5 Discussion
5.3 Linking Soil Carbon to the Deglaciation Landscape
5.3.3 Deep Carbon Storage
De todas as sociedades científicas em que Bori trabalhou, talvez a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência seja a que Bori mais dedicou mais tempo. Seu primeiro cargo na diretoria da sociedade foi em 1973, permaneceu por dezesseis anos (8 mandatos) e assumiu as posições de Secretária, Secretária-geral, Vice-presidente e Presidente. Sua atuação
na SBPC chama atenção por ser uma sociedade que incentivou diversas iniciativas nas ciências, no Brasil. Para muitas áreas do conhecimento, ela representou a principal sociedade que dava condições para a discussão de pesquisa, lutava junto a políticos brasileiros reivindicando melhores condições de trabalho para pesquisadores. A atuação de Bori junto à SBPC foi tão intensa que Freire Maia afirmou “que muitas vezes não se pode pensar em uma sem se pensar na outra” (1998, p. 189). Alguns programas de difusão científica da SBPC surgiram durante os anos em que Bori esteve na gestão. Exemplos são a revista “Ciência Hoje, Ciência Hoje das Crianças e o programa de rádio “Ciência Hoje pelo Rádio”. Além desses programas, Bori também desempenhou papel importante junto ao IBECC – “Carolina criou um grupo de apoio ao professor secundário com uma publicação regular de notícias de interesse ao professorado bem como resumos ou títulos de artigos publicados no país e no exterior dando conta dos progressos científicos recentes (Sala, 1998, p. 185) –, na Estação Ciência – “Este projeto não lhe era estranho, como vice-presidente da SBPC, a professora havia acompanhado a sua elaboração, conhecia seus objetivos e a proposta de funcionamento deste museu interativo de ciência. Vim a perceber, posteriormente, que ela provavelmente estava a par de quase todas as iniciativas renovadoras na área da educação e que tinha dado seu apoio e contribuição a um número enorme de iniciativas” (Soares, 1998, p. 147) –, e no concurso “Cientistas de Amanhã” – “Auxiliava na preparação da programação, na leitura do projeto, no auxílio e na verificação do comportamento dos jovens classificados, mas não parava aí” (Ormastroni, 1998, p. 133).
Outra contribuição de Carolina Bori aconteceu na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) no começado da década de 1970. O então reitor da universidade, Luiz Edmundo de Magalhães a convidou para auxiliar na organização do núcleo de Educação e Psicologia da instituição. Para isso, ela convocava todo o corpo docente da graduação de Pedagogia, que era organizado em dois departamentos (Departamento de Tecnologia Educacional e Departamento de Fundamentos Científicos e Filosofia da Educação) para reuniões. De todas as ideias discutidas para o desenvolvimento do Núcleo, ganhou força aquela que propunha o desenvolvimento da área de educação especial. O grupo havia avaliado que esta era uma área com poucos profissionais habilitados para trabalhar na área e para formar novos profissionais. Foi assim que criaram um curso de pós-graduação em nível de mestrado e doutorado em Educação Especial da UFSCar, antes de existir um curso de graduação na área.
No início da década de 1970, Bori foi procurada por professores do Instituto de Física da USP para ajudar a resolver algumas questões de ensino de Física junto ao curso de pós- graduação em Ensino de Física recém-criado. Inicialmente, ela foi solicitada a auxiliar na
orientação de uma dissertação de mestrado que tinha como objetivo a análise de um curso personalizado. Villani (1998) comentou esta participação:
ninguém poderia ser mais adequado do que a Professora Carolina além de ser famosa por sua competência como pesquisadora na área de Psicologia experimental tinha participado, junto com o Professor Keller, do experimento pioneiro de Brasília, no qual foi utilizado, de maneira inaugural, o que posteriormente foi nomeado de Método Keller, ou Sistema de Ensino Individualizado (p. 141)
A partir deste contato, começou a oferecer uma disciplina aos alunos do curso de pós- graduação em Ensino de Física e, ao fim deste curso, um grupo de alunas propôs a organização de um curso experimental de Física que seria oferecido aos calouros da graduação em Física da mesma universidade. Todo o curso seria planejado de acordo com os princípios discutidos na disciplina oferecida por Bori. Assim Pacca (1998) descreveu as aulas de Bori:
O Instituto de Psicologia, através do grupo liderado pela Profa. Bori, oferecia disciplinas cujo conteúdo se referia com muita propriedade as procedimentos de pesquisa, que permitiam reconhecer dados relevantes e adequados bem como maneiras de analisá-los com propósitos coerentes do ensinar Física. Nesses cursos, o contado dos estudantes com os professores, especialmente com a Profa. Carolina, era bastante estreito e as avaliações exigiam um grande esforço dos estudantes. Através de entrevistas e seminários, discutíamos questões objetivas e concretas de Ensino de Física, orientados pela intervenção sumária e medida da Profa Carolina: “Professora, qual é o problema que a senhora quer resolver com isto?”, “Professora, será o que aluno entendeu isso?” (pp. 138-139)
Em artigo comentando o desenvolvimento do PSI no Brasil, Bori (1974) afirma que o sistema de ensino implementado em Brasília se tornou popular em cursos de Psicologia no Brasil. Porém, quanto às outras áreas do conhecimento, a utilização do PSI começou pelo Departamento de Física da USP. Segundo a autora, “havia um clima de insatisfação com o estado do ensino de ciências no Brasil que se mostrou em várias direções, percorrendo desde encontros informais à discussões em simpósios que lidam com a necessidade urgente de inovação metodológica” (p. 69) e, neste contexto, foi solicitado a ela que oferecesse um curso sobre princípios básico do comportamento. A partir de então, o curso começou a ser oferecido para estudantes de física e engenharia.
Outras ações desenvolvidas por Bori em sociedades, associações e fundações científicas não específicas da Psicologia foram estavam ligadas à SBPC, ao IBECC e à Estação Ciência.
Junto ao IBECC, coordenou o prêmio Jovem Cientista, desenvolvia equipamentos, protótipos e kits para ensinar ciências. e investia em equipamentos para a educação infantil como kits de química, uns kits de física, etc. Além disso, o IBECC também produziu caixas de Skinner. O ensino básico e fundamental também foi foco dos trabalhos de Bori durante sua atuação da Estação Ciência, onde ela coordenou cursos de formação de professores de ciências, professores do país inteiro, elaborando material didático.
Bori esteve vinculada à sociedades científicas desde o início de sua carreira. Já em 1954, seu nome constava na relação de sócios admitidos na Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Neste mesmo ano, assumiu a presidência da Associação Brasileira de Psicólogos, uma das associações que participou da elaboração de uma proposta para regulamentação da profissão de psicólogos. Outra sociedade importante nesta luta foi a Sociedade de Psicologia de São Paulo, da qual assumiu a presidência nos anos 1960 e 1961.
Nas sociedades de psicologia, participou ativamente do reconhecimento da profissão tanto na elaboração de projetos de lei, quanto no pedido de assinaturas para que a lei fosse votada pelos deputados e até mesmo na luta pelo reconhecimento da profissão pela sociedade. Na sessão “Notícias” da revista Boletim de Psicologia (1961, 41 e 42), os responsáveis pela sessão anuncia a defesa de Bori pela equiparação do cargo de “psicologista” aos demais cargos de nível universitário. Após o reconhecimento da profissão, em 1962, Bori integrou uma comissão que daria o título de psicólogo para quem já atuava na área antes de seu reconhecimento. Além dela, M. B. Lourenço Filho, Pe. A. Benkö, P. Parafita Bessa e Enzo Azzi também integraram a comissão.
Bori também assumiu cargos na diretoria de outras sociedades como Associação de Modificação de Comportamento (1969/1976), Sociedade Brasileira de Psicologia (1990/1994) e Associação Nacional de Pesquisa e Pós Graduação em Psicologia (1984/1986).
Contudo, foi na SBPC que Bori lutou pela construção de um sistema de política científica no Brasil, discutindo com políticos brasileiros sobre os rumos da ciência no Brasil. No Boletim Informativo da SBPC, n° 103, referente ao mês de julho de 1987, há um telex enviado por Carolina Bori ao então ministro da Ciência e Tecnologia, Renato Archer:
Manifestamos preocupação com notícias da possível redução do número de bolsas de estudo e da desvinculação do seu valor dos níveis salariais dos professores de universidades federais. Consideramos importante preservar política de expansão do número e estabilidade valores de bolsas condição necessária para garantir sucesso dos programas de formação de recursos humanos.
O aumento do número de bolsas e o seu vínculo aos níveis salariais das universidades federais é antiga reinvindicação da comunidade
científica. Alterações como as noticiadas redundarão em grave retrocesso na política de apoio ao desenvolvimento científico sucessivamente reafirmada pelo governo. (p.6)
Outro exemplo de discussão política de Bori é outro telex, entre vários, enviados ao então presidente da república José Sarney, sobre a inclusão do Ministério de Ciência e Tecnologia à outros ministérios ou suprimidos. Segue o texto:
A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e a Comissão das Sociedades Científicas vêm a público manifestar a sua preocupação com o noticiário sobre a inclusão do Ministério da Ciência e da Tecnologia entre os que podem ser suprimidos ou fundidos com outros, como parte da reforma político-administrativa anunciada pela presidência da República. A criação do ministério representa uma mudança na política científica e tecnológica do país e uma avaliação objetiva dos serviços que pode prestar requer muito mais tempo do que os seus dois anos e meio de existência, que foram, em grande parte, consumidos no difícil trabalho inicial de instalá-lo e estrutura- lo. Filiam-se ao Ministério da Ciência e Tecnologia entidades responsáveis por grande parte da formação de recursos humanos e por quase toda a atividade científica que se desenvolve nos institutos de ensino superior e pesquisas do país. A estabilidade e a continuidade nas ações a cargo destas entidades é da maior importância para o desenvolvimento social e econômico da nação. Submetê-las a transições e reorganizações frequentes não é a forma adequada de se promover o desenvolvimento nacional em ciência e tecnologia”. Carolina M. Bori (presidente da SBPC) e Alberto Carvalho da Silva (coordenador da Comissão das Sociedades Científicas). (Boletim Informativo da SBPC, n° 109, 10/10 a 16/10/1987, p. 5)