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The improved Bagadus Panorama Stitcher Pipeline

4.5 Pipeline module details

4.5.9 Stitching the frames together - The Stitcher module

O caráter folclórico de que fala Freyre (1959) pode explicar os diversos enfoques e tratamentos dados por historiadores da Igreja, incluindo os próprios franciscanos sobre a circulação de frades no território brasileiro desde a chegada dos portugueses.

Ilustrando práticas que se tornaram populares no país, Binzer (1994), ao descrever o ambiente onde se instalavam as elites rurais no Império, faz referência ao costume brasileiro de confiar ao santo suas propriedades:

Não é nada extraordinário que esta fazenda se chame São Francisco; seria, ao contrário, fora do comum, se tivesse outro nome. Vinte e um lugarejos no Brasil usam o nome de São Francisco e as plantações que este santo tão querido deve tomar sob sua guarda são legião (BINZER, 1994, p. 17).

Rower (1947) sintetiza a saga da presença e atuação dos primeiros franciscanos em diferentes localidades da colônia, enfatizando o caráter de pioneirismo da Ordem.

A primeira Missa no Brasil é celebrada e o primeiro contato religioso com os índios é estabelecido por Franciscanos; os primeiros missionários são Franciscanos; a primeira capela é dedicada a São Francisco e o próprio sangue mártir, a fecundar a seara do Senhor, é sangue franciscano. O Brasil nasceu franciscano para a civilização cristã (ROWER, 1947, p. 29).

Explica Freyre (1959), que não é possível conceber o cristianismo sem a presença do franciscanismo. A Igreja Católica se nutre da pluralidade e da diversidade de ordens religiosas que, a seu modo colaboram na divulgação dos princípios da fé cristã. Ao mesmo tempo, a face do cristianismo é marcada igualmente pela presença dos anti-cristãos e dos inimigos. A Igreja Católica e o Cristianismo são unos e plurais no dizer do autor. No destaque à presença franciscana o Brasil:

A marca franciscana sobre o Brasil, a despeito da escassez de documentação escrita sobre os feitos de padres outrora vestidos de cinzento e hoje de pardo – como que para se esquivarem, por extremo de humildade, dos olhos dos próprios historiadores mais fascinados pelo preto das casacas ilustres e das batinas mais solenemente oficiais, pelo vermelho, pelo azul, pelo verde, pelo roxo dos uniformes, das fardas, das murças, das togas, dos trajes de gala – é uma marca que hoje – quando o estudo do passado humano não se faz somente pelos papéis guardados nos arquivos, mas também por meios sutilmente psicológicos e capazes, às vêzes, de corrigir exageros dos mesmos papéis – avulta dos dias mais remotos da formação brasileira, com o relevo de uma influência decisiva sobre a vida de nossa gente (FREYRE, 1959, p. 18-19).

A ação missionária desenvolvida em meio a diferentes culturas e nações, segundo Freyre, coloca o franciscano na condição tanto de difusor do cristianismo como de transformação se si mesmo em alguém que é modificado pela influência do contexto vivido. Assim:

Na verdade, o franciscano típico talvez seja hoje, como há quatrocentos anos, uma combinação ideal desses dois tipos. Pois de tanto entregar-se à missão de influir pelo cristianismo sobre os outros homens, por mais distantes dele pela condição, pela raça, pela cor, pela cultura, ele vem aprendendo a se transformar também a si próprio em melhor cristão. Que isso de ser bom cristão talvez não signifique nunca intransigência do indivíduo ou do grupo que represente um tipo imperial de civilização, antes em parte cristianizada que cristã, em face de outras civilizações susceptíveis e, a seu modo, se transformarem em novas civilizações pela influência do cristianismo (FREYRE, 1959, p. 19).

Ao referir-se a alguns relatos de cronistas sobre o Brasil do século XVI, a respeito das sociedades indígenas e da natureza tropical, Freyre compara essa forma de interpretação ao espírito franciscano, despojado, pragmático e experimental, que contrasta, sobremaneira, com modelo europeu de ensino e de cultura de ênfase mais propedêutica.

Em todos eles há aquele “pragmatismo experimental” dos franciscanos em face do mundo; aquele seu gosto pelo estudo direto da natureza diferente da européia; sua humildade diante dos fatos; sua capacidade de entusiasmo por cores e formas de gente e de paisagem, diferentes das clássicas ou das greco-romanas (FREYRE, 1959, p. 60).

Ao provocar um diálogo sobre o modelo jesuítico de organização institucional e educacional, Freyre (1959) não economiza argumentos para realçar os contrastes observados na comparação com ambas as ordens religiosas:

Daí aquela orientação social da parte dos franciscanos, quando autenticamente franciscanos nos sentimentos e não apenas nos hábitos, no sentido de estenderem sua assistência aos pobres: orientação que na América parecer vir resultando desde dias remotos na sua maior identificação que a de outras ordens, com a gente mais simples e até mais rudes das populações, sem desprezo nem pela mais inteligente nem pela mais culta. Também na sua maior contribuição, senão na América inteira, em algumas das suas regiões, para o obra imensa, realizada pela civilização hispânica, de assimilação de valores rusticamente indígenas desdenhados por europeus de feitio pedantemente erudito: plantas, alimentos, remédios, bebidas, animais domésticos. E, ainda, na valorização, por eles promovida sempre que se conservaram fiéis aos princípios franciscanos, não só dos estudos em escolas que se tornaram célebres pelos seus mestres de latim de filosofia como do aprendizado das artes e dos ofícios, desdenhado por outros missionários no Brasil; e em conseqüência do que cedo se desenvolveu entre nós, com excessivo pendor para o mais estéril dos bacharelismos, o desprezo pelas atividades manuais e técnicas. Desprezo favorecido, sobretudo – reconheça-se – pelo regime de trabalho escravo; mas que talvez não tivesse se tornado tão grande em nosso país se o ensino no Brasil, houvesse sido dominado principalmente por franciscanos que, fiéis ao franciscanismo, tivessem comunicado aos seus alunos, com o gosto pelo “pragmatismo experimental”e pelas ciências da natureza, o respeito pelo trabalho manual, pelas artes do artesão, pelas técnicas úteis às comunidades pioneiras (FREYRE, 1959, p. 60-61).

Entusiasta das comparações, o autor utiliza um interessante exemplo, ao referenciar um literato clássico português, de formação igualmente erudita, fundada no modelo jesuítico, o qual, na leitura de Freyre (1959), não prescinde da admiração ao modo de vida e à experiência franciscana, conforme mostra no fragmento a seguir.

Camões foi também franciscano em alguns dos aspectos mais característicos do seu viver no Oriente, onde não buscou riqueza nem fortuna nem poder, mas experiência. Extensão de vida. Intensificação de conhecimento. Alargamento de saber pelo contacto com gentes e terras estranhas, de onde voltou pobre. Onde teve aventuras que de ordinário só os pobres pode ter. Onde confraternizou do modo mais íntimo com pessoas de cor. Onde se maravilhou liricamente com a “vária cor” dos trópicos, vendo-a com olhos abertos a novas experiências ou a novas sensações da natureza. Em todos esses aspectos do comportamento de Camões no Oriente pode-se entrever influência franciscana (FREYRE, 1959, p. 59-60).

Sem a intenção de alimentar propriamente o fórum de debates e disputas entre as duas ordens, esses contrastes sugeridos na citação acima nos indica outras possibilidades para interpretar e compreender a ação franciscana. Ao partir do velho continente, alicerça suas bases missionárias na América e, no século XX consolida seus domínios na direção da América do Sul. É possível que as características mencionadas por Freyre, especialmente em relação ao caráter pragmático e experimental, possam ter sido aperfeiçoadas no contexto americano e inspirado diferentes aspectos da obra missionária no Brasil.

É Rower (1947) quem registra a síntese da formação do Comissariado Franciscano em Goiás, nos seguintes termos:

No ano de 1943 deu-se início a mais um Comissariado, o do Santíssimo Nome de Jesus no Estado de Goiás. Quando, em maio daquele ano, o Prelado da Província da Conceição, Frei Mateus Hoepers esteve em visita canônica no Comissariado franciscano de Nossa Senhora dos Prazeres no Estado de Mato-Grosso, teve ocasião de observar a falta de sacerdotes em Goiás. Lembrando-se também ele do estado florescente da Ordem franciscana na América do Norte, dirigiu-se ao já mencionado Delegado Geral com o pedido de enviar Religiosos ao Estado de Goiás. Foi Feliz. A Província do Santíssimo Nome de Jesus aceitou a incumbência de formar naquele Estado um Comissariado. Em Setembro de 1943 chegaram 9 sacerdotes e 5 irmãos leigos, que se demoraram alguns dias com os confrades em São Paulo e partiram ao seu destino. Associaram-se outros em 1944 e 45, de modo que hoje são: sacerdotes, 15; Irmãos leigos, 4 (ROWER, 1947, p. 92).

Este mesmo autor, ao traçar o percurso dos Frades Franciscanos no Brasil, alguns aspectos chamam a nossa atenção. Primeiro não comentários sobre a presença de franciscanos em Goiás (avulsos ou definitivos) antes deste registro sobre a composição de um Comissariado. Segundo, na caracterização de vários mapas onde mostra o alcance dos franciscanos a territórios longínquos na direção sul e norte ao longo do litoral, o avanço no sentido do Estado do Amazonas, passando pelo Mato Grosso há indicações sobre Goiás. O Estado surge somente neste registro em que indica formalmente a presença franciscana pela chegada dos americanos e composição do Comissariado.

Entretanto há outras leituras e referências que mostram outros aspectos. Tanto nos registros de Dom Emmanuel, bispo goiano, quanto nas correspondências encaminhadas

aos Estados Unidos, através da Província da Imaculada Conceição, de São Paulo, encontramos insistentes alusões ao trabalho e à presença de frades em Goiás na década de 1940.

Localizei também um registro nos Anais da Província em que o relator faz uma síntese da presença franciscana em Goiás, possivelmente alimentada por algum documento biográfico interno da Ordem ou mesmo pela consulta a diferentes manuscritos históricos sobre o tema.

Após referir-se à presença franciscana no território goiano, acompanhando bandeiras e exploradores ou adentrando a região por outras vias de chegada e percursos distintos pelo Estado. Entradas pelo Maranhão, Espírito Santo e Bahia são alguns exemplos citados. O relator considera que estes frades tinham diferentes origens e não dispunham de projeto para fixar residência definitiva aqui: “Todos os frades nas três primeiras aparições dos Franciscanos em Goiás parecem ter origem portuguesa. Frei Antonio do Extremo parece ter sido um nativo nascido brasileiro. Os contingentes da quinta e sexta representam duas outras nacionalidades - alemão e americano, respectivamente” (ANAIS DA PROVÍNCIA, vol. XXI, [inverno], n. 01, 1964, p. 48).

Em outro registro, o amplo espectro que envolve as diferentes ramificações da Ordem franciscana e os campos de atuação pastoral é assim retratado.

A FAMÍLIA FRANCISCANA EM GOIÁS. Por fr. Edmundo A. Fox.

A família franciscana em Goiás inclui não apenas os três ramos da Primeira Ordem, mas também as da segunda ordem, a Ordem Terceira - regular e secular - e de uma sociedade recém-criada catequética formada sob inspiração e orientação franciscana. O trabalho missionário pioneiro em Goiás foi realizado por missionários franciscanos, até onde os jesuítas chegaram só no final do século 17. Após a supressão dos jesuítas em 1759, Goiás permaneceu sem qualquer atenção de ordens missionárias, exceto por algumas visitas esporádicas de alguns franciscanos.

O primeiro esforço missionário contínuo dos tempos mais modernos veio em 1840, quando os capuchinhos italianos empreenderam a evangelização em Goiás. Desde então, muitos outros membros da família franciscana tem retomado o trabalho no Estado, entre eles, claro, a nossa Província do Santíssimo Nome de Jesus.

O seguinte é um pouco do retrato da atividade da família franciscana em Goiás. Os Capuchinhos trabalhavam na zona norte de São Paulo. Eles estabeleceram freguesias e um extenso trabalho de catequese entre os índios. Uma das freguesias que eles estabeleceram está sob os cuidados dos frades da Província do Santíssimo Nome, parte de cujo Comissariado em Goiás está na Prelazia do Bispo Schuck de Cristalândia. Em 1960, Pe. Andrew Quinn se tornou o segundo pastor residente da Província de Nossa Senhora da Freguesia de Araguacema. Seu primeiro pastor residente foi o venerado Frei Francisco de Monsanvito, OFM Cap., que morreu em 1873. Devido à impossibilidade de fornecimento de energia e porque os missionários estavam vivendo em isolamento um do outro e da Ordem, os capuchinhos retornaram à Itália, em 1881, o pequeno número de seus homens em Goiás. Exceto por raras missões paroquiais, os capuchinhos permaneceram inativos em Goiás de 1881 até 1957. Desde 1957 os membros da Província dos Capuchinhos

do Brasil estão localizados em Anápolis, a cuidar de uma paróquia vizinha àquela dos franciscanos da Província do Santíssimo Nome de Jesus (ANAIS DA PROVÍNCIA, vol. XXI [primavera-verão], n. 2, 3. 1964, p. 151-152).

Por estes registros, foi possível constatar que mesmo sem a fixação de um Comissariado, os franciscanos marcaram presença em Goiás em diferentes épocas e atuaram em missões temporárias, enfrentando dificuldades de acesso e precárias condições de permanência. Esses diversos enfoques da história da igreja no registro da história franciscana em Goiás podem indicar que vários documentos e fontes, inclusive pelo empenho interno da própria Ordem subsidiam essa memória histórica e fundamenta outras tantas interpretações.

3.4 Franciscanos americanos em Goiás: com o povo, no meio do povo – uma obra missionária construída a muitas mãos

3.4.1 No princípio: chegada e preparação para o trabalho missionário

A devoção aos Santos é muito forte - tão forte de fato, que é quase fora de proporção com as obrigações mais importantes da nossa santa religião. No entanto, provavelmente, é apenas esta profunda reverência aos Santos que manteve a chama viva do catolicismo e o protestantismo preveniu de fazer muito progresso, o analfabetismo é quase universal nos distritos afora, embora haja uma forte tendência despertando agora para a escolaridade. O elemento protestante está fazendo o desejo capital do povo para a educação através da criação de escolas em cada cidade importante. Na verdade, eles têm roubado a liderança a nós católicos, a este respeito – devido, provavelmente, pelos fundos abundantes que recebem dos Estados Unidos e Canadá. Nosso Arcebispo fez progressos consideráveis no domínio da educação durante os vinte anos que ele está no cargo. Percebendo a sua importância absoluta, que mais ardentemente deseja construir escolas e assumir o trabalho da educação (ANAIS DA PROVÍNCIA, vol. IV, n. 5, Janeiro, 1944, p. 356 a 360).

Em 1945, após um ano da chegada dos primeiros frades em Goiás, o insistente apelo para que as Irmãs Franciscanas de Alleganay fossem enviadas para colaborar com o seu trabalho evangelizador e missionário foi discutido entre os principais representantes das duas Congregações, no Brasil e nos Estados Unidos.

Senti desde o início que Irmãs seriam indispensáveis na realização do trabalho aqui, mas eu propositadamente deixe ir por um ano, a fim de ter certeza de que eu deveria ver as coisas em sua verdadeira luz. - E o indispensável no começo é agora uma necessidade absoluta. Eu não acredito que estou a exagerar quando digo que precisamos das irmãs como nós precisamos urgentemente de sacerdotes. Quando o

Padre Provincial esteve aqui recentemente, falei sobre o assunto com ele longamente, e ele está de pleno acordo (CARTA 1 de 16/02/1945).

As possibilidades de expansão e crescimento da ordem franciscana foram mencionadas de forma persuasiva para que a missão feminina fosse instalada, com o apoio dos Frades Menores.

O campo de trabalho aqui é muito grande, além da imaginação - quase ilimitada. Há poucos padres que podem dar ao povo apenas uma quantidade limitada de atenção. No entanto, as pessoas são praticamente todas católicas, embora, naturalmente, elas pouco ou nada sabem sobre sua religião. O Padre Provincial já enviou treze sacerdotes e cinco irmãos aqui, e pretende enviar mais – mas eu sei que ele está fazendo apenas no sacrifício. E no pouco tempo que temos de ação aqui, Deus tem abençoado o nosso trabalho com sucesso para além das nossas mais caras esperanças – provavelmente por causa do sacrifício. Não há a mais leve dúvida de que o nosso Comissariado será uma fundação, onde homens e mulheres possam trabalhar para Deus e as almas. É um campo onde são urgentemente necessários, e onde seu trabalho dará frutos a cem - Não, mil (CARTA 1 de 16/02/1945).

Goiás constituía em um Estado promissor para os desígnios da fé Católica. Além de um vasto campo de trabalho, havia, ainda, as expectativas com relação ao que se poderia fazer em termos institucionais: formalizar a presença e a existência dos Franciscanos aqui através da criação de um novo Comissariado, de uma nova Congregação. Os filhos e filhas de São Francisco encontravam as possibilidades concretas de fincar suas raízes no “Coração do Brasil”, ramificar suas instituições-filhas, orientadas e subsidiadas pela instituição-mãe nos Estados Unidos. Esta premissa é válida para ambas as Ordens – Frades e Irmãs – Franciscanas. Observa-se que o intento de educar para manter a fé católica se impõe na obra missionária.

Esta parte do vasto reino de Deus é verdadeiramente "branca até a colheita", mas a colheita depende da semente porque há tão poucos ceifeiros. É preciso agarrar as oportunidades que estamos nas missões. Elas estão trabalhando com zelo, são espertas o bastante para trabalhar no campo, onde o grão é colhido mais facilmente, o campo da educação. Nós, sacerdotes, podemos continuar a formar os casamentos, visitar os doentes, administrar os sacramentos aos que virão. Isso é apenas manter viva a fé, e isso não é suficiente. É impossível trazer grandes mudanças na vida dos adultos. Para conseguir resultados reais da formação deve começar com as crianças (CARTA 1 de 16/02/1945).

Ancorada na experiência das Irmãs pela atuação no campo missionário em outros países, a resposta oficial retornaria de Allegany num tom otimista e seriamente comprometido com o alcance e a exigência do trabalho e da vida missionária:

Nossas conselheiras foram unânimes em aceitar o trabalho missionário no Brasil. Nós colocamos a nossa confiança em Deus, sabendo que ele vai fornecer as Irmãs e irá inspirar-me para enviar as mais acertadas. Estaremos prontas para fevereiro de 1946.

Sugerimos o envio de cerca de quatro Irmãs para iniciar os trabalhos – duas poderiam viver em cada escola para o presente. Gradualmente, podemos aumentar os números. Vou fazer as condições bastante claras para as que estão indo. No entanto, eu não tenho medo. A maioria de nossas irmãs é realmente desprovida de apego material. Uma teria que ver só seu trabalho na Jamaica para ser convencida disso. Deus tem algo muito especial para o tipo certo de missionário (CARTA 2 – 30/03/1945).

Ao assumir a proposta, as Irmãs Franciscanas de Allegany tinham o desafio de desbravar novos territórios e lançar suas raízes em lugares desconhecidos. Mas isso não as intimidou porque as voluntárias que se apresentaram para a missão, além de preparadas, já possuíam experiência no trabalho missionário com outras culturas e outros povos.

Assim, os apelos do bispo Dom Emmanuel ecoaram na América, despertou a sensibilidade das Irmãs Franciscanas para a missão brasileira estabelecida em estreita colaboração com os Frades Menores, seguindo o exemplo de experiências já concretizadas nos Estados Unidos e em outros países da América Latina, Índia e África.

Só depois eu enviei minha carta para você – há uma semana é que sua carta de 16 de novembro veio. Escusado será dizer que gostei muito dela, como fizeram os outros padres também. Você vai amar o trabalho no Brasil. Eu ainda insisto que você e a irmã Rosalima são os membros mais afortunados da sua Província (CARTA 9 – 03/12/1945).

As instruções sobre as prioridades no material que deveria ser preparado pelas irmãs e a forma mais adequada de trazê-lo foram recomendadas pelo provincial de Goiás, com riqueza de detalhes. Os fardos e malas que poderiam passar tranquilamente pela alfândega; o tipo de material que traria dificuldade para a entrada no Brasil, as possibilidades de conexões aérea ou marítima para passar pela aduaneira, tudo foi indicado na correspondência oficial preservada, referente ao período que antecedeu à vinda das Irmãs de Allegany para o solo brasileiro.

A lista de produtos a serem inseridos na bagagem é extensa, começa por objetos de uso pessoal, como tecido para altar, hábitos e vestimentas, remédios para determinadas moléstias, utensílios de cozinha, alfaias para o culto, material litúrgico até máquinas de costura, órgão, máquinas de datilografia, pares de óculos, etc. Há, também, recomendações expressas para que o cuidado com a saúde e os dentes não sejam esquecidos,