4 E MPIRI
4.3 Analyse av intervjuene
4.3.4 Kommunikasjon og samhandling
A nova ordem econômica e política internacional no século XXI sofreu inúmeras transformações que se devem ao surgimento e/ou crescimento de novas superpotências, mais especificamente na esfera econômica. Até então, esse posto era ocupado pelos Estados Unidos da América, que historicamente têm suas raízes no imperialismo e na dominação hegemônica.
Segundo o entendimento de Bresser-Pereira (2009, p. 133-149), o enfraquecimento da hegemonia norte-americana nos anos 2000 não ocorreu apenas devido aos déficits econômicos, mas também à guerra do Iraque, aos abusos contra os direitos humanos e à instrumentação da democracia como forma de dominação.
A grande questão é: os EUA entraram em declínio em termos econômicos, políticos e até mesmo militares com a expansão dos efeitos da globalização ou outras superpotências, mais especificamente a China, ascenderam, uma vez que deixaram de lado um sistema totalitário e ditatorial e partiram para abertura econômica e cultural na ordem internacional? Segundo Zakaria (2008, p. 11), não se trata de declínio dos Estados Unidos da América, mas de ascensão de todos os outros países. Ainda segundo o autor, “[...] estamos nos dirigindo para um mundo pós-americano, definido e dirigido a partir de muitos lugares e por muita gente”.
No entanto, é possível que a era estadunidense esteja chegando ao fim, já que a ordem mundial liderada pelo Ocidente está sendo substituída por uma ordem cada vez mais dominada pelo Oriente. Para Ikenberry (2008, p. 158), os realistas vão além e assinalam que, conforme a China se torne mais poderosa e aposição dos EUA entre em declínio, é provável
54 que a China utilize seu crescimento para influenciar e reconfigurar as regras e as instituições do sistema internacional de maneira que atendam melhor a seus interesses, consequentemente se tornando uma ameaça para a segurança internacional. Ainda, segundo o autor, estas são características principais da troca de poder, que passará a concentrar-se na Ásia.
Conforme assevera Zakaria (2008, p. 54):
Os Estados Unidos ocupam o lugar mais alto do sistema emergente, mas são também o país mais contestado pela nova ordem. A maioria das outras grandes potências verá seu papel no mundo expandir. Esse processo já está em andamento. China e Índia estão se transformando em atores maiores em suas vizinhanças e para além delas.
Convém destacar que a perda da hegemonia estadunidense não é consenso, já que, nas palavras de Gilpin (2004, p. 494), criador da Teoria da Estabilidade Hegemônica (TEH), inspirado no historiador econômico Charles Kindleberger,
[...] uma economia internacional liberal estável só seria possível se sustentada por uma potência hegemônica que garanta a provisão dos bens públicos internacionais: uma ordem internacional liberal, a segurança internacional, um sistema monetário estável e fornecedor de empréstimos, em última instância, internacional. Aplica-se segundo a TEH o seguinte postulado: “para que exista uma economia liberal estável é necessário um estabilizador”, com poder político e econômico para levar a cabo a tarefa.
Dessa forma, seria considerado como fator preponderante para a subsistência da hegemonia norte-americana a sua sólida base política internacional como condição para a governança global, em vez de se considerarem os índices econômicos que vêm perdendo espaço frente à ascensão chinesa. Gilpin enfatiza que:
Embora os progressos tecnológicos e o jogo das forças de mercado representem motivos suficientes para ampliar a integração da economia mundial, as políticas de apoio dos Estados mais fortes e as relações de cooperação entre eles constituem a base política necessária para uma economia mundial estável e unificada81.
Nesse sentido, convém destacar que as relações diplomáticas entre os EUA e seus aliados são relevantes para a manutenção de sua hegemonia. Isso se deve à importância desempenhada pela cooperação internacional no contexto atual como forma de integração política e econômica.
55 Ocorre que, se atualmente o imperialismo norte-americano está em crise, é conveniente interpretá-lo, conforme Poulantzas (1974, p. 87):
O que está atualmente em crise não é diretamente a hegemonia americana, sob o impacto do “poder econômico” das outras metrópoles, cuja ascensão as terá, de acordo com alguns estudiosos, elevado automaticamente à categoria equivalente de “contra-imperialismo”, mas sim o imperialismo como um todo, como resultado da luta de classes a nível mundial que já alcançou até as zonas metropolitanas. Em outras palavras, não é a hegemonia do imperialismo norte-americano o que está em crise, mas a totalidade do imperialismo sob esta hegemonia.
Em contrapartida, Arrighi (2001, p. 23) enfatiza que a crise hegemônica dos EUA adquiriu importância internacional e se intensificou após os ataques de 11 de setembro e o envio de tropas norte-americanas ao Afeganistão e ao Iraque:
[...] o fato de o governo Bush ter adotado o Projeto para o Novo Século Norte- Americano como reação aos acontecimentos de 11 de setembro de 2001 foi, em aspectos importantes, uma tentativa de dar vida ao primeiro império verdadeiramente global da história do mundo. O fracasso abissal do projeto no campo de testes iraquianos não eliminou, embora tenha reduzido bastante, a possibilidade de o império global centrado no Ocidente vir a se concretizar. A possibilidade de um caos mundial interminável provavelmente aumentou. Mas aumentou também a possibilidade de assistirmos à formação de uma sociedade de mercado mundial centrada na Ásia Oriental.
No entanto, não é possível afirmar que os EUA deixaram de ser uma potência hegemônica ou que podem em breve vir a perder tal status. O que ocorreu foi somente uma diminuição de sua hegemonia frente às crises pelas quais vem passando, bem como devido ao crescimento econômico experimentado pela China nas últimas quatro décadas.
Esse crescimento, embora surpreendente, já era esperado, tendo em vista que as medidas tomadas pelo governo de Deng Xiaoping, a partir do ano de 1979, já demonstravam que a China estava se preparando para, se não assumir o papel de principal na conjuntura internacional, ao menos se tornar o coadjuvante de destaque ao lado dos EUA.
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