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1. 5 Eget kunnskapsteoretisk ståsted

2. Hvordan endres denne opplevelsen gjennom demensutviklingen?

3.6 Studiens kvalitet: Gyldighet og pålitelighet

etimologia do vocábulo “droga”. Como era de esperar, a etimologia do vocábulo não é menos confusa ou controversa do que os sentidos que lhe são atribuídos. O Quadro 5 sintetiza o que consta nos dicionários etimológicos de várias línguas ocidentais a respeito desse vocábulo.

Corominas86 oferece, no Diccionario Crítico Etimológico de la Lengua

Castellana, uma discussão detalhada a respeito das controvérsias em torno da etimologia do vocábulo (Corominas, 1954: 195-198). Nela, ele descarta as tentativas de “derivar el it. droga de um b. lat. farmacéutico drogia (de donde tambíen el gr. bizant. droggaia, droggarios), alteración de dragea”, afirmando que “esto es apoyar lo desconocido en lo problemático”, já que o vocábulo não parece ser muito antigo na Itália e já que não se verifica a existência do vocábulo no grego medieval. Ele descarta também as tentativas de derivar o vocábulo do “iránico medio daruk [...], ‘hierba’, ‘hierba medicinal’, ‘medicina’, ‘pólvora’”, afirmando que não se encontram “huellas de este vocablo en árabe, turco ni griego, lenguas que hubieran debido servir de intermediario hacia Occidente”. Ele também recusa as tentativas de fazer o vocábulo derivar do árabe “durâwa ‘granzas, tamo, paja y polvo que vuelan al beldar’”, afirmando que essas tentativas colocam dificuldades fonéticas e semânticas dificilmente contornáveis. Corominas reconhece que a etimologia mais razoável do vocábulo “droga” é de origem setentrional. Segundo ele,

no es imposible semánticamente la idea de [...] que el vocablo se extrajera en Francia o Inglaterra del neerl. y b. alem. droghe vate “barriles de mercancías secas” (documentado con frecuencia en textos del S. XIV), donde droghe es adjetivo en el sentido de “cosas secas” y vate “barriles”; separando esta palabra conocida, los mercaderes extranjeros habrían entendido que droghe significaba “drogas, mercancías”. Es muy cierto que no todas las drogas son secas, pero una generalización de esta índole es fácilmente concebible (Corominas, 1954: 196).

86 Corominas é considerado um dos mais importantes etimologistas espanhóis, sendo seu dicionário obra de referência no gênero. Discuto aqui mais detalhadamente seus enunciados a respeito da etimologia do vocábulo “droga” porque eles são, entre aqueles reportados pelos dicionários etimológicos consultados, os mais detalhados.

QUADRO 5:ETIMOLOGIA DO VOCÁBULO “DROGA”

NO PORTUGUÊS:“DROGA”

“Do neerl. droogen, seco (mercadoria enxuta), segundo M. Lübre, REW, 2777. Lokotsch, 549, tira do ár. durawa, debulho, donde, através de drawa, *drowa, o esp. it.

droga e o fr. drogue; rejeita derivação do

neerlandês, do persa dãru, medicina, do lat.

trochiscus, gr. trochískos, pílula, do eslavo dorg, caro” (Nascentes, 1955: 164).

“Do fr. drogue, ‘parmi les nombreuses hypothèses qu’on a formées pour expliquer l’origine de ce mot, deux méritent d’être retenues: le néerl. droog ‘sec’ (qui aurait donc été dit d’abord d’ingrédients séchés), et l’arabe durawã ‘balle de blé’, (qui serait devenu *drãwa, *drõwa, d’où les formes romanes)’, Bloch & Wartburg, s. v. Séc. XVI, no título da obra de Garcia de Orta: ‘Coloquios dos Simples e drogas e cousas medicinais da India...’ (1563) / Droguete do fr. droguet, ‘dit ainsi parce que le droguet était un étoffe de laine de bas prix’, Bloch & Wartburg, s. v. Séc. XIX (1813), Morais" (Machado, 1952: 799-800).

NO ITALIANO:“DRÒGA”

“1) f. (Ricettario fior.), -are (XIX sec.), -ato (XIX sec.), -herìa (XVI sec.; bottega del dr., XIX sec.), -hière (XVII sec.; f. –a, XIX sec.), -

hista (Magalotti); ogni sorta di spezierie o

aromi per ingredienti o condimenti, provenienti dall’Oriente; XX sec., anche stupefacente; fr. drogue (XIV sec.), -er (XVI sec.), -eur (a. 1642), -erie (a. 1462), -iste (a. 1549); etimologia incerta; forse dal basso ted. drooge [fate] i recipienti (botti) nei quali venivano spedite queste merci secche (droog); cfr. ingl. drugs (dragges, a. 1327), ted. Droge (dal fr.). Secondo altra ipotesi la v. si sarebbe diffusa dalla Spagna (droga, XIV sec.) e risalirebbe all’ar. durawã cascami di granaglie, attraverso *drãwa,

*drõwa. 2) f., bot.; tussilagine, bardana,

lappola; v. di area italiana settentr., propaggine it. della base prelatina dravuca [...] propr. pianta che cresce lungo i fiumi, cfr. trabuka [...] spiegato potamogéitön dallo Pseudo Dioscoride, che lo attribuisce ai Galli; forse relitto ligure (connesso colla base idronimica *drava; cfr. anche il gr.

drábë specie di crescione, ‘draba’), con

numerosi riflessi in territorio francese per indicare diverse piante infestanti (crf. fr.

droue loglio), passato anche al neoceltico e

al germ. Vedi ‘dragèa’” (Battisti, 1957)

NO FRANCÊS:"DROGUE“

"Famille d’une base germ. *drauz ‘sec’ (angl.

dry) à laquelle on peut rattacher: 1) Drogue

XIVe s., l’étymon le plus vraisemblable pour ce mot est le néerl. droog ‘sec’; le sens premier du mot serait ‘produits séchés’; XIVe s. ‘produit pharmaceutique ou tinctorial’, ‘remède de charlatan’; XXe s. ‘stupéfiant’; Droguerie XVe s.; Droguer, Droguiste XVIe s.; Droguet XVIe s. ‘étoffe sans valeur’, dér. de drogue ou sens de ‘chose de peu de prix’. 2) Drain XIXe s., agric . et méd.: mot angl., ‘fossé d’écoulement’, ‘égouttoir’, du verbe to drain ‘assécher’, de l’anc. angl. dreahnian; Drainer, Drainage XIXe s." (Picoche, 1971: 223).

"XIVe. Parmi les nombreuses hypothèses qu’on a formées pour expliquer l’origine de ce mot, deux méritent d’être retenues: le néerl. droog ‘sec’ (qui aurait donc été dit d’abord d’ingrédients séchés), et l’arabe durawã ‘balle de blé’, (qui serait devenu *drãwa, *drõwa, d’où les formes romanes). Le fait que l’it. et l’esp. droga sont postérieurs au mot fr., est favorable à l’étymologie néerl – Dér.: droguer, 1554; droguerie, 1462; droguet, 1554, dit ainsi parce que le droguet était une étoffe de laine de bas prix; drogueur, 1462; droguiste, 1549" (Bloch & Wartburg, 1950: 196).

NO INGLÊS:“DRUG”

“Medicinal substance. XIV. Late ME. pl.

drogges, drouges – (O) F. drogue(s), corr. to

Pr. drogua, Sp., Pg., It. droga, of much- disputed origin. / It is not certain that drug meaning ‘commodity no longer in demand and therefore valueless’ (XVII) is the same word in origin; but F. drogue is so used, beside

droguet. Hence drug vb. mix with a drug XVII

(Sh.); administer drugs to XVIII. So dru.ggist.

XVII. – F. droguiste. Cf. G. droge, drogist, Russ. drogíst" (Onions, 1966: 291).

NO ALEMÃO:“DROGE”

“w‚ (tierischer oder pflanzlicher) Rohstoff’: Im 16./17. Jh. aus frz. Drogue entlehnt, das wahrscheinlich zu ahd. → trocken gehört, und

zwar als Entlehnung aus dessen niederd. Form droge in der Fügung droge-fate ‚trockene Fässer’ – nämlich ‚Packfässer mit Trockenware’ –; das Wort dürfte dann irrtümlich als Warenbezeichnuung des Inhalts solcher Fässer verstanden worden sein. Abl.: Drogerie w ‚Drogenhandlung’ (16. Jh.; aus frz.

droguerie); Drogist m ‚Drogenhändler’ (16./17.

Jh.; aus frz. drogiste)“ (Drosdowski & Grebe, 1963: 119).

Corominas (Idem, ibidem) argumenta, no entanto, que “el punto flaco de esta etimología está en que el tráfico de drogas, al menos tal como hoy concebimos esta noción, en la Edad Media se practicaba sobre todo y casi únicamente por el Mediterráneo y no por el Báltico o el Mar del Norte”. Como todas as tentativas têm apresentado problemas, o autor sugere uma “idea nueva” que consiste em considerar as várias acepções pejorativas do vocábulo “droga”. De acordo com ele, embora seja possível acreditar que todas essas acepções pejorativas derivem da de “droga” pelo gosto desagradável delas, também é possível acreditar que o processo semântico se deu em direção oposta,

de suerte que un viejo adjetivo drogue se sustantivara como nombre del medicamento, no sólo a base de la idea de “brebaje desagradable”, sino también por la idea popular de que los medicamentos y ultramarinos poco conocidos son sustancias extrañas y perjudiciales, al menos poco dignas de confianza [...].

Así podríamos partir de un adjetivo bien arraigado en las lenguas célticas, general a todos los idiomas de esta familia: bret. droug, drouk adj. “mauveais”, m. “mal”, galés

drwg, córn. drog, irl. y gaél. droch íd. (base DRUKO- o DRUKKO-, quizá emparentada

con el ingl. dry, alem. trocken, “seco”...). Del bretón o del galés se habría propagado por Francia e Inglaterra, tomando el sentido de “droga” en los puertos occidentales de estos países, centro mundial del tráfico de drogas, y de ahí lo habría propagado el comercio por todo el mundo (Ibidem: 197).

Não deixa de ser curioso, entretanto, que o autor descarte a hipótese neerlandesa por conta da suposta inexistência de tráfico de “drogas” para além do Mediterrâneo e proponha a hipótese bretã ou gaulesa, afirmando que o vocábulo ganhou o sentido de “droga” (e o mundo) a partir dos portos desses países, “centro mundial del tráfico de drogas”... Em favor da hipótese neerlandesa, cabe considerar que as cidades flamengas estavam em plena efervescência, inclusive comercial, nos últimos séculos da Idade Média; que, embora o tráfico de “drogas” fosse mais acentuado nas cidades portuárias do Mediterrâneo, ele se fez presente na região dos Países Baixos (Pirenne, s/d: 151); e que foi nas regiões onde se falava o neerlandês ou em regiões próximas que se desenvolveram os hábitos da sociedade de corte que ficaram conhecidos como “etiqueta” (R. J. Ribeiro, 1983) e que tanto contribuíram para difundir o uso de “drogas”.

Em suma, controvérsias à parte, tudo indica que o sentido mais restritivo do vocábulo “droga” (o de substâncias “psicotrópicas”) é, de longe, o mais recente. Além disso, os sentidos mais amplos parecem estar entremeados e manter certa ambigüidade desde praticamente a emergência do vocábulo, que ocorreu

provavelmente no século XIV. Se, como afirma Elias (1939a: 68), “o aparecimento mais ou menos súbito de palavras em línguas quase sempre indica mudanças na vida do próprio povo, sobretudo quando os novos conceitos estão destinados a se tornarem fundamentais e de longa duração”, creio ser possível afiançar que a emergência do vocábulo “droga” é inseparável da constituição de novos horizontes sociais. Pois tudo indica que, diferentemente de inúmeras outras categorias “médicas” atualmente ainda em uso (tais como as de “saúde”, “doença”, “terapia”, “fármaco”, “dieta” e aquelas categorias vizinhas à de “droga” arroladas no Quadro 3, cujas origens remontam à Antiguidade greco-romana), o vocábulo “droga” emergiu dos contatos entre os povos europeus e seus “outros” (encarnados, na época, sobretudo pelos árabes e demais povos do Oriente), tais como eles se deram nos últimos séculos da Idade Média. Mais precisamente, ele emergiu no rescaldo das Cruzadas, quando entraram em curso de desenvolvimento, no mundo ocidental, quer as sociedades de corte e aquele processo que Elias chamou de “civilizatório” (Elias, 1939a), quer a fascinante e aterrorizante deriva cosmológico-topográfica em busca da Terra de Cocanha, do País da Canela, dos domínios de Preste João, das Ilhas Afortunadas, do Eldorado, em suma, do Paraíso Terreal que se materializou, entre outras coisas, na demanda por um tipo muito especial de mercadorias, as “drogas” ou “especiarias”, substâncias exóticas que teriam o “gosto do paraíso” (Schivelbusch, 1980: 3-14). Em sua busca, foram envidados os mais impressionantes esforços; ao seu redor, novos mundos foram-se constituindo, pari passu com novos agenciamentos coletivos de corporalização e enunciação. O mundo das “drogas” pertence a esses novos horizontes. É preciso descortiná-los.

CAPÍTULO 2: