3. The Lance is Discovered
3.5. The series of visions and revelations leading up to the discovery of the Lance
Poucas pesquisas foram realizadas sobre a pesca nas sociedades primitivas, de acordo com estudos arqueológicos e etnológicos, a pesca representou fonte de alimentos para muitas comunidades. A atividade pesqueira teve um grande avanço na Idade Média quando foi identificado dois momentos, no primeiro quando a pesca era realizada no interior das propriedades feudais, constituindo-se em uma atividade ligada a agricultura e praticada em lagos, lagunas e zonas costeiras, em um outro momento a atividade da pesca passou a ser exercida pelas cidades medievais, onde entradas de estuários e pequenas baías eram cercadas formando açudes, cujos peixes retidos eram alimentados pelas águas estuarinas, ao fluxo da maré. Essas sociedades desenvolviam métodos de pesca diversificados para diferentes ecossistemas aquáticos (DIEGUES, 1983).
Ao longo dos tempos estudos vêm mostrando que as culturas e os saberes tradicionais das sociedades pesqueiras podem contribuir para a manutenção dos recursos naturais e dos ecossistemas. Em muitas situações, na verdade, esses saberes são o resultado de uma relação entre as sociedades e seus ambientes naturais, em uma tradição passada a gerações que permiti a conservação e estabilidade entre ambos (DIEGUES, 2001). A tradição vem manter a múltipla contribuição das civilizações, na memória de alguns sábios que conseguem transmitir seu conhecimento oralmente (BALANDIER, 1997).
A tradição gera continuidade; exprime a difícil relação com o passado; impõe uma conformidade resultante de um código do sentido, e portanto de valores que regem as condutas individuais e coletivas, transmitidos de geração em geração. A tradição é uma herança que define e mantem uma ordem ao apagar a ação tranformadora do tempo (BALANDIER, 1997. p. 37).
Na área de coleta de dados, durante as entrevistas, pode-se observar o saber passado aos pescadores em determinadas etapas. No primeiro momento tem-se a compreensão da importância do pescado, como o valor de cada espécie para a família, tais como: o consumo, a comercialização e fatores simbólicos de sorte e azar. Na segunda etapa são transmitidos conhecimentos a cerda dos ecossistemas,
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onde cada espécie costuma habitar, nesse caso surgem os saberes sobre a água, saberes esses que fazer parte do fazer das atividades como: temperatura, sazonalidade, turbidez, ph, elevação entre outros. Quando o saber sobre as espécies, e os ecossistemas é transmitido e sistematizado surge outra etapa, a arte da pesca, nesse momento são repassados todos os saberes de como capturar cada espécie.
Esses saberes são geralmente passados de membros da família que possuem maior idade, de pai para filhos, de avós para netos e sucessivamente. Esses repasses de saberes são feitos de forma natural, onde não se leva em conta os métodos de repasse. Muitos pescadores relatam que aprenderam a pesca vendo seus pais, tios e avós pescando, mas que não era apenas olhando, eram modos de ver as especificidades de cada gesto, em um momento de observar, olhar e fazer.
Neste sentido as comunidades pesqueiras desenvolvem suas atividades a partir de saberes que possuem acerca das especificidades do ambiente, tais como: a influencias das fases da lua como orientação na atividade pesqueira, o nível do rio, a precipitação que estão diretamente ligados com as espécies a serem capturadas e consequentimente na técnica utilizada.
Neste sentido comunidades pesqueiras desenvolvem suas atividades a partir dos saberes que possuem acerca das especificidades do ambiente, como evidencia o quadro 8. O quadro mostra a influencias das fases da lua como orientação na atividade pesqueira. A lua influencia diretamente na espécie capturada e consequentemente na técnica utilizada.
Esses saberes são adquiridos de geração a geração familiar em uma relação do saber e do saber fazer passado, como retrata Diegues (2001), em que “o saber fazer e o saber se dá a partir do mundo natural e sobrenatural, transmitidos oralmente de geração a geração”.
A questão da tradição está relacionada ao cerne da própria pesca artesanal o domínio do saber fazer e do conhecer que forma o cerne da “profissão”. Esta é entendida como domínio de um conjunto de conhecimentos e técnicas que permitem ao pescador se reproduzir em quanto ta. Esse controle da “arte da pesca” se aprende com os “mais velhos” e com a experiência. (DIEGUES, 2001, p 27).
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Quadro 8 – Ciclo lunar: orientação para atividade pesqueira.
FASES DA LUA ESPÉCIES MAIS CAPTURADAS
MODO DE CAPTURA (TECNICAS/ PETRECHO S) NOVA MAPARÁ (Hypophthalmus spp.) REDE: fixa e bloqueio
CHEIA (Cichla spp.) TUCUNARÉ
ARPÃO, ANZOL (linha de mão) E ZAGAIA. QUARTO
CRESCENTE (Hemiodus spp.) JATUARANA
REDE: emalhe e
cerco.
QUARTO
MINGUANTE (Plagioscion spp.) PESCADA
REDE: fixa e anzol: caniço
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Seguindo arte de saber fazer, Cunha et al (2002) destacam as tradições da pesca no Alto Juruá, mais conhecida localmente como mariscar a pesca é desenvolvida com maior habilidade pelos pescadores que tem o saber aprofundado sobre o ambiente, a reprodução, a piracema, o barulho dos peixes, a dieta e o calendário de abundancia de cada espécie.
Destacam ainda que para o pescador adquirir esses saberes é necessário que o mesmo já tenha um contato de longo prazo com a arte de mariscar, geralmente o contato começa quando ainda criança o pescador acompanha um mais experiente, e a partir das percepções cresce adquirindo o saber do fazer e do sabendo fazer.
Assim como Silva (2004) pesquisando a pesca no Rio Negro identificou o saber dos pescadores passados a partir da tradição, onde o saber dos ambientes de pesca é quase uma garantia do sucesso na pescaria, mas esse saber é adquirido ao longo do tempo, geralmente com pessoas mais experientes que passam oralmente esse conhecimento e a partir de percepções que o pescador vem acumulando ao longo de sua vida. Geralmente em uma comunidade onde há pescadores, a família toda trabalha com a pesca e essa atividade vem sendo desenvolvida há gerações familiar.