• No results found

5. FINDINGS

5.2 E NROLMENT IN ABE

Conforme exposto anteriormente, a necessidade da proposta deste trabalho surgiu devido a confirmações de algumas suposições com a utilização de outro ambiente Web, o doceNet (BRITO, 2006), que teve sua concepção inicial apresentada em (BRITO et al., 2005) e (BRITO et. al, 2006) e sua prototipagem em (CRISPIM et al., 2007). O doceNet oferece suporte aos professores de uma Instituição de Ensino Superior (IES), de uma mesma área temática, para o aperfeiçoamento contínuo e de maneira colaborativa de

material instrucional, vislumbrando um melhor aproveitamento dos conhecimentos e das experiências docentes. Busca-se esse aperfeiçoamento de material instrucional através do compartilhamento de experiências, sejam elas positivas ou negativas, que os professores vivenciam ao ministrar aulas com o material corrente.

Por meio desse ambiente, as discussões entre os docentes são estruturadas e organizadas de tal forma que os materiais instrucionais possam ser revisados e, quando necessário, melhorados, e as experiências que motivaram essas revisões sejam registradas e anexadas aos respectivos materiais. Pretende-se, assim, além da melhoria contínua de material instrucional, transformar o conhecimento individual em conhecimento coletivo, podendo aprimorar competências e habilidades e trazendo um diferencial às pessoas e à instituição envolvidas (CRISPIM et al., 2007). A Figura 20 mostra a concepção do ambiente em termos da organização da disciplina e da Fábrica de Experiências.

Figura 20: Concepção do doceNet (BRITO, 2006)

A organização de uma disciplina é composta pelas quatro primeiras fases da Fábrica de Experiências (CRISPIM et al., 2007):

1. Caracterizar - fase que identifica uma disciplina na instituição,

permitindo uma busca futura pelos professores sobre características da disciplina;

2. Definição dos objetivos - onde são definidos objetivos e métricas

educacionais para uma disciplina;

3. Escolher processo - fase em que o professor define a

metodologia de ensino e planeja as atividades a serem realizadas pelos estudantes durante o semestre (cronograma);

4. Executar o processo - nessa fase o professor executa e

eventualmente re-planeja o cronograma da disciplina. É a fase para coleta de experiências de sala de aula.

De acordo com CRISPIM et al. (2007), enquanto o professor planeja a disciplina ele possui total privacidade para a elaboração de seus materiais instrucionais por meio do Modelo Individual, que é visualizado e controlado somente pelo docente proprietário. Ao iniciar a execução do cronograma, o docente pode se deparar com problemas, dúvidas, novas idéias e sugestões que podem causar algumas mudanças ou evoluções em seus materiais, podendo elaborá-las em seu Modelo Individual. Em seguida, o docente pode transferir as alterações para o Modelo de Colaboração, compartilhando e discutindo tais alterações com os outros docentes da mesma área temática. Essas discussões caracterizam a próxima fase da Fábrica de Experiências (CRISPIM et al., 2007):

5. Analisar - acontece em paralelo à fase de execução. Nessa fase

que são trocadas experiências e conhecimentos entre os docentes, permitindo uma discussão estruturada e direcionada a cada material instrucional, ocorrendo durante todo o período letivo. Finalmente, a última fase da Fábrica de Experiências:

6. Empacotar – nessa fase os docentes devem chegar a um consenso

que, no ambiente doceNet, é alcançado por meio de votações das discussões realizadas. As soluções/sugestões/idéias mais votadas são então armazenadas no Modelo Global, sob a supervisão do Coordenador da área temática, para futuras buscas e auxílio às atividades docentes.

No segundo semestre de 2007, foi realizado um teste em campo do doceNet e algumas suposições a respeito de tal ambiente foram confirmadas:

• Necessidade de dar continuidade às discussões das experiências além do período previsto pelo ambiente, uma vez que as discussões no

doceNet são realizadas somente ao longo de um semestre, sendo encerradas com a fase de empacotamento da Fábrica de Experiências;

• Disponibilizar as experiências para os docentes de outras subáreas temáticas e também permitir que eles possam contribuir com suas experiências e opiniões;

• Possibilitar que contribuições, seja no registro de experiências ou nas discussões, possam ser feitas de maneira não-estruturada, para facilitar as contribuições;

• Fornecer anotações semânticas às experiências para promover a recuperação mais consistente dessas experiências. É importante, entretanto, que essas propriedades possam ser realizadas de maneira acessível à maioria dos usuários, para que não se tornem motivo de inibição ao usuário.

Dadas as razões acima, propõe-se a interação do doceNet com um novo ambiente denominado experiWiki (GONÇALVES et al., 2007) (GONÇALVES

et al., 2007a). A Figura 21 ilustra essa interação.

Figura 21: Interação entre experiWiki e o doceNet

No Passo 1 o experiWiki é povoado com as experiências existentes no doceNet. Além disso, são disponibilizados os primeiros dados estruturados para a anotação das experiências. No Passo 2 o ambiente é usado pelos

Passo 2 Passo 1

docentes, que registram experiências diretamente no experiWiki, além de participarem de discussões e de anotar semanticamente as experiências. No

Passo 3 os dados estruturados são exportados do experiWiki para servir como

suporte para os metadados do doceNet. O detalhamento da interação entre os ambientes e os papéis dos atores envolvidos é exposto nas próximas seções. Por enquanto, será dada uma visão geral do experiWiki e de sua relação com o doceNet.

O experiWiki é um ambiente Web que tem como plataforma um Wiki Semântico. Esse ambiente é aberto à colaboração de docentes das diversas áreas temáticas de uma Instituição de Ensino Superior. As colaborações esperadas são registros de experiências dos docentes e as discussões em torno dessas experiências. Para a realização de tais colaborações, é previsto que o ambiente esteja continuamente aberto e abranja as diferentes áreas temáticas da Instituição, suprimindo, assim, duas necessidades percebidas no doceNet.

Pretende-se com a característica wiki do experiWiki possibilitar que o registro das experiências docentes seja de forma não-estruturada, exigindo, assim, pouco conhecimento técnico pelos usuários. Ao mesmo tempo em que, por ser um wiki semântico, são atribuídos dados estruturados aos registros de experiência por meio de anotações semânticas feitas no ambiente, permitindo uma recuperação mais consistente das experiências. No desenvolvimento do ambiente também é buscado que as anotações semânticas sejam realizadas por usuários com diversos níveis de conhecimento técnico.

Os dados estruturados que são dinamicamente definidos e modificados no experiWiki servem como suporte para o desenvolvimento e manutenção dos metadados semânticos do doceNet. Como dito anteriormente no capítulo 2, o doceNet usa a abordagem de metadados para suas experiências e seus Objetos de Aprendizagem. Dessa forma, também enfrenta as dificuldades que tal abordagem traz quanto à recuperação dos materiais que os metadados descrevem. Os metadados semânticos podem proporcionar uma recuperação mais consistente das experiências armazenadas no doceNet e, consequentemente, dos respectivos Objetos de Aprendizagem.

Nesta seção foi apresentada uma contextualização do ambiente proposto por meio de uma visão geral de suas características. Nas próximas seções, o

desenvolvimento do novo ambiente e sua interação com o doceNet são abordados com maior profundidade.