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Stat–NGO-forholdet. Teoretiske perspektiver

Nas situações de estresse, sejam elas agradáveis ou desagradáveis, agudas ou crônicas, intensas ou moderadas, o cérebro envia sinais para glândulas endócrinas que desencadeiam a liberação de vários hormônios que irão atuar nas células-alvo dos tecidos corporais. Esse processo ocorre pela interligação anatômica e fisiológica entre o sistema nervoso e o sistema endócrino, denominado de Sistema Neuroendócrino (LEANDRO et al., 2007).

Quando agentes estressores de qualquer natureza atuam no indivíduo, seus efeitos ativam uma região cerebral chamada de sistema límbico. Esse sistema neuronal é responsável por controlar diversas funções cognitivas e neurovegetativas, o comportamento emocional e as forças motivacionais desse indivíduo (GUYTON e HALL, 2006).

Duas áreas específicas do sistema límbico são ativadas pelo estresse: o hipocampo e a amígdala. A estimulação de diferentes áreas do hipocampo pode promover diferentes padrões de comportamentos, como prazer, tranqüilidade, raiva, medo, ansiedade ou desejo sexual. O hipocampo também tem papel importante no processo do aprendizado e da memória de médio e de longo prazo (AMENÁBAR, 2006; ALVES e PALERMO NETO, 2007). A amígdala, por sua vez, está interligada ao hipocampo e a outras áreas do sistema límbico. Seus efeitos estão associados às alterações: da pressão arterial, da frequência cardíaca, da motilidade e da secreção gastrointestinal, da defecação e micção e da secreção de diversos hormônios da hipófise anterior, especialmente o hormônio adrenocorticotrópico (GUYTON e HALL, 2006).

Tanto o hipocampo quanto a amígdala possuem conexões neuronais com outra estrutura cerebral chamada de hipotálamo. Apesar do seu pequeno tamanho, o hipotálamo é umas das estruturas mais importantes do sistema límbico, pois é ele que finaliza os efeitos do hipocampo e da amígdala, ou seja, é ele que controla a maioria das funções vegetativas e endócrinas, bem como os vários aspectos do comportamento emocional (ALVES e PALERMO NETO, 2007).

Um aspecto importante que a literatura médica descreve com relação aos aspectos emocionais, é que certos estímulos estressores fracos no hipocampo ativam os centros de recompensa do hipotálamo causando sensações agradáveis de prazer e satisfação, enquanto que estímulos fortes ativam os centros de punição, causando sensações desagradáveis de medo, dor, aversão, angústia, reação de defesa, entre outras (GUYTON e HALL, 2006). Os autores ainda ressaltam: “... interessante que a estimulação dos centros de punição pode muitas vezes inibir completamente os centros de recompensa, mostrando que punição e medo podem prevalecer sobre prazer e recompensa” (GUYTON e HALL, 2006, p. 735).

Ainda nessa linha de raciocínio, pode-se dizer que o hipotálamo quando ativado por estímulos fracos ou fortes, emite sinais tridirecionais: (1) de volta para as porções límbicas; (2) para o sistema nervoso autônomo; e (3) para a glândula hipófise.

Como a interrelação do sistema límbico foi anteriormente mencionada, descrever-se-á agora a ativação do sistema Hipotálamo-Hipófise-Adrenal (Eixo HHA) e do sistema Simpático-Adrenal-Medular (Eixo SAM).

No que se refere ao Eixo HHA, o mecanismo se dá devido ao fato de o hipotálamo estar conectado à glândula hipófise do sistema endócrino. Através do infundíbulo hipotalâmico, a maioria das funções secretórias da hipófise é controlada, total ou parcialmente, pelos fatores de liberação (SILVA, MALOZZI e FERRARI, 2007; POWERS e HOWLEY, 2009).

Em situações de estresse, o lobo anterior da hipófise (adeno-hipófise) é estimulado pelo fator liberador de corticotropina (CRF) secretado pelo hipotálamo. O CRF ativa a adeno-hipófise a secretar um hormônio chamado de adrenocorticotropina (ACTH). O ACTH tem efeito sobre as células de outra glândula endócrina, as adrenais. Cada glândula adrenal, localizada no pólo superior de cada rim, é composta de duas partes distintas, a medula adrenal e o córtex adrenal. O ACTH estimula o córtex adrenal a produzir e a secretar o cortisol (ALVES e PALERMO NETO, 2007). Esse hormônio em doses adequadas no organismo promove uma reação protetora de alarme ou de adaptação ao estresse. Porém, quando suas secreções são excessivas ou crônicas, seus efeitos podem se tornar nocivos ao organismo (SILVA, MALOZZI e FERRARI, 2007; FREITAS, MIRANDA e BARA FILHO, 2009).

A figura 2.2 ilustra, em síntese, o mecanismo de secreção do cortisol, em resposta ao estresse.

Figura 2. Mecanismo de regulação da secreção do cortisol em resposta ao estresse

O outro sistema ativado quando o hipotálamo é estimulado, é o Eixo Simpático-Adrenal-Medular (SAM). O sistema nervoso autônomo simpático atua de duas formas: direta e indiretamente. De forma direta, os nervos simpáticos liberam seu neurotransmissor, chamado de noradrenalina, nos órgãos viscerais. A noradrenalina, também conhecida como noraepinefrina, exerce seus efeitos aumentando a atividade cardíaca, elevando a pressão arterial, constringindo os vasos sanguíneos das vísceras, inibindo o trato gastrointestinal, dilatando a pupila, etc (MCARDLE, KATCH e KATCH, 2011). De forma indireta, os nervos simpáticos estimulam as medulas adrenais a secretarem as catecolaminas (adrenalina e noradrenalina), cujos efeitos são similares ao do neurotransmissor noradrenalina, além de atuarem na degradação do glicogênio muscular, na mobilização da glicose hepática e dos ácidos graxos livre do tecido adiposo e interferindo na captação da glicose pelos tecidos (POWERS e HOWLEY, 2009; FOSS e KETEYIAN, 2010).

Esse mecanismo de dupla estimulação simpática ocorre pelo fato de que as catecolaminas adrenais conseguem estimular estruturas do corpo que não são inervadas por fibras simpáticas diretas (GUYTON e HALL, 2006).

Percebe-se, portanto, que qualquer evento estressor que ative o sistema hipotalâmico provoca descargas hipofisária e simpática e, consequentemente, alterações em todo o organismo.

Apesar de as catecolaminas serem consideradas também como hormônios de resposta ao estresse, para finalidade dessa pesquisa, somente os efeitos fisiológicos do hormônio cortisol e suas conseqüências metabólicas serão estudados.