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Soil Carbon and the Nature of Sediment Transport and Deposition

5 Discussion

5.3 Linking Soil Carbon to the Deglaciation Landscape

5.3.2 Soil Carbon and the Nature of Sediment Transport and Deposition

Os motivos da recontratação de Bori na USP, segundo Cunha (1998), foram dois. Um deles foi devido a um apoio que ela deu à Annita Cabral, em um momento em que não queriam renovar seu contrato:

Acho que o que influiu na decisão da Professora Annita, além das necessidades da cadeira, foi uma solidariedade que ela devia à Professora Carolina. Por volta de 1964 ou 1965, a Doutora Annita teve uma dificuldade de renovação de contrato pois, sendo interina, devia fazer o concurso de Livre-Docente para assegurar a chefia e a indicação para a Cadeira de Psicologia... Como forma de apoio à Dra Annita, providenciei um abaixo-assinado em sua defesa (p. 52)

      

19 Trata-se de Keller, F, Schoenfeld, N. (1950). Principles of Psychology: a systematic text in the science of

behavior, New York: Appleton-Century-Crofts

20

Trata-se de Holland, J. G., Skinner, B. F. (1961) The Analysis of Behavior: A Program for Self-Instruction. New York: McGraw-Hill Book Company

Dentre os que tinham assinado estavam Carolina Bori e Rodolpho Azzi.

O outro motivo para a recontratação de Bori era a própria necessidade do novo curso de pós-graduação que estava sendo implantado na USP:

a Dra Annita planejava criar o primeiro curso de pós-graduação em Psicologia no país, para o qual contava, como orientadores, com Carolina, já doutora, e comigo (que defenderia a tese em breve), além dela própria. A Dra Annita encarregou então a mim e a Carolina de pensar na parte de Psicologia Experimental de um curso de pós- graduação em Psicologia Social e Experimental (Cunha, 1998, p. 53)

Pouco tempo depois, em 1968, um grupo de alunos da graduação estava se organizando contra a renovação do contrato de Annita Cabral devido a problemas de relacionamentos e porque achavam que ela estava prejudicando o desenvolvimento do curso de Psicologia. Nesta mesma época, começou também o movimento da Reforma Universitária, que levou à extinção das Cátedras, transformando-as em Departamentos. Com isso, Carolina Bori foi eleita a primeira Diretora do Departamento de Psicologia Social e Experimental: “Penso que os alunos confiavam na Carolina e viam nela uma líder, uma pessoa que poderia representar esses novos ares de mudança, inclusive porque ela tinha feito parte de uma Universidade revolucionária, a Universidade de Brasília” (Cunha, 1998, p. 56).

Em 1970, o Instituto de Psicologia (IP) da USP foi criado e o Departamento de Psicologia Social e Experimental, chefiado por Bori foi dividido em dois: Departamento de Psicologia Social e Departamento de Psicologia Experimental. Segundo Cunha (1998), a partir da criação do IP, Bori foi se voltando à pós-graduação.

Novamente, a influência da abordagem teórica é notada nas disciplinas quando se inicia o curso de pós-graduação em Psicologia Social e Experimental na USP. As disciplinas eram “Ensino Programado”, área em que se tornou referência no país, e “Táticas de Pesquisa Científica”, baseada em um livro de Murray Sidman (Tactics of Scientific Research, de 1960). Bori orientou centenas de dissertações de mestrado e teses de doutorados. Luiz Edmundo Magalhães, que fez parte da diretoria da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) no mesmo período em que Bori integrou a diretoria, afirmou que ela estava sempre rodeada por alunos e que ela cuidava deles com um carinho e atenção quase maternal. Alguns dos entrevistados foram orientandos dela e afirmam que uma característica de suas orientações eram as perguntas que fazia. Dificilmente dava uma resposta ou opinião sobre um dado da pesquisa ou método a ser utilizado. Ela sempre respondia aos alunos com novas perguntas. Deisy das Graças afirma que “era uma questão de ter clareza de que se o aluno não tem independência (...) ela está falhando com o papel dela”. Sobre as orientações que recebia,

Maria do Carmo Guedes afirmou que o texto que escrevia e levava para orientação voltava com pequenas interrogações ou anotações em cima das palavras que tomavam horas até que todas as correções fossem feitas. Nenhum dos orientandos falou ter tido problemas com ela e todos consideram ter tido uma excelente orientação.

Rachel Kerbauy afirmou que Carolina Bori foi, por muito tempo, a única pessoa apta a orientar trabalhos de mestrado e doutorado que envolvesse experimentação em Psicologia, o que fez muitas pessoas recorrerem a ela. Além deste aspecto Luiz Edmundo Magalhães afirmou que podia se ver nas conversas que tinha com Bori que ela dominava a área de Psicologia Experimental e que ela tinha interesse e preocupação enormes no desenvolvimento de pesquisa experimental na Psicologia. Outra grande preocupação de Bori era com a metodologia científica, assunto que buscava sempre discutir com alguns professores.

Walter Hugo da Cunha, ex-professor do Departamento de Psicologia Experimental foi, ao lado de Carolina Bori, um profissional que lutou (e ainda luta) pelo desenvolvimento de uma Psicologia “mais voltada para a ciência”. Sobre a luta que traçaram, o entrevistado afirmou terem participado da organização do que se tornaria o Instituto de Psicologia da USP e o Departamento de Psicologia Experimental quando o curso de pós-graduação em Psicologia Social e Experimental da USP começou a ser oferecido, no final da década de 1960. Nesta ocasião, Carolina Bori estava voltando de Brasília (este período será apresentado mais adiante) e, junto com Rodolpho Azzi, foram contratados para a parte experimental do programa.

Sobre a elaboração do Departamento de Psicologia Experimental, Maria Helena Souza Patto afirma que Carolina teve um papel fundamental no que ela chamou de nova fase da Psicologia Experimental, assim como o professor Walter Hugo. Esta função foi desempenhada com o fim do sistema de cátedras pela reforma educacional de 1968, pois criaram departamentos separados e, no Departamento de Psicologia Experimental, Carolina Bori e Walter Hugo trabalharam juntos na contratação de jovens docentes, pediram verbas para montagem de biotério, de laboratório, entre outras atividades.

6.5. DESENVOLVENDO UMA CULTURA CIENTÍFICA EM SOCIEDADES