5 Discussion
5.3 Linking Soil Carbon to the Deglaciation Landscape
5.3.5 Glacifluvial Soils and the Short-term Carbon Cycle
Bori apresenta uma grande preocupação com a formação do psicólogo mesmo antes da profissão ser reconhecida no Brasil. Preocupava-se em oferecer conhecimentos produzidos por outras áreas ao futuro psicólogo, em vez de uma formação limitada ao conhecimento produzido pelos próprios psicólogos. Apesar de não especificar quais outras áreas do conhecimento ela considera importante que se ensinasse ao futuro psicólogo, fica clara a importância que a estatística teria, na visão da autora. Percebe-se a preocupação básica com a experimentação, seja a sua realização ou a leitura, pois há a necessidade de formação de profissionais que saibam criticar aquilo que leem, e, para isso, o conhecimento da estatística seria imprescindível. Há, também, a preocupação com a utilização de cálculos estatísticos adequados ao que está sendo estudado, dando o foco ao objeto, em vez do método, porque a interpretação dos dados estatísticos não pode apagar o fenômeno psicológico estudado.
A literatura psicológica faz muitas vezes referências a pontos de vista contrários e às mais diversas opiniões sobre o uso de técnicas estatísticas em problemas psicológicos. Essas discussões, embora teoricamente importantes, não implicam necessariamente numa desvalorização daquele instrumento. Embora vários psicólogos se neguem a reconhecer a validez das técnicas estatísticas quando aplicadas à psicologia e realizem experimentos sem uma qualquer referência a essas técnicas, esta não é a regra geral. Existem psicólogos, e não em pequeno número, que planejam e realizam seus experimentos incluindo um tratamento estatístico muito simples e ainda outros que baseiam seus experimentos exclusivamente na estatística. Naturalmente, o maior ou menor uso de técnicas estatísticas depende, não somente da orientação teórica dos vários autores, mas também do próprio problema da experimentação.
Portanto, mesmo aceitando o ponto de vista dos que criticam o uso da estatística em psicologia, não podemos deixar de reconhecer que o estudante da matéria deve estar habilitado a ler e a compreender os relatos dos experimentos que incluem uma consideração estatística dos problemas psicológicos (Bori, 1953/1954, pp. 18-19).
Outro aspecto importante da introdução da estatística na formação do psicólogo, segundo Bori, é a sua utilização na experimentação, atividade que todo aluno de psicologia deveria desenvolver durante sua formação. A experimentação deve ser parte da formação dos alunos porque o desenvolvimento da própria psicologia depende dela. Para ela, aparentemente, ao utilizar o método experimental, análises estatísticas podem ser consideradas:
o estudante de psicologia será levado a desenvolver uma atividade como experimentador. Essa atividade, da qual depende o desenvolvimento da própria ciência psicológica, requer o conhecimento e a prática de técnicas experimentais como de técnicas estatísticas (Bori, 1953/1954, p. 19).
Esta preocupação com o método experimental deve ser levado aos estudantes de Psicologia pois a experimentação seria uma maneira de pensar (Bori, 1952/1953) que deveria ser ensinada conduzindo o aluno para um ambiente em que todos os fatores que podem influenciar o fenômeno estudado são conhecidos e controlados. Um primeiro relato de Bori sobre a inclusão da experimentação na formação de novos profissionais foi publicado em 1964, contando a experiência da inclusão do trabalho em laboratório na Faculdade de Pedagogia da FFCL de Rio Claro. Na ocasião, defendia que o estudo do comportamento, em laboratório, auxiliaria na compreensão de fenômenos educacionais (Bori, 1964). Esta defesa também foi colocada nos textos que Bori escreveu sobre a criação do Departamento de Psicologia da UnB, onde alunos teriam o treino de laboratório em todas as etapas de sua formação.
Para ela, há a necessidade de incrementar a formação de pesquisadores, com utilização de aparelhos e laboratório, haja visto o grande número de professores empenhados na formação profissional e em pesquisas que não envolvem técnicas de laboratório. Outra exigência era com a construção e manutenção de equipamentos de laboratório. Bori e Azzi (1964) discutem a preparação do laboratório do Departamento de Psicologia da Universidade de Brasília:
Não temos nenhuma ilusão a respeito da palavra laboratório. Nem nenhum fetichismo em relação a aparelhos. Muito do que chamamos Psicologia foi feito sem eles. Entretanto, os requisitos de controle experimental das variáveis aumentam cada dia mais e todos nós que acompanhamos a literatura especializada – vemos com certo desconforto a eletrificação crescente dos aparelhos, procedimentos e registros. Além disso, a tendência de aumentar cada vez mais a duração dos experimentos acentua-se a ponto de se tornar imparaticável planejá-los sem o devido cabedal tecnológico. Em
suma, os aparelhos se complicam e se especializam. E, sobretudo, encarecem.
De outro lado, não se pode formar investigadores sem que tenham oportunidade de se exercitar com experimentos e ganhar familiaridade com um mínimo de equipamento padrão. Uma orientação experimental sem experimentos dificilmente deixa de ser uma profissão de fé para se concretizar em normas de trabalho (Bori e Azzi, 1964, p. 108-109)
Em um relato de experiência, publicado na revista Ciência e Cultura, em colaboração com outros autores (Keller, Bori e Azzi, 1964) pode-se perceber a posição de Bori (e dos outros autores do artigo) sobre à importância que a experimentação tem na formação de psicólogos, na construção do conhecimento e no ensino. Em 1964, Keller, Bori e Azzi publicam o planejamento do curso de psicologia da UnB (que ainda não havia sido iniciado) e dão esclarecimentos sobre suas bases teóricas que permitiram propor um método de ensino totalmente novo. O conhecimento produzido em laboratório de Psicologia, sobre processos de aprendizagem, também deveria ser utilizado em contexto acadêmico, na preparação de aulas Afirmam:
O objetivo do ensino consiste, em geral, em incrementar e diversificar o repertório de comportamento dos indivíduos. Como isto supõe aprendizagem, os bons métodos educacionais devem utilizar o que há de melhor na compreensão que se tem do processo de aprendizagem. Devem, pelo menos, tentar aplicar os princípios mais facilmente demonstráveis no laboratório, pois, se a solidez dos princípios não depende da paraxe educacional, a melhor prática será a que mais adequadamente os empregue (p. 397).
Na passagem citada, é dada à experimentação outra importância. Além de ser importante para a formação do profissional da psicologia, é fundamental para o conhecimento dos processos envolvidos na aprendizagem, o que é indispensável na educação. Assim, como o laboratório de psicologia vem testando e demonstrando princípios de aprendizagem, nada mais compreensível do que a utilização destes princípios na educação e na formação de profissionais. Com isso, reconhecem que não se deve esperar apenas que a experiência dos professores seja suficiente para resolução dos problemas educacionais.
Bori tem uma grande preocupação em adequar a psicologia aos métodos aceitos pelas ciências mais básicas. Como todas as ciências naturais, a psicologia também deveria se preocupar com o método experimental, definição dos conceitos, generalização dos resultados e validação de uma teoria. Uma característica da sua produção é a defesa da construção de um conhecimento que seja socialmente relevante e, para isso, os cientistas devem se preocupar
com a divulgação deste conhecimento a todos que possam se interessar. Para ela, a ciência, e a psicologia como uma forma de fazer ciência, são fundamentais para o desenvolvimento do país. A tecnologia deve chegar até a população uma vez que é a própria população que financia seu desenvolvimento.
A formação de psicólogo não deve se restringir a interesses aplicados pois a tecnologia depende de métodos científicos. Como um cientista, a teoria, o conhecimento já produzido e métodos adequados devem ser utilizados ao tentar propor um modo de atuar sobre os problemas sociais. Além disso, é importante, do ponto de vista da autora, assumir a independência do desenvolvimento científico em relação às preocupações com a aplicação.
8. UMA NOÇÃO DE PSICOLOGIA EM CORRESPONDÊNCIAS DE CAROLINA