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High pressure level – refrigerant sub-cooling

6   Decision Variables

6.4   Thermodynamic analysis

6.4.2   High pressure level – refrigerant sub-cooling

Movimento intelectual surgido no século XV, o Renascimento passou a situar o

homem no centro de suas reflexões e se propôs procurar os meios de sua realização. Hilton

Japiassu, no seu dicionário de filosofia, ressalta, na definição de humanismo, que o

movimento se opõe à

[...] filosofia escolástica e aproveitando-se de um melhor conhecimento da civilização greco- latina, os humanistas se esforçaram por mostrar a dignidade do espírito humano e inauguraram um movimento de confiança na razão e no espírito crítico. (JAPIASSU, 1977, p. 136)

O pensamento anterior, que girava em torno das coisas divinas, desloca-se nessa época

para o próprio homem. Ernst Cassirer (1942), analisando o pensamento filosófico nas obras

do italiano Giovanni Pico della Mirandola (1463-1494), audacioso para a sua época, expõe o

raciocínio em que o filósofo dá voz a inúmeros contemporâneos seus e não agrega o homem à

similaridade aos elementos cósmicos, ou ao mundo, nem ao Criador; pelo contrário,

diferencia-o de qualquer outra criatura, ao afirmar que o homem é o que ele faz de si mesmo.

Era o início da ruptura de uma linha de pensamento. Consequentemente, tanto o filósofo

quanto sua obra Conclusiones philosophicae (1486) foram acusados de heréticos pela

Inquisição, o que resultou na fuga de Mirandola e seu exílio na França, de onde retornou a

Florença, posteriormente, sob os auspícios de Lourenço de Médici, governante local e protetor

das letras e das artes.

Antes disso, porém, conforme James Haar (In Grove on line, art. 40601), em 1416, o

florentino Poggio Bracciolini revelou o texto completo do Institutione oratoria, de Aristides

Quintiliano, obra relevante tanto para músicos como para retóricos. Segundo Haar, os

participantes dos círculos humanistas seguiram os passos de Bracciolini e trouxeram à luz

Pseudo-Plutarco, entre outros, suscitando discussões reflexivas nesses círculos. Na música, a

teoria dos afetos – que começou a ser discutida a partir dos princípios da relação texto-

música, da oratória e da retórica na música, influenciados pelas teorias da mensuração dos

pés, na métrica, e da proporcionalidade dos valores rítmicos – dava continuidade ao

pensamento da música como linguagem. Essas teorizações expandiram-se sobre os modos e a

instrumentação, preocupando-se, de forma puramente racional, com o mover a alma dos

ouvintes. Claude Palisca (1997) ressalta que o aspecto da teoria musical mais afetado pelo

humanismo foram os debates em torno dos efeitos da música. Na passagem do século XV

para o XVI, predominava a opinião, baseada nos princípios platônicos, de que somente a

música moldava o caráter do ser humano. Depois de 1550, aqueles que seguiam as ideias

aristotélicas passaram a ampliar o panorama musical, atribuindo importância a todos os tipos

de música, particularmente àqueles que induziam a algum tipo de catarse das paixões e

poderiam mover os ouvintes através dos afetos de um poema ou de uma característica

dramática da obra.

Contudo, segundo Haar (1992), o desenvolvimento do entendimento da música como

arte poética, devido ao tratamento das composições como obras de arte, foi mais lento do que

os estudos da ciência dos harmônicos, em razão do lugar tradicional que a música ocupava no

Quadrivium, matéria em evolução há mais tempo. Haar (Ibid., id.) observa que os antigos

paralelos da música com a gramática foram revividos e expandidos, principalmente pelo

veneziano Giovanni del Lago, que aprofundou o assunto na obra Breve Introdutione di musica

misurata, de 1540. Em meados do século XVI, a música começa a ser considerada não

somente como mera aliada da gramática e da retórica (disciplinas do Trivium), mas como arte

Outro ponto relevante assinalado por Haar (Ibid., id.) é o do ensino da música incluso

na educação humanista, desde o final do século XV, iniciado na Itália e cultivado na

Alemanha, onde as escolas deram início a essa tradição de organização de currículo.

Ainda segundo Haar (Ibid., id.), o latim eclesiástico e as línguas vernaculares puderam

ser tratados como objeto de estudo ligado à prosódia, seguindo os princípios da

proporcionalidade na notação, usados em larga escala na música polifônica do século XVI.

Surgem novas terminologias para os gêneros musicais, baseadas nos princípios da prosódia e

dos elementos composicionais, como a missa ad imitationem, missas e motetos renomeados

como carmina litatoria (poemas de sacrifício) e os poemas para serem cantados com o

acompanhamento de alaúde, chamados de carmina ad lembum. Nos círculos humanistas,

prevalece a ênfase à palavra, e uma nova atenção é dada à declamação expressiva dos textos

cantados, ou o recitar cantando. A popularidade da ária solo, como a francesa air de cour, no

final do século XVI, é resultado da influência humanista, que derivou no desenvolvimento

dos gêneros operísticos.

No âmbito da teoria musical, Palisca (In Grove music on line, art. 44944) observa que

a dinastia de Boécio se rompe no início do século XVI, no momento em que o sistema tonal

grego é diferenciado do sistema de modos medieval. A questão da entonação é discutida por

Gaffurius, Spataro, e, principalmente, por Gioseffo Zarlino, em 1558, com o Le Institutioni

harmoniche. Entretanto, é Vincenzo Galilei, no Dialogo della musica antica et della moderna, de 1581, quem convence de que o temperamento igual era a única solução para a

música instrumental, propondo a uniformidade do semitom. Os modos cromáticos e

enarmônicos, reputados no medievo como difíceis e desagradáveis aos ouvidos, foram

resgatados após a releitura do De Musica, de Plutarco, e se modernizaram com Nicola

Vicentino, na obra L'antica musica ridotta alla moderna prattica, de 1555, em que o autor

(1545-1607) e Carlo Gesualdo (1560-1613) trouxeram os gêneros considerados exóticos da

antiga teoria para a prática composicional de sua época.