IV. RESULTS AND DISCUSSION
2.5.2. SDS-‐PAGE of inner membrane proteins
O indivíduo não vive apartado da vida social, pelo contrário, está conectado à comunidade por meio da cultura, da comunicação, da moda e do lazer (MAFFESOLI, 1998b). Seria o que o Maffesoli (1998b) chama de “laço de reciprocidade”, um entrelaçamento das ações, das situações e dos afetos dos indivíduos. E é desta maneira que a relação de afeto entre público e mídia é vista nesta pesquisa.
Para o comunicólogo francês Dominique Wolton (2015), na comunicação busca- se o outro, por meio do compartilhamento, com o objetivo de encontrar o amor. O pensamento de Wolton (2015) vai ao encontro do significado de afetar para Marcondes Filho (2008), que é mexer com sentidos e sentimentos, já que é capaz de provocar modificações no ser, além de comover. A emoção, logo, se dá quando o indivíduo é afetado.
Neste sentido, a televisão tem uma relação particular com o espectador, na construção de um vínculo e uma intimidade (JOST, 2007). Orozco Gómez (2005) concorda com JOST (2007) quando diz que “a interação entre o telespectador e a TV começa antes de ligar a televisão e não termina uma vez que esta está desligada” (OROZCO, 2005, p.34), levando em consideração que a televisão tem uma característica pessoal, pois destina-se a apenas uma pessoa (JOST, 2007), mesmo que a televisão seja um veículo de massa, ela conversa intimamente com as pessoas, dirigindo-se a um indivíduo e não à população. Os textos do programa conversam diretamente com uma pessoa, como é possível perceber quando a apresentadora do Sem Censura Pará (2015) fala “você pode mandar perguntas e comentários para os nossos convidados”, “no próximo bloco, você vai acompanhar o bate-papo com fulano” ou ainda “a sua participação é muito importante para a gente”.
A televisão é um “ambiente emocional do lar”, pois ela é presença e companhia, tornando-se um lugar de conforto que pode sempre ser acessado (HAGEN, 2009). Essa característica do aparelho televisivo é estendida a alguns programas de TV, quando ganham credibilidade e conseguem afetar o público, já que é uma experiência individual e coletiva, o que faz a interação ser um fenômeno subjetivo (SODRÉ, 2006).
Quando a programação é ‘ao vivo’ há uma troca de momentos, é o acontecimento sendo vivenciado instantaneamente. O espectador acompanha a transmissão para sentir- junto, não exatamente pelo que deseja saber, como já foi dito (FECHINE, 2006, p.2). Isso fica claro quando o marido da telespectadora Dolores, na introdução deste trabalho, contou que se ele chegar para almoçar na hora do SCPA, come sozinho. Isso acontece porque dona Dolores se sente conectada ‘ao vivo’ à comunidade por meio da comunicação possibilitada pelo programa televisivo. E o momento não pode ser transferido para posteridade, uma vez que é ‘ao vivo’.
A “TV articula o individual ao coletivo, sincronizando o meu quotidiano ao de grupos sociais mais amplos” (FECHINE, 2006, p.1), fazendo com que o sentimento de “estar junto”, revelado por Maffesoli (1998b), se manifeste enquanto todos assistem a mesma programação e comentam sobre ela. Quando os espectadores acompanham as edições do Sem Censura Pará e interagem com elas, revela-se o vínculo social pelo compartilhamento, pela emoção, seja para fazer ser ouvido/visto ou para reafirmar o lugar de pertencimento.
O vínculo entre público e programa é alimentado pelo formato do Sem Censura Pará, na tentativa de transformar o espectador em parceiro já que, desde a primeira edição, o público é convidado a participar com perguntas ou comentários. Para Gisela Castro (2012), as marcas (de produtos ou serviço) têm a ambição de envolver o consumidor como parceiro e fã, com estratégias transparentes ou não, para incentivar a participação “espontânea” do público nas redes sociais, por exemplo.
As táticas servem para aproximar o espectador e fazê-lo participar. Nas edições do SCPA, são sorteados brindes, bem como os espectadores são convidados a movimentar o bate-papo, quando a apresentadora enfatiza, logo na abertura do programa: “o maior parceiro do programa é você, envie suas perguntas e comentários” ou quando o perfil do Sem Censura Pará no Twitter publica “O programa é feito para você, participe!” e outros textos, como esse a seguir:
Figura 8: Informação retirada do perfil do Sem Censura Pará no Twitter
Esse laço estabelecido com o espectador do Sem Censura Pará só é possível a partir da interação. O convite formalizado nas edições do programa, seja pela apresentadora do SCPA, seja nas redes sociais, ajuda o público a ficar mais à vontade para participar do bate papo. Mas, na edição de aniversário de três anos do SCPará, em 1991, esse convite pareceu um tanto exagerado, quando a apresentadora começou o programa dizendo ao telespectador: “não seria Sem Censura, nem Pará se não contasse com a sua participação. É você que faz esse programa e é pra você que ele é feito, entre nessa festa e ligue para os telefones...”. Ao chamar o público para integrar o programa, cria-se um vínculo de cooperação, como apresento mais adiante no quinto capítulo, que, para Marcondes Filho (2014), pode determinar a qualidade da comunicação.
Durante a análise dos programas e nas entrevistas com os telespectadores percebi que a participação deles é motivada pelos brindes sorteados e pelos assuntos e convidados do dia, muito mais do que pelo convite. Os dez telespectadores que responderam ao questionário disseram que o mais interessante do programa é o tempo longo dado às entrevistas e o que os entrevistados têm para dizer.
O encontro se dá no lugar Sem Censura Pará, independentemente da tela que o espectador escolhe para estar ligado: televisão, smartphone ou computador, ele passa a ser participante quando interage ativamente com o programa (perguntando, retrucando, informando, fazendo comentários aos convidados do SCPA e à apresentadora). Há, assim, um enraizamento, a partir do vínculo criado, tendo em vista que a interação permite dar à comunicação o que Maffesoli (1998a) chama de sensível. É a partir da troca de informações entre a apresentadora, os entrevistados e os espectadores que se dá a interação e o vínculo, levando as relações vivenciadas no espaço e tempo virtual a construírem um quotidiano midiatizado.