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3. The Lance is Discovered

3.6. The Discovery

lago e se tiver que pescar algo é só na primeira lançada na água. Esses saberes do ambiente determinam os petrechos e técnicas de pesca utilizadas em cada região.

1.2.1 Malhadeira

Segundo Moraes (2007), este petrecho foi introduzido no Brasil pelos portugueses no período colonial. Este tipo de equipamento se destacou na atividade pesqueira, a partir da imensidão de águas interiores e costeiras, em meio a uma variedade de espécies de peixes foi desenvolvida diversos tipos de redes.

No reservatório de Tucuruí este petrecho de pesca é considerado fundamental na pesca de espécies como a jatuarana (Hemiodus spp.) e o mapará

(Hypophthalmus spp.) Estas espécies estão entre as mais capturadas nos rios das

comunidades, tanto para comercialização como para fins de consumo, como destaca um pescador da RDS Alcobaça.

Pra mim a malhadeira é a melhor forma de pescar. Porque eu pego o mapará que não pode faltar no meu prato e a jatuarana que eu vendo. Mesmo a gente tendo que comprar a malhadeira e muitas vezes ela se perder no rio. É um jeito de pescar que a gente não faz muito esforço. Ainda mais eu que não estou mais tão jovem (risos). O que eu gosto mesmo é de entralhar uma rede nova, passo um tempão fazendo esse trabalho (N. A. R.P. 69 anos).

A malhadeira é formada pela panagem que tem formato triangular e mede aproximadamente 100m e custa em torno de R$70,00 é feita com fio 100% poliamida e 0,30 milímtros, na panagem é colocado o cabo mestre a partir da atividade de entralhar para dá proteção a panagem, como pode ser observada na fotografia 12. O entralhe é feito a partir de um modo específico dos pescadores de amarrar um fio de náilon de aproximadamente 2 centímetros de circunferência em toda extensão da panagem. A malha mínima utilizada nas comunidades é a de número 8, pois a legislação pesqueira só permite esse tamanho, e se utilizarem malha menor que 8 correm o risco de perder a malhadeira.

De acordo com os pescadores, das vezes que pescaram com malha menor que a recomendada, seu petrecho foi apreendido pelo órgão fiscalizador, e afirmam que atualmente só utilizam malha que a legislação permite. Alguns pescadores relataram que utilizam a panagem numero 2 e 4 apenas para pescar as iscas para a captura de outras espécies feitas na técnicas do anzol. A malhadeira pode ser usada

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na técnica de captura fixa ou de espera e na técnica de captura de bloqueio ou cerco.

Fotografia 12 – Entralhe, preparo de rede fixa - reserva Alcobaça.

Fonte: Pesquisa de campo (2013). Malhadeira Fixa ou espera

Pesquisas realizadas por Furtado (1993) destaca que neste tipo de técnica, a malhadeira fica verticalmente na coluna da água, onde o peixe é emalhado, fixada por um objeto no fundo dos rios e mares.

Nas comunidades pesquisadas foi identificado que nesta técnica a malhadeira é fixada em um lugar estratégico do rio. Esse lugar é escolhido a partir do saber pesqueiro, geralmente é por onde passam cardumes. São colocadas duas pedras nas extremidades do cabo mestre inferior, essas pedras são amarradas com fio de náilon, cada uma pesa aproximadamente 7 quilos, essas pedras servem para esticar a rede para o fundo do rio, estudos realizados por Cintra et al (2009) em toda a extensão do lago, mostra que na parte inferior do cabo mestre são utilizados chumbos para dá peso a rede.

O uso das pedras, como pode ser visto na fotografia 13, nas comunidades da reserva Alcobaça destaca o modo tradicional da técnica. No cabo mestre superior

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são colocadas bóias de isopor medindo aproximadamente 15 centímetros ou garrafas pet para identificar e localizar as malhadeiras nos rios.

Fotografia 13 – Pedra para fixar e bóia para identificar a malhadeira, RDS

Alcobaça.

Fonte: Pesquisa de campo (2013).

Nos rios com pouca profundidade, Moraes (2007) pontua que, para que a rede permaneça na posição vertical é necessário que a rede esteja presa por pedras no fundo das águas. Já em águas de grandes profundidades, além das pedras são necessários flutuadores como o isopor para que a rede não afunde. Esta modalidade de pesca é uma das mais desenvolvidas na região amazônica.

Os pescadores utilizam rede malhadeira de 100 metros de largura de 3 a 4 metros de profundidade, mas geralmente em cada pescaria utilizam em todo de 2 a 3 malhadeiras dependendo da extensão do rio onde será fixada. A malha mínima utilizada é 8, mas muitos utilizam malha 12 principalmente na pesca do mapará (Hypophthalmus spp.).

De acordo com Cintra et al (2009) com este tipo de malhadeira constitui-se uma das principais técnicas de captura, esta técnica é muito utilizada nos meses de maio a agosto na captura de curimatá (Prochilodus spp.) quando o reservatório começa a secar e quando começa a encher a captura é mais diversificada incluindo curimatá (Prochilodus spp.), piaus (Leporinus), pacus (Piaractus) e jaraqui (Semaprochilodus).

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Esse tipo de captura com rede malhadeira fixa é feita nas comunidades por 1 ou 2 pescadores. Acompanhando um pescador na comunidade Boa Vida, utilizando a técnica de malhadeira fixa, tem-se o seguinte resultado:

As 17 horas o pescador embarca em uma rabeta, emprestada de um vizinho, medindo aproximadamente 6 metros de comprimento e com motor de 5,5 hp. Levando 4 malhadeiras, em uma viagem de aproximadamente 7 minutos, o pescador observa um lugar apropriado para fixa a malhadeira, esse lugar seria por onde o cardume passa e possivelmente não há galhos de madeira (um dos piores problemas do pescador). Com as malhadeiras preparadas o pescador colocar primeiro uma pedra e vai soltando no rio o restante da melhadeira até chegar na pedra final do cabo mestre inferior, nesse momento a rabeta está parada no local escolhido para fixação da malhadeira. Esse tipo de técnica é chamada também de rede de espera, pois após o pescador fixar as 4 malhadeira, ele retorna para sua residência e espera até as 21 horas para voltar ao local, esta etapa é chamada de “revista” que consiste em puxar todas as malhadeiras uma a uma revistando se há peixe e se houver faz a despesca dentro da rabeta, nesse caso o pescador capturou cerca de 15 maparás (Hypophthalmus spp.) medindo aproximadamente 40 centímetros de comprimento. Em seguida o pescador coloca novamente as melhadeiras e retorna a sua residência. Por volta das 6:30 horas se desloca na rabeta até as malhadeiras fixas faz a despesca, como evidenciado na fotografia 14, cerca de 12 mapará (Hypophthalmus spp.) medindo 40 centímetros, recolhe todas as malhadeiras e leva para sua residência para consertá-las e as 17 horas colocá- las novamente em algum lugar do rio.

Os pescadores destacam a facilidade desse tipo de pesca.

Eu gosto muito de pescar com a rede fixa, porque a gente não se esforça muito. O negócio desse tipo de pescaria é só vigiar a hora de ir revistar a malhadeira. A gente deixa lá. Depois revista, depois já vai tirar o peixe. Não precisa ficar ficar fazendo aquele trabalho duro da pesca (C. S. G, 81 anos). Nesse tipo de pesca, o pagamento da rabeta é feito com aproximadamente 5 maparás (Hypophthalmus spp,) pois dos 27 maparás (Hypophthalmus spp.) capturados na malhadeira fixa, apenas 20 unidades poderiam servir para comercializar, pois quando o peixe é emalhado predadores aproveitam a presa fácil, é muito comum piranhas atacarem os peixes que estão presos nas malhadeiras fixas, dando prejuízos para os pescadores.

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Fotografia 14 – Despesca, retirada da malhadeira - reserva Alcobaça.

Fonte: Pesquisa de campo (2013).

Malhadeira Bloqueio ou cerco:

Para esta técnica de captura a malhadeira precisa está apenas com o cabo mestre em toda sua extensão. É praticada por 2 a 4 pescadores em uma canoa ou rabetas. No momento em que o pescador localiza o cardume o cerco é realizado, duas malhadeiras são lançadas impedindo a fuga do cardume, ao mesmo tempo que os pescadores estão fazendo o bloqueio os peixes são empurrados para a malhadeira, no momento em que o cabo inferior é levado até a superfície do outro lado da rede, impedindo dos peixes escaparem pelo fundo da malhadeira.

Embora em muitos locais da região esta técnica de bloqueio seja considerada predatória por priorizar espécies juvenis, e por este motivo ser utilizada malha 6, nas comunidades do rio 24 os pescadores utilizam a malha 8 e destacam esta técnica mais produtiva do que a técnica de malhadeira fixa, por não perder os peixes capturados para outros predadores e pelo prejuízo deixado nas redes, como mostra a fotografia 15. Porém, a desvantagem é que só pode ser feita a partir de 2 pescadores e requer maior esforço físico.

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Fotografia 15 – Conserto de malhadeira após a pesca - RDS Alcobaça.

Fonte: Pesquisa de campo (2013).

De acordo com Cintra et al (2009) esta técnica é muito utilizada no lago nos municípios de Itupiranga e Marabá, principalmente na captura de peixes jovens mapará (Hypophthalmus spp.), acará-tinga (Geophagus spp.), jatuarana (Hemiodus spp.) e curimatá (Prochilodus spp.).

Bem como Moraes (2007) destaca esta técnica no baixo Rio Tocantins a jusante do reservatório, trata-se de uma captura específica do mapará (Hypophthalmus spp.), onde envolve muitos pescadores, pois o processo de pesca se caracteriza, inicialmente na localização do cardume para posterior cerco e coleta.