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5.8 Background Subtractor applications

Ao chegar a Goiás, principalmente nas cidades do sudeste52, os missionários franciscanos, aqui encontraram fortes e marcantes manifestações do culto aos Santos, principalmente em festas como a do Divino Espírito Santo, acompanhada pelas folias de reis e a devoção a Nossa Senhora do Rosário. Esta última cultuada pelos negros e descendentes, cuja maior expressão está na apresentação do congado, como forma de louvar e bendizer a Santa do Rosário dos Pretos. Uma acepção clara de um catolicismo enraizado na cultura local e regional, com marcas originárias da cultura religiosa luso-brasileira. No dizer de Freyre (1984, p. 225), “impossível conceber-se um cristianismo português ou luso-brasileiro sem essa intimidade entre o devoto e o santo”. O catolicismo luso-brasileiro se tornou uma manifestação da cultura brasileira. Em geral essas práticas tendem a ser cultivadas com mais vigor nas localidades do interior do Brasil, entre as populações rurais e menos letradas.

Uma das notas características do movimento pela implantação do catolicismo romanizado no país foi o esforço de impor, em áreas anteriormente dominadas pela cultura lusitana, os novos valores importados da cultura européia. A romanização do catolicismo constitui, nesse sentido, apenas um aspecto de um fenômeno mais amplo, ou seja, o processo de europeização da própria cultura luso-brasileira (AZZI; KLAUS, 2008, p. 407).

Os anseios de Dom Emanuel encontraram guarida em um processo que poderia ser interpretado como uma neocolonização, marcado pela imposição da cultura branca cristã católica apostólica romana. Nesta direção os costumes e saberes populares deveriam ser abandonados, pois são interpretados pelos missionários e pelas orientações da Igreja como crendices e superstições. A negação da religiosidade e da fé popular se realiza, o culto aos santos é reinterpretado pelos missionários e revestido do caráter doutrinário e institucional da igreja romana.

A teologia tridentina, vinculando a salvação das almas à recepção dos sacramentos, não só permanecia muito forte neste período, mas era ainda interpretada com bastante rigidez. Assim sendo, alguns bispos de dioceses muito extensas, ao perceber que não conseguia atingir inúmeros fiéis, através de sua ação pastoral, solicitavam à Santa Sé que confiasse parte de seu território a outros prelados (AZZI; KLAUS, 2008, p. 385-386).

Enquanto estratégia de conversão das práticas religiosas, os missionários franciscanos, ao invés de as abolirem, adotaram a postura de se inserirem nestas manifestações para, posteriormente ressignificá-las, vinculando-as a algumas exigências tais como participação dos fiéis nos sacramentos e a frequência às missas dominicais. O relato de Irmã Marianna,

52 As cidades de Catalão, Goiandira e Pires do Rio têm em comum a tradição secular de celebrar a festa de Nossa

Senhora do Rosário, no mês de outubro, com a apresentação das Congadas, um sincretismo religioso entre o culto católico e as tradições africanas que tiveram origem com os escravos.

sobre a organização do ofício religioso em Pires do Rio, descreve a forma como as procissões são concebidas pelo povo e pelos franciscanos.

Toda a Semana Santa é celebrada em países latino-americanos - sem escola, sem carne e, anos atrás, sem ritos religiosos, tampouco. Nós quebramos a tradição, é que as crianças vêm para a escola para descobrir por que é uma Semana Santa. Mas nós apreciamos as procissões, tanto quanto as crianças.

A primeira, chamada de "O Encontro", comemora o encontro de Jesus e Maria a caminho do Calvário. Uma bela estátua de Cristo carregando sua cruz é transportada por homens, e a outra é cumprida pelas mulheres, muitas vezes descalças, carregando a imagem da Mãe Dolorosa.

Na Sexta-feira toda a população acaba por juntar-se à Procissão do Enterro. Desta vez, a imagem do Cristo é carregada em seu ataúde, coberto com líquido violeta e flores, é levado pelas ruas ao som de hinos melodiosos. No final do longo percurso sentimos que tínhamos realmente acompanhado de Nosso Senhor do sepulcro. Talvez seja por isso que cometeram o erro de colocar todos os enfeites bonitos que havia preparado para a Páscoa ao redor do santuário, onde o caixão foi colocado na igreja. Erro fatal! Cada folha foi levada para uma lembrança! Túmulo vazio na manhã de Páscoa e vasos de flores vazios! (ÁLBUM DO CENTENÁRIO das Irmãs Franciscanas de Allegany, 1959, p. 53).

A introdução de ritos institucionalizados pela Igreja Católica, não retira dos fiéis a adesão à fé popular como a participação em procissões e a veneração dos santos. Mas, é acrescida por outros elementos do ofício religioso, tais como a celebração da missa, a pregação da palavra e o cumprimento dos sacramentos e mandamentos da Igreja.

As crianças freqüentes à escola e à catequese eram instruídas a ressignificarem suas práticas religiosas, difundindo-as junto às suas famílias. Há diversas manifestações religiosas que os missionários somente vão conhecer aqui em Goiás, pois não encontram, em princípio, correspondentes com algumas cerimônias americanas.

Os cerimoniais e práticas religiosas vivenciadas pela população local seriam revestidas pelo caráter doutrinário da fé cristã católica e, especialmente através do acréscimo de pregações e reflexões litúrgicas proferidas pelos franciscanos, no sentido de reinterpretar estes rituais e práticas.

3.4.6 Hierarquia e obediência vivenciadas na partilha e no trabalho mútuo

No tocante à hierarquia observada entre as ordens franciscanas co-irmãs, fundadoras do trabalho missionário em Goiás, foi possível verificar entre os franciscanos e franciscanas uma obediência regular à hierarquia, traduzida na forma como manifestavam os seus representantes, conforme o cargo assumido no comando das respectivas instituições. Ao proceder os registros de fatos, relatórios e ocorrências perante a comunidade provincial, tanto os frades do Comissariado, quanto as irmãs de Allegany, foram autores e autoras dos relatos e

informações, pronunciando-se em nome do cargo que ocupa. Assim, pois, é comum encontrarmos nos Anais da Província ou no Boletim Zeal, relatos, crônicas e notícias, devidamente assinados pelos respectivos superiores, alterando a seqüência de autoria conforme a mudança de cargos. Ao falar sobre a formação das religiosas, Azzi & Klaus (2008) mostra que em determinadas ordens e institutos religiosos:

Maior ainda era o controle exercido pelos clérigos sobre as religiosas, das quais eram pregadores, confessores e diretores espirituais. Embora elas fossem as colaboradoras mais efetivas da ação pastoral, os clérigos procuravam mantê-las sob seu domínio, procurando ditar-lhes a melhor forma de conduta (AZZI; KLAUS, 2008, p. 137).

No que se refere às ordens franciscanas vindas dos Estados Unidos para Goiás, embora haja semelhança quanto ao processo formativo, apoiado na orientação e direção espiritual dos frades, é possível haver uma relativa autonomia nas demais esferas decisórias. Tal suspeita se confirma na maneira como ambas as ordens se organizavam através das estruturas de Conselhos Provinciais, instâncias superiores, responsáveis pelas decisões mais importantes, para a condução e o direcionamento dos trabalhos pastorais. Apesar de manterem mútuo apoio financeiro na manutenção das diferentes ações missionárias, sempre expressavam o respeito às atividades que são delegadas e de responsabilidade de cada uma das Províncias.

Isso é demonstrado em várias situações, nas quais se verifica uma atitude de respeito às diferentes instâncias decisórias, de tal modo que podemos observar uma relação distinta não apenas de ajuda, mas, sobretudo, de respeito mútuo vivenciado pelos filhos e filhas de São Francisco nas relações institucionais e no trabalho missionário.

Garanto-lhe novamente que eu lamento profundamente o seu desapontamento por não poder ter o retiro na data que você queria. Mas eu sei que você vai tomar o desapontamento com o verdadeiro espírito franciscano: que todos nós viemos ao Brasil para sacrificar o nosso viver, e que vivem em circunstâncias difíceis, temos de nos adaptar da melhor forma possível (CARTA 14 – 30/06/1948).

Neste e em outros registros, encontrei várias situações nas quais, devido às condições geográficas de localização das paróquias e conventos, se deparavam com dificuldades estruturais para a organização dos retiros anuais; dependiam, portanto, do bom senso, de acordos e definição de uma agenda em longo prazo para que tanto os frades quanto as irmãs organizassem seus trabalhos pastorais e pudessem realizar os períodos de retiro.

Em outro registro, ao justificar a dificuldade para agendar um retiro, o frade assim se manifesta “Aqui no Brasil, o tempo mais movimentado do sacerdote é durante a estação seca. Daí o tempo adequado para o retiro ser durante as férias no período chuvoso.

Isso, no entanto, uma vez que você solicitar, falaremos mais tarde” (CARTA 14 – 30/06/1948). O esclarecimento aponta para a necessidade de adaptar o período de retiro às épocas do ano em que, devido às chuvas aumentam as dificuldades de deslocamento e, em princípio, as visitas rurais são alteradas, deixando o frade mais disponível para dirigir e orientar o retiro.

Disso pode-se concluir que, no tocante às relações hierárquicas, elas existiram na organização e na estrutura da Ordem Franciscana, mas não expressavam propriamente uma condição de submissão das Irmãs ao poder dos Frades. Estruturalmente, ambas as congregações possuem instâncias que são respeitadas na sua individualidade de ação e de decisão. Isso tem precedentes na origem da ordem franciscana em que a presença de Clara (e mais tarde das irmãs franciscanas), representava força, apoio e incentivo à missão de Francisco na reconstrução da Igreja.

3.4.7 A obra missionária passa pelo despertar de novas vocações religiosas

Um dos trabalhos mais bonitos que uma freira pode fazer é a formação de outras freiras - que vão viver e refletir a vida de Nossa Senhora (CARTA 32 – 13/01/1954).

Em todas as épocas, a vitalidade da Igreja Católica foi assegurada pelo programa interno de fomento dos novos quadros através das vocações. Obviamente que, por se tratar de um longo processo formativo, o despertar destas vocações, a efeito, deveria ser permanente e sua amplitude ter o alcance de todos os espaços e territórios aonde foram instaladas as missões. Tais intenções se fizeram presentes desde os primeiros acordos.

Na sua carta você fala de vocações brasileiras. Sinto que vai conseguir sem dificuldade. Mas há considerações que você deve falar com as Chefes da Província. As brasileiras são uma mistura – em maior ou menos graus – de branco, índio, e sangue negro. No interior você achará um grande número de negras mais do que a cidade grande. Os Brasileiros, não são como nós, resolveram o escravidão pelo casamento. Até hoje o que aprendi que a maioria das comunidades não aceita postulantes de cor a não ser que são morenas claras. E com as vocações o jogo é riscado. Creio que você teve a experiência com isto na Jamaica. E eu imagino que a Jamaica tenha dado algumas regras a respeito de certas dificuldades como ilegítimo. Sei que estes casos vão surgir logo que você chegar. Seria bom para ter a opinião ou regras de suas superiores sobre este. Pessoalmente eu não quero dar qualquer opinião sobre este; Eu não conhece bastante ainda sobre os brasileiros. [...] (CARTA 10 – 03/12/1945).

Interessante como as preocupações que permeavam as possibilidades de conquistar vocacionadas (no caso das Irmãs), as restrições e cuidados no aceite de candidatas interessadas, refletiam o contexto local e ecoavam na visão americana quanto ao aproveitamento de nativos e mestiços na composição dos quadros femininos. É certo que, nas famílias abastadas o envio de um filho ou filha para uma instituição religiosa poderia ser uma distinção de elevado valor e status social. Porém, esta não era a regra, havia também resistências em aceitar a escolha de uma filha pelo trabalho religioso. Muitos pais não acatavam tal decisão de bom grado.

Ancorados nos argumentos de que a sociedade local teria resistência em acolher postulantes declaradamente negras (ou índias), era necessário tratar das vocações de forma cuidadosa e com algumas reservas. Contraditoriamente, no mesmo registro, encontramos a descrição de que a própria sociedade brasileira é composta por estas diferentes misturas raciais.

Não seria contraditório, justamente esta sociedade rejeitar a seus semelhantes enquanto líderes religiosos, ao passo que acolhe de bom grado aos estrangeiros? Não seria de suspeitar que, consideradas tais restrições, os americanos teriam dificuldades para compor o quadro de vocações no Brasil? O impasse fica em aberto, com a recomendação do provincial para que a madre fosse orientada pelas regras e normas adotadas na missão jamaicana.

No que diz respeito às vocações tão necessárias para a Igreja no Brasil, nossas escolas paroquiais são os canteiros sobrenaturais para o despertar das vocações sacerdotais e religiosas. A maioria dos alunos do Seminário Seráfico é formada nas nossas escolas paroquiais. Considerando que a arquidiocese de Goiás, foi obrigada a encontrar um pré-seminário para preparar as perspectivas para seu provável Seminário Menor todas as nossas escolas paroquiais podem ser consideradas pré-seminários (ANAIS DA PROVÍNCIA, vol. XVII, s/d, p. 89 a 92).

A alusão à escola paroquial como sendo um espaço de instrução e de entronização dos alunos na fé católica (pré-seminários), mostra o quanto a catequese e a educação estariam de tal modo entrelaçadas que a própria instituição escolar se constitui em espaço da iniciação dos futuros frades e irmãos franciscanos. Esta convicção de que as Escolas Paroquiais seriam instrumentos de irradiação da obra missionária se manteve ao longo das primeiras décadas com forte orientação catequética, traduzida no direcionamento dos alunos para a participação do culto e dos rituais litúrgicos em geral.

Em virtude das demandas do trabalho missionário e das dificuldades para importar novos membros americanos, os franciscanos tinham, diante de si, o desafio de conquistar novos vocacionados que, após a formação nos seminários, seriam, em potencial, o

sustento da obra missionária em curso. Ao consultar os livros de matrícula das escolas paroquiais, algo que chamou a atenção foi a presença de crianças matriculadas no ensino primário e nos cursos ginasiais, que pela filiação e a identificação nominal, descobri tratar-se de futuros frades e até bispos brasileiros que ingressaram na ordem franciscana depois de adultos. Para a Ordem Franciscana, a adesão de novos religiosos seria a via pela qual a obra missionária teria seqüência e solidez em solo brasileiro.

[...] o que precisamos aqui é uma ou outra daquelas capazes e dinâmica irmãs para que a vossa Congregação seja famosa: alguém com o dom da liderança, o som distante julgamento de longo alcance, e a capacidade de tamanho até as coisas e tomar decisões. Eu acredito que o espírito que é inculcado em uma nova fundação, seja um a criatura ou o errado, é o espírito que vai continuar como a base cresce. O espírito, tanto quanto eu posso ver, é excelente. Mas pode parecer pessoal que precisa de liderança forte e mais sólido. A fundação em Goiás será, sem dúvida, um grande ramo e a prosperidade de sua Congregação com o passar dos anos, a fazer grande coisa para Deus e as almas (CARTA 20 – 13/05/1950).

Para os bispados, o incremento institucional das ordens religiosas empenhadas em formar novos frades seria, a longo prazo, a solução para resolver a escassez do clero e assegurar que a Igreja se fizesse presente em todo o território goiano.

Porque eu sei que muita vocação esplêndida será encontrada aqui. E o treinamento que recebem, nos Estados (Unidos) é de suma importância. Se essa formação poderá ser prolongada, e alguma experiência prática acrescentada a ela, ela teria um valor ainda maior (CARTA 20 – 13/05/1950).

Ambos, os franciscanos e os bispos goianos, principalmente nas regiões aonde se instalaram as paróquias franciscanas e mais tarde foram desmembradas novas prelazias, tinham problemas que não se restringiam simplesmente à aceitação de negros, índios e mestiços nos conventos.

Estamos particularmente orgulhosos e felizes de que em nosso décimo aniversário nós somos capazes de abrir o nosso Seminário Seráfico - o maior de todos os sonhos. E agora nós estamos esperando que em algum momento em torno do nosso vigésimo quinto aniversário veremos nossos primeiros frades brasileiros ordenados. A educação deles vai ser uma tarefa longa e, talvez, desanimadora, mas que deve ser feita (ANAIS DA PROVÍNCIA, vol. XI, 1954, p. 72).

A inexistência de casas de formação e de seminários era o próprio problema. Fazia-se necessária a criação de uma estrutura institucional mínima para que o trabalho formativo se efetivasse, segundo as orientações e regras da ordem.

Estamos tentando o nosso melhor para receber candidatas a nível local, e temos uma série de perspectivas esplêndidas entre as jovens senhoras. É perfeitamente claro agora que este ramo que da sua província não pode falhar: ele é obrigado a crescer

rápido o suficiente para manter o contato com a nossa necessidade de Irmãs. Daí mais irmãs americanas deve vir (CARTA 23 – 06/09/1950).

Enquanto os frades providenciaram esta estrutura aqui mesmo, as irmãs franciscanas lançaram mão do expediente de iniciar o processo formativo aqui, realizando a formação das aspirantes e postulantes diretamente vinculadas às casas e às escolas, geralmente, as candidatas sendo acompanhadas e orientadas pela superiora de cada lugar. No momento em que as candidatas alçavam à condição de noviças, esta etapa de formação era feita nos Estados Unidos, sendo as mesmas enviadas para algum Convento da Província-mãe, lá permanecendo por um determinado período a fim de cumprir a sua formação, segundo os cânones de São Francisco.

Estamos satisfeitas com as meninas que temos recebido do Brasil e com aquelas que estão chegando e eu sinto a certeza de que o que você diz está certo sobre o envio de alguém que vai estabelecer uma boa base. Com a ajuda de Deus eu vou fazer isso (CARTA 21 – 20/06/1950).

Estamos muito satisfeitas com as duas postulantes que o padre João trouxe para cima. Padre seria tão bom para elas e trouxe-as na medida do St. Clare. Elas tiveram uma boa estadia em Nova York. Estão muito felizes aqui e faça o bem. Elas entendem a língua muito bem e fazem muito bem em falar isso (CARTA 25 – 11/11/1950).

Verifiquei que em todos os momentos da formação, a exemplo do que ocorre no trabalho missionário, frades e irmãs desempenham ações conjuntas de apoio mútuo, principalmente no encaminhamento das postulantes e noviças nas viagens e deslocamentos entre as casas e os países. As decisões são igualmente partilhadas, numa constante sintonia entre o que fazer e o como fazer. Enfim, através do apoio interinstitucional buscavam a melhor maneira para conduzir a formação das futuras religiosas brasileiras.

Sei que mais do que nunca você está preocupada com o problema do que pode ser feito para assegurar melhor a perseverança das Irmãs brasileiras, em sua vocação religiosa, após sair do noviciado. Como formá-las? Você vai concordar que a sua formação depende de INFORMAÇÕES encarando como ponto de qualquer maneira. Informação significa LINGUAGEM, e tudo o mais. Sua iniciante não fala Português, e as noviças brasileiras recebem pouco de Inglês – pensei que elas permanecessem até maio. Seria necessário ter uma auxiliar no noviciado, não só que sabe Português, mas que possa fazer a mediação entre a Noviça (americana) e as noviças brasileiras – alguém que conheça o temperamento e o caráter brasileiro – e acima de tudo, aquele que é amável, acessível, amigável – essas são qualidades indispensáveis para quem quiser ter sucesso com os brasileiros (CARTA 32 – 13/01/1954).

Em outro registro encontramos semelhante preocupação em função do rigor e das exigências no processo de formação das religiosas brasileiras.

[...] seria um grande ganho, na medida em que as Irmãs brasileiras teriam uma melhor formação RELIGIOSAS, disposta a levar a cruz, quando a acuidade espiritual falhar. Sabendo Madre Marianna, que ela iria aceitar o sacrifício alegre. Ela seria ainda a trabalhar para o Brasil – fazer um trabalho mais fino, um trabalho mais importante, um trabalho mais bonito – contribuir humildemente com o papel de intermediária na formação das Irmãs que retornará ao Brasil para refletir a vida de Nossa Senhora (CARTA 32 – 13/01/1954).

Quando perguntadas sobre como se deu a sua formação franciscana, uma das primeiras irmãs brasileiras a ingressarem na Ordem de Allegany, confirmou, com suas palavras, esse mesmo procedimento descrito nos registros. Segundo ela, as dificuldades eram imensas, pois, inicialmente, só eram admitidas as moças que possuíam o curso secundário concluído. Mas essa condição de estudo era pouco comum, pois, o número de meninas que ultrapassava o curso primário era muito reduzido. Em geral as irmãs incentivavam a