2.6.1 Instrumentos e Mensurações
Massa corporal: mensurada por meio de uma balança mecânica de plataforma da marca Filizola, com capacidade máxima para 150 kg e precisão de 0,1g (Figura 6).
Figura 6 - Mensuração da massa corporal
Estatura: mensurada com estadiômetro Compacto Wiso, com capacidade para 200 cm (Figura 7), estando os avaliados eretos e com calcanhares, panturrilhas, nádegas, coluna torácica e cabeça em contato com a parede, bem como com os olhos fixos num eixo horizontal paralelo ao chão - Linha de Frankfurt (Figura 8).
Figura 7- Estadiômetro Compacto Wiso Figura 8 - Mensuração da estatura
Circunferência da Cintura (CC): foi mensurada em duplicata, por meio de trena modelo Sanny (Figura 9), ao final da expiração, no ponto médio entre o último arco costal e a crista ilíaca ântero-superior. (JOHNSON et al., 2009).
A classificação em Obesidade Abdominal foi definida a partir de CC acima do percentil 90 para idade, sexo e etnia, como proposto por Fernández e Redden (2004), que apresentaram valores da CC na faixa etária de 2 a 18 anos para os grupos raciais: Euro- americanos, Afro-americanos, Mexi-americanos e dos grupos étnicos combinados, baseados no NHANES III (n=9713), que destacou a importância da classificação dos aspectos étnico- raciais na aplicação clínica e na pesquisa epidemiológica. Devido à diversificação étnica no Brasil, optou-se por utilizar, no presente estudo, a referência dos grupos étnicos combinados, conforme apresentados na Tabela 8.
Tabela 8- Pontos de corte para Circunferência da Cintura de escolares de 10 a 14 anos
Percentil para meninos Percentil para meninas
10° 25° 50° 75° 90° 10° 25° 50° 75° 90° Idade /anos 10 57,0 59,8 63,3 69,2 78,0 56,3 58,6 62,8 68,7 76,6 11 58,7 61,7 65,4 71,7 81,4 57,9 60,3 64,8 71,1 79,7 12 60,5 63,5 67,4 74,3 84,8 59,5 62,0 66,7 73,5 82,7 13 62,2 65,4 69,5 76,8 88,2 61,0 63,7 68,7 75,9 85,9 14 63,9 67,2 71,5 79,4 91,6 62,6 65,4 70,6 78,3 88,8
Fonte: Fernández e Redden (2004)
Pressão Arterial (PA): foi mensurada, no braço direito, por esfigmomanômetro aneroide (Figura 10) previamente calibrado. Conforme se observa na Figura 11, foram usados manguitos, adequados ao comprimento do braço dos participantes. A determinação da PAS foi obtida no início dos ruídos de Korotloff (fase I) e, a da PAD, com o desaparecimento dos ruídos (fase V), ambas registradas duas vezes, com o participante sentado, após 5 minutos de descanso. A elevação da PA foi definida como um valor igual ou superior ao percentil 90 para a idade, o sexo e a estatura do pesquisado, seguindo os critérios da I Diretriz de Prevenção da Aterosclerose na Infância e na Adolescência (2005), nos anexos 1, 2, 3, 4.
Testes bioquímicos: para a dislipidemia aterogênica e glicemia, foram realizados exames laboratoriais. O sangue (5 ml) foi coletado por punção venosa, observando-se uma dieta normal pela manhã e em jejum de 12 horas. O soro foi obtido por centrifugação do sangue a 2500 rpm, por 15 minutos, a fim de separar o soro do plasma. O perfil lipídico foi classificado de acordo com as concentrações de triglicérides pelo método enzimático - colorimétrico automatizado - , e o HDL, pelo método de precipitação seletiva, acoplado à dosagem por método enzimático colorimétrico automatizado. Estimou-se a glicemia pelo método enzimático da hexoquinase. As análises foram realizadas com o equipamento de automação Cobas Mira Plus - Roche. (SPOSITO et al., 2007). Todas as coletas foram realizadas no mesmo horário e pelo mesmo profissional, a fim de garantir a mesma metodologia.
Eletrocardiograma de repouso: foi realizado estando o escolar em decúbito dorsal (Figura 12), na presença de um médico cardiologista. O propósito do ECG foi o de investigar possíveis anormalidades que pudessem comprometer a realização do protocolo de VO2 de
pico.
Figuras 12 - Eletrocardiograma de repouso
Protocolo VO2 pico: o teste de esforço máximo foi realizado em esteira rolante modelo Super ATL (INBRAMED, Porto Alegre, RS), conforme mostra a Figura 13. Realizaram o teste somente o grupo que se submeteu à intervenção com o exercício aeróbio.
Figura 13 - Teste de esforço (vista lateral e frontal).
O protocolo usado para estimar o VO2 de pico foi o de rampa, realizado na presença
de um cardiologista e do responsável de cada participante. A determinação da velocidade e da inclinação a serem alcançadas aos 10 minutos de exercício foi copilada da sugestão de Barbosa e Silva (2003), de acordo com sexo e idade (Anexo 5). Ainda segundo esses autores, estipulou-se que os sujeitos amostrais atingissem a FC (frequência cardíaca) máxima de 180 bpm, para que o teste fosse considerado eficaz. A interrupção do teste foi determinada com sinalização por meio de gestos preestabelecidos, quando o indivíduo apresentasse fadiga ou algum desconforto que comprometesse a continuação do procedimento.
O laboratório manteve-se numa temperatura entre 22 e 24 graus centígrados e com umidade entre 50% e 55%.
Os escolares foram instruídos a não participarem, durante as 24 horas que antecedessem a realização do teste, de nenhuma atividade física de moderada a intensa.
Avaliação da FC: foram utilizados frequencímetros da marca Polar, do modelo Beat, para monitorar a intensidade do exercício físico do grupo que participou da intervenção com o treinamento físico aeróbio.
Teste de 1RM (uma repetição máxima): realizado somente com o grupo que participou da intervenção com o exercício resistido. Em decorrência da inexperiência dos participantes com pesos livres, foram realizadas três sessões de exercícios, com duração total de uma semana, visando à familiarização desses participantes com os movimentos que iriam compor o teste de 1RM. Nesse momento, foi ensinada a correta técnica de execução dos exercícios, com cargas baixas. (AAP POLICY COMMITTEE ON SPORTS MEDICINE AND FITNESS, 2001;
COUNCIL ON SPORTS MEDICINE AND FITNESS, 2008). A carga, nesse momento, foi
determinada de forma subjetiva pelo próprio avaliado, visto que o objetivo dessas três sessões era a prática da teoria apreendida.
Após o período de familiarização, todos os escolares foram submetidos ao teste de 1RM, realizado em três dias alternados, com cada sessão composta por de 2 a 3 exercícios, com intervalos de 48 horas entre cada sessão.
Os exercícios utilizados para o teste foram: extensão dos joelhos, puxada vertical, flexão dos joelhos, pull-over e rosca direta.
Para identificação da carga de 1RM, foi adotado o protocolo de Gurjão (2005). Durante os testes de 1 RM, realizados sempre no mesmo horário, foi mantido pelo avaliador o mesmo comando verbal para todos os participantes. Essa conduta foi adotada em função da variação circadiana, visto que, segundo Tan (1999), podem ocorrer, ao longo de um mesmo dia, variações de 10% a 20% nos níveis de força.
O presente estudo usou o teste de 1RM, considerado adequado para à faixa etária estudada, conforme constatado por Faigenbaum, Milliken e Westcott (2003).