3. RELATIONAL CAPITAL AND SECTORS
3.3 D ESCRIPTION AND ANALYSIS OF THE SECTORS
3.3.5. T HE INFORMATION - INTENSIVE SECTOR
Nesta Zona de Sentido, discutiremos as expectativas de mulheres usuárias de álcool e/ou outras drogas, e suas famílias com relação ao tratamento que estavam realizando na modalidade de comunidade terapêutica no momento da pesquisa assim como quais os resultados atribuídos por essas mulheres e seus familiares, a este tratamento.
Com o objetivo de facilitar a compreensão dos diferentes pontos discutidos nesta Zona de Sentido, assim como na anterior, foi feita uma divisão de acordo com os principais eixos e seus respectivos indicadores.
No Distrito Federal, muitas famílias procuram atendimentos especializado, buscando ajuda para atender às necessidades de seus membros. Estudo realizado visando identificar em que condições a terapia familiar é desenvolvida nesta unidade da federação, aponta que entre os problemas apresentados pelos filhos, os quais são mencionados pelos pais, como sendo a queixa que os levou a procurar terapia, encontra-se o uso abusivo de álcool e/ou outras drogas (Ribeiro, Galli & Amorim, 2006).
A família constitui-se de um grupo onde são desenvolvidos padrões de interação, os quais constituem a estrutura familiar, que por sua vez, determina o funcionamento dos membros da família, definindo seus comportamentos (Minuchin & Fishman, 2003). Dessa forma, é na família que se dá a constituição da identidade das pessoas, o que faz com que estas pessoas aprendam s ser individuo, tornando-se assim membro da sociedade (Minuchin, 1982; Penso & Sudbrack, 2004; Stempliuk & Bursztein, 1999).
Para Stempliuk e Bursztein (1999), é importante e necessário que a vida em família permita ao sujeito a interiorização de regras e conceitos que fundamentam a construção dessa identidade de forma a diminuir a vulnerabilidade desse sujeito para o desenvolvimento de padrões de comportamento que possam impactar próprio desenvolvimento, acarretando com isso problemas nas diversas áreas da vida.
De modo geral o quadro que os sujeitos apresentam ao ingressar no tratamento, caracteriza-se por: apresentar risco para a saúde; crises sociais importantes no contexto; o uso de drogas há algum tempo fora de controle; e pouca ou nenhuma capacidade de manter abstinência por si só. Dessa forma esses sujeitos buscam o tratamento em comunidade terapêutica, para interromper um estilo de vida que promove a autodestruição, para estabilizar sua vida social e psicológica e para iniciar um processo de mudança pessoal e de estilo de vida de longo prazo (De Leon, 2003).
Para Kalina e Kovadlof (1988), a recuperação do usuário abusivo de álcool e/ou outras drogas, está profundamente ligada à transformação das estruturas do sistema social onde surgiu o comportamento de usar abusivamente álcool e/ou outras drogas. Dessa forma esse usuário, aparece em contexto familiar que possui características próprias, sendo que por intermédio deste sintoma, o usuário de drogas transmite aos demais membros da família, que está tentando ser diferente ou o contrário do que eles são.
De forma geral, situações específicas como a necessidade de interromper o estilo de vida que está promovendo a autodestruição, e a busca por estabilizar sua vida social e psicológica, na intenção de dar início ao processo de mudança pessoal e de estilo de vida de longo prazo, influenciam as expectativas dos usuários da comunidade terapêutica e de seus familiares.
1 - As expectativas para essa modalidade de tratamento
1.1 - As expectativas de mulheres usuárias de álcool e/ou outras drogas, sobre o tratamento atual na comunidade terapêutica
De acordo com Nichols e Schwartz (2007), a família é uma rede de relacionamentos em que seus membros influenciam, pelas atitudes e comportamentos de cada um individualmente, e ao mesmo tempo são influenciados entre si, sendo que além das interações que acontecem entre seus membros, ocorrem também interações com o ambiente externo. Assim, tendo como foco o estudo dos acontecimentos, das pessoas e da dinâmica relacional dessas pessoas diante dos acontecimentos, a família é considerada um sistema interativo. Partindo da premissa de que a família é um sistema entre outros sistemas, o conhecimento acerca das relações interpessoais e das normas que regulam o grupo familiar, permite compreender o comportamento de seus membros (Andolfi, 1996).
Quando as relações sociais e familiares vivenciadas pelo sujeito deixam lacunas, estas são preenchidas pelo prazer decorrente o uso da substância – seja o álcool ou seja outra droga. (Cardona, 2013) Como consequencia desse preenchimento, o sujeito vivencia prejuizos prejuízos físicos, sociais e emocionais, que no caso da população feminina, podem ser identificados de acordo com os seguintes aspectos: a) com relação aos danos físicos 81 % sofrem danos em sua maioria hepáticos seguidos pelos sintomas de síndrome de abstinência; b) com relação aos danos sociais, 66,7% registram conflitos familiares, e 33,3% dificuldades relacionadas à dificuldade de cumprir os papéis sociais esperados da mulher, tais como: mãe e dona de casa; c) no que tange aos danos emocionais, 76,2% referem-se a desânimo e tristeza, seguidos de irritação, sentimento de culpa e vergonha (Esper, Corradi-Webster, Carvalho & Furtado, 2013)
Ao entrar para tratamento na comunidade terapêutica o sujeito trará consigo as crenças e valores internalizados na sua família e no contexto social e cultural de onde veio, além de
todos os problemas oriundos do uso de drogas. As expectativas com relação ao tratamento nesta modalidade é um dos aspectos trazidos destes contextos de onde vieram.
O depoimento a seguir exemplifica esta situação. T. ao chegar a comunidade terapêutica não tinha intenção de ficar e se imaginava fugindo dentro de pouco tempo.
T.: "... eu cheguei aqui com a cabeça de que eu saí do presídio.... eu falei assim: “vou ficar só uma semana lá moço, e vou pular aquele muro."
Esta participante, não relatou possuir expectativas sobre a instituição e/ou seu programa terapêutico, o que aumentaria a probabilidade de sua evasão. Entretanto, T. permaneceu na instituição durante 324 dias, tempo este suficiente para a conclusão do seu tratamento. A decisão de T. em permanecer e concluir seu tratamento, pode estar relacionada com o acolhimento realizado pela equipe terapêutica e pelas demais mulheres internadas, e com a oportunidade de ampliação de consciência que ocorre, conforme mencionado por Damas (2013), após superadas as crises das primeiras semanas.
De acordo com Damas (2013), quando o sujeito entra para o tratamento em uma comunidade terapêutica, cedo ou tarde desenvolverá reações internas que irão resultar em diferentes comportamentos. Apesar de haver desenvolvido um grau de dependência que recomende o tratamento em regime de internação, em geral nas primeiras vezes que isso ocorre o sujeito permanece internado por pouco tempo. Entretanto, após as primeiras semanas, as quais são as mais críticas, tendo em vista as dificuldades de ambientação e as reações decorrentes das crises de abstinência, o sujeito tende a aceitar a internação e inicia sua participação no processo terapêutico oferecido pela instituição. Assim, a possibilidade de que esse sujeito complete o tratamento aumenta na mesma proporção que ele consiga suportar os conflitos internos e externos.
Embora não dispondo de muitas informações acerca da modalidade de tratamento em regime de internação, no contexto de comunidade terapêutica, as expectativas das mulheres internadas para tratamento, variaram de acordo com as experiências anteriormente vivenciadas por elas em situações semelhantes. Para M. F., seu destino estaria traçado em função da herança genética de doença mental, da mãe que morreu internada:
M. F.: "Eu esperava que eu ia ficar doida, que eu ia morrer igual minha mãe... que
Mas ao perceber que sua crença acerca da possibilidade de ter herdado de sua mãe uma doença fatal, não correspondia a realidade que estava vivenciando, declara estar emocionada diante do contexto de tratamento:
M. F.: "Mas só que graças a Deus eu quando eu cheguei aqui eu senti uma paz tão grande aqui dentro... eu gostei daqui... eu chorei...."
Para M. o tratamento seria semelhante àqueles pelos quais já havia passado, em que não houve uma preocupação com seus problemas psicológicos e clínicos:
M.: "... eu não sabia muito o que tinha...eu achei que ia ser que nem a outra comunidade, só ia ter, a cozinha, a casa pra arrumar e o jardim... num sabia que ia, ter grupos nem terapia aqui..."
A mulheres, ao longo do tratamento, concluíram que o contexto da comunidade terapêutica, em particular, se diferenciava de outros tratamentos pelos quais já haviam passado, provocando mudanças nas suas expectativas.
M.: " . . . já foi bem diferente do que eu imaginava na minha cabeça. ."
C.: ". . . pra mim a gente ia ficar assim num lugar mais... mais a Deus dará assim, entendeu, um lugar assim que não, que não fosse me cobrar né?, e quando eu cheguei aqui foi diferente, foi totalmente diferente. . ."
Observa-se ainda no depoimento abaixo que apesar das suas expectativas de que não haveria nenhuma novidade neste tipo de tratamento, houve mudanças com relação a hábitos e comportamentos que foram desenvolvidos durante o período em que estiveram usando álcool e/ou outras drogas, como é o caso de C. em seu depoimento:
C.: "...eu achava né?, que o tratamento num fosse ser trabalhado por exemplo os doze passos né?, do N.A.... " que num ia ter a temática né?, com os terapeutas.... a questão também da nossa higiene também... porque eu num vou ser hipócrita em dizer....eu tinha perdido completamente minha higiene também sabe, negócio de banho.... é, escovar os dentes...".
Da mesma forma ao encontrar-se diante de um contexto de tratamento diferenciado, o depoimento de T., mostra a mudança em sua forma de ser com relação ao tratamento, mas também com relação a forma como que continuar sua história:
T.: "... to aqui há cinco meses porque eu vi que eu num quero voltar a morar na rodoviária do Plano, nem a comer comida do lixo, ou então ter que esperar quatro horas da tarde pra poder os restaurante fechar, pra acabar o expediente e eles dar o resto de comida...."
Com relação às expectativas das mulheres acerca do tratamento na comunidade terapêutica, a dificuldade encontrada é que são poucos os registros sobre este tema, seja em textos nacionais, onde autores como: Silva (2011), Jatobá, Calheiros, e Lins Junior (2012); Scaduto, Barbieri e dos Santos (2014); Silva (2013); Pires, (2011); Perrone (2014); Damas (2013), apontam para questões relacionadas às representações sociais dos participantes sobre suas famílias; a importância da internação para oportunizar a retomada da consciência; a melhora no funcionamento psicológico das pessoas tratadas nesse modelo; o significado da comunidade terapêutica para a vida da pessoa tratada; a identificação dos sentidos das experiências de tratamento. No entanto estes autores não tratam das expectativas que as pessoas internadas tinham sobre a internação.
No que diz respeito aos textos internacionais, autores como Henriques (2013); Nunes (2012); Rosário (2009); Machado e Veloso (2011); Fiestas, e Ponce,(2012), discutem, aspectos relacionados à eficácia do modelo terapêutico; a importância, relevância e/ou adequação do modelo com relação à política sobre drogas; a importância da mudança de perspectiva na compreensão do fenômeno do uso de álcool e/ou outras drogas; a importância da vinculação da pessoa em tratamento com a equipe técnica para adesão ao tratamento. Mas também sem tratar das expectativas.
Carbonera, Gonçalves-Silva, Nascimento-André e Legal (2013), em estudo realizado em uma comunidade terapêutica para tratamento de mulheres, com o objetivo de oportunizar espaço para a manifestação dos seus anseios e do seu pensamento sobre temas que consideram essenciais em suas vidas, como família, religiosidade, educação trabalho e lazer, apontam que mulheres internadas para tratamento em comunidade terapêutica, no que diz respeito aos temas específicos de sua pesquisa, têm o desejo de resgatar vínculos familiares; acreditam na religiosidade como condutora no processo de mudança e no trabalho como fonte de dignidade, utilidade e satisfação; e percebem o estudo como meio de (re)significação e/ou (re)estruturação. Também neste estudo, os autores não discutem questões relativa as expectativas das mulheres com relação ao tratamento que estão realizando.
Estudando mulheres em tratamento para o uso de crack no contexto de internação em hospital psiquiátrico, o qual é diferente do contexto de comunidade terapêutica, Fertig (2013), aponta que, naquele contexto, as mulheres pesquisadas relataram ter esperança, vontade e desejo de viverem sem o uso de drogas, esperando superar a dependência, uma vez que acreditavam que a internação pode trazer benefícios nesse sentido, contribuindo para uma vida longe da droga.
1.2 - As expectativas das famílias de mulheres usuárias de álcool e/ou outras drogas, sobre o tratamento na comunidade terapêutica
Este item discute especificamente a expectativa dos familiares sobre o tratamento na comunidade terapêutica em que se encontravam no momento da pesquisa. Tais expectativas variaram de acordo com o conhecimento que cada um possui acerca dessa modalidade de tratamento e em especial acerca da possibilidade de solução mágica, rápida, radical e definitiva para o problema do uso abusivo de álcool e/ou outras drogas.
O uso de drogas pode ser visto como um “sintoma” que pode, além de desempenhar papel importante na regulação da dinâmica familiar, apresentar-se como “sinal de alerta” para denunciar a ocorrência de situações extremas que necessitam ser mudadas (Kalina, 1999; Penso, Costa & Sudbrack, 2008). Moreira, 2004) registra que as famílias de usuários de drogas são caracterizadas como sistemas fechados que limitam a evolução e autonomia da pessoa em tratamento, mantendo o estado de dependência entre os membros do grupo, que se expressa mediante padrões de interação inadequados entre esses. Assim, o sintoma apresentado por pelo menos um dos membros da família, deve ser entendido como sendo um fenômeno relacional (Miermont et al., 1994).
Portanto, numa perspectiva sistêmica, é possível afirmar que os problemas decorrentes do uso abusivo de álcool e/ou outras drogas, estão localizados na relação que se estabelece entre a pessoa, o contexto em que ela se encontra e as demais pessoas com as quais ela convive. Assim sendo, autores como Penso, (2003); Trindade e Bucher-Maluschke, (2008); Penso, Costa e Sudbrack, (2008), consideram o uso abusivo de álcool e/ou outras drogas como um sintoma, que acontece para denunciar disfunção e/ou desequilíbrios no sistema familiar.
Para Kalina (1988), onde existem usuários de drogas, também existem famílias ou grupo equivalente, nos quais estão presentes, além do fenômeno do uso de álcool e/ou outras drogas, assim como modelos de comportamento que indiquem a ocorrência desse fenômeno. Para este autor, "a família, ou seus equivalentes, é co-geradora do fenômeno adictivo" (p. 27).
De acordo com Aleluia (2010), as famílias quando procuram ajuda para o problema do uso abusivo de álcool e/ou outras drogas por elas vivenciado, trazem consigo a sensação de estarem perdidas e um forte sentimento de culpa. Isso ocorre devido a falta de informação sobre a questão do uso de drogas; sobre a possibilidade de que esse uso seja a manifestação
sintomática de que o grupo familiar está adoecido; sobre a necessidade de que os padrões relacionais disfuncionais existentes sejam alterados e sobre a importância de manter essa alteração por meio da aquisição de padrões mais saudáveis para todo o grupo familiar.
Mãe de M.: " o que a gente espera... eu acho que num existe... quando a gente tem um filho tão difícil assim, a expectativa é de que ia ter uma solução mágica, coisa que num existe né?.. eu imaginava a questão da dependência, que ela largasse e tal, tanto que ela largou" "... e imaginava... que a gente sempre tem esperança... que ela fosse conseguir traçar um caminho, conseguir mudar a energia dela que é altamente destrutiva, então uma coisa do caminho do bem ..."
Tendo em vista que o depoimento está na terceira pessoa do singular, parece que, assim como com as famílias atendidas por Minuchin (2009) na Flórida, aqui também temos o desafio de mudar a percepção dos familiares no sentido de que, sendo a família um sistema social, seus integrantes afetam e são afetados entre si. Ou seja, as famílias são "co-autoras" tanto do surgimento do uso de álcool e/ou outras drogas, como da evolução desse uso (Orth & Moré, 2008). A esse respeito Penso e Sudbrack (2004), ao considerarem o uso de álcool e/ou outras drogas como um sintoma no contexto familiar, observam que este sintoma tem como função, denunciar que o sistema familiar e social apresenta falhas, as quais necessitam ser observadas, com o objetivo de promover mudanças no funcionamento dessa família.
Considerando que alguns tratamentos realizados em outra modalidade diferente da comunidade terapêutica, têm como objetivo a desintoxicação, mas não visam trabalhar as questões ligadas aos problemas sociais e comportamentais associados ao uso de álcool e/ou outras drogas, e por conseqüência não produzem a mudança de comportamento necessária para a transformação esperada pelos familiares, estes desejam encontrar em uma comunidade terapêutica a oportunidade de que seu familiar se liberte do problema de uso abusivo de álcool e/ou outras drogas (Silva, Pinto & Machineski, 2013).
De acordo com Kalina (2001), famílias que vivenciam o problema do uso abusivo de álcool e/ou outras drogas, quando procuram por ajuda, o fazem com o intuito de que aquele membro da família por intermédio do qual o sintoma foi manifestado, seja curado, sendo que o entendimento acerca da palavra curar é diferenciado para os atores deste contexto. Para a família, curar pode significar: "faça com que seja bom" (p. 54) enquanto que para os terapeutas, a palavra curar está relacionada a uma intervenção que tem uma finalidade democratizante. Entretanto, o autor salienta que o pedido é de "que o 'curemos', leia-se: 'o aperfeiçoemos' como objetivo máximo, mas não mudá-lo e ter de mudar a todos" (p. 59).
Com relação a essa mudança de comportamento, outro aspecto a ser observado neste contexto, é que para alguns familiares, o melhor caminho para atingir o resultado por eles esperado, é que o tratamento seja realizado não apenas em regime de internação, mas também que o local de tratamento seja afastado dos locais de freqüência habitual da pessoa em tratamento, além de que o programa terapêutico tenha em seu contexto, a disciplina como ferramenta de trabalho. Isso pode ser identificado no depoimento da Sra. L - cunhada de M. F., conforme segue:
Cunhada de M. F.: "... quando eu cheguei lá, por ser distante, por ter disciplina, por não sair, ser realmente interno eu confiei no tratamento ... ".
Desse modo, parece que a expectativa dos familiares de que o tratamento deve ser em local isolado, encontra respaldo na literatura, como apontam os autores acima, a despeito das políticas públicas sobre o assunto, privilegiar o tratamento em regime ambulatorial (Brasil, 2002b). No entanto, compreendemos que é preciso relativizas as duas posições, privilegiando uma avaliação individualizada que identifique o que é melhor para cada sujeito.
Outro aspecto a ser considerado, é a reflexão feita por Jatobá, Calheiros e Junior (2012), acerca do sofrimento imputado ao usuário abusivo de álcool e/ou outras drogas, em especial no início do tratamento para manter-se distante do uso dessas substâncias, quando não afastado do convívio social, onde o apelo ao uso, seja pela dificuldade para lidar com suas dores e angústias, seja pelos sintomas decorrentes da crise de abstinência ou ainda seja pelo apelo constante dos pares, é constante e intenso.
2 - Os resultados identificados no tratamento na Comunidade Terapêutica 2.1- Resultados na percepção das mulheres internadas
Em relação à comunidade terapêutica onde foi realizada esta pesquisa as mulheres relataram que a realidade encontrada no contexto da comunidade terapêutica, as levaram a concluir que estavam inseridas em modalidade de tratamento que se diferenciava de outros pelos quais já haviam passado, provocando mudanças nas suas expectativas. Além disso, os resultados por elas identificados também apontam para a possibilidade de alteração em suas crenças acerca delas mesmas e de sua relação com o contexto. Nos depoimentos a seguir fica claro que o tratamento trouxe auto conhecimento, transformação e a expectativa de conseguir dar continuidade em sua vida com segurança e maturidade.
I.: "...esse lado do autoconhecimento, sabe, que eu fui resgatando, ir me conhecendo" responder algumas perguntas que ficavam... "pelo menos me deu uma, uma base pra entender o quê acontecia na minha vida, me fortalecer mais, até mesmo pro que vem pela frente né?... ".
M.: "Trouxe maturidade primeiro né?... e o autoconhecer, coisa que eu não tinha né?, de saber do que eu gosto, do que eu não gosto, me ajuda muito. O tratamento ele é muito bom, muito bom, é dolorido, mas é bom....".
I.: "... eu não esperava, na realidade, eu não esperava é... que acontecesse tanta coisa boa que tá acontecendo.... eu imaginava que fosse, acontecer coisas boas né?, mas eu não imaginava que fosse tanta coisa boa.... é uma outra pessoa que tá, que tá aqui.... eu acredito mesmo que morreu aquela, a outra, a antiga e que tinha estacionado na idade dos vinte e cinco anos, né?... ".
Além da oportunidade do auto-conhecimento, de sentir-se mais confiante, M também