês ao Irã203, a aquisição de empresas estrangeiras do setor, bem como a assinatura de contratos de longo prazo com empresas distribuidoras de petróleo. Conforme assevera Lyrio (2010), “[...] a linha geral de atuação chinesa é a da diversificação, com a busca de oportunidades e novos parceiros em todas as regiões ricas em recursos energéticos: Oriente Médio, Ásia Central, África, Sudeste Asiático e América Latina”.
201 CHOW, Gregory C. China’s Energy and Environmental Problems and Policies. Disponível em:
<http://www.princeton.edu/gceps/workingpapers/152chow.pdf>. Acesso em: 05 out. 2013.
202 THE WORLD BANKING. 2013.
124 Segundo Jiang (2007), a redução da intensidade energética pode ocorrer de duas maneiras. A primeira diz respeito à adoção de práticas e tecnologias energéticas eficientes, enquanto a segunda trata da concentração econômica em setores menos intensivos em energia. No caso da China, nenhuma das alternativas seria facilmente atingida em um curto espaço de tempo, em que pese serem opções politicamente mais viáveis.
Apesar da dificuldade de aplicação imediata de tais práticas, é imperioso que a China se empenhe na adoção de medidas mais concretas para garantir a autossuficiência energética, uma vez que isso colaboraria com a manutenção de seu crescimento econômico, bem como contribuiria para recuperar e melhorar o meio ambiente, que atualmente está comprometido de maneira significativa graças às práticas antiecológicas por ela adotadas.
Isso vem ocorrendo pelo fato de o governo chinês ter elencado como prioridade o crescimento econômico em detrimento do meio ambiente, fato confirmado inclusive pela sua não adesão ao Protocolo de Quioto. A esse respeito, a China assevera que, pelo menos até 2020, não vai se comprometer com a redução da emissão de gases causadores do efeito estufa para não causar prejuízos à ascensão de sua economia.