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4.13 Issues and improvements

Para operacionalizar este visionário plano ultramontano de ação pastoral da Santa Sé, conduzido no Brasil pelos bispados seria necessário contar com a colaboração missionária de outros países, que dispunham de muitos pastores para pouco rebanho. A situação financeira de ordens e institutos religiosos de países europeus e norte-americanos seria relativamente favorável se comparada à situação brasileira. Havia ainda a expectativa de se fazer de uma missão a oportunidade para incursões num país marcado por diversos processos de colonização e migração, com disparidades demográficas e sociais.

O Brasil precisa desesperadamente de mais sacerdotes, milhares deles. Nós somos capazes de levar nossos serviços para apenas uma pequena fração da população: a cerca de duzentos mil dos cinqüenta milhões. O território atribuído pela Ordem a nossa província é todo o Estado de Goiás - e Goiás é seis vezes o tamanho do Estado de Nova York. Por conseguinte, quaisquer frades jovens que aspiram a vir para o Brasil não precisa temer de não ter nada para fazer. Quase literalmente, o campo é ilimitado. Ergue-se "branco até a colheita", à espera de "ceifeiros" mais e ainda mais (ANAIS DA PROVÍNCIA, vol. XI, 1954, p. 72).

Na visão das irmãs, o empreendimento missionário dos franciscanos americanos em Goiás foi reconhecido pelas Irmãs de Nova York, vinte e cinco depois.

O que a Madre Marianna conta do Brasil, como ela descreveu em sua primeira carta de 27 de fevereiro de 1946, nos ajuda a perceber o que esses novos missionários enfrentaram. "Ninguém pode superestimar o trabalho a ser feito no Brasil, imagino que o futuro da Igreja na América do Sul depende muito dele. O estado de prontidão (inquietação) para essa responsabilidade é um suportável abrigo” (ZEAL spring ISSUE, Allegany, NY, 1986, p. 10-12).

A respeito da atuação das ordens religiosas estrangeiras no país, embora não tenha localizado pesquisas específicas sobre isso, Azzi (2008, p. 55) explica que, do ponto de vista da Igreja, constatada a carência de religiosos nativos, os bispos avaliam que “em meados dos anos 1960, foi feita a avaliação da atuação missionária por parte de uma centena de bispos da Americana Latina. A grande maioria reconhecia a importância da colaboração estrangeira a título de suplência, em vista da escassez do clero local”.

3.4.3 Os Frades e Irmãos Franciscanos

A saga da chegada dos frades e das irmãs franciscanas para a missão no Brasil foi descrita em diferentes registros oficiais, alguns na forma de comunicados às sedes, informando e caracterizando a chegada, em outros, eram relembrados pelos diferentes sujeitos que dela participaram.

Imagine você o Oeste dos Estados Unidos, 60 ou 70 anos atrás, com suas oportunidades de ouro para aqueles que saíram para apreendê-las, você tem um quadro bastante preciso de Goiás hoje. A civilização então desenvolvida no Oriente e no Ocidente era selvagem –, mas a mudança foi rápida. No Brasil, hoje, a civilização desenvolvida, está perto do litoral, mas há um impulso poderoso para o interior, principalmente para Goiás, onde as oportunidades são bem douradas (de ouro). [...] Goiás é predestinado por ter um clima mais flexível em toda a América do Sul. O brasileiro é um povo amável e tolerante e grandes admiradores dos norte- americanos (ANAIS DA PROVÍNCIA, vol. IV, n. 5, Janeiro, 1944, p. 356).48

Superadas as primeiras dificuldades de percurso impostas pelas restrições impostas pela II Guerra Mundial, ao pisar em solo goiano, um a um os demais desafios deveriam ser conhecidos e enfrentados pelos missionários.

No dia 24, partimos para os nossos destinos, e mais uma vez eu estava com o último grupo para deixar São Paulo em 26 de janeiro, chegando a 28 em Catalão, onde

48 A descrição feita pelos primeiros missionários americanos sobre as condições encontradas nas paróquias onde

se instalaram inicialmente (Catalão, Pires do Rio e Pirenópolis), lembra os relatos do jesuíta Anchieta ao descrever São Paulo no século XVI.

fomos primeiro. Como não sabíamos onde iríamos ficar em Pires do Rio, Padre Paulo pediu Padre Dunstan, que é superior lá, para acompanhar o irmão Gabriel e eu para aquele lugar. O superior de Catalão, o padre João Francisco, que também veio de São Paulo com Padre Paulo, a fim de ajudá-lo com a nossa bagagem, que esperamos chegará a qualquer momento. Foi enviada pelo Padre Paulo em 16 de fevereiro, mas ainda não chegou aqui, sim. Ligamos para o serviço expresso, mas vamos ter sorte se ela chegar até o Natal. Aqui se habitua a esses pequenos aborrecimentos que deixam de ser importantes depois de algum tempo (ANAIS DA PROVÍNCIA, vol. IV, n. 5, Janeiro, 1944, p. 375 - 376).

Não apenas as dimensões geográficas eram problemas neste vasto território. Havia também outros fatores como o domínio da língua, a aproximação com a população local, à primeira vista receptiva e cordial, a organização de espaços para acomodações, enfim, um universo a ser descoberto e dominado na nova missão.

Fomos recebidos em Catalão por toda a paróquia. O Vigário bom e velho, que ainda estava lá, pronunciou um discurso de boas-vindas e disse às pessoas que estávamos oferecendo o nosso melhor para ajudá-los em todas as suas necessidades, mesmo que ainda não fôssemos capazes de falar a língua fluentemente. Depois, olhou ao redor da casa paroquial, e a primeira coisa que Padre Dunstan disse foi: "Rapazes, aqui está uma grande quantidade de trabalho esperando por nós. Você vê o que eu vejo? "Todos nós rimos, mas posso dizer-lhe que era impossível para nós entender como um padre poderia viver em tais condições. Nós mostramos-lhe alguma coisa, para o ex-pastor permanecido conosco cerca de cinco dias, e pelo tempo que ele saiu, nós tínhamos dado à casa uma limpeza completa. Após cerca de duas semanas de trabalho, como, a casa parecia apresentável para a chegada do Vigário real e seu assistente. Mas pela primeira vez tivemos dois dos nossos aqui a caminho para aquela cidade a nos dizer sobre Pires do Rio. No domingo seguinte, o padre Dunstan e nosso assistente, o Padre Christopher, foram a Pires do Rio e no seu regresso nos disseram que havia condições similares. (ANAIS DA PROVÍNCIA, vol. IV, n. 5, Janeiro, 1944, p. 375 - 376).

Após os ajustes e adequações iniciais e apoiados por frades representantes da Província de São Paulo, que acompanharam os missionários americanos até Goiás, se instalaram na Paróquia de Catalão. O passo seguinte foi encaminhar a posse da Paróquia de Pires do Rio e providenciar semelhantes arranjos para as acomodações dos frades em terras piresinas.

Por causa da condição da casa lá, teremos de viver em um hotel. O povo está fazendo o seu melhor para ajudar-nos, mas não consigo entender como eles podem viver da maneira que eles fazem. Mas tal é o seu caminho e se torna um usado para muitas coisas. Padre Dunstan e eu pensamos que era difícil quando nós quatro estavam em Catalão, mas aqui encontramos nada além de uma casa vazia e que não pertencem nem mesmo a nós ou à paróquia. Temos de pagar o aluguel todos os meses. Durante o dia que a gente ficou no hotel, tentamos limpar a casa e obter, pelo menos, camas e cadeiras. Fizemos uma tabela por meio de dois cavalos de madeira com tampo de madeira (cobertura) e coberto por um pano de petróleo. Na cozinha, eu tenho o mesmo tipo de mesa e algumas coisas na mão. Por enquanto, estamos tentando conseguir junto, pois ainda temos de tentar se dar bem, pois ainda temos apenas nossas roupas penduradas nas nossas salas, mesmo sem o benefício de cabides. As pessoas que têm estas coisas devem levá-los a partir de São Paulo. Tanto sobre as nossas condições de vida (ANAIS DA PROVÍNCIA, vol. IV, n. 5, Janeiro, 1944, p. 375 - 376).

Foto 3.4.3a – Casa dos primeiros frades em Pires do Rio