• No results found

Social Closure Theory

Historical Background

3.5 Social Closure Theory

Segundo Gernet (1990), desde o século XVI até os dias de hoje, o comércio marítimo e a migração sempre caracterizaram a província de Guangdong, localizada ao sul da China. Este território passou a pertencer à China desde a Dinastia Qing (221-206 AC). Entre os séculos XVI e XIX, o comércio marítimo movimentava a economia através de mercadorias como o chá, prata, porcelana, ópio, ouro, arroz, seda, entre outras.

Pontua Cranmer-Byng apud Sahlins (2004) que os ingleses tinham interesse especial pelo chá e o consideravam uma necessidade vital indispensável, desde a sua disseminação na Inglaterra em meados do século XVIII, considerando sua ausência como calamidade nacional. Segundo Dyke (2005), o ópio era vendido em troca de prata e a prata utilizada para comprar chá. Bello (2003) assinala que mercadorias chinesas, como o chá, o tabaco e o açúcar deram origem ao primeiro mercado europeu de consumo de massa considerada o pré-requisito para o desenvolvimento do capitalismo privado e da estabilidade dos estados e dos regimes coloniais europeus.

Informa Dyke (2005) que o Delta do Rio da Pérola- Zhu Jiang Sanjia Ozhou, que corta a província e desemboca no Pacífico, é figura crucial desse comércio, pois tanto o Delta quanto o porto de Guangzhou possuíam inúmeras vantagens, sendo visto como acessível e livre considerado perfeito em suas condições geográficas, hidrográficas e topográficas. Acresce-se o fato de que também possuía uma boa relação com Macau, proporcionando ao comércio marítimo na China o seu melhor momento.

Dyke (2005) pontua que a especificidade do mercado internacional que ocorria em torno do Delta se traduzia pela quantidade expressiva de contrabando de metais, de ópio e de arroz, bem como de pirataria (roubo do mar) sendo os contrabandistas, muitas vezes, os próprios oficiais do Estado. Defende o autor, entretanto, que não foi o contrabando de ópio nem a dependência da prata , nem a corrupção interna que fez acabar esse sistema comercial, mas sim, a intervenção do governo pela proibição da importação de ópio, que era uma importante moeda de troca europeia naquele sistema e a carga tributária.

Na atualidade, segue o autor, as principais cidades da província de Guangdong estão localizadas ao longo do curso do Delta: Guangzhou, Shenzhene Dongguan, Zhuhai, Macau e Hong Kong sendo que o mercado europeu no século XVIII e XIX com a China, predominantemente holandês e inglês deu-se, basicamente, pelo porto de Guangzhou e proximidades.

Entre 1757 a 1842, a cidade de Guangzhou foi considerada o centro chinês de negócios com o exterior e a província de Guangdong, conhecida como janela chinesa para o mundo, fazendo com que o período da Dinastia Quing exercesse uma política econômica de relações exteriores. Durante os tempos áureos do comércio marítimo de Guangdong, Dikotter (2007) informa que os bens estrangeiros eram extremamente populares e chamados de bens oceânicos, representados por relógios, por mapas, por janelas de vidro, por metais, por lã e por linho, muito além da dependência do ópio.

A longa decadência da dinastia Qing foi marcada por sucessivas revoltas camponesas, pela contestação do poder do Estado, pelos nobres, pela fome e pelos impostos, aliados com as tradições e com os aspectos religiosos. A rebelião do Lótus Branco, seita religiosa secreta budista, mobilizou os camponeses, entre 1796 e 1804. Entre 1851 e 1864, houve a grande rebelião Taiping (Reino Celestial), com base no cristianismo protestante do Antigo Testamento juntamente com os ideais orientais. O exército Taiping instalou a guerra civil e foi constituído um governo dos rebeldes em Nanquin, de 1853 a 1864.

A retomada das posições pela dinastia Qing, ocorreu em meio ao movimento de restauração de 1861 a 1876 que, inclusive, contou com o apoio da Inglaterra, a fim de se encerrar as rebeliões generalizadas e frequentes, prejudiciais aos negócios. A política de restauração aceitava os tratados impostos pelas grandes potências e concedia cargos e atribuições às elites locais. Entre 1861 e 1894, houve uma tentativa fracassada de modernização da China, conhecida como auto- reforçamento, se propondo a recorrer à tecnologia ocidental (minas, ferrovias, telégrafo, máquinas, navios a vapor, etc), mas preservando o pensamento e as instituições do Estado Imperial chinês.

Conforme observa Bello (2003), o ópio tinha sido proibido desde 1729 pelo império Qing só que tal proibição não era respeitada. Entretanto, em 1830, percebeu-se uma perda muito grande de prata para sustentar o consumo do fumo do ópio, causando forte impacto na receita. A partir de então, eram aplicadas multas

pesadas sobre os fumantes, provocando confronto com os mercadores europeus e norte-americanos. Por parte do império chinês, iniciou-se a(s) Guerra(s) do Ópio (1840-1860). Segundo o especialista não há consenso se o conflito é fruto do rompimento das relações sino-britânicas, ou se tal rompimento é consequência da guerra. Assim, a China perdeu para os europeus territórios e portos importantes, como o de Shanghai e Guangzhou, além da concessão de Hong Kong à Inglaterra. Hong Kong foi colônia britânica até 1997.

O comércio, após o ano de 1842, caracterizava-se pelo contrabando e, conforme Dikotter (2007), a importação dos produtos estrangeiros passou a ser residual, porque os cantoneses aprenderam a copiar os bens importados que desejassem. Deste modo, na dinastia Qing, imitação e importação passaram a competir. Logo, tecidos exóticos deixaram de ser comprados quando se inventou uma maneira de copiá-los; o mesmo pode ser dito por panelas de metal cuja produção de cópias se disseminou ao longo da costa do país. Relógios constituíram a fonte para muita inovação e avanço na arte de copiar. E, assim, Lorde MacCartney admitiu: ”os chineses sabem copiar qualquer pintura europeia com uma grande precisão”.

No século XIX, o Delta do Rio da Pérola, em continuidade com Hong Kong, passou a ser um dos maiores centros exportadores de cópias do mundo. Assim, como pontua Dikotter (2007), a China, há pelo menos dois séculos, tem sido um importante fornecedor de necessidades básicas domésticas, bem como vem popularizando pequenos luxos para o mundo. Há, portanto, uma continuidade nesse processo de ontem e de hoje. Depois de 1842, tratados injustos submeteram a China por quase um século. Prevaleciam os direitos extraterritoriais dos estrangeiros, a sua participação ou domínio completo na administração das principais áreas portuárias e na arrecadação de alguns impostos.

A dinastia Qing rumava à decadência pela sequência desastrosa de 1840, a hemorragia de metais preciosos, em particular da prata, para fins de custeio do enorme consumo improdutivo de ópio, a ação devastadora da concorrência estrangeira sobre a produção local e o estado de desmoralização da administração pública. Tais fatores tiveram duplo efeito: a opressão e peso dos impostos tradicionais e novos impostos ajuntaram-se aos antigos. Esses fatores influíram nas finanças, nos costumes tradicionais, na indústria e na estrutura política da China, somados ao fogo dos canhões ingleses, arruinando a autoridade do Imperador.

A partilha da China, sobretudo entre 1870 e 1905, traduziu-se por invasões inglesas, francesas, russas, alemãs e japonesas. Com a derrota da revolta dos boxers, (1898-1901), praticantes de artes marciais e apoiadores da dinastia Qing, pretendiam expulsar os estrangeiros. No curso da revolta popular, o Estado chinês declarou guerra às potências estrangeiras em 21 de junho de 1900. Como resultado, um exército internacional ocupou Pequim em agosto de 1900 e, em 1901, assinou- se um acordo de paz impondo o fuzilamento de dez importantes autoridades chinesas e indenizações de 333 milhões de dólares às potências estrangeiras.

4.2 O REVOLUCIONÁRIO MAO ZEDONG: AS BASES PARA A INSTAURAÇÃO DO