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Sim 7 41 Não 10 59 Qual?

Consultoria 5 30 0utros 3 18 Fonte: Dados da pesquisa.

Apenas 6% tinham, desde a infância, o desejo de ser professor. Os outros 94% fizeram a opção durante a adolescência ou vida adulta. Supondo que as opções referentes ao exercício profissional requerem maturidade humana e um mínimo de conhecimento a respeito do trabalho, podemos acentuar que, neste grupo, um total de 70% dos professores escolheu exercer a docência num estádio de vida em que já dispunham de melhores condições e conhecimentos para tal escolha. Embora esse critério não seja a garantia de satisfação e bom desempenho, ao menos revela ter havido um desejo pessoal de ser professor. Essa afirmação é reforçada, ao constatarmos que 82% dos participantes afirmaram que o desejo de ser professor partiu de uma opção pessoal. Apenas 12% reconheceram ter havido influência familiar nessa decisão, e apenas 6% informaram estar na docência apenas por necessidade.

Considerando que o exercício da docência foi opção pessoal para a maioria, e que 59% têm esse exercício como única atividade profissional, articulamos essa

informação com o que já fora comentado, sobre a falta de boas condições de trabalho, falta de valorização financeira e de aperfeiçoamento profissional. Podemos dizer que estamos diante de um grande grupo que tem no seu ofício uma fonte de desgaste energético e sofrimento psíquico, contribuindo, fortemente, para o desencadeamento do estresse e exigindo estratégias de enfrentamento que levem em conta os desafios a que estão expostos. Reiteramos a necessidade de uma reflexão, impulsionadora de políticas, que levem em conta melhorias nas suas condições de trabalho, remuneração, valorização e aperfeiçoamento permanente. Também não pode passar despercebido o fato de que 41% exercem outras atividades, confirmando o que Anastasiou e Pimenta (2002) exprimem a respeito do ensino universitário, ou seja, para alguns professores do Ensino Superior, a docência constitui apenas uma forma de complementação salarial. Fica difícil uma dedicação exclusiva num ofício que não garanta a satisfação de necessidades básicas.

Ao serem questionados se algum professor havia servido de modelo para sua atuação docente, um total de 70% confirmou o quanto as referências positivas interferem nas escolhas. As justificativas dos professores fizeram referência às atitudes adotadas por alguns professores, o dinamismo e criatividade de alguns, bem como a descontração e capacidade de envolver os alunos a participarem das aulas. Esses pontos destacados fortalecem as idéias veiculadas pelas autoras citadas anteriormente, quando discutindo a consecução da identidade profissional dos professores universitários, referem que tal busca tem início quando se faz a formação na área, e, assim, consideram fundamental os anos passados como aluno na graduação. Após esse período, levam consigo os modelos que os apoiarão na prática docente, descartarão as experiências ou modelos negativos, e pouco, ou quase nada, recebem de formação específica para atuar na área.

Inicialmente, o professor ingressa em departamentos que atuam em cursos aprovados, com disciplinas já estabelecidas: recebe ementas prontas, planeja individual e solitariamente e é nessa condição que deve responsabilizar-se pela docência que exerce. (ANASTASIOU; PIMENTA, 2002, p. 107).

Expostos a tamanho desafio, os modelos positivos encontrados no período de graduação serão de grande importância na consecução de sua identidade docente, além do que servirão de referência na condução das suas ações, visto que, na maioria das

instituições de Ensino Superior, o trabalho docente ainda não é acompanhado ou orientado do ponto de vista pedagógico.

Estudo publicado por Codo (1999) explicou que os professores suportam os baixos salários em função de sentirem prazer no exercício da docência. Por meio de um mecanismo psíquico, denominado pela Psicanálise de projeção, experimentam o crescimento e sucesso dos alunos como parte sua, projetam-se nesse crescimento e, assim, experienciam o prazer no ofício exercido; tal prazer é tão verdadeiro que muitos nem cogitam na possibilidade de exercer outro ofício. Essa explicação do autor fica bem compreendida quando, a despeito de um conjunto de condições de trabalho não tanto favoráveis, 88% dos professores afirmaram jamais haver pensado em deixar de ser professor. A persistência no ofício revela satisfação proveniente de motivos intrínsecos, conferindo menos importância aos fatores extrínsecos e à falta de valorização profissional, mas também pode ser interpretada como falta de determinação em romper com essa insatisfação e construir ou abrir novos canais de realização profissional. Os outros 12% que afirmaram já ter pensado nessa possibilidade alegam a necessidade de complementação salarial, busca de atividades que proporcionem maior liberdade e reconhecimento. Essa realidade é bem retratada nos estudos de Anastasiou e Pimenta (2002, p. 125):

Como o valor obtido por esse trabalho costuma ser insuficiente para a sobrevivência, o professor obriga-se a ampliar os turnos e trabalhar em mais de uma instituição para obter uma renda mensal básica, ficando todo o seu tempo disponível para deslocamento e sala de aula.

Na fala das autoras, está a retratação de alguns que enfrentam a correria de uma instituição para outra, buscando com isso a complementação salarial, ou ainda que desenvolvem outras atividades que lhes garantam melhores salários. Esta situação é bem conhecida pelos professores universitários da Instituição particular, que experimentam a contratação de trabalho na condição de horista. Sob a lógica do capitalismo, ganham ou recebem apenas uma pequena parcela do valor produzido. Assim, têm que sair a vender sua força de trabalho, esperando com isso uma remuneração razoável. Lamentável é constatar um ofício de tal modo grandioso sendo enquadrado em uma lógica tão degradante.

Ainda na perspectiva ou categoria que trata da vida profissional, dialogamos com os professores universitários a respeito de quanto tempo estavam no exercício da docência. Encontramos professores que estavam iniciando, um outro grupo que estava no

ofício em fase de amadurecimento das experiências, e uns poucos que já haviam trilhado longas estradas nessa atividade. A tabela 6 nos revelará esses dados:

Tabela 6 – Tempo de docência