3. CONCEPTUAL FRAMEWORK AND LITERATURE REVIEW
3.2 N ON - FORMAL EDUCATION (NFE) AS A CONCEPT AND PRACTICE - FIELD
3.2.5 Strengths and weaknesses of basic education NFE initiatives for children and young people
A agricultura orgânica no Brasil concentra-se em fornecer produtos de consumo direto, sendo os principais produtos os laticínios, conservas, hortaliças e frutas frescas comercializados em feiras e lojas de produtos naturais, sendo que este seguimento se consolida com aumento constante de consumo. Isto se apresenta como uma grande oportunidade para os pequenos produtores por necessitarem de diversificação da produção, pois tem maior facilidade de adaptação aos princípios da agricultura orgânica, que são: diversificação, integração da propriedade, indução do equilíbrio ecológico, reciclagem de nutrientes, insumos caseiros, conservação do solo e o controle de pragas e doenças na maneira ecológica.
A agricultura orgânica evidência o uso de adubos orgânicos produzidos na própria fazenda, sendo não agressiva ao meio ambiente, portanto, mais lucrativa para o produtor e às vezes com níveis de produtividade até maior do que a agricultura comercial, através práticas simples como o uso de produtos naturais e controladores biológicos de pragas e doenças e água de boa qualidade (EMATER, 2010).
A seguir destacamos a certificação orgânica implementada pela Fazenda Malunga, como sendo um exemplo de empreendimento de sucesso, através da combinação de um sistema de gestão inovador, moderno e responsável nas suas atividades, tendo como prioridade naquela propriedade rural, a busca contínua em todos os aspectos, a sustentabilidade ambiental.
Neste sentido, a Fazenda Malunga, de 129 hectares, localizada na Colônia Agrícola Lamarão, a 70 Km de Brasília, no Distrito Federal, deixou de ser apenas uma propriedade rural comum tornando-se destaque regional e até nacional, através da busca e inovação em diversos aspectos do seu processo produtivo. A propriedade conta atualmente com 240 funcionários, para atender a demanda de mão de obra direta e indireta, nas diversas etapas de produção e comercialização. Isto proporciona um faturamento bruto anual, em torno de dez milhões de reais.
Desde que surgiu, há 15 anos se tornou pioneira em agroecologia, através da produção de verduras, legumes e frutas sem agrotóxicos, além de fertilizantes. Graças a isso, conquistou um certificado de qualificação de produção resultando em um diferencial no mercado. A produção é destinada ao suprimento da demanda não apenas em supermercados, mas também em feiras e outros pontos de venda. A novidade na comercialização da produção não apenas a entrega em domicílio, mas seus produtos orgânicos podem também ser comprados pela internet.
A Fazenda Malunga participa do programa de qualidade total rural (QT Rural) do SEBRAE, que tem por fundamento a busca de informação como o insumo básico para obter lucro, portanto, investe maciçamente nas pessoas para formação do capital humano. Os funcionários, além do salário, têm participação no lucro da empresa (MADUREIRA, 2009).
Assim sendo, através dessa combinação e um sistema moderno de gestão e responsabilidade das suas atividades, a Fazenda Malunga prioriza alguns aspectos na busca da sustentabilidade, conforme destacamos a seguir:
MEIO AMBIENTE: O modelo utilizado é a harmonia com a natureza. Uma propriedade agroecológica trabalha com a integração de sistemas, diversificação de culturas e o mínimo de perdas energéticas. A propriedade deve primar pelo comprometimento com a auto sustentação do meio ambiente e a qualidade dos alimentos que produz. Não utilizar agrotóxicos ou venenos de maneira indiscriminada, pois o princípio básico, ao contrário é preservar e manter a vida em todos os níveis. As nascentes, os rios, a vegetação espontânea é protegida; a vida na terra e no ar é preservada.
AGROTÓXICOS: Os agrotóxicos foram concebidos como arma de guerra, desta maneira, não é de se estranhar, portanto, que matem pessoas. No sistema de produção convencional é incorporado, como sendo alta tecnologia e utilizados em larga escala. Por exemplo, uma lavoura de tomate recebe até 30 aplicações de veneno em quatro meses; no mesmo período uma lavoura de pimentão recebe 15 aplicações; em cinco meses uma lavoura de morango recebe 40 pulverizações com agrotóxicos. Na Fazenda Malunga, esta pratica foi banida, sendo que a mais de 12 anos não se utiliza agrotóxicos.
EMPREGOS: Por se tratar de uma atividade semi-artesanal, portanto, com utilização maciça de mão de obra, além de ser praticada em escala integral e diversificada, a agroecologia gera mais empregos que a agricultura convencional. São 240 empregos, sendo 130 diretamente na produção, o que gera uma receita anual na ordem de dez milhões de reais.
QUALIDADE: Os produtos gerados têm um alto valor biológico. São integrais. Não têm contaminantes químicos. No aspecto de qualidade quando se observa a densidade dos produtos orgânicos, estes têm maior durabilidade, além de sua agradável aparência, pois não há intermediários entre a unidade de produção e o consumidor, ou seja, com menos de 12 horas depois de produzido o alimento chega ao consumidor interessado.
SAÚDE: Sem os contaminantes químicos, como adubos e em especial os agrotóxicos, os alimentos da agroecologia são sempre mais saudáveis que os da agricultura convencional. Alimentos puros, limpos, significam mais saúde para quem os consome.
GARANTIA: A Fazenda Malunga é a única do Distrito Federal que é fiscalizada e certificada por duas associações, a Associação de Agricultura Ecológica (AGE) e a Associação de Agricultura Orgânica-SP (AAO) que possuem técnicos que periodicamente fazem visitas de orientação e controle no campo de produção. É pioneira e uma das introdutoras da tecnologia orgânica no Distrito Federal e tem autorização através de contrato
para utilização do selo orgânico das duas associações. Isto resulta em alimento orgânico isento de aditivos químicos e cultivados com a utilização de adubo natural, livre de inseticidas e fertilizantes. Sua forma de cultivo não agride a natureza e o produto final possui um teor nutritivo bem mais alto que o do alimento comum (FAZENDA MALUNGA, 2009).
Foto: Plantação de Alface Orgânica na Fazenda Malunga localizada na Colônia Agrícola Lamarão DF.
Fonte: COMUNIDADE VIP, 2010.
A alimentação à base de produtos orgânicos não se trata apenas de um hábito de alimentação saudável, a ideia vai muito além da preocupação com a saúde. O conceito une a consciência ambiental, o respeito à natureza, ao corpo humano e ao agricultor. A forma de produção orgânica é a mais respeitável e sustentável do planeta. Esta é forma de produção praticada pela Fazenda Malunga, que é considerada a maior propriedade produtora de hortaliças orgânicas da América Latina (MADUREIRA, 2009).
Os orgânicos vêm ganhando cada vez mais espaço na mesa do brasileiro. Com essa preocupação, o consumo de orgânicos no mundo cresce cerca de 30% ao ano, quando é possível afirmar que se trata de uma tendência mundial. Ressalta-se ainda o fato de que a produção desse tipo de produto remunera melhor o produtor, pois agrega valor ao produto, o que não acontece com a produção comum, onde o lucro é irrisório. O ciclo da cultura do orgânico é o mesmo tempo, o que acontece é que o adubo orgânico viabiliza nutrientes para a planta de uma forma mais lenta, o que faz com que ela tenha mais equilíbrio (HARKALY, 2009).
Os três pilares do alimento orgânico são: ambientalmente correto, socialmente justo e economicamente viável. Assim sendo, o produto orgânico que vai à mesa é um alimento saudável, limpo e sem adubos químicos sintéticos e agrotóxicos. Inseticidas, fungicidas, herbicidas e fertilizantes químicos solúveis são alguns dos elementos que a agricultura convencional emprega para produzir alimentos. O resultado final desse processo são
alimentos de baixo valor nutricional, cuja toxicidade pode ser a causa de muitas doenças do homem moderno (EMATER/DF, 2010).
Os produtos orgânicos, por sua vez, provêm de sistemas fundamentados por processos naturais, que não agridem a natureza, mantendo a vida do solo inalterada. As técnicas utilizadas são o manejo orgânico do solo, a diversidade de culturas e explorações, a adubação verde, a compostagem, entre outras, que garantem a qualidade biológica dos alimentos.
A utilização dos produtos químicos na agricultura convencional traz danos enormes ao solo, à fauna e à flora, ameaça à vida dos rios e coloca em risco constante a saúde do trabalhador rural e do consumidor urbano. Por outro lado, a Agricultura Orgânica é uma forma agroecológica de produção que vai de encontro à preocupação do homem moderno com a preservação do meio ambiente.
O produto orgânico engloba não apenas hortaliças livres de agrotóxico. É possível dizer que tudo o que é consumido pode ser produzido de forma orgânica, até mesmo a carne. O alimento orgânico possui um alto valor biológico e tem uma durabilidade maior. Folhas, frutas, grãos, leguminosas são alguns itens que já podem ser encontrados com facilidade em supermercados.
Os produtos orgânicos também já fazem parte de alguns cardápios de estabelecimentos da cidade. O movimento preza pelo direito ao prazer de se alimentar utilizando ingredientes artesanais e produzidos de forma que respeite o meio ambiente e as pessoas responsáveis pela produção, ou seja, mais uma opção de alimentação natural e orgânica (COELHO, 2001).
Nos estabelecimentos de gastronomia saudável, os produtos dessa natureza estão presentes em quase 90% do cardápio, mas a meta é atingir 100% dos itens orgânicos. Isso porque Brasília tem ainda algumas dificuldades na produção deste tipo de alimento. Os estabelecimentos têm por proposta viabilizar a alimentação saudável, nutritiva e balanceada com muito sabor, este é o conceito slow food Consumidores ainda têm certo preconceito e acham que a comida natural não é saborosa e não tem tempero. A proposta é justamente mostrar para o cliente consumidor que ele pode ter acesso à alta gastronomia natural com muito sabor (EMATER/DF, 2009).
Outro conceito: o “raw food”, que significa culinária viva. A ideia da cozinha viva é o consumo do alimento o mais in natura possível, por isso o cozimento não deve ser submetido a altas temperaturas. A receita que leva esse conceito é submetida à temperatura máxima de
43ºC. Grãos, sementes, folhas verdes, cogumelos, algas, especiarias e frutas formam a base da alimentação raw food. Já as carnes, laticínios e produtos refinados geralmente não são bem- vindos para os que seguem este conceito de alimentação. Além dos pratos, os sucos são uma atração à parte. Misturas inusitadas e receitas como o suco da terra são feitas sem adição de açúcar que não seja orgânico, assim como os doces da casa (EMATER/DF, 2009).