• No results found

4.1 Presentasjon av dataene

4.1.1 Spørreundersøkelsen

A caminhada por esta vereda foi longa e difícil. Várias vezes nos perdemos pelos corredores do labirinto YouTube antes de encontrarmos a metodologia apresentada neste capítulo. Para aprender o objeto de pesquisa desta dissertação, realizamos um estudo de caso. Entendemos que a barreira/muro que separa territórios em áreas de conflito pode ser vista como um fenômeno, um caso dentro do YouTube. Por isso nos propomos a estudar esse caso dentro desse jardim de vídeos, que abriga inúmeros outros casos e fenômenos, com o intuito de descobrir se os corredores desse dédalo virtual fornecem espaço para que novas vozes reverberem dentro dele a respeito da barreira, fomentando a pluralidade de abordagens.

Seguindo a definição de Robert K. Yin, “[...] um estudo de caso é uma investigação empírica que investiga um fenômeno contemporâneo dentro do seu contexto, especialmente quando os limites entre o fenômeno e o contexto não estão claramente definidos” (YIN, 2005, p. 32). De acordo com Gil (2009), os estudos de caso requerem profundidade, preservação do caráter unitário do caso e a não separação de seu contexto. Recorremos a esse autor por considerar que sua estratégia de delineamento de pesquisa dos estudos de caso seria muito eficaz neste estudo. Segundo o pesquisador, “[...] torna-se necessário, portanto, identificar, descrever e analisar: (1) o local em que ocorre o fenômeno, (2) os atores, (3) os eventos, e (4) os processos” (GIL, 2009, p. 55).

Como os estudos de caso requerem a utilização de múltiplas técnicas de coleta de dados, pareceu-nos relevante aliar a esse delineamento de pesquisa as técnicas de análise de conteúdo e de discurso. Para ajudar a delinear a pesquisa de melhor aplicação ao presente objeto, elegemos duas estratégias de coleta que têm relação direta com as duas técnicas de análise – de conteúdo e de discurso – escolhidas para estudar o caso do muro dentro do YouTube: a observação e a documentação.

Para Gil,

[...] a observação nada mais é que o uso dos sentidos para adquirir os conhecimentos necessários para viver o dia-a-adia [...] Em muitos estudos, constitui procedimento único para a coleta de dados, o que faz com que seja considerada por si só um método de investigação (GIL, 2009, p. 71).

Também atentamos para perceber quais os discursos presentes em cada vídeo, documentando os metadados de cada um. Sob a luz dos estudos de Antônio Carlos Gil, “O mais importante uso da documentação num estudo de caso, no entanto, é o do fornecimento de informações específicas com vistas a corroborar resultados obtidos mediante outros procedimentos” (GIL, 2009, p. 76).

Para tanto, elaboramos um protocolo para cada vídeo, que também apresentará em seu bojo as categorias definidas para a análise de conteúdo e de discurso, já apresentadas anteriormente. Tudo constará no protocolo de cada um dos 70 vídeos, incluindo as categorias e metadados fornecidos pelo próprio YouTube, as categorias de discursos que também foram definidas com base nas características de cada vídeo, como alguns dos elementos destacados por Gil (2009, p.58), que são:

1. Dados de identificação de cada vídeo, metadados: título, link, autoria, publicação, exibições, duração, categoria, participante desde país, língua, pró-Israel, pró-Palestina, cita e/ou mostra o muro;

2. Introdução, com uma breve descrição do vídeo – além de assistir a cada um dos conteúdos, usamos trechos da categoria/metadados “descrição” para ajudar na composição da introdução, com breve relato de cada um dos 70 vídeos; e

3. Procedimentos de edição do próprio vídeo, com as estratégias, recursos, cenas impactantes do material, que também estão incluídos na introdução.

O protocolo foi usado, principalmente, para ajudar na documentação dos metadados catalogados pela análise de conteúdo, bem como na avaliação dos discursos presentes no material. Ele também estabelece uma relação direta com as categorias das análises de conteúdo e de discurso expostas neste estudo. As duas técnicas de análise e o delineamento de pesquisa do estudo de caso foram combinados para melhor atender às exigências e à natureza do objeto de pesquisa desta pesquisa, o site YouTube. A metodologia adotada também contribuiu diretamente para que alcançássemos as respostas a cada um dos objetivos desta pesquisa, para saber:

 se o YouTube apresenta versões diferentes a respeito desse tema polêmico – barreira/muro;

 se há o predomínio de denúncias ou de críticas nos vídeos; e  se há uma pluralidade de discursos a respeito da barreira.

Para tal, foi feito o seguinte recorte: foram pesquisados os vídeos enviados ao site até o dia 31 de dezembro de 2010, de acordo com cinco tags definidas em língua portuguesa e cinco

tags definidas em língua inglesa. Dessa forma, o objeto de pesquisa deste trabalho apresenta dois

núcleos, sendo que um é englobado pelo outro. A barreira que separa territórios israelenses e palestinos – cuja operação de construção denominada Muralha de Proteção começou a ser empreendida em março de 2002 – e o YouTube – que tem uma história ainda recente, considerando seu surgimento em fevereiro de 2005.

Para alcançar os objetivos, definimos que a problematização do presente estudo refere-se à conceituação do YouTube e às discussões a respeito da barreira que divide territórios israelenses e palestinos. Para chegar à delimitação final do corpus, foram feitos vários recortes, cada um com uma amostragem de vídeos condicionada à data de aferição. Até chegar à data escolhida, um longo caminho foi percorrido. Pela natureza do objeto de pesquisa – um site em constante transformação, aberto ao compartilhamento de vídeos em que cada um é descrito em metadados, dados sobre os dados – escolhemos duas técnicas de análise: de conteúdo e de discurso. Ambas se aplicam ao objeto de estudo deste trabalho, sendo que a análise de conteúdo será principalmente usada para avaliar os metadados de cada vídeo, enquanto a análise de discurso terá seu foco mais voltado para descobrir quais discursos estão presentes nos vídeos selecionados. Além disso, também recorremos a um delineamento de pesquisa (GIL, 2009), o estudo de caso, por intermédio do qual pretendemos complementar as duas técnicas de análise.

De acordo com Eni Orlandi, um dos primeiros pontos a considerar, no que tange à análise, é a constituição do corpus que, segundo a autora, não segue critérios empíricos (positivistas), mas teóricos (ORLANDI, 2009). A delimitação do corpus deste trabalho foi feita em várias etapas. Primeiramente, no site do YouTube, a partir das tags muro, Israel e Palestina, foram feitas pesquisas prévias para saber qual seria a quantidade média de vídeos relacionados às palavras- chave escolhidas. Foi dado um destaque para a tag muro, que veio em primeiro lugar na sequência, pela importância da temática do muro inserida no contexto dos vídeos pesquisados, de forma a encontrar vídeos sobre o assunto que tenham relação direta com a barreira física que separa territórios israelenses e palestinos. Depois, em ordem alfabética, seguiram-se as palavras

Israel e Palestina, que destacam os dois países com territórios envolvidos em áreas de conflito nos arredores do muro.

Para conhecer o funcionamento da busca por vídeos no YouTube, foram feitas várias pesquisas a partir do sistema de buscas do próprio site, que permite a inserção de tags e a escolha do tipo de vídeo a ser procurado. Ao todo foram realizadas pesquisas em oito ocasiões:

 30 de outubro de 2009;  20 de janeiro de 2010;  02 de fevereiro de 2010;  14 de maio de 2010;  18 de julho de 2010;  08 de agosto de 2010;  24 de outubro de 2010; e  31 de dezembro de 2010.

Esse percurso foi dividido em duas etapas principais: a primeira realizada até a Qualificação – em 09 de junho de 2010 – e a segunda, no período posterior à Qualificação. A partir do material encontrado ao longo das oito datas em que foram realizadas as buscas, percebemos que quanto menor o número de tags, maior o número de vídeos relacionados a elas. Da mesma forma, quanto maior o número de tags, menor a amostragem relacionada a elas apresentada pelo sistema de buscas do YouTube. Para melhor compreensão dessa etapa de estudos, apresentamos os gráficos a seguir. A princípio, na primeira etapa – período que vai até a Qualificação – foram usadas apenas três tags, escritas em uma única língua, o português. São elas: muro Israel Palestina. Na segunda etapa, depois da Qualificação, foi aumentado o número de tags de 3 para 5, bem como o número de línguas – português e inglês. Ou seja, as tags – nas línguas inglesa e portuguesa – foram: “muro Israel Palestina história conflito” e “wall Israel

Palestine history conflict”.

Na primeira etapa, com uma quantidade de vídeos superior a cem, encontramos muitas dificuldades para continuar com esse recorte de corpus, que apresentava uma amostra muito grande para a análise. Ao realizar a busca com as mesmas tags em inglês, chegamos a um resultado ainda maior, superior a mil vídeos enviados. Tentamos dar continuidade ao trabalho,

porém, tivemos problemas com a armazenagem dos itens, sendo que, repetidamente, o computador não suportava a grande quantidade de vídeos, que demandava uma enorme capacidade de espaço para armazenagem. Percebemos que o recorte estava demasiadamente amplo. Então, decidimos restringir a amostragem, mudando o recorte da seguinte forma: mantivemos as tags “muro, Israel, Palestina” nessa mesma ordem e acrescentamos as seguintes: “história, conflito”, com o intuito de incluir o teor histórico do conflito na amostragem, realizando a pesquisa tanto na língua portuguesa quanto na língua inglesa.

Para tal, escolhemos uma data limite para verificar as tags no YouTube: 31 de dezembro de 2010. Decidimos aguardar o fim de 2010 e escolher o último dia do ano, para então fechar a data limite para a pesquisa dos vídeos. A intenção foi estender a data limite ao máximo possível para poder englobar o maior número de vídeos postados no YouTube relacionados as cinco tags escolhidas ao longo de todo o ano de 2010. O dia 31 de dezembro é uma data aleatória, escolhida com o intuito de não favorecer a grupos pró-israelenses ou pró-palestinos que tenham postado seus vídeos em dias que marquem homenagens a Israel ou à Autoridade Nacional Palestina. E, ainda, completando um pouco mais de um ano desde a primeira ocasião da pesquisa, realizada em 30 de outubro de 2009. O ano de 2010 – o quinto ano de existência do YouTube – foi marcado por conquistas numéricas do próprio site, sendo que essa também é uma razão para a escolha da data limite para a pesquisa dos vídeos.

Para melhor exemplificação, elaboramos a construção de dois gráficos. A partir das datas de pesquisa, foi aferida a quantidade de vídeos relacionados às tags escolhidas. Nos gráficos que seguem, as datas compõem o eixo horizontal, representando o tempo, enquanto a quantidade de vídeos aferidos em cada ocasião compõe o eixo vertical, representando a variável vídeos. O gráfico 1 representa a primeira etapa de pesquisa, com apenas três tags, em português, analisadas em quatro ocasiões distintas. O gráfico 2 representa a segunda etapa, com cinco tags, em inglês e português, em quatro ocasiões diferentes.

(Gráfico 1 – Etapa 1 da Pesquisa)

A princípio, já se percebe com facilidade que a quantidade de vídeos postados em língua portuguesa ainda é muito pequena quando comparada ao número de vídeos postados relacionados às tags em língua inglesa. Procuraremos nos ater mais a esse e a outros fatos relacionados nos próximos capítulos. Nesse momento, é válido destacar que, ao longo das oito ocasiões de buscas no site do YouTube, a intenção foi aprimorar e refinar a pesquisa, até chegar a uma amostragem adequada para a aplicação das análises de conteúdo e de discurso do corpus. Para ajudar a definir e delimitar o corpus, usamos algumas das opções oferecidas pelo sistema de pesquisa do próprio

site YouTube.

 Tipos de resultado: vídeos; para eliminar os canais e as listas de reprodução. O objetivo deste estudo é analisar apenas os vídeos.

 Classificar por: data de envio; para restringir apenas os vídeos postados até a data escolhida, 31 de dezembro de 2010.

 Data do envio: qualquer hora; sem maiores restrições.

 Categorias: todos; para englobar qualquer tipo de categoria, sem restrições.

 Duração: todos; abrangendo o leque de possibilidades de vídeos curtos, médios e longos.  Recursos: todos; incluindo vídeos com qualidade digital, em alta definição, com legendas

etc.

A partir disso, chegamos a um novo corpus, mais restrito, resultado das tags “muro Israel Palestina história conflito” e “wall Israel Palestine history conflict”. Ao todo, 70 vídeos foram registrados, sendo 62 deles resultado da busca com tags em inglês e 8 resultantes da pesquisa com tags em português – vale destacar que 2 dos vídeos aparecem tanto nas tags em inglês como na pesquisa com tags em português. Com o corpus definido, aplicamos a técnica de análise de conteúdo, realizando a categorização dos vídeos. Bardin define a categorização como:

[...] operação de classificação de elementos constitutivos de um conjunto por diferenciação e, seguidamente, por reagrupamento segundo o gênero (analogia), com os critérios previamente definidos. As categorias são rubricas ou classes, as quais reúnem um grupo de elementos – unidades de registro, no caso da análise de conteúdo – sob um título genérico, agrupamento esse efectuado em razão das características comuns destes elementos (BARDIN, 2009, p. 145).

De acordo com a autora, o critério de categorização pode ser semântico – que apresenta categorias temáticas –, sintático, verbos, adjetivos – e léxico – classificação das palavras feita de acordo com o sentido – e expressivo – as categorias que classificam as diversas perturbações da linguagem. O critério de categorização não é o mesmo, pois não acentuamos o mesmo aspecto da realidade. Segundo Bardin, o critério que empregamos é mais ou menos adaptado à realidade que se oferece. Na análise de conteúdo, a mensagem pode ser submetida a uma ou várias dimensões de análise. Classificar elementos em categorias impõe a investigação do que cada um deles tem em comum com os outros. O que vai permitir o seu agrupamento é a parte comum existente entre eles.

Estudando o site do YouTube, é possível perceber que ele apresenta um banco de dados muito rico, que será mais bem explorado nos próximos capítulos. Nesse momento, importa destacar o seguinte: para que cada pessoa consiga enviar o(s) seu(s) vídeos(s) a esse banco de dados, é necessário informar alguns metadados, ou seja, dados sobre os dados, que se constituem em informações importantes sobre os vídeos a serem postados, para que, posteriormente, eles sejam mais bem localizados dentro do banco de arquivos com inúmeros vídeos enviados ao YouTube. Criamos uma conta no site de compartilhamento de vídeos para descobrir seu funcionamento. Ao criar essa conta, é possível reparar que várias ferramentas e recursos são oferecidos juntamente com ela. Quando se quer enviar um vídeo, no blog do YouTube, no link “Dicas para parceiros do YouTube”, o site oferece a seguinte recomendação:

Os títulos, tags e descrições (todos classificados como metadados) ajudarão a aumentar a descoberta dos seus vídeos e a aumentar o CPM. As descrições podem conter até 5.000 caracteres, tags podem ter 120 caracteres. Faça uma meta de usar todos esses limites em cada um dos seus vídeos. Quanto mais palavras você incluir na sua descrição, maiores serão suas chances de ser descoberto pelos usuários, o que significa que a sua audiência pode aumentar, assim como seu potencial de receita através de anúncios.34

 

Isso destaca a importância dos metadados dentro do funcionamento do YouTube. O programa do site usa algoritmos que realizam várias combinações para empreender uma busca a partir das tags. Para tal, ele requer a informação do título do vídeo, a descrição do material a ser postado, as palavras-chave, a categoria em que o material se encaixa, o nível de privacidade do vídeo e as opções de compartilhamento. Além do mais, o YouTube oferece o número de

       

34

Broadcasting Ourselves, The Official You Tube Blog, 27 set. 2010. Disponível em: <http://youtubebrblog.blogspot.com>. Acesso em: 31 out. 2010.

visualizações de cada vídeo, índices de popularidade do material e outras informações estatísticas. Nosso intuito é avaliar os discursos de cada um dos 70 vídeos frutos das tags “wall

Israel Palestine history conflict” e “muro Israel Palestina história conflito”, analisar também o

conteúdo de alguns dos metadados informados. Mais informações sobre o funcionamento do YouTube serão encontradas nos próximos capítulos deste estudo.

Para avaliar o material, foi usada a análise de conteúdo. A partir do emprego dessa técnica, pretendeu-se descobrir e interpretar o discurso simbólico e polissêmico presente nos metadados dos vídeos. Para Bardin, um sentido que convém desvendar se esconde por trás do simbolismo e da polissemia. A definição para essa técnica de análise apresentada por Berelson (1948 apud BARDIN, 1977, p. 20) é: “[...] uma técnica de investigação que tem por finalidade a descrição objectiva, sistemática e quantitativa do conteúdo manifesto da comunicação”.

A análise de conteúdo surgiu no início do século passado, nos Estados Unidos, na escola de Jornalismo de Colúmbia. A escola foi uma das pioneiras nos estudos quantitativos de jornais. De acordo com Bardin, os pesquisadores da época tinham verdadeiro fascínio pela contagem e medida dos artigos, suas superfícies, tamanhos de títulos e localização na página. Segundo Bardin, constitui-se em um conjunto de técnicas de análise das comunicações, que pode ser adaptada a cada tipo de interpretação, reinventada, pois não se trata de um instrumento, “[...] mas de um leque de apetrechos ou [...] um único instrumento, mas marcado por uma grande disparidade de formas e adaptável a um campo de aplicação mais vasto: as comunicações” (BARDIN, 2009, p. 33).

Optamos pelo uso dessa metodologia de pesquisa com o objetivo de aprofundar os estudos sobre o corpus formado pelo número total de vídeos postados na rede até o fim da data escolhida, além de considerar a própria natureza do presente objeto de pesquisa – um corpus formado por vídeos, dados e metadados. O material foi analisado e dividido em categorias apresentadas pelo próprio YouTube, discutidas ao longo das veredas deste estudo. Essas categorias, associadas à aplicação de outra técnica de análise, consolidada enquanto disciplina de análise de discurso na década de 50 do século passado, ajudaram no esquadrinhamento do objeto de pesquisa deste trabalho – as características dos vídeos enviados ao YouTube relacionadas às 10 tags em inglês e português. A proposta é fornecer subsídios para averiguar o discurso presente nos 70 vídeos. Pode-se afirmar com Eni Orlandi (1997), que a análise de discurso trata do

discurso, palavra que, etimologicamente, contém em si a ideia de curso, de percurso e de movimento:

O discurso é assim palavra em movimento, prática de linguagem: com o estudo do discurso, observa-se o homem falando [...] procura-se compreender a língua fazendo sentido, enquanto trabalho simbólico, parte do trabalho social geral, constitutivo do homem e da sua história (ORLANDI, 1997, p. 15).

Os vídeos representam a palavra em movimento. Por isso, a proposta é apresentar apontamentos para analisar os discursos – palavras em movimento – presentes nos vídeos, percebendo o que querem dizer, o que trazem, e ainda que mediação é feita entre o homem e sua realidade natural e social. Sob a luz dos estudos de Orlandi, essa mediação – o discurso – torna possível a transformação do homem e da realidade em que ele vive. Avaliamos a atuação conjunta das imagens/sons e dos discursos presentes nos vídeos e em seus metadados, com intenção de contribuir para a elucidação dos discursos presentes no YouTube que tratam da temática do muro que separa territórios israelenses e palestinos em áreas de conflito. Queremos examinar o que dizem, com uma análise marcada por uma reflexão constante sobre a significação e as considerações sócio-históricas de produção de cada vídeo.

Considerando a abordagem de Benveniste, ao ponderar que o locutor se apropria do aparelho formal da língua e enuncia sua posição de locutor por índices específicos, ela provê o terreno para a entrada do sujeito falante no processo de enunciação e se dispõe a mostrar como acontece a inscrição desse sujeito nos enunciados que ele emite. Nossa proposta é apresentar apontamentos para, de acordo com Benveniste, examinar a relação estabelecida entre o locutor – autor/produtor do vídeo –, seu enunciado – metadados – e o mundo presentes nos vídeos do YouTube. Eni Orlandi destaca uma tendência europeia que parte de uma relação necessária entre o dizer e as condições de produção desse dizer.

Seguindo o raciocínio de Helena Nagamine, que elaborou um quadro teórico para aliar o