3. The Lance is Discovered
3.1. Chapter Introduction
Nessa área foram entrevistados cinquenta (50) pescadores de faixa etária que varia entre quinze a sessenta, entre esses pescadores estão os que pescam e os que estão aposentados e não pescam por motivos de saúde. Considerando os entrevistados, trabalhos realizados por Jatobá e Cidade (2004) apontam que existem comunidades de pescadores na área de estudo, que foram formadas a partir da vinda de pessoas oriundas do mesmo local de origem e concentram-se em uma mesma região do lago originando as comunidades, como é o caso da comunidade
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da Ilha Cametá na região do Caraipé, onde a maioria das famílias é originária do município Cametá localizado a jusante da barragem.
No mesmo sentido, nessa área do rio 24 pode-se analisar que a comunidade do rio Mocaba é composta por populações oriundas de 3 municípios da região do Baixo Rio Tocantins: Mocajuba, Cametá e Baião. Essa área está geograficamente mais próxima da cidade de Tucuruí, comparada as outras áreas do rio 24. Considerando esse fato, os pescadores têm mais facilidade de ir ao Porto do Km11, situado na cidade de Tucuruí, comercializar o pescado e consequentemente estão mais próximos de atravessadores.
A relação dos atravessadores com os pescadores marca a falta de infraestrutura que os pescadores encontram para comercializar o pescado, segundo Alves e Barthem (2008) essa falta de infraestrutura e de recursos nas localidades pesqueiras faz com que o pescador seja obrigado a comercializar o pescado com atravessadores. Esses fatos trazem o custo alto para o consumidor, ocasionando a dependência do pescador da Alcobaça com o atravessador.
Embora essa problemática afete diretamente na economia do pescador, essa população pesqueira ainda consegue se relacionar com os atravessadores de forma não conflituosa, pois pela falta de infraestrutura nos transporte e armazenamento do pescado, os pescadores consideram o atravessador como um parceiro da atividade pesqueira.
Considerando esse contexto de comercialização, os pescadores dessa área capturam as espécies com maior valor econômico no mercado, pois com a venda desse pescado conseguem comprar outros alimentos como: carne bovina e frango – e dificilmente capturam outras espécies para o consumo.
Nesse sentido os pescadores da área do inicio do rio 24, classificam os peixes em comercial e não comercial. Sendo que as espécies que não são capturadas tem grande importância, pois os pescadores relacionam diretamente a existência de espécies de alto valor econômico com as espécies com baixo valor econômico, mas considerado fundamental no equilíbrio de todas as espécies. “...todos os animais têm seu valor, pode ser um valor em dinheiro, em troca, ou o principal o valor do seu papel no meio ambiente” – Fala de Pescador da comunidade Mocaba. Os pescadores relatam que não pescam a piabinha para comercializar, mas ela serve de alimento para a pescada (Plagioscion spp.), e serve de isca para a
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pesca do tucunaré (Cichla spp.), portanto logo concluem que a piabinha é tão importante quanto o tucunaré (Cichla spp.).
Nesse sentido foi identificado que a relação dos pescadores da área do inicio do rio 24 com a ictiofauna é predominantemente comercial, econômica e ecológica, e que as 06 espécies com relevância comercial, como mostra o quadro 6 só são capturadas, se todas as espécies forem conservadas.
Quadro 6 – Espécies mais comercializadas.
PEIXES COMERCIALIZADOS VALOR DO KILOGRAMA TAMANHO
Mapará (Hypophthalmus spp.) R$ 2,50 a R$ 3,50 40 cm Pescada (Plagioscion spp.) R$ 6,00 a R$ 8,00 30 cm Tucunaré (Cichla spp.) R$ 10,00 a R$ 22,00 50 cm Jatuarana (Hemiodus spp.) R$ 4,50 a R$ 6,00 15 cm Curimatá (Prochilodus spp.) R$ 9,00 a R$ 11,00 30 cm Aracu (Anostomidae) R$ 5,00 a R$ 7,00 25 cm Tambaqui (Colossoma spp.) R$ 9,50 a R$ 12,00 40 cm Fonte: Pesquisa de campo (2016).
Os pescadores são levados ao compromisso e respeito à legislação, principalmente no que se refere ao período do defeso, como conservação de todas as espécies de pescado.
A gente não pesca o jacundá, porque ele é baratinho, só pesca quando ta com muita vontade de comer um, mas meu filhos não gostam muito e preferem comer carne ou frango que eu compro lá no 11. Aí a gente pesca o tucunaré, vende e compra outra comida (A. R, 47 anos).
Nas entrevistas com os 50 pescadores da área inicial do rio 24, 45 pescadores indicaram 07 espécies capturadas em todas as pescarias e com ótimo aceite no comércio, são elas: mapará (Hypophthalmus spp.), pescada (Plagioscion spp.), tucunaré (Cichla spp.), jaturana (Hemiodus spp.), curimatá (Prochilodus spp.), aracu (Anostomidae) e tambaqui (Colossoma spp.). E 05 pescadores identificaram, além das 07 espécies, mais 03 espécies comerciais: a o jacundá (Batrachops spp.) e
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(Crenicichla spp.), o acará-tinga (Geophagus spp.) e o acari (Loricariidae), porém
com pouco aceite no mercado, como detalhado no gráfico 1.
De acordo com os pescadores, o motivo para o pouco aceite no mercado é o tamanho da espécie, pois por serem de pequeno porte é vendido a um preço baixo, por este motivo as espécies de pequeno porte e baixo valor no mercado são capturadas basicamente para o consumo, com exceção a jatuarana (Hemiodus spp.) que mede em torno de 15 centímetros e tem ótimo aceite no mercado, segundo os pescadores essa espécie é altamente comercializada por atravessadores da região do Baixo Tocantins e destinada aos municípios dessa região, sendo pouquíssima comercializada aos atravessadores dos demais locais, segundo os próprios pescadores isso se deve ao consumo tradicional da espécie na região do Baixo Tocantins antes da implementação da hidrelétrica.
Gráfico 1 – Panorama geral do preço do pescado comercializado no Km11.
Fonte: Pesquisa de campo (2016).
Nesse contexto pode-se observar que na concepção dos pescadores, o tamanho do pescado influencia diretamente no valor econômico, como: o tucunaré (Cichla spp.) que mede em torno de 15 centímetros chamado localmente de “furiba”
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considerado pequeno, o quilograma custa em torno de R$ 5,00, o tucunaré (Cichla spp.) chamado pelos pescadores de “sarandagem” que mede em torno 20 centímetros, considerado médio, custa em torno de R$ 6,50 o quilograma, o tucunaré considerado grande com aproximadamente 50 centímetros, o quilograma custa R$ 22,00 - mais pescado, pelo valor do Kg.
Eu pesco todos os tipos de tucunaré. Mas o sarandagem e o furiba eu pesco mais pra mim comer. Mas o tucunaré original, aquele tucunaré nosso. Eu pesco pra vender. Eu gosto de pescar todos, pra mim cada um tem seu valor. Não só o tucunaré, mas tudo quanto é tipo de peixe. Aquele que não serve pra vender e nem comer, vai servir pra outros bichos comer (V. S. P., 48 anos).
O preço do quilograma do aracu (Anostomidae) também é alterado de acordo com o seu tamanho, o aracu (Anostomidae) chamado “cabeça gorda” custa cerca de R$ 7,00 e o chamado “piau vara” custa cerca de R$ 5,00.
Também pode ser observada a variação no preço do quilograma, a pescada (Plagioscion spp.) pequena que mede aproximadamente 20 centímetros, o quilograma custa R$ 6,00, já a pescada (Plagioscion spp.) considerada grande pelos pescadores que mede mais de 30 centímetros o valor do quilograma é de R$ 7,50.
Esses valores ocorrem quando os pescadores vendem o pescado no porto do quilômetro 11, onde os pescadores têm despesas com barcos, combustível, ajudante e alimentação. Quando vendido para o atravessador na própria comunidade o preço do quilograma é reduzido até R$ 3,00 dependendo da espécie. Portanto, em um movimento de parceria de barcos, onde os pescadores da comunidade se unem e comercializam o pescado juntos, o lucro é bem maior.
Levando em conta o quadro 6, outro fato que contribui para a distribuição do preço do quilograma das espécies, é a classificação quanto a cobertura do pescado, ou seja, se a espécie é coberta por pele ou por escamas. Geralmente relacionam o tipo de cobertura da espécie diretamente com a dieta. Pois se o pescado é de pele, sempre o preço do quilograma é menor, pois muitas pessoas não consomem quando estão com algum quadro inflamatório, esse fato coloca o mapará (Hypophthalmus spp.) como uma das espécies de menor valor no mercado, apesar de ser considerado de grande porte – 40cm , como pode ser visto no quadro 6.
Os pescadores relacionam diretamente esse tabu alimentar a dieta dos peixes, pois se o alimento que o peixe ingere tem algum ingrediente agressivo, isso
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irá refletir no sabor do pescado e fará mal para quem o consome – a reima será tratada melhor por pescadores da área final do rio 24.
Pode-se observar no quadro 7 a classificação quanto a dieta, a ocorrência anual e o tipo de cobertura das espécies, inclusive a espessura das escamas. Para os pescadores, se o pescado tem a escama grossa ele se alimenta de nutriente que fortalecem as escamas, e se são finas sua alimentação é mais saudável.
Quadro 7 – Classificação: tipo de couro, dieta e ocorrência anual dos peixes
comerciais da área da região inicial do rio 24.
PEIXES TIPO DE COBERTURA DIETA OCORRENCIA ANUAL Mapará - (Hypophthalmus spp.) Pele
Limo De Março a Julho Pescada
(Plagioscion spp.) Escama fina Limo, animais pequenos De Junho a Dezembro
Tucunaré
(Cichla spp.) Escama fina
Pequenos animais e partes de outros animais e raramente limo De Agosto a Dezembro Jaturarana: escama grossa e escama fina –
(Hemiodopsis spp.)
Escama grossa e
fina Limo De Fevereiro a Julho Curimatá
(Prochilodus spp.) Escama grossa Limo e frutos De Fevereiro a Agosto Aracu
( Anostomidae) Escama grossa
Limo e pequenos
animais Novembro De Maio a Tambaqui
(Colossoma spp.) Escama grossa Limo
De Agosto a Dezembro Fonte: Pesquisa de campo (2013).