• No results found

P RESENTASJON AV FREMTIDSBUDSJETTERT BALANSEOPPSTILLING

profissão. Por outro lado, também é possível encontrar profissionais com trinta ou quarenta anos de exercício docente e que conservam o entusiasmo e encantamento dos primeiros tempos, professores dedicados, em busca de constante aperfeiçoamento, buscando melhores condições de trabalho e se integrando em grupos de estudo com os colegas de profissão para um crescimento coletivo. Essas constatações nos fazem ver que há muitas dimensões relacionadas às condições de trabalho do professor, tornando difícil enquadrá-las numa categoria única. Quando muito, poderemos articular os desafios externos e adicionar a subjetividade que vai tornar mais leve ou mais pesado o enfrentamento ou a superação desses desafios inerentes ao seu ofício.

Nas instituições de Ensino Superior, solicita-se do professor que trabalha em tempo integral o exercício das três funções que caracterizam a universidade: ensino, pesquisa e extensão, além de algumas vezes, também terem que atuar na parte administrativa. A dedicação em tempo integral é que viabiliza tamanha gama de atribuições. Noutro patamar, em termos de condições de trabalho, encontram-se os professores com dedicação de tempo parcial. Dados colhidos do INEP (2004) revelam que apenas 8,01% dos professores das universidades públicas e 6,76% das particulares trabalham dentro da modalidade de tempo parcial, não se podendo exigir deles a mesma dedicação do grupo anterior. Em termos de condições de trabalho, constatamos ser esse o grupo mais apenado, pois se vê contratado para exercer o ofício em horários de aulas determinados, ficando sem nenhuma cobertura financeira para correção de atividades, preparação de aulas, atividades de extensão ou pesquisa. A remuneração obtida por esse trabalho, geralmente, é insuficiente para cobrir as necessidades, obrigando o professor a trabalhar em várias instituições e em turnos diversificados. Sem uma vinculação que garanta condições de trabalho e segurança financeira, também há comprometimento de sua formação continuada, pois é bastante provável que não disponha de tempo, recursos nem motivação para o aprimoramento do seu ofício.

3.4 QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO E DOCÊNCIA

Na década de 1970, de acordo com Davis citado em Chiavenato (2004), começou a se falar em qualidade de vida no trabalho. Naquele contexto, o termo se referia à preocupação com o bem-estar e a saúde dos trabalhadores, dentro das

organizações e ao desempenharem suas funções. Também os estudos desenvolvidos por Drucker (2002) assinalam o crescimento dessa temática, culminando com o que na atualidade já se tem como estabelecido: os estudos acerca da qualidade de vida no trabalho mantiveram a preocupação com o bem-estar dos trabalhadores, agora envolvendo não apenas os aspectos físicos e ambientais, mas também os aspectos psicológicos do local de trabalho. Esse conceito, implica, por parte das organizações, a adoção de uma atitude de respeito para com as pessoas. Por outro lado, os gestores também compreenderam que propiciar melhores condições de trabalho, além de proporcionar bem-estar, satisfação e motivação ao trabalhador, também potencializava a produtividade e qualidade do trabalho desenvolvido.

Alguns modelos chegaram a ser propostos para avaliar se as empresas atendiam às exigências inerentes à qualidade de vida no trabalho. Um dos mais conhecidos é o Modelo de Qualidade de vida no Trabalho, de Walton (1973). Neste, após diversas investigações em organizações diversificadas, o autor elencou oito fatores que afetam a qualidade de vida no trabalho:

Compensação justa e adequada; condições de segurança e saúde no trabalho; utilização e desenvolvimento de capacidades; oportunidade de crescimento contínuo e segurança; integração social na organização; constitucionalismo – normas e regras da organização; trabalho e tempo para vida pessoal e relevância social do trabalho. (WALTON, 1973, p. 11).

Os fatores mencionados nos remetem a uma análise das condições de trabalho, que inicia com a necessidade de um equilíbrio entre atividades desenvolvidas e remuneração adequada, e chega até à relevância social do trabalho, onde assinala a importância do trabalhador se sentir orgulhoso e satisfeito com o que executa. A priorização da qualidade de vida no trabalho se materializa atualmente como um conjunto de políticas e práticas que promovam o bem-estar do trabalhador nas mais variadas esferas. A preocupação teórica e prática relacionando condições de trabalho, motivação e satisfação, aos poucos, foi atingindo os mais variados ofícios e profissões, chegando oportunamente ao ofício docente. Estudos desenvolvidos por Luckesi (2000) enaltecem o quanto é benéfico para o trabalho do professor a manutenção da motivação e satisfação. Esses ingredientes, na visão do autor, tornarão sua prática pedagógica mais lúdica, eficaz e saudável.

Tratando especificamente das condições que interferem na qualidade de vida e trabalho no Ensino Superior, Anastasiou e Pimenta (2002) sinalizam alguns desafios enfrentados pelos professores: desvalorização profissional, baixos salários e modestas condições de trabalho. Esses desafios funcionam como fatores adversos ao exercício do ofício. As autoras ainda analisam as diferenças dos contextos e das condições de trabalho dos professores desse grau de ensino. Nas instituições públicas, o ingresso ocorre por meio de concurso; os profissionais, ao serem admitidos, passam por um estágio probatório e só posteriormente é que têm efetivada sua vinculação institucional. Nas instituições particulares, o ingresso pode ocorrer por meio de seleção ou de convite e as condições impostas é que desenvolvam o trabalho na condição de horista. A fim de garantir a manutenção ou aumento da carga horária, será avaliado a cada semestre, e se considerada satisfatória a sua atuação, poderá ser mantido na função. Caso contrário, ocorrerá a demissão. Esse quadro que vigora nas instituições particulares desencadeia a sensação de insegurança, dúvidas, medo e incertezas quanto ao crescimento profissional e permanência do vínculo institucional. Estes fatores interagem e interferem na qualidade de vida dos professores. Embora, conforme já assinalado, esse estudo não tenha a intenção de estabelecer comparativos entre o público e o privado, sinalizamos algumas diferenças e destacamos que problemas como insegurança ou instabilidade profissional são mais acentuados nas instituições particulares.

Fazendo uma análise do ensino universitário e das questões que envolvem o trabalho do professor, Zabalza (2004) reconhece tratar-se de um ofício permeado de desafios e exigências, por isso também necessitando de uma adequação das condições de trabalho às necessidades daqueles que o desenvolvem. Nessa mesma linha de preocupação, Anastasiou e Pimenta (2002), já citadas, escrevendo sobre as condições de trabalho no Ensino Superior, assinalando que, tanto a forma de ingresso nas instituições de ensino, como também os vínculos empregatícios e as jornadas de trabalho interferem na conquista da identidade do professor, uma vez que as condições de sobrevivência e vida digna poderão estar primariamente implicadas. As contribuições de Anastasiou e Pimenta (2002) e Zabalza (2004) estão sintonizadas com os fatores mencionados por Walton (1973), pois todos estudam fatores relacionados à qualidade de vida no trabalho. Sugerem o levantamento de estratégias que propiciem melhores condições de trabalho, motivação e qualidade de vida saudável.

Dejours (1992) avançou nessa reflexão e tratou da qualidade de vida relacionada às condições de trabalho e relações que o indivíduo estabelece para com o trabalho.

Chamou-nos a atenção para as doenças e o comprometimento do aparelho mental como resultado das condições inadequadas de trabalho, insatisfação ou inadaptação do homem ao ofício. Desse modo, diz o autor:

Muitas vezes negligenciada ou desconhecida, a insatisfação resultante de uma inadaptação do conteúdo ergonômico do trabalho ao homem está na origem não só de numerosos sofrimentos somáticos de determinismo físico direto, mas também de outras doenças do corpo mediatizados por algo que atinge o aparelho mental. (DEJOURS, 1992, p.53).

A área da saúde demonstrou preocupação com esse tema. As grandes Conferências Internacionais de Saúde: Carta de Ottawa, Declaração de Adelaide, Sundsvall e Santa Fé de Bogotá (BRASIL, 1996) sinalizaram para a urgência de uma revisão e mudança nas condições de trabalho como fator de manutenção e promoção da saúde do trabalhador e da sociedade.

Mudar os modos de vida, de trabalho e de lazer, tem um significativo impacto sobre a saúde. Trabalho e lazer deveriam ser fontes de saúde para as pessoas. A organização social do trabalho deveria contribuir para a constituição de uma sociedade mais saudável. A promoção da saúde gera condições de vida e trabalho seguras, estimulantes, satisfatórias e agradáveis. (BRASIL, 1996, p.15).

Vemos assim a correlação entre qualidade de vida no trabalho dos professores e saúde, levando-nos a confirmar o que a Organização Internacional do Trabalho já assinalou em 1981: a profissão docente é considerada um trabalho que comporta riscos físicos e mentais (OIT, 1981). Essa constatação nos remete à necessidade de aprofundarmos ou fazermos uma correlação entre o trabalho do professor, o estresse inerente ao desempenho da função e o desenvolvimento da resiliência como estratégia de superação.