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As variáveis que foram investigadas, assim como os respectivos níveis de relação e critérios de categorização, adotados no estudo, estão apresentadas no Quadro 1.

Quadro 1 Descrição das variáveis de estudo

Nível Variável Critérios

Dependentes Nível de estresse (fase e sintomas) Classificação “Com Stress” de acordo com o ponto de corte (escores) da ESA:

a) Feminino: TOTAL >3.11 para

sintomas ou TOTAL >3.36 para fases;

b) Masculino: TOTAL >2.64 para

sintomas ou TOTAL >2.86 para fases. Concentrações de cortisol salivar Valores de referência para pessoas

normais entre 16:00 e 17:00 = 0,06 a 0,20 g/dL.

Independentes Pré PEF Preparação para a execução do PEF. Pós PEF Avaliação dos efeitos do PEF.

Controle Nível de atividade física Para iniciar o PEF todos os estudantes se encontravam sedentários.

Programa de Exercícios Físicos

(PEF) Todos os participantes do GE realizaram os mesmos exercícios e tiveram o mesmo tempo de prática.

Intervenientes

Dieta Sem controle Sexo Sem controle Horas de sono Sem controle Provas Simuladas Sem controle Medicamentos Sem controle Eventos da vida Sem controle Fonte: Elaborado pela Autora, 2011.

3.8 ANÁLISE ESTATÍSTICA

Utilizou-se o programa estatístico SPSS for Windows versão 13.0 para análise dos dados intra e intergrupos. Foram empregados procedimentos estatísticos descritivos expressos por freqüência, percentual, média e desvio padrão. A normalidade dos dados foi verificada, através do teste de Shapiro-Wilk. As variáveis de estresse da ESA foram analisadas por meio do Teste t pareado e para amostras independentes. Para análise da variável cortisol utilizou-se os testes não paramétricos de Wilcoxon e Mann-Whitney. A associação entre a variável prevalência de estresse e os níveis de cortisol foi verificada por meio do teste Qui- Quadrado. Neste estudo, o nível de significância foi estabelecido em p < 0,05.

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

A prevalência de adolescentes insuficientemente ativos na população (N = 141) de estudantes do 3º ano do ensino médio, de uma escola particular, da cidade de Teresina foi de 71,6% (n = 101) e a prevalência de estresse foi de 70,2% (n = 99). A população foi constituída por 67 adolescentes do sexo masculino e 74 do sexo feminino, na faixa etária de 17 a 18 anos de idade.

A elevada prevalência de adolescentes classificados como insuficientemente ativos neste estudo (FIGURA 4), pode estar associada à preparação para os exames vestibulares, que exige horas a mais de estudo extraclasse. Vale ressaltar que a escola pesquisada não oferta a disciplina de educação física aos alunos do 3º ano do ensino médio, o que contribui para o reduzido nível de atividade física dos adolescentes. Corroborando com os resultados encontrados, Rolim et al. (2010) afirmam que à medida que os compromissos estudantis aumentam, há um decréscimo do nível habitual de atividades físicas. Entretanto, a prevalência estimada no presente estudo é preocupante, haja vista que o sedentarismo é um fator de risco para inúmeras doenças crônicas degenerativas e transtornos psicossomáticos, e tende a aumentar com a idade (PELEGRINI e PETROSKI, 2009).

Figura 4. Prevalência do nível de atividade física na população de estudantes do 3º ano do ensino médio de uma escola particular de Teresina/PI, 2011.

Os resultados encontrados por Pires et al. (2004) em 82,5% dos adolescentes de Florianópolis (SC) e por Silva et al. (2005) em 93,5% dos adolescentes de Maceió (AL), estão de acordo com a alta prevalência de sedentários descrita nesta pesquisa. Em contrapartida, resultados inferiores foram observados em outros estudos de Santa Catarina (SILVIA et al. 2008; PELEGRINI e PETROSKI, 2009) e de Pelotas-RS (OEHLSCHLAEGER et al., 2004). No entanto, o ponto de corte adotado (300 minutos semanais de atividade física) para definir os adolescentes como insuficientemente ativo nos últimos estudos citados (catarinenses e gaúcho), foi semelhante à do presente estudo. Porém, é preciso considerar que esses estudos avaliaram adolescentes na faixa etária de 14 a 19 anos, e esta pesquisa considerou somente os adolescentes que estavam na fase de preparação para os exames vestibulares das universidades (17 a 18 anos) e sabe-se que, durante esse período, os adolescentes, no seu tempo livre, procuram dedicar mais horas para os estudos do que para as práticas de atividades físicas e esportivas.

Quanto ao nível de atividade física por gênero, de acordo com a Tabela 3, dos homens, 70,1% (n = 47) foram classificados como insuficientemente ativos, o que foi observado em 73% (n = 54) entre as mulheres. Não houve diferença estatisticamente significante no nível de atividade física, avaliado pelo IPAQ-versão curta, entre os sexos (p = 0,710). Resultado parecido em termos de significância foi encontrado no estudo de Pelegrini e Petroski (2009). Diferentemente, a literatura tem demonstrado maior prevalência de sedentarismo em adolescentes do gênero feminino, o que não foi constatado por esta pesquisa (SILVA e MALINA, 2000; MAGALHÃES e MENDONÇA, 2003; VIANA e ANDRADE, 2010). Tal resultado, mais uma vez, pode estar relacionado ao fato de todos os adolescentes se encontrarem no mesmo período de preparação estudantil para os vestibulares.

Tabela 3 Nível de atividade física (NAF) e de estresse, caracterizado por sexo, da população de

estudantes do 3º ano do ensino médio de um colégio particular da cidade de Teresina-PI, 2011.

Variáveis Masculino (n = 67) Feminino ( n= 74) p-valor*

N % Intervalo de Confiança de 95% N % Intervalo de Confiança de 95% NAF 0.710 Ativos 20 29,9 (19,3;42,3) 20 27,0 (17,3;38,6) Insuficientemente ativos 47 70,1 (57,7;80,7) 54 73,0 (61,4;82,6) Estresse 0.063 Não 25 37,3 (25,8;50,0) 17 23,0 (14,0;34,2) Sim 42 62,7 (50,0;74,2) 57 77,0 (65,8;86,0) Fonte: Elaborado pela Autora, 2011.

Legenda: * Nível de significância p-valor <0.05 .

A prevalência de estresse na população de estudantes desta pesquisa, avaliado pela ESA, foi de 70,2% (FIGURA 5). Esse resultado vai ao encontro dos dados de Pires et al. (2004), que desenvolveu um estudo com 754 estudantes do ensino médio e verificou que a faixa etária com maior percentual de adolescentes em estado de estresse prejudicial à saúde foi a de 17 a 18 anos de idade. Calais, Andrade e Lipp (2003) encontraram resultados semelhantes ao de Pires et al., em um estudo realizado com 295 jovens do ensino médio, de Campinas e Bauru (SP). Os autores observaram que os alunos do 3º ano do ensino médio (idade ±17,5) e os alunos do curso pré-vestibular (idade ±18,1) apresentavam níveis de estresse mais elevados.

Outros estudos com amostras de populações semelhantes demonstraram percentuais aproximados à prevalência aqui encontrada. No estudo realizado por Peruzzo (2008) com 141 pré-vestibulandos, 61,7% da amostra foi avaliada com estresse. Paggiaro e Calais (2009) observaram que 67,7% dos jovens pré- vestibulandos de sua pesquisa apresentaram manifestações de estresse. Os resultados obtidos na tese de Straatmann (2010) apontaram que dos 213 estudantes, 55,87% dos adolescentes foram avaliados com estresse. E no estudo de Faria (2011), dos 268 vestibulandos, 62% estavam estressados.

Figura 5. Prevalência de estresse na população de estudantes do 3º ano do ensino

médio de uma escola particular de Teresina/PI, 2011. Fonte: Elaborado pela Autora, 2011.

É provável que a explicação para a elevada prevalência de estresse em vestibulandos na faixa etária de 17 a 18 anos, pode estar associada a vários fatores relacionados à fase da adolescência, como: as inúmeras mudanças biopsicossociais que estão ocorrendo, os desequilíbrios hormonais, os conflitos psicossociais vivenciados, a necessidade da escolha profissional, a preparação para os exames vestibulares, e as pressões sociais para o êxito na admissão das universidades (ROCHA et al., 2006; HUTZ e BARDAGIR, 2006).

Outros fatores ansiogênicos como o medo da reprovação, de decepcionar a família, o número de candidatos por vaga, a quantidade de conteúdos para estudar e o grau de dificuldade dos exames das universidades públicas também são apontados pela literatura como contribuintes para a elevação dos níveis de estresse dos adolescentes, durante esse período (CALAIS, ANDRADE e LIPP, 2003; RODRIGUES e PELISOLI, 2008).

É importante ressaltar que os dados deste estudo foram coletados no mês de agosto e, segundo Afonso (2010), é período em que o nível de estresse tende a aumentar por causa do início das inscrições para o vestibular.

Nesse sentido, a elevada prevalência de estresse, encontrada neste estudo, corrobora com as evidências demonstradas na literatura de que o período de preparação para os exames vestibulares é um forte agente estressor. No entanto, a grande preocupação é que o estresse crônico pode se manifestar em sensações somáticas como tensões exacerbadas, problemas de memória, dificuldade de raciocínio, irritabilidade, sonolência, apatia, perda de concentração, ansiedade,

medo, insegurança, sentimentos de incompetência, aflição e até depressão (ROSENBURG, 2006; BOSCOLO et al., 2007; PASSOS, 2008; DIAS et al., 2008; AFONSO, 2010). Pode-se perceber que todos esses fatores negativos associados, além de comprometerem o sucesso do estudante no vestibular, podem trazer sérios prejuízos à sua saúde.

Diversos autores asseveram que a habilidade de lidar com o estresse é um importante elemento para o sucesso no vestibular, porém os resultados apresentados revelam a necessidade de se desenvolver estratégias urgentes que possam auxiliar na preparação física e emocional desses jovens, o que poderia contribuir para minimizar os danos provocados pelo estresse, durante essa etapa da vida.

Com relação ao nível de estresse por sexo, de acordo com a Tabela 3, dentre os homens, 62,7% (n = 42) foram avaliados como estressados e, dentre as mulheres, esse percentual ficou em 77% (n = 57). Mesmo apresentando maior prevalência nas adolescentes, tais resultados não diferiram significativamente entre os dois sexos (p = 0,063). No entanto, outros estudos evidenciaram maior prevalência significativa de estresse em adolescentes do sexo feminino. Os resultados obtidos por Pires, Pires e Petroski (2002) em uma escola federal de Santa Catarina, demonstraram que as adolescentes apresentavam maior vulnerabilidade ao estresse (55,2%), quando comparadas aos adolescentes (29,8%). Calais, Andrade e Lipp (2003), em seu estudo com adolescentes de 15 a 18 anos, verificaram que 79,30% das mulheres possuíam sintomas significativos de estresse enquanto que no sexo masculino foi de 51,72%. Pires et al. (2004) encontrou uma associação significativa de vulnerabilidade ao estresse com gênero feminino (54,4%), em comparação com o masculino (28,8%). Os dados da pesquisa de Paggiaro e Calais (2009) também corroboram com os achados supracitados, em que 79,2% das mulheres estavam estressadas e apenas 37,5% dos homens se encontravam no mesmo estado de estresse.

A análise da diferença de resultado deve ser considerada, pois nos estudos anteriores as amostras pesquisadas tinham faixa etária que variava de 14 a 19 anos de idade, e não foi analisado o nível de estresse entre os sexos, por faixa etária e série escolar; diferindo em termos do presente estudo que somente avaliou estudantes de 17 a 18 anos do 3º ano do ensino médio. É possível que, devido ao

fato de todos os estudantes estarem no mesmo período de preparação para os exames vestibulares (forte agente estressante), isso possa ter contribuído para os resultados por sexo não terem diferido significativamente.

Após estimar a prevalência do nível de atividade física e do estresse, na população de estudantes do 3º ano do ensino médio, selecionou-se a amostra dos indivíduos que se encontravam, ao mesmo tempo, insuficientemente ativos e estressados. A partir dessa etapa do estudo, os adolescentes, randomizados em GE e GC, tiveram a fase e os sintomas de estresse analisados.

Segundo o modelo quadrifásico de Lipp et al. (2007), o estresse é composto pelas fases: alerta, resistência, quase-exaustão e exaustão. Conforme a Figura 6, entre os sujeitos do GC (n = 32) e do GE (n = 39), a fase de quase exaustão foi a predominante, estando presente em 50% (n = 16) e 43,6% (n = 17) dos casos, respectivamente. Em seguida, encontrou-se a presença da fase de resistência em 37,5% (n = 12) dos sujeitos do GC e em 30,8% (n = 12) do GE. A fase mais branda do estresse (alerta) foi evidenciada em 12,5% (n = 4) no GC e em 15,4% (n = 6) no GE. Enquanto que a exaustão, a fase mais grave do estresse, foi verificada em 10,2% (n = 4) dos participantes do GE e em nenhum caso do GC.

Figura 6. Fases do estresse presente nos estudantes do grupo controle (GC) e do grupo

experimental (GE), antes da intervenção com o programa de exercícios físicos (PEF). Fonte: Elaborado pela Autora, 2011.

A literatura nacional que trata sobre a fase de estresse presente na população de adolescentes, estudantes do ensino médio, apresenta divergências dos resultados aqui encontrados. Nos estudos de Magalhães Neto e França (2003), em

vestibulandos brasilienses; de Pires (2004), em adolescentes catarinenses; Paggiaro e Calais (2009), em pré-vestibulandos paulistanos; e de Faria (2011); em vestibulandos e pré-vestibulandos curitibanos; a fase de estresse predominante foi a de resistência. Essa diferença pode sugerir interferências culturais. No Piauí, o vestibular é o maior “evento” do estado, e ser admitido em uma universidade pública é sinônimo de status social para o adolescente e para a família, além de garantir credibilidade (e marketing) para as escolas particulares com o maior número de aprovados nos exames. Culturalmente, durante a divulgação dos resultados vestibulares, toda a mídia (rádio, emissoras de televisão, jornais impressos e portais eletrônicos) do estado se mobiliza e concorre entre si para oferecer a melhor e maior cobertura do “evento”. Além disso, existe uma super valorização em relação aos primeiros colocados dos cursos, principalmente os mais tradicionais como Medicina e Direito, o que inclui até divulgação em outdoors pela cidade. Toda essa evidência midiática e a estimulação exacerbada da concorrência, entre as escolas e entre os candidatos, influenciam a sociedade piauiense. Nesse contexto, as escolas passaram a aumentar sua carga horária de estudo e o volume de conteúdos e a não oferecer aulas de educação física para os estudantes do 3º ano; e os adolescentes passaram a sofrer maior pressão social (de si mesmos, dos pais, de outros familiares, de professores e de amigos) para terem êxito nos exames. Esses fatores podem ajudar a explicar a predominância da fase de quase exaustão encontrada na amostra, haja vista que o presente estudo foi realizado em uma escola particular considerada forte concorrente, nessa competição por aprovados nos exames das universidades públicas do Piauí.

É necessário mencionar que a fase de quase exaustão caracteriza-se pelo desgaste físico e mental, pois a tensão excedeu a capacidade de adaptação do indivíduo ao estresse. A ansiedade eleva-se demasiadamente nessa fase, afetando o sistema imunológico que fica mais vulnerável e suscetível às infecções virais e bacterianas, além do desenvolvimento de doenças leves (LIPP, MALAGRIS e NOVAIS, 2007). A memória e o raciocínio também ficam comprometidos, reduzindo a produtividade acadêmica (PAGGIARO e CALAIS, 2009). Caso não haja intervenção profissional e o estresse se prolongue ou se intensifique, o indivíduo pode entrar no próximo estágio que é a fase de exaustão. Nessa fase, o adolescente diminui seu ritmo de estudo, sua capacidade de concentração e pode desenvolver

doenças graves como úlceras, hipertensão, diabetes, psoríase, vitiligo e depressão (LIPP, MALAGRIS e NOVAIS, 2007).

Os resultados encontrados neste estudo são preocupantes, pois além da elevada prevalência da fase de quase exaustão, 4 estudantes do GE estavam na fase de exaustão. Esses dados foram coletados no início do segundo semestre letivo de 2011 (agosto), sugerindo que, mesmo após as férias escolares, os alunos permaneciam desgastados física e mentalmente, e que essa situação tende a agravar-se, à medida que se aproxima a data dos exames vestibulares.

Como consequência desse desgaste orgânico do estudante em se adaptar às fases do estresse, vários sintomas foram observados e categorizados em quatro grupos, segundo a ESA: psicológico, cognitivo, fisiológico e interpessoal. A Figura 7 mostra a prevalência dos sintomas do estresse nos estudantes do GC e do GE, antes do experimento com o PEF.

Figura 7. Sintomas do estresse presente nos estudantes do grupo controle (GC) e do grupo

experimental (GE), antes da intervenção com o programa de exercícios físicos (PEF). Fonte: Elaborado pela Autora, 2011.

Os resultados obtidos apontam que 28,1% (n = 9) dos estudantes do GC apresentaram sintomatologia psicológica, no entanto, o mesmo percentual de estudantes foi encontrado com sintoma interpessoal (28,1%). Sendo assim, os dois sintomas foram predominantes no GC, seguido do sintoma fisiológico com 25% (n = 8) e do cognitivo com 18,8% (n = 6). No GE, a sintomatologia predominante foi a psicológica, manifestada em 41% (n = 16) dos estudantes. Os demais sintomas do

GE ficaram percentualmente assim distribuídos: 23,1% (n = 9) cognitivo, 20,5% (n = 8) fisiológico e 15,4% (n = 6) interpessoal.

A literatura enfatiza que a sintomatologia de maior prevalência entre os estudantes que estão se preparando para os vestibulares é a psicológica. Nesse sentido, os achados da amostra atual convergem para os resultados evidenciados por Magalhães Neto e França (2003), em Brasília; Pires (2004), em Florianópolis; Paggiaro e Calais (2009), em São Paulo; Peruzzo et al. (2008), em Porto Alegre; Faria (2011), em Curitiba; entre outros. No entanto, é importante ressaltar que todos estes estudos utilizaram o instrumento Inventário de Stress para Adultos de Lipp (ISSL), para avaliação do estresse dos adolescentes, e a presente pesquisa utilizou a Escala de Stress para Adolescentes (ESA). No ISSL, os sintomas são divididos em apenas duas categorias: psicológicos e físicos; e na ESA, os sintomas são categorizados em quatro grupos conforme figura 4, apresentada anteriormente. Deve-se considerar como ponto forte deste estudo o fato de ter sido utilizado um instrumento validado para avaliar o estresse do público adolescente. A utilização da ESA possibilitou a observação da elevada prevalência tanto de sintomas psicológicos como de sintomas interpessoal no GC, além de ter avaliado mais especificamente os sintomas nos dois grupos de adolescentes.

De acordo com a escala de estresse, os sintomas psicológicos estão relacionados à tensão, agressividade, ansiedade, impaciência, emotividade excessiva, insegurança, apatia, irritabilidade, baixa autoestima, intolerância, tristeza, depressão, sensação de fadiga e ao desânimo. Com relação ao sintoma interpessoal, ele está associado à sensação de introversão, isolamento social e reduzida afetividade (TRICOLI e LIPP, 2005). Percebe-se que esses sintomas, quando somados, podem tanto reduzir o desempenho intelectual do estudante - visto que podem prejudicá-lo durante a fase de estudos e, no momento dos exames vestibulares - quanto favorecer o surgimento da depressão e dos transtornos de ansiedade, afetando sua saúde física e mental.

Nesse sentido, a literatura científica tem sugerido o exercício físico como uma das principais medidas para o alívio do estresse. No entanto, são escassas as pesquisas nacionais que utilizam o exercício físico como tratamento não farmacológico para o público adolescente estressado que está na fase de

preparação para o vestibular, haja vista que o processo seletivo das universidades em outros países difere do ocorrido no Brasil.

Tendo em vista esse contexto, buscou-se investigar os efeitos de um programa combinado de exercício físico (aeróbio, resistido e alongamento) de intensidade moderada (66% a 74% da FCmáx), sobre os níveis de estresse dos vestibulandos, de um colégio da cidade de Teresina. Após as dez semanas de experimento, os resultados evidenciaram que houve uma redução significativa do nível de estresse do GE, em relação ao GC, nas fases e sintomas desses grupos (FIGURAS 8 e 9). Magalhães Neto e França (2003) encontraram resultados semelhantes em seu experimento com vestibulandos de Brasília, porém os exercícios resistidos foram executados com intensidade próxima aos 80% de 1RM.

Quanto às fases, observa-se na figura 8 que 58,9% (n = 23) dos estudantes

do GE apresentaram ausência de estresse, somente 10,3% (n = 4) dos estudantes permaneceram na fase de quase exaustão e 2,6% (n = 1) permaneceu na fase de

exaustão. Em contrapartida, o GC (n = 32) apresentou um aumento de 34,4% (n =

11) na fase de maior risco à saúde física e mental (exaustão).

Figura 8. Fases do estresse presentes nos estudantes do grupo controle (GC) e do grupo

experimental (GE), depois da intervenção com o programa de exercícios físicos (PEF). Fonte: Elaborado pela Autora, 2011.

Quando se compara os resultados da figura 8 com os apresentados na figura 6, é possível perceber que houve uma redução significativa das fases do estresse entre os adolescentes do GE, em que mais da metade dos estudantes foi caracterizada como as tendo ausentes após a intervenção com o PEF - o que

significa, de acordo com a ESA, não a total ausência, mas um nível mínimo de estresse, porém não prejudicial à saúde. Vale ressaltar ainda que a fase com a maior redução percentual foi a de quase exaustão, a qual diminuiu de 43,6% (n = 17) para 10,3% (n = 4); seguida da fase de resistência, que reduziu de 30,8% (n = 12) para 10,3% (n = 4); e da fase de exaustão, que se encontrava em 10,2% (n = 4) dos estudantes e após o experimento apresentou-se em apenas 2,6% (n = 1) dos mesmos. Haja vista que estas são fases que promovem grandes desgastes físicos e mentais do estudante, os resultados obtidos parecem evidenciar benefícios positivos em relação à percepção quanto ao alívio do estresse, fator importante para o indivíduo que se encontra em uma etapa da vida tão ansiogênica. No que diz respeito à fase de alerta, embora tenha elevado de 15,4% (n = 6) para 17,9% (n = 7), isso indicou que houve uma migração de fases, o que não é preocupante, uma vez que ela é apenas sintomática e não traz riscos à saúde do adolescente.

Tais resultados confirmam as hipóteses apontadas pela literatura, as quais indicam que os exercícios físicos são capazes de proporcionar melhor bem estar geral do indivíduo, independente da sua faixa etária (VOLPATO et al., 2008; CUNHA et al, 2008). De acordo com Godoy (2002), essas hipóteses sugerem que os mecanismos psicológicos, fisiológicos e bioquímicos podem explicar os benefícios gerais do exercício. Psicologicamente, o exercício é apontado como capaz de promover maior socialização; de melhorar a autoestima e a autoimagem corporal; e de influenciar nas sensações e pensamentos positivos (PELEGRINI e PETROSKI, 2009) - aspectos importantes para quem necessita reduzir o nível de estresse mental. Fisiologicamente, as hipóteses indicam que as pessoas mais bem condicionadas tendem a apresentar padrões reduzidos na resposta autonômica frente ao estresse (DUARTE, et al., 2003; RIBAS e RIBEIRO, 2003; ROGRIGUES et al., 2007). Por último, bioquimicamente, os exercícios parecem ativar os mecanismos neuroendócrinos a produzirem serotonina, dopamina, noraepinefrina e endorfinas; substâncias endógenas consideradas relaxantes, ansiolíticas e antidepressivas (VOLPATO et al., 2008; CUNHA et al, 2008).

Entretanto, ainda nesse contexto, ao se analisar os resultados das fases do estresse do GC antes e depois do experimento, figuras 6 e 8, respectivamente,