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5   Process Modelling

5.2   Single nitrogen expander process

5.2.2   Simplified model

Passamos a apresentar uma visão geral da evolução dos sinais musicais, desde a Idade

Média até o século XVII, e o sistema da notação clássica, dita tradicional em nossos dias, que

Notação neumática gregoriana.

Baseava-se nos acentos das palavras greco-latinas. Transformou-se em notação com

elementos geométricos e, posteriormente, na notação mensurada, que se utilizou dos neumas

(Figura 1).

Figura 1 – Quadro de neumas da notação sem pauta (anterior ao século XI) à notação mensural (século XV)

Sistema da gama (sucessão de sons) grega

Baseava-se na divisão da corda do monocórdio, ou sistema pitagórico, e do hexacorde

(seis notas) ou gama de Guido d'Arezzo – século XI. O hexacorde iniciado em G é o

hexacorde duro; o iniciado em C, o natural, e o iniciado em F é também chamado de

hexacorde mole. A solmização de d'Arezzo (Figura 2) previa, na leitura das notas, a

manutenção do semitom mi-fá, conservado no hexacorde natural. No hexacorde mole, o

semitom mi-fa caía sobre as notas a b, necessitando do uso do b mole (daí, bemol) e, no

hexacorde duro, o semitom mi-fa necessitava do b quadrado (daí, bequadro). Quando a

melodia ultrapassava a extensão do hexacorde, a mudança para outro se chamava mutação, ou

mutança, que voltava a pôr novamente as sílabas mi-fa sobre o semitom. O sistema

hexacordal cai em desuso em meados do século XVII, substituído pelo solfejo moderno com a

adoção da sétima sílaba completando a oitava, para evitar as mutanças. É o sistema diatônico

maior natural, ou gama temperada, que compreende sete notas com cinco tons e dois

semitons, dando início ao sistema tonal. Das alturas C (dó), F (fá) e G (sol) surgiram as

claves.

Figura 2. Quadro das gamas gregas e os hexacordes guidonianos, duro, natural e mole. Fonte: The story of notation. Abdy Williams, p. 79

Notação mensural polifônica (século XIII)

Entre 1260 e 1500 o desenvolvimento da notação foi quase exclusivamente voltado

para o ritmo. Baseados na métrica grega, em que as sílabas longas e breves se sucedem ou

alternam criando a metrificação dos versos na estrofe, foram criados os modos rítmicos

(Figura 3). Para os gregos, a metrificação identificava o ritmo naturalmente. De início, a

notação utilizada era a conhecida como a notação neumática gregoriana (Figura 4), à qual

foram atribuídos valores de duração de acordo com a métrica estabelecida no texto.

Figura 3. Modos rítmicos baseados nos pés métricos gregos Fonte: The notation of Western Music. Richard Rastall. p.38

Figura 4. Quadro de modos rítmicos utilizando notação neumática e a equivalência na notação proporcional.

Notação franconiana (século XIII)

Franco de Cologne escreve o seu tratado Ars Cantus Mensurabilis, aprimorando o

sistema mensural e defendendo a ideia de que o uso das ligaduras era possível (Figura 5). A

figura rítmica que surge é a plica, ascendente ou descendente (Figura 5a), usada com a

presença ou ausência da haste definindo a propriedade. Por exemplo, a primeira nota da

ligadura com propriedade era a breve, a última nota da ligadura com perfeição era a longa.

Figura 5. Quadro de notação apresentando a plicae

franconiana com ligaduras e as respectivas pausas.

Fonte: The story of notation. Abdy Williams, p. 105

Figura 5 a. Notação franconiana apresentando a plica ascendente ou descendente, perfeita (ternária) e imperfeita (binária) e equivalências na notação proporcional moderna.

Fonte: The notation of Western Music. Richard Rastall. p. 53

Sinais da notação mensural – Ars Nova (século XIV)

As prolações definem vários aspectos da métrica musical (Figura 6). Johannes de

Grocheio traça um paralelo entre essas medidas musicais e astronomia, revolucionando todo o

tempo (apud BERGER, 2002).

Figura 6. A divisão da breve em tempos perfeitos (ternários) e imperfeitos (binários),

segundo italianos (ytalicos) e franceses (gallicos). Fonte: Mensuration and proportional signs. Anna Maria Busse Berger, p. 35

A notação mensural transforma-se em notação proporcional (Figura 7), pouco a pouco,

a partir do século XV. Os teóricos discutem exaustivamente sobre a divisão das figuras

rítmicas no tempo perfeito e imperfeito.

Figura 7. Quadro de formatos de notas na discussão da divisão da breve, segundo Anselmi (1434). Fonte: Mensuration and notation signs. Anna Maria Busse Berger, p. 59

Como seus predecessores desde o século XV, Giovanni Spataro, no século XVI,

considera a breve como a unidade central da medida (Figura 8), que é dividida em duas e três

partes (BERGER, 2002), criando um diagrama de sinais mensurais com proporções.

Figura 8. Proporção da sesquiáltera e dos sinais da notação mensural como proporções, segundo Spataro, em 1531 (diagrama desenhado e escrito em duas direções).

Marchetto de Pádua, no seu Tractatus (1412), discute o metro e sua organização

rítmica definindo os tempos imperfeito e perfeito (Figuras 9 e 10).

Figura 9. Figuras rítmicas da métrica imperfeita (duodenaria, quaternaria, octonaria e senaria). Fonte: The notation of Western Music. Richard Rastall, p. 64

Figura 10. Quadro de figuras rítmicas da métrica perfeita (ternária)

Fonte: The notation of Western Music. Richard Rastall, p. 65

Prolações – a combinação dos tempos perfeitos e imperfeitos (Figura 11).

Figura 11. As quatro prolações de Philippe de Vitry (século XIV) Fonte: The notation of Western Music. Richard Rastall, p. 70-1

A tabula compositoria (Figura 12) – peça de ardósia onde o compositor compunha -

favoreceu a escrita musical do duplum, triplum, tenor com independência rítmica entre as

vozes e favorecendo o sincronismo na leitura. Segundo Bosseur (2005), essa prática perdurou

entre os séculos XIII e XV. Esta tábua influenciou o layout, e outras formas foram elaboradas

conforme as estruturas composicionais evoluíam102.

Figura 12. Tabula compositoria

Fonte: Du son au signe – histoire de la notation musicale. Jean-Yves Bosseur, p. 42

A evolução das figuras rítmicas até a notação proporcional (Figura 13)

Figura 13. Quadro de evolução das figuras rítmicas até a notação proporcional moderna e do sustenido e dobrado-sustenido. Fonte: The story of notation. Abdy Williams, p. 118

102

A evolução das claves

Figura 14. A evolução das claves de sol, dó e fá e a explicação das alturas em pautas de onze linhas (Jean de Muris) e de oito linhas (c. 1600), sem o dó central.

Fonte: The story of notation. Abdy Williams, p. 170

A evolução da fermata (Figura 15). A prolongação de notas pelo intérprete, da nota ou

do acorde associado a ela, já é descrita por Tinctoris no século XV.

Figura 15. A evolução da fermata. Fonte: Du son au signe – histoire de la notation musicale. Jean-Yves Bosseur, p. 61

Notação proporcional branca e negra – século XV (Figura 16).

Figura 16. Quadro da divisão proporcional utilizando notação branca e negra. M = Mínima, sm = semínima com colchete, abaixo a evolução da semibreve, mínima, semínima e colcheia.

Segundo Rastall (1982, p. 103), a predominância do tempo binário (Figura 17) sobre o

tempo ternário é percebida no período de 1450 a 1600. O uso da barra de compasso no final

do século XVI ainda não era comum a todas as partituras.

Figura 17. Exemplo da predominância do tempo binário. Psalmi Davidis poenitentiales, 1584, Orlando di Lassus. Fonte: Du son au signe: histoire de la notation musicale. Jean-Yves Bosseur, p. 49

A estabilização do sistema notacional inicia-se no século XVII, apesar de variações

ainda persistirem quanto ao número de linhas e ao formato das linhas simples ou duplas sobre

grupos de semicolcheias, incluindo as linhas suplementares, como na Figura 18. Não havia

ainda a preocupação com a sincronicidade dos tempos distribuídos dentro de um compasso.

Segundo Bosseur (2005), pouco a pouco as notas tomaram forma arredondada (Figura 18), em

função da tipografia e da dificuldade de sobrepô-las em forma losangular ou quadrangular na

posição vertical dos acordes.

Figura 18. Parthenia, para órgão, escrita em seis linhas, início do século XVII, primeira obra impressa com a técnica do talhe-doce na Inglaterra.

Ainda de acordo com Bosseur (Ibid., id.), à época do Renascimento, coexistiram

diversos tipos de notação. As barras de compasso (Figura 19) já eram usadas nas tablaturas no

século XVI e, com a necessidade da padronização da notação na música impressa, aos poucos

o uso foi generalizado tanto para as vozes quanto para os instrumentos.

Figura 19. Primo Libro de diversi capricci per sonare, 1603, Ascanio Mayone, Nápoles. Fonte: Du son au signe: histoire de la notation musicale. Jean-Yves Bosseur, p. 62

A adoção gradual das barras de compasso para a divisão proporcional ortocrônica

provocou dúvidas iniciais quanto ao uso de ligaduras no século XVI (Figura 20).

Figura 20. Duas maneiras antigas do uso de ligaduras nas síncopes e suas respectivas transcrições em notação moderna. O exemplo a pertence à obra de Carlo Gesualdo, Príncipe de Venosa.

Fonte: The story of notation. Abdy Williams, p. 175

A rhytmopeia, metros quantitativos – métrica grega e indicações de compasso na

notação proporcional (Figura 21), com a preocupação da expressão musical através dos

afetos. Com a discussão dos teóricos desde o século XVI, as possibilidades da relação dos pés

XVII. Com essas discussões, veio a evolução da noção do tempo forte. Há também quadros

elaborados por Mattheson e Printz, abordando o mesmo tema.

Figura 21. Exemplo dos pés métricos gregos e seus equivalentes na notação proporcional, na concepção de Mersenne, século XVII. Fonte: Meter in music, 1600–1800. George Houle, p. 62.

Rameau criou os exemplos das indicações de andamento, descartando a necessidade

do uso das palavras italianas – século XVIII.

Figura 22. Exemplos de Rameau a dois, três, quatro e seis tempos sobre os andamentos que não necessitavam das palavras italianas, transcrito para notação redonda atual. Fonte: Meter in music, 1600–1800, p. 51-2