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2. The Sources

2.2. Historia Francorum Qui Ceperunt Iherusalem

Na área final do rio 24 que compreende as comunidades Água Serena, Lago Azul, Formiga e Mururé foram entrevistados quarenta e dois (42) pescadores. Para eles os peixes representam fonte de vida, pois são esses animais que lhe proporcionam alimento durante todo o ano, tanto com o Lago cheio, como no Lago seco.

Assim como nas outras áreas do lago, os pescadores da comunidade da área final do rio 24 classificam e denominam os peixes principalmente de acordo com sua morfologia e seus hábitos. Um dos critérios mais comum de distinguirem os peixes são: os de escama, os de pele e os de couro. Esse critério prevalece principalmente,

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quando se trata dos tabus alimentares, geralmente os peixes de pele são considerados os alimentos mais remosos18.

Pode-se observar que algumas espécies não estão na dieta dos pescadores, por motivos de que algumas possuem veneno, outras espécies quando consumidas dá má sorte na pescaria, outras por ser de escamas, cascas ou peles podem ser

reimosas19 (fazem mal para quem está com alguma doença) e outras espécies por

serem muito pequenas não entram na dieta, mas podem ser utilizadas como iscas para captura de outras espécies.

Esses tabus alimentares, podem ser vistos em outras regiões da Amazônia, Cunha et al (2002) pesquisando os seringueiros do Alto Juruá, destaca essa classificação por escama, pele (couro) e casca, como uma categoria a parte, pois quando se trata de algumas espécies como as raias, os poraquês, os muçus e os sarapós, são em geral mencionados como peixes que incluem escamas e pele.

No caso dos pescadores da comunidade Água Fria no Lago de Tucuruí, essa classificação está ligada na maior cobertura do peixe, pois se o poraquê possui pele e escama, esta espécie será classificada como peixe de escama, pois as escamas são mais visíveis em seu corpo. As particularidades da classificação a partir dos saberes dos pescadores fazem parte de como os mesmos vêm cada espécie, como classificam essas espécies de forma em essas classificações dão um entendimento de divisão entre as espécies.

Na área inicial do rio 24, onde o maior interesse dos pescadores é a comercialização das espécies, a classificação se dá a partir das espécies grandes (de alto valor econômico) e das espécies pequenas (menor valor econômico), já nas comunidades do final do rio 24, a classificação dos peixes se dá pela textura externa do animal, seja ele de grande ou pequeno porte, são classificados como peixes de escama, pele ou casco. Essas questões de classificação de peixes quando a textura

18 Entre os tabus alimentares, o mais importante refere-se aos alimentos considerados remosos,

adjetivo atribuído a alimentos que têm reima, isto é, que prejudicam o sangue e causa prurido. No vocabulário popular amazônico, comidas remosas são comidas fortes derivadas de carne de porco; mariscos, como caranguejo e camarão; peixes de pele e cascudos, como tamuatá; aves, como patos; e algumas caças, como paca e capivara, que não devem ser consumidas por pessoas em situação de risco, como, por exemplo, em pós-operatórios, com quadros de infecção ou inflamações, e ferimentos, sobre risco de aumentar os danos teciduais, gerar a formação de pus e exacerbar o processo inflamatório (BRITO JUNIOR; ESTACIO, 2013, p. 213).

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Apesar dos autores citados nessa pesquisa utilizarem a denominação “remoso”, nesse trabalho será utilizada a palavra “reimosa”, pois segundo o dicionário Aurélio a escrita correta é reimosa, que significa aquilo que tem reima que é uma variante de reuma, palavra essa de origem grega que significa corrimento ou catarro.

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influenciar no tabu alimentar, podem ser observadas no relato de um pescador do rio 24.

Para mim, peixe de escama é peixe de escama, peixe de pele é peixe de pele e peixe de casca é peixe de casca. Se eu peco um filhinho de mapará de 100 gramas ou um mapará de 3 quilos, tudo é de pele, e tudo faz mal para quem está doente porque o mapará e reimoso. Se eu pego uma pescada pequena e uma grandona, tudo é de escama e as duas não faz mal, tu pode comer que não vai aparecer nada (J. S. P., 68 anos).

Outro modo de classificação dos peixes é sobre o habitat, de acordo com os pescadores os peixes preferem as águas calmas e evitam ficar na correnteza. O curimatá (Prochilodus spp.) é o único a ficar na correnteza, pois ele come lama e nessa região tem um tipo de lama que ele gosta. Na parte mais profunda do rio, quase não há lama, pois costuma ter grande quantidade de peixes. De acordo com os pescadores é comum ter grande tucunaré (Cichla spp.) nas partes fundas do Lago, por isso muitos pescadores de fora fazem pesca de mergulho para capturar o tucunaré (Cichla spp.).

Os pescadores relatam que não gostam de pescar assim, porque se o peixe é de grande porte e está se escondendo geralmente ele está desovando e se eles pescarem o peixe nesse período, nas próximas pescarias irá faltar peixes. Os pescadores sempre pescam observando os costumes dos peixes, como destacado na fala do pescador.

O peixe daqui é muito esperto, quando o lago ta cheio ele está nas beiras do rio, no meio dos matos sempre procurando comida, mas quando o lago ta seco ele vai se esconder no meio do lago, debaixo dos paus o outros vão embora lá pra cima do rio. Eu fico pensando, como é que ele sabe que a gente vai pegar ele (S. C. O., 63 anos).

Nesse sentido, considerando a parte II a partir das abordagens a respeito do ambiente e da ictiofauna através da percepção dos pescadores, vamos a seguir para a parte III “Vivenciando o Lago” trazendo análises dos saberes das populações locais, levando em conta a tradição da atividade pesqueira, da arte da pesca e dos saberes da natureza e das interações no cotidiano, bem como as abordagens sobre a organização na atividade pesqueira a partir do sistema de parentesco.

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A terceira parte dessa tese “Vivenciando o Lago” se propõe, a uma análise descritiva a partir das relações dos pescadores do lago da UHT com seu ambiente. Essas relações estão aputadas nos saberes desses povos através de suas vivencias, iterações e organização.

Essa parte divide-se em 3 seções:

A seção 1 aborda os saberes tradicionais da pesca na RDS Alcobaça. Está dividida em 2 subseções: pesca e tradição que busca uma abordagem geral da tradicionalidade da pesca desenvolvida por diversos povos milenarmente. E a arte da pesca que faz uma abordagem de 5 petrechos de pesca mais utilizados pela população do rio 24 – malhadeira, anzol, arpão, zagaia e matapi.

Na seção 2 pretende-se uma abordagem sobre os saberes da natureza a partir das subseções: pesca e saberes, e interações no cotidiano. Trata-se dos saberes dos pescadores a partir de suas vivencias na Unidade de Conservação, que vão desde a identificação das espécies a partir de seus comportamentos no habitat, até as mais singulares formas de vida desses pescadores adaptados ao ambiente artificial – o tempo, as embarcações e as casas.

A seção 3 busca um percurso no contexto da organização dos pescadores a partir das relações de parentesco. Esse tópico é formado por 6 subseções: organização e parentesco na pesca casamento no lago, formação do grupo de pesca a partir do casamento, as redes sociais para o comando da pesca, a pesca entre parentela e a atividade pesqueira desenvolvida no sei familiar. Nessa seção além de evidenciar como os grupos de pescadores são formados, pode-se também observar a ocupação das ilhas do lago e a formação social a partir das relações de parentesco.

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1 SABERES TRADICIONAIS DA PESCA NA RESERVA DE DESENVOLVIEMNTO SUSTENTÁVEL ALCOBAÇA